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Quando se convida uma pessoa como Vasco Martins para uma entrevista, temos que estar preparados para o que isso significa. Falar com o Vasco é como falar com a ilha que ele mais ama, é como subir ao Monte Verde e contemplar, num raio de 360 graus, a beleza inusitada das montanhas rodeadas por mar e abraçadas pela areia branca. Aliás, foi isso mesmo que ele começou por dizer-me quando o contactei para a gravação desta conversa. “Eu vou, porque é contigo, mas sou eu que escolho o local. É melhor trazeres um casaco, porque ali faz algum frio”. Fomos para o Monte Verde, claro. Parou o pequeno jipe já envelhecido por muitos passeios, a uma boa centena de metros do sítio escolhido e fomos por ali acima, conversando sobre a vida, a natureza, os amigos. Este é o homem que mandou construir um arco de pedra, no início da estrada que liga a Baía das Gatas ao Calhau e que hoje é monumento de S. Vicente. É o homem que inventou o Tibete crioulo, para onde convida amigos e desconhecidos para o ouvirem tocar em sua casa. E marca a compasso a história da música de Cabo Verde. Conversamos, sentados no chão de uma colina, ouvindo apenas o silêncio que tanto o inspira. No final, ofereceu-me o seu novo disco, maravilhosa obra a que deu o nome de Li Sin, com composições para guitarra e quarteto de cordas. Faz-me companhia agora mesmo. A vida é mais bela, aqui sim. Obrigado, Vasco.

A entrevista, enquadrada na rúbrica Dôs, poderão lê-la na próxima edição do jornal A Nação. Olhem que vale mesmo a pena. 



António Abujamra, actor, encenador, provocador, tem 78 anos e detesta comemorar aniversários. Fez 78 anos no dia 13 de Setembro, no dia em que foi apresentada a peça "No Inferno" de Arménio Vieira, um poeta que ele certamente iria adorar conhecer. Terminada ontem a apresentação da sua peça "Começar a Terminar" no âmbito do festival Mindelact 2009, António Abujamra, actor, encenador, provocador, desmaiou no camarim. "Geralmente, quando me sinto fraco e vou cair, eu sei que vou cair antes de cair", confidenciou-me ele pouco depois de recuperar os sentidos. "Por isso me assustei: cai sem aviso de recepção."

Isto para dizer que António Abujamra, actor, encenador, provocador, com 78 anos, mesmo depois de um dia em que não comeu nada, depois de um dia em que passou mal por causa do calor, da humidade ou por algo que comeu e que lhe provcou desarranjos, esteve ali, implacável, durante mais de uma hora em cima do palco, apresentando uma peça espantosa do ponto de vista dramatúrgico, de encenação, de interpretação, com um cenário de J.C. Serroni, o mais importante e revolucionário cenógrafo do teatro brasileiro do século XX e um desenho de luz absolutamente mágico pela simplicidade e forma como utiliza as fontes de luz que emanam ao longo do espectáculo.

António Abujamra, actor, encenador, provocador, com 78 anos, desmaiou logo após a sua actuação em Cabo Verde. Há quem tenha dito que a actuação ficou "um pouco aquém das expectativas". Eu digo: foi muito mais além de todas as expectativas e até do bom senso comum, que nos diz que um homem, com 78 anos, enfraquecido por um dia sem comer, não deve fazer grande esforço, muito menos pisar um palco e ser protagonista durante mais de uma hora. E ainda bem que assim o fez. Porque a maior lição do texto, todo ele inspirado no universo de Samuel Beckett, nos confronta com uma primeira e maior conclusão: neste mundo louco, feio, violento e hipócrita, o oásis mais provável e a maior esperança está aqui mesmo, no teatro. Eis uma verdade em que acredito cada vez mais.

Obrigado, António.




No mundo há três tipos de pessoas: as boas, as más e as assim-assim, sendo que 99% das pessoas são desta última categoria, ou seja, não são nem totalmente boas, nem totalmente más. Acredito, no entanto, que há algumas pessoas que são boas por natureza e outras que não conseguem ser senão más para o seu semelhante. Entenda-se por pessoas boas o que a palavra indicia: propícias à bondade, sempre prontas para fazer bem aos outros. 

