Segunda-feira, 22 de Junho de 2009

Aviso Margoso



Por razões de força maior, o Café Margoso vai encerrar durante 30 dias. No dia 22 de Julho, voltará, se houver forças e ânimo para tal. É muito provável que hoje este estabelecimento atinja as 100 mil visitas e por isso agradeço em primeiro lugar a todos os leitores, colaboradores, comentadores e apreciadores pela presença assídua ou pontual, crítica atenta e pelo carinho e amizade. Sejam felizes e aproveitem a vida. Abraço fraterno.


Manhã Inflor




        as héveas murcharam
        desertas de folhas
        desertas de flores

        propositadamente
        nem só o sangue mas também a seiva
        nem só a criança mas também a pétala
        nem só o homem mas também a planta
        nem só a carne mas também a lenha
        propositadamente

        tudo o hamadricida flagelou

        a beleza da flor
        a inocência da criança
        a certeza dos campos
        o aconchego duma sombra

        mas nos covis a vida continuou
        e o apelo à luta redobrou

        as héveas murcharam
        e com as héveas
        a manhã inflor
        a terra nua

        mas ainda a vida
        nos covis continua


        Osvaldo Osório


Sábado, 20 de Junho de 2009

Dedicatória Cafeana



Para todos que, como eu, também consideram Chico Buarque o nome maior da música popular brasileira. Completou ontem 65 anos.



Bom fim-de-semana



Café Humorístico





Ironias do destino?


Declaração Cafeana




Se vivesse nos Estados Unidos, onde ter consultas de psiquiatra é tão natural como ir ao dentista, eu seria cliente pela certa. Enervo-me com demasiada facilidade, sou tão susceptível ao elogio quanto à crítica, mesmo quando sinceros e bem intencionados, e sou incapaz de, numa primeira reacção, rir-me do insulto gratuito de fantasmas psicóticos com nicknames terroristas. Por isso digo também que o tempo, esse que faz com que depois de um segundo venha o outro é, de longe, o meu maior aliado, em todos os sentidos. 

A reacção de amigos ou conhecidos à última crónica desaforada provocou-me toda uma tempestade de emoções. Primeiro fiquei algo revoltado. Há pessoal que não consegue viver sem dar e receber à bruta. "Já sabes como eles são, porra!" Pois! Tentei escrever uma declaração logo pela manhã, depois outra à tarde, mas felizmente tomei a decisão de esperar e deixar o tempo fazer-me encontrar o bom senso que tantas vezes me falta em cima do acontecimento. A verdade é que nada disto tem muita importância. Considero que está tudo tão claro no que escrevi e tenho escrito, agora e no passado recente, sobre o actual estado da política cultural em Cabo Verde,  que nem vale a pena estar a ripostar arrojos grosseiros com citações de frases e ideias que qualquer um pode ler, dois post's abaixo.

Tenham lá calma, curtam o fim-de-semana que Deus falha mas não tarda, ou no mínimo, escreve direito por linhas tortas, o que é o mesmo que dizer, para quem acha que Deus não tem nada a ver com este enredo, que há que manter a esperança, que por natureza é a última a morrer. Esperança de que havemos de ter a língua nacional cabo-verdiana oficializada, as crianças aprendendo a ler e a escrever na escola as mesmas primeiras palavras que aprenderam em casa, uma política cultural decente, corajosa, arrojada, forte e coerente com os pergaminhos de quem faz da arte e da cultura uma forma de vida e que, se todos quisermos, Cabo Verde será amanhã um país melhor do que é hoje. No dia em que deixar de acreditar nisso, deixo de lutar e passarei a gastar o tempo que me resta a produzir pouco em muito tempo, e o muito tempo que certamente me irá restar, será gasto a maldizer aqueles que com pouco, muito conseguem fazer. 

Fotografia: Jim Fiscus


Sexta-feira, 19 de Junho de 2009

Mulheres Cafeanas 36




Clica-me!

