Crónica Desaforada

41 Comments



Ser ou não ser Alupekiano, não é a questão

1. Primeiro ouvindo o grande Kaká Barbosa na televisão, no programa 180º, depois lendo este post do Virgílio Brandão, pus-me a pensar se não haveria um grande equívoco em relação à forma como se analisa o facto de parte substancial da população de Cabo Verde ter ainda alguma aversão e/ou dificuldade na utilização do alfabeto «oficial» - que não pelo acto da escrita na língua materna, em si.

2. Reparem, esta crónica tem, acima de tudo, perguntas. Não faz juízos de valor, não toma posições absolutas, nem pretende ter razão nalgum ponto específico. Mas sempre que se fala do crioulo escrito a discussão é muitas vezes levada para questões avulsas ou mesmo desnecessárias, desviando a nossa atenção do que verdadeira (e até escandalosamente) está a impedir a Nação crioula de ensinar a ler e escrever os seus filhos, na sua língua materna.

3. Segundo aviso, e porque esta é uma questão sensível. Não sou linguísta. Mas sou utilizador da língua cabo-verdiana. Diariamente. Quando me levanto e falo com as minhas filhas, quando escrevo ou traduzo peças de teatro (como já aconteceu com autores tão importantes como Shakespeare, Beckett ou Molière) ou quando comunico via msn com os meus amigos na Internet. E é nessa condição que escrevo estas breves notas.

4. Por exemplo, uma das questões mais faladas, mais discutidas, e que tem sido alvo até de algumas questões cafeanas (aqui e aqui), é a questão do Kapa. Mas eu, sinceramente, penso que isso é uma falsa questão. Pelo menos a minha percepção é esta: o problema não está na utilização do kapa. O problema está na supressão, pura e simples, da letra Cê do alfabeto «alupekiano».

5. Quando escrevo, por exemplo em conversas no msn, «un ka t'podê bai, mod un tem ke fká na nha casa», não me custa nada, é-me até natural a utilização do kapa no «ka» ou no «ke», mas já não consigo escrever casa como mandam as regras: «kaza». Fica esquisito.

6. Reparem, apenas como exemplo, nesta declaração de amor de Goneril, por Rei Lear, seu pai, no momento da partilha, numa tradução livre, quando foi feita a nossa versão em crioulo do drama maior de Shakespeare (a leitura em voz alta garante um efeito espectacular):

    «Senhor! Um t’amá bocê más du ki palavra podê dzê; K’más carim du ki vista, du ki espôce, du ki liberdad; D’rriba de tud kuant pode ser est’mód. Não menes du ki vida, kónd êl ê recheóde de graça, de saúde, de bêléza, d’hónra; Tónt, sima nunca tive fidje ninhum k’amá assim ou cólquer pai k’fosse amód assim. Nha amor ê um amor k’ta vrá Palavra pôbre, k’ta vrá Fála impotent. más di ki tud k’um cabá de dzê bocê, ê assim k’um ta amá bocê, senhor!»


7. Bem, está certo que com o tempo a gente acaba por se habituar a tudo, mas não serão estas pequenas questões que acabam por emperrar a oficialização definitiva do crioulo? A sua aceitação generalizada como instrumento de escrita? Como se explica que a grande maioria dos nossos escritores, mesmo aqueles que aparecem tantas vezes como os grandes defensores do crioulo oficializado (e não somos todos?), escrevem quase sempre em português? Seja a crónica, o poema, o conto ou o romance?

8. Todos sabemos que um alfabeto não é mais do que um conjunto de símbolos construídos para a facilitação da comunicação, nomeadamente, a comunicação escrita. Reforço aqui o termo «facilitação da comunicação» e nunca o seu contrário. O próprio Mário Lúcio Sousa, no seu livro de peças de teatro, explica na única das peças que escreve originalmente em crioulo, porque é que umas vezes utiliza o «cê» e outras o «kapa». Um dos nossos maiores letristas, o Manuel d'Novas, teria também algo a dizer sobre este assunto, não é?

9. Ou melhor, tendo sido aprovado o ALUPEC, «a título experimental», por decreto-lei de 31 de Dezembro de 1998, não teria sido melhor experimentá-lo mesmo, mas fora dos gabinetes dos intelectuais e linguístas? Sabiam, a propósito, que o ALUPEC, aprovado nesse mesmo decreto-lei, pressupõe que esse período experimental tinha «a duração de cinco anos, a contar da data da entrada em vigor do presente diploma.», prazo esse há muito expirado?

10. Havendo um período experimental, definido por lei, já terminado há muito tempo, e cujas conclusões não são conhecidas ou estão mal divulgadas, porque é que se dá o ALUPEC como um facto praticamente consumado? Onde estão os estudos? As conclusões? As recomendações? Qual ou quais foram as metodologias utilizadas para experimentar, efectivamente, o crioulo escrito segundo as regras e o alfabeto imposto? E dessas recomendações não há nenhuma, nenhuma mesmo, que proponha alguma alteração ao modelo pré-definido?

11. No artigo 4º desse mesmo decreto de importância histórica, está escrito que «findo o período experimental e ouvidas a Comissão Consultiva para a Língua Cabo-verdiana e demais entidades ligadas à problemática da escrita da mesma, procederá o Governo a uma avaliação final do impacto do uso do ALUPEC e adoptará as medidas que se mostrarem convenientes.» Onde está essa «Comissão Consultiva para a Língua Cabo-verdiana»? Onde e como está a ser feita essa tal avaliação final do impacto do uso do ALUPEC?