Ora, no que me tem sido dado a conhecer, e compreendo que haja sempre quem considere estes juízos de valor demasiado injustificados ou mesmo perigosos, o Djinho Barbosa está no pequeno grupo das pessoas intrinsecamente boas com quem já me cruzei na vida e digo isto à vontade porque não tenho para com ele qualquer dívida de gratidão que pudesse ser paga com um texto tipo manteiga. 

É daquelas pessoas que fica na sombra para os outros brilhar, embora seja ele próprio um músico com toda a competência, o que facilmente se comprova com uma simples audição do seu trabalho discográfico Trás di Son. Além de que, como já tive oportunidade de dizer, tem uma casa reveladora de um bom gosto excepcional. Gosto de conversar com ele, de partilhar com ele a sua sabedoria e é isso que espero fazer no próximo Sábado no concerto que ele nos vai proporcionar no Quintal da Música. Aí poderei dar-lhe os parabéns pessoalmente.

 Fotografia de Djinho, de Abraão Vicente





Esta música vai para uma grande, grande amiga. Para uma espectacular coreógrafa, que muito deu a Cabo Verde e continua a dar, porque amanhã, dia 15 de Maio, poderão ver no Centro Cultural Português, da Praia, o resultado da formação que deu estas duas últimas semanas na escola do Raiz di Polon. Para uma mulher de grande carácter e incomparável energia: Clara Andermatt.




Imagem: Clara Andermatt em "Dan Dau", Fotografia de Jorge Gonçalves




A melhor imagem dos vencedores




O FC Porto sagrou-se Tetracampeão. Parabéns!




Há algumas semanas o Café Margoso tem recebido a visita do que se poderia designar como um poeta popular. Comenta muitos dos textos aqui publicados, mas com duas características: em poema e em crioulo.

Além disso, assume uma postura positiva, alegre, construtiva mas nem por isso deixa de ser crítico, quando acha que se justifica. Mas quando se comenta seja o que for utilizando a poesia, a essência do ser humano, como muito bem escreveu Arménio Vieira, tudo fica mais luminoso.

Este é apenas um singelo agradecimento a Manu Moreno - Emmanuel Moreno Badiu la di Praia-tchada - como se intitulou numa das suas últimas intervenções. Numa próxima ida à cidade da Praia, conhecer Manu Moreno pessoalmente, será certamente uma das componentes mais importantes da minha "ordem de trabalho".


A Gerência


Imagem: "Poetry" de Cryptorchid



A reportagem do jornal A Semana sobre a evolução informática de Cabo Verde nos últimos anos é muito boa e tem um excelente título, "A revolução silenciosa do NOSI". De facto, é espantoso constatar as mais valias que esta gente conseguiu para o país em apenas 10 anos, com o seu trabalho pioneiro, sob o comando de um discreto Jorge Lopes. Nós, como cidadãos, só temos mesmo que agradecer e desejar que esta fantástica equipa - plena de juventude e criatividade - continue a inovar e a contribuir para elevar Cabo Verde a novos patamares.

A equipa do NOSI, Núcleo Organizacional para a Sociedade de Informação, quase toda ela constituída por jovens recém licenciados, é outro exemplo de como ainda podemos ter esperança de que o empenho vença a preguiça, a criatividade ganhe a batalha à falta de imaginação, a competência tenha mais valor do que abstinência, ou que o amor pelo país e pela causa pública fale mais alto do que a vontade de acumulação rápida de riqueza.

Sinceramente, quando vejo estes exemplos, que seja como for, são também resultado directo da aplicação de políticas públicas, é que sinto que muitas vezes temos a nossa bússola do julgamento demasiada apontada para os factores negativos. Afinal de contas, há coisas muito interessantes acontecendo em Cabo Verde. Parabéns, NOSI!

