Café Eleitoral

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Não há como ficar indiferente. Estamos a uma semana do dia 04 de Novembro, data marcada para as próximas eleições norte-americanas, e tudo indica que o senador Barak Obama poderá mesmo vir a ser eleito o próximo Presidente dos Estados Unidos da América.

Não é preciso estar sempre a repetir o óbvio. Estas eleições, ou melhor, o resultado destas eleições, vai influenciar de forma marcante os acontecimentos mundiais nos próximos anos. Como o desastroso reinado de George Bush mudou o mundo e transformou-o num local muito mais periogoso para se viver, também se espera que com Barack Obama muita coisa possa mudar.

E não é só na questão do Iraque, cuja retirada, sem honra nem glória, parece inevitável. Aliás, quem julga que os americanos vão se transformar nos maiores pacifistas do planeta, tirem o cavalinho da chuva. O apoio público amanifestado pelo republicano Colin Powell, o mesmo que foi às Nações Unidas tentar demonstrar que o Iraque tinha armas de destruição massiva, não é inocente e o próprio candidato já disse que quer intensificar as operações militares no Afeganistão (como se «aquilo» não fosse um país independente, mas sim o quintal da sua casa) e que não terá problemas em invadir um país se disso depender a «Segurança Nacional».

Cá para mim, que niguém nos ouve, eu até penso que ele diz estas coisas porque é a única forma de ser eleito. Mostrar «pulso», ser «implacável» perante quem ameaça o bem estar dos americanos, é fundamental. Mas não acredito que, na prática, a política de uma administração com Barack Obama à cabeça, tenha o carácter belicista que certos discursos podem fazer querer.

Acredito antes numa reviravolta completa na política ambiental, no estreitar das relações entre os povos sem procura de imposição pela força e o término de certas aberrações com o campo de concentração na ilha de Cuba, local que envergonha qualquer país defensor dos direitos humanos. Acredito que o mundo poderá melhorar se Barack Obama ganhar.




A diferença entre os dois candidatos começa a ser muito dificil de anular. A data aproxima-se e tudo indica que... E ver um crioulo, neto de africanos, à frente da maior nação do Mundo, não é algo fenomenal?




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6 comentários:

Sisi disse...

Ontem estive a ver uma reportagem sobre o Obama na sic notícias e o resumo que faço daquilo que eu vi é que "Não sabendo que era impossível, ele foi lá e fez."
(Jean Cocteau).

João Branco disse...

Bela frase, Sisi! Bela frase!

lumadian disse...

Acima de tudo, o mais significativo é a esperança de que algo novo faça mexer os E.U.A e o mundo em geral.
É lógico que um homem de cor ser eleito presidente da América é algo que fica na história, mas não me parece que seja algo muito importante, ele até é americano. Interessa é que seja aquilo que todos esperamos e que consiga melhorar a situação no seu país, o que seria bom para a maioria de nós.

Paulino Dias disse...

Alo JB,

Ha um toque ali na tua ultima frase que espelha um sentimento que me inquieta um pouco. O de que por aqui o homem eh um sucesso por ser "neto de africanos". Esta perspectiva eh, quanto a mim, algo perigosa, porque na minha modesta opiniao, nao deixa de ter um laivo de racismo. Ia dizer ate, complexo de inferioridade ("uau!, tao a ver? apesar de afro-descendentes podemos governar a america...").

A mim nao me importa que ele seja branco, preto, amarelo, cor-de-rosa. Basta-me as suas palavras, a sua atitude (pelo menos ate agora), e a esperanca que esta atitude representa para o mundo pos-Bush. Por isso o meu voto nele. Nada mais.

Um abraco, era so para dizer que continuo a passar por aqui para beber o meu cafezinho.

Paulino

Anónimo disse...

É verdade, há tantos anos que a esquerda não tinha um ídolo. E como a esquerda necessita de um heroi. Este vai ser, apenas, mais uma desilusão violenta.
Em CV já experimentámos a sensação, mas só agora é que os States vão ter o JMN deles, bom proveito.

João Branco disse...

Os dois últimos comentários dão pano para mangas, embora por razões diferentes:

Paulino, a afirmação foi feita tendo em conta o contexto histórico e social dos Estados Unidos, onde a questão racial importa sim, nomeadamente a relacionada com a chamada comunidade afro-americana. Os maiores tumultos sociais foram ocasionados por questões relacionadas com problemas entre raças (ou entidades étnicas, se preferirem) e o facto de os EUA terem - ou puderem vir a ter - um presidenre Afro-americano significa, no fundo, um importante passo na resolução de alguns dos maiores traumas da história daquele país. E esta constatação não tem nada de racista, antes pelo contrário.

Anónimo, tens a vista curta. As eleições nos EUA vão muito para além dessa visão bipolar esquerda / direita que, aliás, num país como a América, nem faz muito sentido. E na Europa também cada vez menos. As questões são entre um mundo mais pacifico ou mais armado, mais limpo ou mais próximo do limite ambiental, mais seguro ou mais violento. Mas a América vai continuar a ser a América e não há nenhum presidente, por mais carismático e revolucionário que possa ser, que altere essa realidade.

Abraço fraterno