12. Não se põe aqui em causa a importância da padronização de regras de escrita, a partir de um alfabeto definido, nem o quanto fundamental (e tardio) é a oficialização do crioulo e a institucionalização do ensino da escrita, primeiro nas universidades, depois na sua implementação no ensino básico e primário. O que me parece estar aqui em causa é essa espécie de muro de silêncio que existe em torno dessa questão, como se não houvesse muitos que não tivessem uma palavra a dizer e que de alguma forma estão a ser ignorados.

13. Lembro-me do que disse o Kaká Barbosa e com razão. Era preciso ir falar com quem utiliza o crioulo há muito tempo, ver o que já estava feito, falar com os artistas, os músicos, os letristas, os dramaturgos, os jovens que andam a utilizar no msn o crioulo e apenas o crioulo (escrito) para comunicar uns com os outros na Internet. Ou seja, ir para o terreno e tentar entender algo que me parece muito claro. Não são os cabo-verdianos que tem um problema com o ALUPEC. É o ALUPEC que parece ter um problema com os cabo-verdianos.


Mindelo, 12 de Outubro de 2008




You may also like

41 comentários:

Virgílio Brandão disse...

João,
no ponto 1., falas em língua «oficial», presumo que é o português, não? Pergunto para esclarecer uma dúvida que me veio à mente.

Se veres o Relatório sobre a Qualidade da Democracia em Cabo Verde verás que a maioria das pessoas inquiridas usou o cabo-verdiano como língua... Mas, ao que parece, passou despercebido.

Adorei essa do Rei Lear em cabo-verdiano, soa-me (o texto transcrito), na verdade, melhor que no inglês shakespeariano. Já aagora, vou peço-te para, se tiveres o texto todo para mo enviares, pois adoraria lê-lo.

As tuas questões são pertinentes e, na verdade, não queiras saber a verdade das respostas.

Sobre a produção literária em cabo-verdiano, posso te dizer que resulta difícil aos escritores cabo-verdianos escreverem numa língua que não é devidamente reconhecida na sua própria terra (para além da questão do mercado e da comunicação global).

Nota bem só este facto: no ano dedicado à língua, o Ministério da Cultura decide fomentar a cultura cabo-verdiana com a atribuição de um dado subsídio de criação cultural ou coisa parecida; mas o que é faz? Dá esse subsídio à criação musical! Nada contra a música, não! Mas não é a língua o aspecto da nossa cultura mais carente?

Dá que pensar. Sei que é difícil gerir o oportunismo e oportunidade, mas...

Bem, tenho um recurso para ultimar; o demais fica para depois.

Abraço fraterno

Anónimo disse...

Ó João, será tão imprescindível estares sempre a apelidar de "grande" ao kaka Barbosa? Quer-me parecer que os bloguers Caboverdianos, pelo menos o nucleo mais visivel, esta-se a tornar numa "fogueira de vaidades". E não me admira nada que o KkB no seu blog também te mime com expressões do tipo! E assim se criam gurus e profetas.
sandra

Anónimo disse...

Oi João
Continuas a ser pertinente, aliás nascente per tinente. E assim é que é. Questionas sempre. Mas sobretudo levas os outros a questionarem-se. Precisamos de brandura e de brancura para chegarmos às coisas,às coisas concretas, e não ficar pelos badagaios. O proximo encontro deve ser uma reuinão de utilizadosres dessa ferramenta que há servir para a madeira e não para pedra nem ferro. Os do 13 deverão marcar a sua presença para alinharmos a bancada e as ferramentas todas. Estou de acordo.
Um abraço cafezudo. Kaka Barboza

João Branco disse...

Virgilio, o «oficial» aparece entre aspas e refere-se ao alfabeto, logo estou a referir-me ao Alupec mesmo. Quanto às questões, não tenho grandes esperanças em ter todas as respostas (nunca as temos).

Sandra, vamos lá ver: qual é o problema de eu achar o homem «grande»? Aqui não é a questão de criar «gurus ou profetas», mas sim de valorizar os nossos melhores homens e mulheres. Para mim, Kaka é um deles. Se isso te incomoda, o problema não é meu. O Kaka já nem tem o blogue activo há muito tempo e por isso, duvido que me elogia da mesma forma (nem que eu o mereça!).

Quanto à questão dos bloggers, marginal a esta crónica, deixa-me dizer-te o seguinte: a maioria das pessoas nem se conhecia quando começou a fazer o seu blog. Hoje são amigos, conhecem-se um pouco melhor, já não fazem juizos de valor precipitados só porque fulano é da Praia ou do Mindelo. Não há, nem nunca haverá, nenhuma fogueira das vaidades. O que há, sempre houve, e sempre haverá, é a nossa bem conhecida basofaria crioula, que é inata e estará presente sempre, dentro e fora dos blogues. A Sandra já devia estar habituada.

E sobre o crioulo, nada?

Kaka: muito bem. Fico contente em sabê-lo. Dá feed-back aqui ao rapaz! Abraço

Ariane Morais-Abreu disse...

Nao sei como se pode admirar o KKB quando este, com toda a violência e arrogância dos protegidos do poder politico, ameaça publicamente de morto no Semanaonline ha poucas semanas, alguem que manifestava a sua opiniao e as suas criticas perante um sistema viciado e complacente. Sim, ele e outros sao "gurus e profetas" autoproclamados. Outra coisa Branco, a "basofaria crioula" é nossa, nao tua!!!

João Branco disse...

Ariane, está bem, tu lá sabes. Leva a taça e que te faça bom proveito... Puffff!

Anónimo disse...