Fiquem atentos. Num espaço de mais ou menos uma semana, este caderno especial estará disponível na Internet, e do seu link daremos conta aqui, porque vale bem uma leitura atenta.


Nota final: quem deveria ficar preocupado com este dossier é mesmo o pessoal do Ministério da Cultura, já que esta capacidade de informatização foi designada na referida reportagem, e em letras garrafais que ocupam duas páginas inteiras de jornal, "o diamante cabo-verdiano". Conhecem esta expressão? Com uma concorrência deste calibre para uma expressão tão usada noutras circunstâncias, e vendo as actuações de uns e de outros, facilmente se verifica quem percebe mais de pedras preciosas no nosso país...





Como se pode ler aqui, a Agência de Regulação Económica decidiu mandar baixar os preços dos combustíveis em cerca de 5%, no dia em que o preço do barril de petróleo voltou a ter uma queda acentuada de 6%, só de ontem para hoje, tendo baixado a barreira psicológica dos 69 dólares, algo impensável e até pornográfico, há uns tempos atrás. Neste preciso momento em que escrevo este post, o preço certo do barril de petóleo é de 67.86 dólares por barril.

Resta dizer que esta redução é ridícula, sabendo-se que o preço do petróleo já diminuiu para metade em relação ao mesmo período do ano transacto. Mas seja como for, agradecemos a esmola.




Recebi um telefonema de um jornalista do Expresso das Ilhas, a pedir-me autorização para a publicação de um post do Café Margoso, no seu jornal. Educadamente, pedi que não o fizessem e expliquei as minhas razões.

Quero no entanto deixar registado a atenção que tiveram em me contactar, antes de fazer uso (indevido) dos artigos do Café Margoso, o que é sempre de realçar, num meio onde esse tipo de cuidados nem sempre prevalece, como se viu recentemente, e se pode ler aqui. A questão, no que ao Café Margoso diz respeito, é não querer ver certos textos publicados noutros contextos, para não dizer noutro género de publicações.

E aproveito para reforçar o que vêm sendo dito nalguns blogues: já era tempo dos jornais em Cabo Verde acordarem para esta realidade, premente, viva, quase frenética, que é a blogosfera cabo-verdiana.

Para já, o meu aplauso e agradecimento, ao Expresso das Ilhas.


Os meus amigos d'Angola já se foram...



...e o mínimo que se pode dizer é que as coisas vão agora ficar um pouco mais calmas! Porque animar lugar é com eles. Excelente prestação artística e humana no Mindelact 2008. Boa viagem e voltem sempre!


Fotografia de Anselmo Fortes





O jornalista Francisco Fontes esteve em Cabo Verde durante alguns anos, como representante da Lusa e Cabo Verde ficou-lhe entranhado. Eu percebo isso, claro. Por motivos profissionais, teve que se ir embora. Voltou para a sua cidade, Coimbra. Mas nunca se esqueceu. E continua a querer, por vontade de retribuir ou por generosidade, ajudar Cabo Verde, da melhor maneira possivel. Promoveu a edição da primeira colectânea de contos cabo-verdianos - «Thub na Desert», e agora organiza e lança, uma colectânea de poesia de Cabo Verde, intitulada «Destino di Bai», ambas com a chancela da ONG Saúde em Português.

Em entrevista ao Semana Online, promete que vai tentar fazer mais:

«A ligação ao país, onde tenho bons amigos, era tão forte que teria de se expressar de alguma forma»

«As receitas [das obras] serão aplicadas num projecto destinado a cabo-verdianos. Ainda não foi possível, mas a intenção é concretizar a dádiva num projecto de telemedicina entre o Hospital Pediátrico de Coimbra e o Baptista de Sousa, no Mindelo, tal como já existe com o Hospital Pediátrico de Luanda. A Saúde em Português tem esse compromisso e eu com os autores e o país»

«A minha ligação a Cabo Verde vai se reforçando com as iniciativas que se realizam. Seja com que instituição fôr, ou a nível meramente pessoal, continuarei a participar na concretização destas pontes. Existem várias ideias. Pequenos sonhos. Uma delas é a gravação de sinfonias do Vasco Martins pela Orquestra Clássica do Centro, associada a uma digressão a Cabo Verde.»

