Declaração Cafeana

8 Comments


Ao ler esta notícia, fiquei em estado de choque. De facto, os EUA são um daqueles países capazes de tudo, do melhor e do pior. Para quem não quiser mudar de página, vou directamente ao assunto:

Uma escola do estado de Arizona, decidiu proibir demonstrações públicas de afecto entre os seus alunos, nomeadamente abraços que durem mais de dois segundos. Os alunos decidiram protestar contra a decisão que já levou inclusivamente à suspensão de uma rapariga de 14 anos. O protesto público foi a melhor forma de protesto encontrada, até porque ainda não podem processar judcialmente a directoria da escola (como sabemos, nos Estados Unidos tudo é resolvido através de processos judiciais, tendo chegado ao ponto de um cidadão norte-americano ter deciddo processar Deus. Perdeu, é claro!)

Perante esta notícia devo declarar publicamente que sou um fanático de abraços e tenho uma tendência quase suicida de abraçar tudo o que mexa à minha volta. Gosto de cumprimentar efusivamente os meus amigos com um abraço (ou dois, ou três); gosto de ficar abraçado à pessoa amada, mesmo que nada mais aconteça durante um longo período de tempo (pois essa também é uma forma de se fazer amor); gosto de dançar nas discotecas crioulas porque se dança abraçado (mesmo que não saibamos nem o nome do nosso par de dança); gosto quando o melhor momento do dia é aquele em que uma das minhas filhas, ou as duas ao mesmo tempo, se chega e diz, como quem não quer a coisa: «papá, d'm um brassa!»

Seria fantástico se, em vez de um aperto de mão, os comprimentos formais fossem substituídos por abraços. Chegar ao trabalho e ver o patrão, abraça-lo com sinceridade desarmante, ao mesmo tempo que se diz: «Bom dia Doutor, como está hoje?» E chegando na política, é fácil constatar que se José Maria Neves e Jorge Santos se abraçassem em cada uma das ocasiões em que, por acaso ou não, se cruzam nos corredores do poder da capital, hoje não estariam, certamente, tão de costas voltadas.

E o mundo seria melhor!

P.S. Hoje, no Café Margoso, declara-se o Dia Internacional do Abraço (The Hug Day). Abraçai-vos uns aos outros. «Como eu vos abracei, vós também abraçai-vos uns aos outros. Nisto todos reconhecerão que sois meus discípulos: no abraço que tiverdes uns para com os outros.»




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8 comentários:

Sisi disse...

Tive uma professora de psicologia clínica que fez o doutoramento nos EUA e ela dizia que a sociedade americana é uma sociedade "curiosa"...bota curiosa nisso...fala sério!!! Tem cosa mas sab kum bracinha pertod???

lumadian disse...

Ora então, vai daqui um grande abraço!

Johnny disse...

Principalmente ses for kess bracinha d'bossa, Sisi!... DnB

Jon, sorry tar a fazer do teu Blog também um spot de declarações, hehehehehehehe

Há dois anos atrás fui ao Andanças (festival de danças do mundo que se realiza anualmente ao pé de Viseu) e um das actividades que encontrei aí foi a Terapia do Abraço. Foi incrível, imagine um pavilhão cheio de pessoas (desconhecidas entre si) a abraçarem-se uns aos outros aleatóriamente ao só de... risos! Foi Lindo


e já agora...

Aquele ABRAÇO

Kuskas disse...

Oh João
Minha metade de cara diz que uma das coisas que o faz gostar de mim, é que eu sei Abraçar.

OS americanos não sabem o que perdem. Go Xupar Limon!!!

Aquele Abraço

João Branco disse...

Sisi, o teu comemt já virou pergunta cafeana!

Lumadian, outro!

Jonhy, estás à vontade. O Café Margoso não fecha as portas para manisfestações de carinho, venham elas de onde vierem, e tenham elas o destinatário que tiverem! Ai, ai, ai!

Kuskas, abraçar (também) é fundamental...

Dundu disse...

Realmente, bota curiosa nisso.
Os americanos são daqueles que se não morrerem da doença irão, certamente, morrer da cura.
Criam leis para se protegerem de tudo e acabam por ser as próprias vitimas desse excesso de leis (muitas vezes absurdas, com este caso)

Nem parece que um americano compôs "Let's fall in love".

Que sociedade mais contraditória

Anónimo disse...

Oh joão, axo que a ideia de abraçar toda a gente em vez d 1 aperto mão não é 100% boa.
Já imaginaste nakeles dias de calor, ter k suportar akeles xeiretes a cebola?? E ainda ficar c a sensação q ficaste c/ o xeirete!!!
Eu hein!!

S.

João Branco disse...

S. pensas que não pensei nisso? Mas lembro-me, por exemplo, da passagem d'ano, da euforia na marginal do Mindelo, onde abraçamos meio mundo... E gosto da ideia. Talvez assim o pessoal que toma pouco banho não poderia ter um pouco de mais cuidado com a sua higiene pessoal! Abraço