Oi João! Desculpa-me isto!
A Sandra...Ariane? Que tal sâo essas Armações? Feias ou bonitas? Elas não têm aqueles olhos e aquele abanar que fazem tombar os gurus? Moças! Grande, sou mesmo. Profeta, também. Do Bem e do Mal. Estou a cultivar-me para isso. Olhem lá! De certeza que a covinha, curtinha, que costumam fazer no cemitério da Praia para meter gente grande 1,80mtrs adiaria a cambadura definitiva no buraco para pelo menos uma hora. Os pequernos chegam, 5 mtos depois são petiscos das baga-bagas e depressa somem. Até nisso gente grande é grande.Dão muito de comer às baga-bagas. Guru, não sou, violento depende, protegido pelo meu 6,35. Estamos kuaites.
João, sei porque é que pões G.K.B. è que o teu brancor é maior que a soma do perimetro de muitas caveiras vivas e moribundas e-e-e-e ainda as que vivem no céu e no santo pico do inferno. Agora, dumitamente, elogio-te assim: És claro, muito claro, porque provocador e polémico e amardoce e brancoreno as tuas parições.
Nsª Sª da Lua Minguada ka ta Txobe da topapa na testa dex linga escalabród. Galinha branka ma bô sempre, rapazin de Crist.
P.S. N tava gostá de trofegá lingá ma Sandra e Ariana. Midi fonte de sês palavra, ôi na ôi te ke no seka nos vaidade. Tavez ex tava konxe kova de nhas desafor. Ta falód?.
João. Rapaz. Calar era sofrer demasiado e não vim para tal castigo. Abraços. Es talentoso. Te admiro muito. Kaka Barboza

Anónimo disse...

A mim não me incomoda nada e não precisas de vir com 3 pedras na mão. Se gostas de venerar pessoas, tudo bem, o problema é teu. Só teria curiosidade de saber por quê que ele é "grande" para ti! Por ser deputado? por ser do PAICV? por falar bem a lingua criola? porque costuma tomar uns cafés contigo? Era só para perceber melhor como eleges os teus "gurus"...
sandra

João Branco disse...

Sandra, três pedras na mão? Eu? Tá-se mesmo a ver que não me conheces. Nem ao Kaka Barbosa. Olha, ele é grande porque é um fantástico poeta, um filosofo popular como poucos existem em Cabo Verde, com uma sabedoria acumulada e de dimensão arquipelágica - algo que falta muito no nosso país (sim, Ariane, NOSSO, NOSSO E NOSSO!), por ser um músico brilhante, mas que se dá pouco a conhecer. Por ventura já andaste a cantarolar músicas dele, sem saber que eram dele.

Garanto-te que se tivesses possibilidade de falar com ele alguns minutos irias entender com muito mais facilidade.

Agora, por ser deputado? Eu nunca me lembro disso! Por ser do PAICV? Oh cara Sandra, por quem me tomas! Não vás por aí que não vale a pena. Tenho amigos de todas as cores e de todas as dores, e portanto, não há como me colar ao verde ou ao amarelo. E quem falou em gurus foste tu, não fui eu.

Aceita este abraço fraterno, sem qualquer pedra na mão (como é obvio!)

João Branco disse...

E assim derrepente, já não se fala do crioulo! Volta Virgilio!

Anónimo disse...

Fiquei esclarecida JB. Aceito o teu abraço fraterno e aproveito para te dizer que não tenho qualquer problema em relação ao Sr. Barbosa que acredito que deva ser um MUST! Queria apenas perceber porque é que ele é GRANDE!
É assim: seguindo um pouco o que sai na blogosfera em CV sente-se que há um grupo que parece querer auto-promover-se e parece que "combinam" enviar piropos uns aos outros...desculpem, mas é o sentir de alguém que visita os blogs com alguma assiduidade.
sandra

João Branco disse...

Não existe essa da «auto-promoção», Sandra. A propósito do quê? Cabo Verde é muito pequeno, essa é que é essa. São muito poucos os blogues ainda, apesar do movimento estar a crescer claramente. Então, todos se conhecem, é natural. Mas quem nos promove, verdadeiramente, no que aos blogues diz respeito, são as pessoas como tu, Sandra, que nos visitam com alguma assiduidade e nos dão aquele feed-back e ânimo para continuar. Abraço fraterno.

Anónimo disse...

O Réne Char (francês)é um dos grandes poetas da humanidade. Ele era dos bigs que integrou a resistencia francesa conta a ocupação alemã. Ele defendia que tinha numa mão a caneta e noutra a baioneta de soldado. Os poetas de verdade sempre foram uns gurus. Loucos. Profetas. Se elas me ouvissem cantar João, a nova linha proposta por mim " Sons Derve" ficariam tão grudadas, esquecendo de te tachar de meu venerador.
Tratam o meu boi tão mal e por via dele os meus amigos. Porquê?
A mim digam de tudo. Sou ferro curado. Ao João, não. Gosto de defender os meus amigos sobretudo quando não têm razão.
João, obrigaram-me a blografar e a ser bazofo. Olha que por causa do Alupec, João, pelo dasforo do teu blog, o desconforto em que o café caiu. Ficou tão doce.Pois, bem haja a Crónica Desaforada. Ela gera amizades desaforadas.
Gostei. Kaka barboza

Sisi disse...

A crónica desaforada como sempre está excelente... vou ser sincera, ñ sei muito sobre o alupec, aliás do pouco que eu sei grde parte aprendi aqui no Margoso. Contudo tenho uma opinião formada, que ao longo das pesquisas que faço, as vezes na net, sobre o assunto vai ficando cada vez uma sólida, e é resumida pela última frase da crónica. Para mim, o alupec mas complica do que outra coisa, quando poderia ser mais simples.