«Eu pouco mais fiz do que executar um papel de mediação entre o criador e o leitor, tal como faço no jornalismo. Procurei também concretizar algo que tem vindo a ocupar as ciências sociais nos estudos pós-coloniais, ou seja, que a narrativa fosse a do autor, e resultado da polifonia criativa, e não estivesse modelada por uma visão externa, a do organizador. Quase me limitei a convidar a criar e a juntar os contos em livro. .»

Neste último parágrafo, tenho que discordar do Francisco Fontes. Ele tem feito muito por este país, com o seu trabalho de formiga. Só quem está dentro do processo de edição é que sabe o que custa.

E há que dizê-lo: obrigado, Francisco!





Acabamos de atingir as 10.000 visitas.

O Café Margoso existe há muito pouco tempo. Nasceu no dia 27 de Dezembro de 2007. É capricorniano, pois. Tem pouco mais de três meses de vida. No primeiro post, desse primeiro dia, coloquei um poema de Ricardo Reis, em que se aconselha a ser todo em cada coisa e a põr quanto sou no mínimo que faço. É o que tenho procurado alcançar.

Agradeço aos fieis clientes do Margoso e aqueles que só cá vem de quando em vez. Aos muitos que comentam neste espaço, que é de todos. Tentei contabilizar os comentários, mas desisti quando cheguei à casa dos milhares. A porta está sempre aberta. Certo que só voltarei a comemorar números de visitantes quando acrescentarmos um zero à direita, que é como quem diz, mais uma chávena de café.

Aceitam-se sugestões, críticas, ideias, desaforos, gritos, silêncios, anonimatos, flores e algo mais que vos aprouver dizer, nesta ocasião tão solene. Bzoute é kês kliente «dakel bom». Obrigado.

Aquele abraço!




Acabou de ser apresentada a peça «A Última Ceia», na cidade da Praia, do GTCCPM. Entre as 19 horas e as 22 horas de Domingo, fizemos duas apresentações. A sala esteve ambas as vezes completamente cheia. O público acompanhou, sorriu, emocionou-se, reflectiu, acarinhou e aplaudiu.

Agradeço, pois, à Cãmara Municipal da Praia que nos convidou, ao Centro Cultural Português da Praia que nos acolheu, ao Mano Preto e ao Djeff que nos produziu e promoveu e principalmente, à cidade da Praia - e os muitos amigos que por lá temos - que nos recebeu de braços abertos.

Cada vez estou mais convencido que o problema na cidade não é a falta de público para o teatro, mas sim a falta de teatro para um público com muita vontade de ver.

Até à próxima!





Obrigado Abraão Vicente

Mais conhecido como figura da televisão e pelos óculos vermelhos, Abraão Vicente criou, logo à partida, alguns (muitos?) anti-corpos. Meteu-se em polémicas, algumas estereis e desnecessárias, outras pertinentes e que, no mínimo, serviram para a discussão de alguns assuntos tabus. Sobre este Abraão, poderemos falar numa outra ocasião. Mas é ao Abraão que procura um caminho na expressão artística que dirijo o meu agradecimento.

Não sou crítico de artes plásticas. O que tenho, apenas, é a minha própria sensibilidade. O gostar ou o não gostar. O sentir ou o não sentir. Já não gostei de algumas obras do Abraão, de outras gosto bastante e interessa-me, sobretudo, esta sensação boa que estamos perante uma pessoa que não quer impor, de forma quase desesperada, um lugar na galeria dos artistas plásticos cabo-verdianos, mas apenas que busca, experimenta, erra, acerta e, atento ao mundo que o rodeia, busca uma identidade para a sua expressão plástica. Ou seja, que faz o seu caminho.

A melhor solução, antes de dizer seja o que fôr, talvez seja ver. O Abraão tem um local onde mostra os seus trabalhos, de uma forma corajosa, porque está tudo ali, à mão de semear. Sujeito a críticas, comentários, análises. Não se esconde. Só isso é um bom sinal. Vão ver aqui. E depois digam de vossa justiça.