(Nicole Scherzinger)


Crónica Desaforada



Uma entrevista esclarecedora

1. Nada me move, a título pessoal, contra Manuel Veiga, titular da pasta da Cultura do Governo de Cabo Verde desde 2004. Antes pelo contrário, sempre que nos temos encontrado em várias situações, sempre foi educado, simpático e nunca transpareceu da sua parte qualquer inimizade pela minha pessoa ou alguma atitude que me pudesse ter feito embirrar com o homem por alguma razão especial;

2. Já fui seu anfitrião duas vezes, na primeira das quais foi assinado um protocolo entre o Ministério da Cultura e a Associação Mindelact, a segunda no encerramento do festival Mindelact do ano passado, onde o ministro, tal como já aconteceu em várias outras situações, teceu rasgados elogios à obra que esta associação cultural vem desenvolvendo em prol das artes cénicas no país;

3. Por me interessar especificamente e de forma empenhada por assuntos relacionados com aplicação das políticas públicas para a área da cultura aceitei ainda o amável convite que me foi endereçado pelo seu ministério para participar no Fórum da Economia da Cultura em Outubro passado e nele participei de forma activa, empenhada e construtiva, como dei conta nesta crónica;

4. Finalmente, procuro em todas as críticas que faço, evitar uma postura destrutiva, azeda ou demasiado tempestuosa, procurando, pelo contrário, escrever de forma fundamentada as análises que neste espaço foram sendo feitas sobre política cultural, em geral, e sobre a actuação deste ministro, em particular;

5.  Dito isto devo dizer que achei a grande entrevista que o Ministro Manuel Veiga concedeu ao jornal A Nação bastante esclarecedora e a principal conclusão que podemos tirar não é novidade para ninguém: estamos perante um linguista de excepção, com o qual podemos não concordar, mas que está, sem qualquer sombra de dúvida, absolutamente preparado para defender as suas ideias nesta área;

6. O seu discurso em defesa da língua cabo-verdiana é claro, directo e não deixa margem para muitas dúvidas. Reflecte, como é óbvio, a obra extraordinária que possui na defesa da língua cabo-verdiana e tira as dúvidas que possa haver em relação a muitos dos equívocos que vem alimentando a sociedade cabo-verdiana nesta questão basilar da oficialização do crioulo;

7. Manuel Veiga mostra, nesta entrevista, e no que ao crioulo diz respeito, não só capacidade de argumentação. Mostra também humildade e jogo de cintura perante a onda de críticas. Fala num processo em construção, quando os críticos insistem na imposição; defende a pluralidade de opinião, quando os críticos falam em autismo propositado; está aberto a propostas e refere que no processo de padronização do alfabeto - que não da língua - todos são livres de usar e defender outros modelos, mas que seria bom que os sustentassem cientificamente, o que até agora não aconteceu;

8. Também concordo com o Manuel Veiga quando ele fala de equívocos referentes ao Alfabeto  cabo-verdiano, sendo certo que se alguns destes equívocos são provocados por pura ignorância ou vontade de provocar confusão deliberada à custa de bairrismos exacerbados, também é verdade que isso acontece porque a proposta agora aprovada não foi socializada, nem sujeita a amplo debate, o que poderia ter evitado o que está acontecer hoje na sociedade cabo-verdiana;

9. Não nos enganemos: os cabo-verdianos estão não só profundamente divididos, como completamente desinformados. Basta ir a qualquer fórum onde este assunto venha à baila para se verificar o nível do debate e a profunda ruptura que está a provocar entre cidadãos de uma mesma Nação, livre e independente já lá vão 35 anos, que pensa, sonha e ama em crioulo mas é incapaz de perceber que não faz sentido não dar um estatuto mais amplo, sistematizado e premente à sua própria língua materna;

10. E aqui chegamos à segunda conclusão da entrevista: Manuel Veiga tem falhado como Ministro da Cultura não apenas na aplicação das políticas da área, mas especificamente nesta que é a sua vertente de eleição: a oficialização da língua cabo-verdiana. Porque se há falta de informação, de debate, de esclarecimento, de procura de consensos mais amplos, de consultas, de conferências, de colóquios, ou seja, de socialização desta questão central, à inèrcia deste ministério o devermos e não fosse assim não estaríamos hoje com o mesmo nível de debate que existia há 15 anos atrás, quando se discutiam os excessos de chapéus e sinais do crioulo escrito e, curiosamente, com o mesmo protagonista;