PS: admiro-te pela paciência que tens em responder todos os cometários, mm qdo este fogem do assunto para coisas banais.


Abraço!

João Branco disse...

Kaka, a seguir vão dizer que estamos combinados... hehe

Sisi, penso que somos muitos a ter essa impressão. Quanto aos commentts, procuro sim, responder sempre. Para promover o diálogo, acima de tudo.

Anónimo disse...

café pa desabafà (lol plagiando um certo café...margoso) : continuando na linha dos comentarios e fugindo a questão (do criolo), acho que hà muita confusão em certas pessoas. o blog é pra partilhar(ideias, opiniões, trabalho-é! um blog é trabalho tb), temos (nôs) as vezes um pequeno em reconhecer e dar uma opinião,e respeitar a dos outros. é visivel no mundo real(no nosso) a dificuldade em aplaudir num espetaculo,concerto,ou simplesmente "um" Kaka Barbosa , não penso que seja simplesmente pra satisfazer o ego, vai muito mais além...claro que fico satisfeito quando o vejo num outro blog que não o meu, pelo menos serviu pra alguma coisa ou que alguem percebeu o meu "trabalho", acho que é unica coisa que conta, se não, mentiria. Mesma coisa quando colocamos um link à um post é uma forma de partilhar, um blog é isso,partilha.Se não ficaria tudo num sketchbook,num diario ou num caderninho no fundo da gaveta. Quanto a ter uma posição diferente ou contraria todos têm direito, mas é claro dentro do respeito, da ética,sem ofender ou como diria um brasileiro: sem baixaria. mas hà gente que não aprende e que pensa exctamente o contrario, a politica do bota-abaixo, mesmo que o resultado(positivo) esteja a vista , mas como diriam num servidor de blogs qualquer : um blog esta ao alcançe de todos , bastam três clics,mas se não haver "partilha" é como uma pedra no deserto, não serve pra nada...outra coisa indecenteque temos no pais é de haver pessoas que não conseguem ver pra além das cores politicas(a real), e cair na "dicotomia verde/amarelo " e restringir um paìs a duas cores, quando realmente vale muito mais que isso, é um arco-iris... e saber aplicar(ou fazer) um juìzo de valor ou de facto, mas sem misturar ***** com marmelada. sem mais no momento, fecho o meu comentario com um ALOHA a todos os bloggers e aqueles que vão deixando comentarios (bem intencionados)

assinado:Hiena ( pora!! consegui escrever o texto sem dizer puta que pariu)

P.S. - JB, poderias mudar o teu nome para João Criolo, é que andas a causar azias (pelo teor de alguns comentarios,direi eu,racistas) fca cool man , e keep posting GURU(eh eh eh eh)

Ariane Morais-Abreu disse...

Branco, nao bebo café! Ainda menos o teu...

Ariane Morais-Abreu disse...

Blablabla... Ahn!! Poeta ciceron, LoL! Na, KKB mdjer ka é puta de vitrina... Meus senhores nao é preciso tantas turvas justificaçoes porque basta ler o que esta escrito para ver o fundo das vossas almas. Nao tenha medo, a morte, s'nhor KKB é a deusa dos homens, e a nossa unica certeza! Sao "poetas" nao é, aprendem entao o sentido e nao o ressentido. Aprendem sobretudo que a palavra é de todos como a lingua cabo-verdiana pertence aos alupec's como aos contras. Portanto "il faut de tout, même des fossoyeurs" (Jean Genet)pour faire un monde e o vosso microcosmo é muito pequeno, demasiado pequeno para caber tanta falsidao, fantasia e desmedida. A certeza dos sofistas nao engrandece nem a lingua, nem a poesia que maltratam, nem o spiritu kriolu... mas sim enche os vossos blogs, sanctuarios das piores heresias.
Té proxima!

João Branco disse...

Hiena, grande comment (principalmente em tamanho). Un t'imaginá esforço ke bo fazê pa escrevê tud'iss! E sem mandá kel abençoõde Puta ke Pariu! Grande abraço...

Olha uma nova definição para os blçogues: «sanctuários das piores heresias»! Não é fenomenal?

Puffffff!

Anónimo disse...

...ha dias falei de "elevate the debate" não querias acreditar, pois tens a prova, JB, alguns precisam de beber cafés com sal(e vinagre) pra ver se passa a ressaca d' odio (e maldizer)...digo isso sem maldade, mas ha coisas que é preciso ter "presença" de espirito para aturar(como diria minh'avô)
pora!

João Branco disse...

A gente tem que levar isto com espirito leve. Como diria um grande amigo meu que ka tem papas na lingua: «caguei e andei». Abraço!

Ariane Morais-Abreu disse...

Oi Hiena, vra pra la ma es de "racista" !! Bo ka é objectivo!! Um sabe kem bo é, ma um ta conserva bo anonimato... ma fka ta sabé "que c'est celui qui dit qui est!! Et l'habit ne fait pas le moine!! Joao ka ta tchma Branco, entao?!!! Pa nhos tem mas culhoes i menos dodo na odjus!!!

João Branco disse...

Ou o nivel pára de descer, ou certas pessoas deixam de ser bem-vindas por aqui. Nunca aconteceu no Margoso, mas alguma vez tinha de ser, e não vem nenhum mal ao mundo por causa disso. Medidas profiláticas nunca fizeram mal a ninguém, antes pelo contrário.