O trabalho que ilustra este pequeno agradecimento, da série intulada «Lém di li» já está emoldurado e assinado pelo autor. E fica tão bem, ali, naquela parede da minha casa. Obrigado.




Obrigado equipa do Nha Terra Nha Cretcheu

pelos 100 programas já produzidos e dedicados ao lado bom de Cabo Verde.

Histórias, exemplos e personagens das ilhas crioulas desvendadas, durante 100 episódios, num programa que escolheu um jornalismo diferente, porque optou Cabo Verde sob um prisma positivo. No seio de um país aparentemente pobre, o “Nha Terra, nha Cretcheu” encontrou os casos de sucesso, as razões de alegria para os cabo-verdianos que estão dentro e fora deste arquipélago.

Há cerca de dois anos, quando em Portugal se vivia um clima de crispação na comunidade cabo-verdiana, o então director da RTP África desafiou Maurício Carvalho, director da Agência Caboverdeana de Imagens (ACI), produtora do “Nha Terra, nha Cretcheu”, a fazer um programa de televisão que passasse uma imagem positiva de Cabo Verde. Que trouxesse para primeiro plano o esforço das suas gentes e aumentasse o orgulho da sua diáspora, o orgulho de ser crioulo. E o projecto surgiu, foi aprovado e pariu. O primeiro episódio do Nha Terra foi para o ar em Abril de 2006.

Aplausos, pois! E um bem haja a toda a equipa.

Imagem daqui

Recebi uma encomenda! Não há coisa mais cabo-verdiana, diga-se de passagem. Receber e dar encomendas é um acto de cultura. E como tal, um cliente aqui do Margoso enviou de Portugal um conjunto de objectos cafeanos que fazem qualquer um deixar de ter razões para não tomar um café de categoria. O pacote tinha:

- Sete grãos de café com um cheiro magistral
- Uma base de copos do «Il Caffe di Roma»
- Dois pacotinhos de açucar branco do «Il Caffe de Roma»
- Um pacotinho de açucar torrado do «Il Caffe de Roma»
- Três guardanapos de papel do «Il Caffe de Roma»
- Uma bolachinha do «Il Caffe de Roma»
- Um pequeno chocolate do «Il Caffe de Roma»
- «O Pequeno Livro do Café»

Confesso que fiquei comovido. De imediato foi ao sempre prático Google procurar uma imagem do livro oferecido para colocar aqui no Margoso e noticiar a oferta com toda a pompa e circunstância. Assim fiz, encontrei a imagem. Cá está o livrinho:


No site onde encontrei a imagem - o Webboom.pt - vem a descrição do livro, uma pequena sinopse - «Para não esquecer os momentos mais marcantes da vida, os sentimentos, os pequenos prazeres, as frases célebres... Esta é uma forma original de presentear quem mais gostamos.» - e uma informação muito curiosa.

Diz-nos o site ainda que quem compra este livro, por regra também adquire estes dois títulos:

1. Cartas a Deus
2. O Livro da Ignorância Geral

Só pode ser mesmo uma coincidência!


Obrigado Eileen Barbosa pelo duplo aniversário do blog espaço Soncent, quase sempre um espaço que marca pela pertinência do que lá vem escrito, revelador da inteligência da sua autora.

Não ficou demasiado «intchada» com os prémios que já ganhou, que a fez entrar directamente e sem mais etapas na galeria das «mulheres escritoras» e esperamos, por aqui, que nos traga mais obras interessantes para ler, criticar e apreciar.

Gosto muito de conversar com a Eileen, porque o espectro de temas vai um pouco mais longe do que o habitual na maioria da população jovem, e é precisamente aqui que termino: penso que a massa cinzenta desta menina-mulher deveria apostar em fazer um pouco mais uma análise da sua própria geração (e das imediatamente anteriores), porque me parece que aqui reside um dos maiores desafios e/ou problemas do futuro do nosso país, e que se resume numa só palavra:

mentalidade.