11. Quando este ministro foi empossado, em 2004, nos discursos da praxe, e com o entusiasmo natural de quem vê um dos maiores linguistas da nossa historiografia assumir um cargo onde poderia, finalmente, colocar em prática tudo o que vinha defendendo nos circuitos académicos e intelectuais, foi dito, alto e bom som que "crioulo vai passar a ser língua oficial em Cabo Verde em 2005" (aqui). Passaram-se quatro anos e quase tudo está por fazer;

12. Sendo certo que esse amplo debate não pode estar confinado ou dependente apenas da vontade de um ministro e do seu gabinete, também não se pode assobiar para o lado e dizer que este não deve ser responsabilizado pela situação que vivemos hoje. Porque muito mais podia e devia ser feito a este nível, e num assunto onde, como se referiu atrás, o ministro domina a seu bel-prazer, com capacidade técnica, teórica e de argumentação acima da média, maiores são as suas responsabilidades políticas;

13. Além da forma pouco elegante como insinua que algumas das críticas feitas ao seu ministério surgem motivadas por ambições pessoais ou por falhadas expectativas de apoio instituicional, todos os outros assuntos abordados na entrevista confirmam a segunda conclusão: a política cultural, que ninguém sabe qual é, continua emersa num lodo estratégico que balança entre os acontecimentos casuísticos, as homenagens pontuais, a economia da cultura que continua por explicar e/ou definir, os planos estratégicos anunciados que nunca viram a luz do dia, a confiança (natural) nos seus mais directos colaboradores e a utilização de termos bombásticos, ontem o diamante do país, hoje o oxigénio da educação. 

Nota final: desejo, com toda a sinceridade, que no próximo dia 22 de Junho, a Cidade Velha de Ribeira Grande de Santiago possa vencer essa imensa batalha e transformar-se em Património da Humanidade para que possamos dar, por esse intermédio, uma importante vitória ao actual ministro da cultura. Porque acima de tudo, continuo acreditar que ele só quer o bem do país e está a fazer o melhor que sabe e pode. E digo isto sem qualquer ponta de sarcasmo ou de ironia.


Mindelo, 19 de Junho de 2009


Imagem: Ta sumara um aiam de Mito



Quinta-feira, 18 de Junho de 2009

Perguntas Cafeanas



Afinal, é dos humildes que o povo gosta mais?


À melhor resposta, ofereço um café

SMS Cafeano



"A partir de agora, não poderão dizer 
que Obama nunca fará mal a uma mosca."

Marco Santos - Blogueiro do Bitaites

(Para entender porquê, basta ver isto)


Café Teatro


Falta uma semana para a estreia, mas o certo é que vem aí...
...uma nova fornada de actores e actrizes!




De 25 a 28 de Junho, serão 8 espectáculos, com apenas 50 espectadores de cada vez. Entrar no Jardim do Dr. Gordner Bricker vai ser como entrar num comboio fantasma...

Um Café com a primeira frase do Sócrates



Não vi, mas foi um amigo que me avisou, entusiasmado: "sabes qual foi a primeira frase que disse o Primeiro-Ministro de Portugal, na grande entrevista que deu hoje à SIC?" Não sabia, evidentemente. Mas ele disse-me. E eu pensei cá com os meus botões, espero que os dois primeiros, o de cá e o de lá, tenham falado deste assunto na última visita que fez ao arquipélago! 

Ah, a frase foi esta:

"Se há um erro que é possível identificar ao longo destes anos é que talvez deveríamos ter investido mais em cultura."

Se penso que isto vai mudar alguma coisa? Não sei. Mas com a tendência que temos de copiar modelos da antiga metrópole não seria mau ler esta frase e ver a sua possível aplicação à realidade cabo-verdiano. 

Ilustração: "Opportunity" de bexe


Quarta-feira, 17 de Junho de 2009

Como eu não possuo



        Como eu desejo a que ali vai na rua,
        tão ágil, tão agreste, tão de amor...
        Como eu quisera emaranhá-la nua,
        bebê-la em espasmos de harmonia e cor!...

        Desejo errado... Se eu a tivera um dia,
        toda sem véus, a carne estilizada
        sob o meu corpo arfando transbordada,
        nem mesmo assim, ó ânsia!, eu a teria...

        Eu vibraria só agonizante
        sobre o seu corpo de êxtases dourados,
        se fosse aqueles seios transtornados,
        se fosse aquele sexo aglutinante...