Abraço Fraterno

MYA disse...

Ariane, alem de nao saberes escrever portugues (falsidao nao existe) estás a precisar de uma rectificaçao hormonal. Tas, Tas.´
És a vergonha "pseudo-afrancesada" das gajas e para culminar a tua falta de educaçao és racista.
Ate agora ainda nao fizeste um comment correcto e relativo ao artigo, pois nao deu para perceber a tua opiniao. Tas preocupada em atacar blogueiros. Que é isso ??

A proposito, nao resisto, sou branca e nao é de nome !!

João Branco disse...

Eu agora já nem digo mais nada. Assisto de camarote...

Repito: e sobre o crioulo, o Alupec, a oficialização, nada?

Virgílio Brandão disse...

People,
take it easy...

As questões importantes são vistas assim mesmo, com paixão; o pior é que nem sempre conseguimos deixar de vê-las com a perspectiva de La Paliise ou de D. Quixote.

A Ariane é uma crioula branca, mais branca que muitas portuguesas; assim...

Confesso que quando era menino gostava do linguajar vernacular... dizia o meu «djigo, djigo mama san, manko manko degay... and so on» a todos os filhos de Messalina que me importunavam a alma e, se não chegasse, lá ia uma boa pedrada (Deus!, quantas cabeças e canelas parti à pedrada...). Cresci, deixei as coisas de menino hoje, somente em brincadeira ou em ironia que uso um «palavrão».

Kaká Barbosa,
o olha que a .6.35 mm não dá para travar um kaçobodista, não. Conheço que tenha levado 6 tiros e ficado vido; quem tenha levado dois tiros desse calibre e, ainda assim, feito o seu «trabalhinho» e fugido. A alternativa, ao usar uma arma dessas, é atirar – sempre – a matar... Isso não deve ser alternativa, pois não? Uma .9mm .380 ou uma 3.75 sim, são armas adequadas a quem precisa de defesa; mas quem se considera violento (mesmo no «depende») não deveria usar arma, para sua própria protecção. .65 não protege ninguém, é arma de brinquedo.

Mas, voltando ao crioulo, como dizia à Ariane em outra ocasião esta questão parece-me um pouco as Guerras de Alecrim e Manjerona (chás que, necessários, fazem bem à febre e ao estômago): uns vencem e outros triunfam.

A blogoesfera de origem cabo-verdiana tem, como tudo, as suas particularidades e cuja face menos boa deve ser ignorada.

João,
a minha dúvida sobre o «oficial» tem a ver com o facto de este ser o português, não o cabo-verdiano. Mas, na verdade, a língua oficiosa do país (e oficial na alma do povo) e que se fala nas nossas relações normais é o nosso «crioulo».

Mais que a questão do «k», é uma questão nacional. Se estamos de acordo em relação a um fim determinado (a normalização e instauração da língua cabo-verdiana como instrumento maior de comunicação) tal não deveria ser deixado aos técnicos?

Nota bem. Confronta o que dizes no ponto 13 com aquilo que se sabe da participação da sociedade civil na vida politica (e esta é uma questão politica) e cívica da nação e perceberás que as coisas não são assim.

Ademais, as pessoas sabem do ALUPEC desde, pelo menos, 31.12.1998. mas não fizeram nada a favor e contra isso. Agora, quando se fala nisso – a comunicação social e a blogosfera têm sido úteis neste aspecto de promoção do debate – ouço «d´Aqui d´El Rey!» se é verdade que a «Comissão Consultiva para a Língua Cabo-verdiana» não fez o seu trabalho (terá sido constituída?) – analisar no terreno o uso e efeito do ALUPEC –, a verdade é que os cidadãos fizeram o quê.

Queixamo-nos, claramente, dos nossos pecados, da nossa letargia e só conseguimos ver a nossa vaidade, a nossa confessada basofaria (i out on that) que pode fazer bem aos nossos egos mas não à Nação.

Escapou-me o programa 180º em que o Kaká Barbosa falou; mas sempre direi, tendo em conta o teu ponto 13, ele é uma pessoa [assim como os todos os deputados desde 31.12.1998] com especiais responsabilidades nesta matéria pois esteve na Assembleia Nacional e a esta cabe fiscalizar o que o Governo faz e não faz.

Já agora, aproveito este ensejo e pergunto ao Kaká Barbosa sobre o que ele e os Grupos Parlamentares (de todos os partidos) fizeram para fiscalizar a omissão governativa neste aspecto? Já nem falo naquilo que me parece uma usurpação dos poderes dos deputados e da Assembleia nacional nesta matéria...

Ah, João: não é somente no nosso crioulo que existem dificuldades entre o povo, não. Mesmo entre a nossa «nata dirigente» existe muitas lacunas, mas no português; não falam a língua de Camões para não parirem calinadas, pelo que falam crioulo. O que acho bem! Afinal, pois por que carga de água deve um representante da nação cabo-verdiana saber mais de português do que de crioulo?

Não sei, mas é o que se passa. Talvez ajude pensar nisto: a normalização do crioulo exigirá que as pessoas saibam mais de gramática, de sintaxe... Quem não conhecer bem o português terá, naturalmente, algumas dificuldades em assimilar o ALUPEC ou qualquer outra forma de normalização da nossa escrita que venha a ser adoptada.

Ah, sobre Gurus: no outro dia estive a (re)ver o «Guru do Sexo»...
Abraço fraterno

PS: Ando lerdo ou escapou-me o sentido de «Os do 13» no comentário do Kaká Barbosa?

Anónimo disse...

