Declaração Cafeana

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Resistir é vencer, era este o lema dos guerrilheiros timorenses que durante décadas lutaram com armas desproporcionais contra o invasor indonésio. Acreditaram sempre e hoje, com todas as suas fragilidades, são uma nação livre e independente. 

 E é este mesmo o meu lema desde sempre. Resistir. Há vinte anos que resisto e que com inúmeros outros companheiros – que vão e vem – construo este caminho que muitos reconhecem relevante para o desenho do histórico teatral cabo-verdiano.

Contra compadrios, perseguições veladas, tratamentos desiguais, invejas e frustrações pessoais, dificuldades estruturantes, falta de incentivos e de respeito, condições de trabalho de extrema dificuldade, orçamentos mínimos, obstáculos vários, maus entendidos, julgamentos precipitados, silêncios e não respostas, falta de compromisso, seriedade e por vezes de caráter de uns quantos que se vão cruzando no meu caminho, o meu dia a dia, tem sido um não parar de produzir, de fazer o que mais gosto com paixão e entrega, de tentar – umas vezes melhor, outras pior – crescer enquanto artista, contribuindo para que a arte cénica crioula seja também ela maior, atrevida, criativa, ousada, competente e destemida. 

Como já disse tantas vezes, é lá que vou morrer. Fazendo. Em acção e movimento permanente. Não tenho vocação para poste, muito menos de eletricidade que, pelos vistos, falha em alturas bastante convenientes. Para mim, obstáculo é incentivo. Cada contratempo é transformado em energia que se renova a cada fôlego. E quanto este me faltar, é lá, nas tábuas do teatro, que vou estar até ao fim. 

O resto é digestão.


Fotografia de Diogo Bento





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5 comentários:

CCF disse...

É isso mesmo, força!
~CC~

zito azevedo disse...

Devo concluir que V. deve ter um estomago excepcional para suportar tantas indigestões...

Sara disse...

Espirito Combativo!
Bali

mcl disse...

E modéstia também tens?

JB disse...

Mcl, tenho sim. Mas o que é que esse "cú" tem a ver com as calças, és capaz de me explicar?

Abraço