        De embate ao meu amor todo me ruo,
        e vejo-me em destroço até vencendo:
        é que eu teria só, sentindo e sendo
        aquilo que estrebucho e não possuo.

        Mário de Sá-Carneiro

SMS Cafeano




"As folhas secas cobrem em abundância o caminho das recordações."

James Joyce - Escritor irlandês


(Ontem, comemorou-se o Bloomsday, um feriado comemorado na Irlanda em homenagem ao livro Ulysses, de James Joyce. É o único feriado em todo o mundo dedicado a um livro não sagrado.)


Um Café Curto com um Entreposto



A Margarida volta à carga para lembrar o absurdo deste concurso (aqui), já referido também no Café Margoso (aqui). Desta vez, encontrei no blogue de Rui Simões, Der Terrorist, este comentário:

"Nesta “coisa” das 7 Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo, uma das “maravilhas” a concurso era a Cidade Velha de Santiago em Cabo Verde, cidade que «nasceu e desenvolveu-se por conta do tráfico negreiro», vulgo comércio de escravos. Há bocado ouvi na RTP1 uma menina referir a Cidade Velha de Santiago como “importante entreposto humano”. Assim mesmo. E assim vai a História de Portugal e assim vai a nossa relação com a nossa História."

Realmente, quando a televisão pública portuguesa tem gente que escreve e utiliza na antena termos como "entreposto humano", referindo-se ao tráfico escravo com a mesma leveza com que fala de um supermercado do Continente, está tudo dito.

Café Visual

Bela imagem do 25 de Abril de 1974. Quem será o crioulo que observa a cena com tanto interesse?



Fonte: aqui


Plágio 35: Barriga é Barriga



Encontrei este texto do jornalista brasileiro Arnaldo Jabor e que mesmo indo no sentido contrário do que toda a gente sabe, não deixa de ser bom de se ler para quem largou o ginásio há alguns meses por falta de tempo e, mais decisivo, por pura preguiça. Foi um bom momento para atenuar os meus problemas de consciência, sendo certo que o facto de não ter carro e me deslocar a pé para todo o lado - o que numa cidade como o Mindelo não é nenhuma proeza por aí além, diga-se de passagem - também ajuda a compensar este período mais tranquilo, para não lhe chamar outra coisa. 

Então é assim

Barriga é barriga, peito é peito e tudo mais. Confesso que tive agradável surpresa ao ver Chico Anísio no programa do Jô, dizendo que o exercício físico é o primeiro passo para a morte. Depois de chamar a atenção para o fato de que raramente se conhece um atleta que tenha chegado aos 80 anos e citar personalidades longevas que nunca fizeram ginástica ou exercício – entre elas o jurista e jornalista Barbosa Lima Sobrinho – mas chegou à idade centenária, o humorista arrematou com um exemplo da fauna: A tartaruga com toda aquela lerdeza, vive 300 anos. Você conhece algum coelho que tenha vivido 15 anos?

Gostaria de contribuir com outro exemplo, o de Dorival Caymmi. O letrista compositor e intérprete baiano era conhecido como pai da preguiça. Passava 4/5 do dia deitado numa rede, bebendo, fumando e mastigando. Autêntico marcha-lenta, levava 10 segundos para percorrer um espaço de três metros. Pois mesmo assim e sem jamais ter feito exercício físico viveu 90 anos.

Conclusão: esteira, caminhada, aeróbica, musculação, academia? Sai dessa enquanto você ainda tem saúde… E viva o sedentarismo ocioso!!! Não fique chateado se você passar a vida inteira gordo. Você terá toda a eternidade para ser só osso!!!

Então: não faça mais dieta! Afinal, a baleia bebe só água, só come peixe, faz natação o dia inteiro, e é gorda!!! O elefante só come verduras e é Goooooordo!! 

Viva a batata frita e o chopp!!

Você, menina bonita, tem pneus? Lógico, todo avião tem!
E nunca se esqueçam: ‘Se caminhar fosse saudável, o carteiro seria imortal


Via: aqui




Terça-feira, 16 de Junho de 2009

Café da Semana



Esta semana o nosso destaque vai para o blogue Communicare, um interessante espaço dinamizado pelos alunos da Licenciatura em Ciências de Comunicação da Universidade Lusófona de Cabo Verde, que além deste blogue, têm organizado palestras e conferências sobre os mais variados temas. Dizem-se, acima de tudo, "unidos para um futuro de maior profissionalismo e qualidade da comunicação social, apoio à gestão de empresas e em tudo o que abarca a comunicação." 