Vamos ao que interessa: sobre o crioulo diria que esta questão excita demasiado alguma intelectualidade que, à falta de mais assunto, pega nesta, vira, revira e não chega a lugar nenhum. Cá para mim basta seguirmos de perto, na Internet, como a lingua crioula esta a ser amplamente escrita, difundida e generalizada, para constatarmos não serem precisos decretos e nem declarações! Com K ou sem K, a lingua está aí a girar, amplamente assimilada, falada, digerida e respeitada. O resto são matérias para ocuparem algumas mentes sequiosas de assuntos em que pensar...
Já agora, escrever em Português significa duas coisas: maior dominio do portugues escrito e afirmação de uma identidade, que não deixa de ser elitista. Esta nossa sociedade era e ainda é estruturada sob a dominação de elites cuja marca principal será a manipulação de codigos dominantes ocidentais, neste caso da língua portuguesa.
Ana

Neu Lopes disse...

Tónte barulho ba nada!
Um assunto tão pertinente que perdeu-se em águas de bacalhau.
Olhem que esse assunto da ALUPEC está a tornar-se mais sério do que se possa imaginar. Lendo o artigo do Virgílio Brandão, fico preocupado. Se os escritos do Zizim são "dignos" de tradução, que fazer com as letras das músicas de Manuel d'Novas, Morgadinho, Ti Goy, Nhelas Spencer, Gerard Mendes, Paulino Vieira, Leonel, Tito Paris, para não falar das do Betú, do Katchás ou do Pantera? É que o crioulo dos que refiro aqui não é baseado nas "técnicas" da ALUPEC. Que fazer com o teatro do Juventude em Marcha?
Minha gente, há coisas que não são possíveis mudar nem em centenas de anos. E escrevendo no meu crioulo que desde sempre escrevo (se calhar ALUPEC nem ca tava na ôve de sê pai), bsôt traduzi tude o que bsôt crê pa ALUPEC que nha boca e boca de nhas gente ta destraduzil. Pior ainda: nhas fidje tambem ta escrevê criôl. Quêl más piqnim ta oiá nhas texto em criôl êl ta tentá copiá e adaptá na sê manêra. Quêl más grande, qu'é doente a internet e msn tem um manêra más estrónhe de escrevê. Ma é sê manêra. Nha codesinha ainda ca sabê escrevê, ma êl ta falá criôl que êl prendê na casa. E agora? Desconstruí tudo isso é que manera?
Não falo da utilização de um "kapa", ou de substituições simples. Penso sobre uma língua, não oficial" mas veículo único de comunicação para gente c'ma praga. Não se esqueçam dos homens de mão pesada dos altos da ilha das montanhas.
Isoo promete!
Coraja, irmons!

João Branco disse...

Bem, finalmente a discussão parece ter carrilhado para o que realmente interessa e devo dizer que me associo mais ao que escreve a Ana.

Virgilio, como podemos participar? Qual ou quais as oportunidades que foram dadas ao povo para participar neste discussão, nesta experimentação? A sociedade civil poderia fazer muito mais do que faz, quando nós não conhecemos os estudos feitos, as experimentações realizadas, as metodologias seguidas, as conclusões tiradas? Nada! Se querem colocar o pessoal perante o facto consumado, que seja. Não me venham é dizer que é o resultado de um longo e aturado processo de experimentação!

Num outro dia falava com uma pessoa altamente qualificada sobre este assunto e ela dizia-me algo que é muito certo: escreve-se crioulo há mais de cem anos. Um século de escrita. E não aprendemos nada? Foi preciso dar uma volta daquelas e criar um corpo alfabético como aquele, com todas as bases de sustentação teórica que possa ter?

Mais uma vez lembro que não sou linguísta. Em 1998 disse publicamente que o crioulo não estava preparado para ser oficializado e o tempo deu-me razão. Principalmente por causa da escrita. E por causa de uma série de complexos que por aí são alimentados. Mas como me disse um colega meu no msn, porra pá, temos que resolver esta questão porque colocar meninos a aprender a ler e a escrever numa lingua que não é aquele em que aprenderam a falar, a comunicar, a amar, é um processo violento.

Para mim, ponto um, principal: urge descomplexar esta discussão, quebrar o muro de silêncio gerado à volta deste assunto.

E já agora, sublinho o pedido de esclarecimento do Virgilio em relação ao Kaka Barbosa. Sendo ele deputado, o que nos pode ele dizer do papel da Assembleia Nacional em todo este processo?

Virgílio Brandão disse...

Neu Lopes,
acho que não é nem será nada disso.

Se ler o contexto do meu escrito verá que, ao contrário do que pensa ou pensará não há por aí ninguém a querer «destruir» o passado ou a «colonizar» seja o que for; bem pelo contrário.

Os meus amigos, referidos no texto, nunca, mas nunca – penso e não estou e nem estarei enganado – assaltariam a obra de ninguém.

Mas de uma coisa não tenha dúvida: cedo ou tarde teremos de optar por uma forma de escrita, seja o ALUPEC ou outro. E não podemos, nem devemos, estar sempre a começar do zero.

O ALUPEC tem a suas dificuldades? E depois? Temos de estar sempre a procurar o que é fácil? Lembra-me as palavras de Carlos Veiga – transcritas aqui no blog: «Falando com toda a franqueza, sempre pensei que o cabo-verdiano estava bem adiante, que era capaz de compreender um conjunto de ideias e valores, sem mais. Hoje eu acho que não.» Tenho de fazer as suas palavras minhas – subscrevo-as na íntegra. Esta discussão é um exemplo disso, toma-se a árvore pela floresta; procura-se divergência e não a convergência, o mais fácil e não que é necessário por ser, naturalmente, novo (já nem vou dizer «não é da minha ilha») e acarretar esforços.