P.S. Não gosto muito desta foto, mas foi o que consegui arranjar!





Obrigado Vasco Martins pela vida e obra, mas também pelas 8 Sinfonias, compostas de forma superior, tendo as montanhas e o mar de Cabo Verde, como principais inspiradores.

A propósito do CD com as sinfonias do Vasco, disse Germano Almeida, na apresentação da obra:

«O poeta João Vário lamentava que continuasse faltando uma dimensão épica à literatura caboverdiana, um poema que cantasse este povo heróico, de uma heroicidade tão quotidiana que ele mesmo sequer tem consciência dela.

Porém, no concernente à música dizia que já temos o Vasco Martins a enaltecer o lado grandiloquente da terra e dos homens em sinfonias como Arquipélago Magnético ou Monte Verde. Varela era um homem culto, exigente consigo e com os outros, um profundo conhecedor da música dita clássica, e no entanto comparava certas obras de Vasco Martins aos grandes poemas sinfónicos de compositores como Sibelius ou Korsakov.

Cito João Varela para que não se pense que estou aqui a falar em nome da nossa amizade do Arco e de copos. Digo com à vontade e com orgulho que Vasco Martins é um grande compositor e não tenhamos qualquer dúvida de que ele ficará na nossa história como dos primeiros grandes homens deste país na afirmação de uma música ao mesmo tempo telúrica e clássica.(...)


Para sermos um país livre, para que possamos levar os outros a acreditar em nós, precisamos primeiro acreditar em nós próprios e nos nossos valores. Ora Vasco Martins é um deles e devemos ficar felizes por ele ser nosso patrício

Imagem: retiradas daqui.






Obrigado Bety Gonçalves pela bela exposição «Máscaras & Marionetas», no Centro Cultural do Mindelo.


A componente plástica de um espectáculo nunca foi muito valorizada em Cabo Verde. Talvez por isso mesmo o trabalho de Elisabete Gonçalves se tenha destacado, quando em 2001, o Centro Cultural Português - IC / Pólo do Mindelo promoveu um grupo de marionetas que encenou nesta técnica específica contos tradicionais cabo-verdianos como «Blimundo» ou «Quel Menina Vaidosa», com todas as marionetas criadas pela artista. Com o aparecimento do Teatro Infantil do Mindelo, a apresentação de espectáculos de marionetas intensificou-se. Todas estas marionetas foram projectadas e concebidas por Elisabete Gonçalves, que além do trabalho como artista plástica e manipuladora, também tem desenvolvido um percurso como contadora de histórias, onde os seus bonecos são igualmente utilizados.




A exposição está muito bem estruturada, dividida por temas, iluminada como deve de ser, com um percurso lógico para os visitantes, que entram surpreendidos, principalmente, pela postura desconstraída dos poetas, que parecem, à primeira vista, seres humanos, vivos, em plena cavaqueira. Só depois descobrimos que são marionetas em tamanho real, e que retractam Arménio Vieira, Corsino Fortes, Eugénio Tavares, Sérgio Frusoni, Baltasar Lopes e Gabriel Mariano.


Imagem: fotografia de João Barbosa




Obrigado Mário Lúcio por nos teres trazido um trabalho musical como «Badyo».


Sempre acreditei que no que aos artistas diz respeito, a obra de cada um revela a dimensão humana do seu criador. No caso de Mário Lúcio Sousa isso é muito claro. Aliás, claridade é uma das suas maiores características - nada que tenha a ver com a corrente literária cabo-verdiana ou as polémicas obtusas sobre a sua paternidade geográfica. Mário Lúcio é um homem iluminado e irradia essa energia para todos quantos os rodeiam. Tem essa capacidade rara de agregar à sua volta gente que duma outra forma dificilmente poderiam conviver. O seu último disco prova isso mesmo. É iluminado, tal como o seu criador. E a sua audição trás uma nova luz e um novo optimismo para a música nacional.


Imagem: ilustração de José Leopardo