Numa altura em que se tem falado tanto de Ensino Superior em Cabo Verde e de déficit de cidadania é bom verificar que um conjunto de alunos não encara a sua instituição de ensino apenas como um caminho para obter um canudo. É o meu Café da Semana e pode ser consultado, aqui.


Centésima Declaração Cafeana





100 é um número redondo, quase perfeito. Não é por acaso que se comemoram centenários com toda a pompa e circunstância. Sejam de nascimento, de morte ou de algum acontecimento histórico relevante. Fazer 100 declarações, dizendo o que se pensa, porque se pensa e fundamentando essas tomadas de posição, tendo ou não tendo razão nalgumas delas, merece, pois, a devida referência. 

Então declarou-se alto e bom som sobre aspectos tão pessoais como amar todos os diasas coisas boas da vidaos beijos e os abraçosa ternura dos 40, os malefícios do Verão ou a beleza das segundas-feiras; a falta de paciência para o Natal, o fenomenal reveillon do Mindelo, o sentimento de ser-se ateu e a visão macro e micro da vida. Como é bom ser pai, declarou-se, a páginas tantas! Como é estupidamente caro, ser info-incluído em Cabo Verde, chorou-se num outro dia. Ser homem é um desporto radical? Não sabemos, porque estas declarações procuram provocar o debate, mas na maior parte das vezes, trazem mais perguntas do que dão respostas. 

Falou-se de direitos humanos na China a propósito do Tibete; apelou-se à participação eleitoral e festejaram-se as vitórias de Barack Obama; denunciaram-se os desmandos do novo Papa e as palermices do economista crioulo que acha que ser gay é uma doença; reflectiu-se sobre a falta de interesse dos cabo-verdianos pela política e sobre guerras entre jornalistas de dentro e de fora; lamentou-se a situação na Guiné-Bissau, a guerra suja de Israel nos territórios palestinos,  

O Café Margoso comemorou as 25 mil visitas, deu corda aos Anónimos, declarou o que é um bom blogue e festejou o seu primeiro aniversário; fez-se a defesa intransigente da blogosfera crioula e esclareceram-se as razões que fazem o Café Margoso aquilo que ele é;  explicou-se porque é bom ter um blogue e lamentou-se a nossa falta de tomates; a análise ao 180º deu origem a muita reacção e o mundo seria melhor se a liberalização das drogas fosse uma realidade.

Enalteceu-se os Raiz di Polon e o Juventude em Marchao prazer de estar no palco, o dia mundial do teatro, a beleza de Santiago, as qualidades do inimitável IMac ou a forma como são ocupados os espaços públicos; estranhou-se a preguiça dos combustíveis em descer os preços, defendeu-se um cortar a mal pela raiz e reflectiu-se sobre a função social da Arte; denunciou-se o muro da vergonha do Mindelo, que ainda lá está, apoiou-se a fé do nosso primeiro no Mundo Novo a descobrir e estranha-se as fortunas gastas nos festivais de música; chora-se a degradação que "obriga" o aluguer de espaços públicos para cultos de seitas radicais e desconfia-se sempre que se utilizam argumentos bairristas para esconder outras realidades.

Do país falou-se de ensino superior, do caso Murdeira, de corrupção ou do nojo da pedofilia; arranjou-se uma confusão ao Vital Moeda, e declarou-se guerra aberta à violência doméstica; desconfia-se do fumo sem fogo como justificação da riola e grita-se não às bases militares estrangeiras em Cabo Verde; refletiu-se sobre o poder das máscaras na nossa sociedade, sobre as confusões alupekianas ou a falta de humildade artística.

Porque há licenciados desempregados, o local certo para uma orquestra sinfónica, o fenómeno Susan Boyle, a falta de sentido de humor ou o descaramento dos ladrões de electricidade dos bairros chiques da Praia, foram mais alguns dos assuntos levantados por estas declarações, quase sempre com cafeína. Qualquer dia lanço um livro com isto tudo. É a última coisa que me falta para poder ser considerado um blogueiro de pleno direito.


Café Visual



A bela arte de Peter Callesen









Galeria com os trabalhos do artista, aqui