Um dia,
podemos estar certos, as escritas em «crioulo» dos autores cabo-verdianos do passado serão objecto de estudo como memória da nossa língua nesta fase não normalizada. Aconteceu isso com a língua portuguesa, que sofreu muitas alterações ao longo do tempo; e vai sofrer outra.

Note, ainda, que se lesse o português de Os lusíadas, o inglês de Christopher Marlowe, Shakespeare (isso para não falar em James Joyce ou Lewis Carroll...) não entenderia nada, pois as línguas e as regras evoluíram de tal modo que entenderia essas obras hoje. Acontecerá isso com o nosso cabo-verdiano, pois é o futuro natural da nossa língua. Não se trata de tradução no sentido próprio da palavra, mas de, no futuro das novas geração (e temos de pensar neles) a nossa língua materna tem de ser escrito por todos da mesma forma.

Para quê a teimosia da cristalização da língua no plano oral, se necessitamos de ter a língua escrita, como forma de afirmação externa do nosso desenvolvimento como povo? E, neste plano, qual é a alternativa ao ALUPEC? É que não vejo alternativas... O oiço é o contra por razões não cientificas.

Agora percebo a militância quase invasora de Marsianu Nha Ida Padri Ferera. Uma coisa que antes, confesso, incomodava-me um pouco (até por achar que fazia e faz mais mal do que bem ao ALUPEC) pelo slogan repetido até a exaustão em todo e qualquer lugar.

Mas o homem tem razão; eu é que não estava a percepcionar a dimensão do seu esforço e interesse na questão; mas, anoto, não é «o Governo», mas o ALUPEC que liberta as pessoas de dois aspectos: de decorar como se escreve esta ou aquela palavra (por exemplo, a questão que o João referiu de «casa» poder passar a ser escrita «kasa» não é resolúvel com a admissão das duas formas?) e dessa ideia de que a escrita cabo-verdiana deve andar ao sabor da escrita de cada individuo...

Note-se, evito entrar em questões linguísticas de fundo – e elas existem e existirão – pois não sou linguista; mas é evidente que esta questão tem outros contornos sociais e resistências que tenho alguma dificuldade em entender. As questões de fundo da língua devem ser resolvidas por linguistas de acordo com as regras dessa ciência aplicada à realidade social. É assim tão difícil de entender?

João,
uma coisa parece clara: a dita Comissão não fez o seu trabalho. Ponto final. Se ficarmos à espera das instituições para pensar e agir, o que será de nós? Note bem, João, que não é uma língua diferente; não! É a mesma língua, só que com regras de escrita (coisa que não temos e precisamos de ter), nada mais.

Agora, que tem havido uma espécie de caixinha (nada de confusões...) em volta desta matéria, lá isso é claro. O porquê? Não sei...

Ana,
Se é assim (e não vou entrar no mérito da questão da «dominação das elites») o cabo-verdiano normalizado irá acabar com esse «elitismo» que, na verdade, só existe porque o ensino do português não será aquele que se almeja. Não é?...

Não me parece que seja questão de ociosos, mas sim de estudiosos. Alguém tem de fazer isso pelas pessoas que acham que «falta assunto» para pensar e não atenta nessas questões. A minha primeira percepção desta questão não a do linguista, mas tenho a que se segue: do cidadão que entende a necessidade social, urgente, de normalizar a nossa língua. Existe uma grande resistência às regras – de todo o tipo... mas isso próprio da natureza humana.

E não me venham com a desculpa de que «é preciso mudar mentalidades», pois essa é coisa que não podemos mudar – é a eterna desculpa de quem não quer afrontar a realidade e quer deixar tudo na mesma.

Será que os resistentes ao ALUPEC não são mais do que os «Velhos do Restelo» que desejam deixar-nos à deriva linguística e ancorados ao passado? Será que não percebemos da real necessidade social de normalizar a nossa escrita? Porque é que acham que o Brasil se apressou, agora, a ratificar o Acordo Ortográfico sobre a língua portuguesa?

Uma coisa é certa, o cidadão comum terá mais dificuldade em assimilar as novas regras do português que o ALUPEC. Mas, ao que parece, a língua lusa não é questionada nas suas dificuldades e – não esquecer... – na ausência de «discussão» do Acordo Ortográfico em Cabo Verde e da total falta de participação da sociedade cabo-verdiana em geral na discussão que ouve sobre ela. Caramba! Ao português damos asas, à nossa língua queremos tê-la com grilhetas!

Assim, não.

Não sou, como já disse em outro local, alupekista nem alupecador; mas apoio a instauração do ALUPEC, pois é necessária e representa um bem para a nação cabo-verdiana. O que falta é coragem política para se resolver esta questão!

Se calhar um Congresso da Língua Materna – com a presença de todos os especialista cabo-verdianos – pudesse trazer mais alguma luz ao entendimento do ALUPEC, assim como uma maior informação sobre o que é e o que não é. Aliás, não sei porque não é matéria objecto de ensino nas escolas...

É altura de se colocarmos mais razão na discussão desta matéria. É que ruidos e mal entendidos não nos levarão a lado nenhum.
Abraço fraterno

Anónimo disse...

eh eh eh eh
Hiena

Teatrakacia disse...

Inteiramente de acordo com a posição do Virgílio nesta questão. Na maior parte do tempo, quando as pessoas se apaixonam a 'deshonrar' o alupec, estribam-se em questões meramente 'geo-bairristas': 'Vai ser o crioulo da Praia!!!' Na realidade, trata-se tão simplesmente de uma normalização da escrita. As pessoas sempre dizem da dificuldade em ler em crioulo (as menos habituadas a isso) sem saber que isso se deve, justamente, ao facto de 'cada crioulo escrever o seu crioulo' da sua maneira... daí a dificuldade! Daí a necessidade de uma forma nossa de escrever. E a ter que ter uma, que seja a nossa forma... e não a imitação da forma de outros...
Tchá

João Branco disse...

Vamos lá por os pontos nos iis em relação à minha posição (e isto valerá uma Declaração Margosa um dia destes)

Ponto 1. sou um grande defensor da oficialização do cabo-verdiano a todos os niveis;

Ponto 2. Não sou contra o ALUPEC

Ponto 3. Apenas penso que, com um pouco de bom senso de pode MELHORAR, SIMPLIFICAR o excelente trabalho que a equipa de linguistas, cientistas e pedagogos fizeram quando instituiram o Alupec.

No fundo, a questão é simples. Nem todos os que pensam, como eu, que o Alupec precisa de uns ajustes (o Virgilio deu um excelente exemplo com a palavra «casa») são terroristas-antipatriotas-que-não-querem-a-oficialização-do-crioulo! Mas porque é que se tenta sempre passar essa ideia?

MYA disse...

LINGUISTICAMENTE FALANDO :

o Cê e o Quê sao perfeitamente substituidos pelo KAPA

o Esse funciona à perfeiçao para toda a fonia ssssss, ou seja: substitui os dois Esses e o Ç de cedilha.

o Zê age na sua fonia e pode substituir o Esse quando este nao estiver no incio da palavra , ex. sousa passa a souza (era assim antigamente).

O DJ - djon, e o DG - pidgin : qual a funçao do Dê no inicio ?

O TCH - Tcheka nao podia ser TX ?

Mais ideias quem tem ??
A correcçao do que está errado pode ser uma via ... digo eu.

Virgílio Brandão disse...

Oh, João,
Isso é normal; é um pouco o quem não é cegamente por nós é contra nós. O que me lembra o que dizia Jonathan Swift: «Violent zeal for truth have a hundred to one odds to be either petulancy, ambition, or pride». Pois…

Myna,
As coisas podem (e devem ser, se necessário) ser melhoradas, sim. O problema é que a nossa gente, salvas raras excepções, não tem o hábito «de dar o seu ao seu dono» e pensa sempre que um contributo externo ao que pensa é estragar a «perfeição» do que faz.

Mr. Tcá,
esses «ilhismos», a que chama «geo-bairrismos» é uma das causas maiores da não normalização da língua cabo-verdiana. E tal vem desde uma geração mais antiga (com normais resistência à novidade e às mudanças) ligada às gentes mais privilegiadas da terra; como vem de novos pseudo iluminados que pensam que ter um curso superior ou notoriedade social de qualquer ordem lhe dá qualquer direito a fazer tábula rasa do passado ou que pensam ou passam a ideia de que a «sua» perspectiva é que é a correcta.

No outro dia lia, até, num blog berdiano, que o ALUPEC não deve ser discutido. É o exemplo de discurso que criam resistências e acrescentam dores às dores de parto da língua normalizada. O meu inner man (nunca se engana) disse-me que...

Ah, e o Kaká Barbosa, onde está o seu pronunciamento? É que é fundamental para entendermos o que se passa, e tirarmos alguma conclusão sobre a acção parlamentar nesta área. Afinal, além de participante desta conversa de muitas vozes, é deputado da nação e deve uma explicação a nós cidadãos interessados nesta matéria.

Abraço fraterno

João Branco disse...

Virgilio, da minha parte podes ficar descansado. Não deixarei morrer este assunto. Meia volta, volta e meia, mandarei os meus post de cavala (o equivalente a «postas de pescada» lusitanas!) sobre o crioulo e a sua oficialização.

Abraço Fraterno

Virgílio Brandão disse...

João,
Como diz Dulce Maria Loynaz del Castillo «La criatura de isla, paréceme, no sé por qué…» deixa sempre as questões ao meio ou desertas?

Já reparaste que as questões que se têm discutido (começado a ser...) na sociedade cabo-verdeina (note-se que falo da blogoesfera, não!) acabam como fogo fátuo?

Abraço fraterno

PS: Escuta este belissimo poema
http://www.cervantesvirtual.com/servlet/SirveObras?Ref=5216&audio=0

João Branco disse...

Virgilio, não é por acaso que falei em «muro de silêncio». Mas eis um novo factor que eu considero poder ter um peso importante em tudo isto: a blogosfera.

Virgílio Brandão disse...

Entendo-te, João; se te entendo.

A blogosfera tem o seu interesse, sim.

Agora, espero que Kaká Barbosa, apareça por cá, nem que seja «dumitadamente», para dizer da sua justiça sobre as questões que lhe foram colocadas.

Afinal, merecemos saber o que os deputados da nação fizeram (ou não) até agora sobre esta matéria, não é?

Abraço fraterno

João Branco disse...

Merecemos sim. Já agora, na última grande entrevista que se fez ao Presidente da Assembleia Nacional, publicada no jornal Nação, uma perguntinha sobre o crioulo não teria caído mal, não é?

Virgílio Brandão disse...

Nada mal, não...

Mas o que fazer? É um assunto tabu a precisar de clarificação. Mas o nosso jornalismo...

Abraço fraterno