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A prostituição não tem nada de poético. E mesmo considerando o caso de mulheres (ou homens) que vendem o corpo e o utilizam para o comércio sexual gostando do que fazem, não estamos a falar de poesia, mas simplesmente de pessoas que gostam tanto de sexo que não se importam de fazer disso um negócio. A maioria, não tenho dúvidas disso, importa-se e se tivesse outra alternativa viável, certamente não deixaria de aproveitar (desde que isso não implicasse muito trabalho, bem entendendido!)

Em relação a isso, não me parece que Mindelo seja assim uma cidade tão diferente das outras.  É um local onde esta realidade é visível, só não vê quem não quer e facilmente se constata que existem diversos níveis de prostituição. As profissionais que se assumem. As profissionais  mais discretas. Aquelas que são putas, mas não são bem porque antes do negócio estabelece-se entre elas e o potencial cliente, (de preferência europeu, solteiro e com dinheiro), uma espécie de romance que às vezes dá mesmo em casamento (o maior dos negócios!) e as muitas outras que se encontram numa espécie de limbo.

Quando saiu no semanário  A Nação uma grande reportagem sobre «as macacas» da cidade do Mindelo foi um rebuliço na cidade porque estamos a falar de uma urbe basofa que nunca gostou muito de se ver ao espelho, principalmente se este reflecte algum traço menos agradável à vista, coisa que nem todos os espelhos fazem. Entenda-se por «macacas», jovens mulheres, sofisticadas q.b., com altos vestidos e raros perfumes, que se fazem «garotas de programa» por valores nada negligenciáveis. Numa linguagem assim mais brejeira ou popular, diríamos que são as putas finas da cidade. Eu amo a minha cidade, mas há que dizê-lo: Mindelo é daqueles lugares onde deitar o lixo para debaixo do tapete e assobiar para o lado se tornou uma especialidade.

A crise e as mentalidades - uma mistura tremenda - fizeram nascer outros fenómenos que, bem vistas as coisas, não são assim tão recentes quanto isso, ou não fosse esta considerada a profissão mais antiga do Mundo. O relato, arrepiante, de que num dos bairros da cidade basta assobiar e lá aparece uma menina, muitas vezes menor de idade, disponível para fazer sexo oral em troca de cinquenta escudos - mais ou menos o preço de um café (a expressão «dar um café» aplica-se aqui muito bem), mostra-nos que este mundo da prostituição tem muito pouco de poético.

Mindelo é também, e ainda, uma cidade cheia de Lolitas. E quem conhece o amargo e genial romance de Vladimir Nabokov sabe que este pode ser muito bem escrito (e é), mas de poético, tem muito pouco.











A propósito da situação de desemprego em Cabo Verde, vou ser politicamente incorrecto. Completamente desfasado da realidade. Dar uma perspectiva que será a menos aceitável, principalmente para quem sofre directamente na pele este terrível flagelo. Mas entendam-me, se não tivéssemos um problema de mentalidade grave entre o pessoal mais jovem - e que perfaz mais de dois terços da população cabo-verdiana - acredito que o problema do desemprego poderia ser encarado numa outra perspectiva. Ou pelo menos, com outro optimismo.

Muitas vezes se discutiu aqui a forma como todos nós, directa ou indirectamente, acabamos por adubar o terreno que permite a sementeira, o crescimento e o aumento da célebre cultura do sabe-pa-caga. O pessoal aqui gosta muito de festa, é só paródia e quem visita uma cidade como o Mindelo ao fim de semana não tem do que se queixar. Qualquer motivo é razão para se festejar: um aniversário, um baptizado, um casamento, uma data, uma vitória de um clube de futebol, umas eleições, um festival, um dia especial, um dia do município, um dia santo, um feriado, a lista é interminável. Não admira nada que o Primeiro-Ministro queira implementar no arquipélago uma plataforma de entretenimento.  Se ela até já existe. Pelo menos nos alicerces.

Isto tudo para dizer que no fundo e sem desvirtuar todas as dificuldades estruturais imensas das ilhas crioulas, que talvez o problema do desemprego fosse um pouco menor, apenas um bocadinho menos grave, se estivesse implementado na mentalidade da juventude essa coisa básica chamada vontade de trabalhar.  Iniciativa própria. Não esperar pelo colo. Quantos casos conhecemos de pessoal que recebe dinheiro de familiares de fora e tem como principal ocupação em primeiro lugar a paródia, em segundo a festa, em terceiro a bebedeira permanente? Porque uma das leis que impera no nosso pessoal, para além dessa máxima de vida que é despos de passa sabe morre ka nada, é a lei do menor esforço. E quando um dos problemas de base é a mentalidade, lá está, nesta questão do desemprego como em muitas outras, talvez a solução esteja mesmo é na educação: a da escola e a da casa.











Existem doutores a mais em Cabo Verde? Eis o tema proposto para o relançamento desta plataforma de discussão blogueira. Devo dizer, que pessoalmente, compreendi o sentido desta frase, que foi aliás retirada do seu contexto e deturpada para fins claramente políticos (para não dizer partidários) e que sou até tentado a concordar com ela. Porque é preciso que se entenda o que se quer dizer com este "doutores". Quando dizemos, por exemplo, com algum sarcasmo, "isto é um país de doutores!", estamos naturalmente a referir-nos ao pessoal que, confortavelmente instalado nos seus gabinetes climatizados, faz pouco mais do que nada para ocupar o seu precioso tempo que justifique o título académico que ostentam com tanta sobranceria.

Se por um lado, todos temos o direito constitucional a prosseguir a nossa educação, sendo até dos que defende que só se evolui estudando durante toda a vida, também me parece muito claro que uma importante franja do pessoal que hoje luta pelo canudo o faz por motivos meramente orçamentais: subir alguns pontos na tabela salarial do serviço, conseguir um trabalho mais bem remunerado, ambições que são, à partida, totalmente legítimas. Mas isso não chega.

Deixam de ser legítimas, isso sim, quando se verifica que se procura desesperadamente um emprego mas que não dê muito trabalho. Uma coisa assim, tipo leve, horário único, escapadela para o café e ala que se faz tarde, embora lá gozar o fim-de-semana. Aquele tipo de emprego sem brio, sem esforço, sem qualidade, sem evolução e, pior de tudo, sem avaliação por quem de direito, o que faz com que estes lugares se tornem não só muito desejados, como eternas conquistas que nunca são postas em causa, e isto apenas porque se conseguiu, sabe-se lá à custa do quê, uma pós graduaçãozinha aqui, um mestradozote acolá...

O que falta a este país não são doutores ou engenheiros. O que faz falta são profissionais que, além de qualificados nestas e outras áreas (gestores, economistas, sociólgos, técnicos informáticos e advogados, mas também electricistas, canalizadores, pedreiros, carpinteiros, agentes de segurança, enfermeiros, professores primários, educadores de infância, músicos, etc.), tenham orgulho no seu próprio trabalho, que procurem, através do estudo auto-didacta e do esforço pessoal, ser melhores hoje do que foram ontem, e que vejam o seu salário ao fim do mês não como uma regalia, mas como uma justa recompensa pelo contributo dado ao desenvolvimento do próprio país.








O estado da Nação

1. Foi ontem que devia ter publicado esta crónica, esqueci-me, mas cá vai, com um dia de atraso. Confesso que me foi particularmente difícil falar do estado da Nação, porque muito provavelmente vou repetir uma série de banalidades que toda a gente está já cansada de saber, até porque ninguém faz qualquer esforço por disfarçar uma realidade que é tão natural como a nossa sede em dias de Verão. Uma realidade Luso, embora muito crioula.

2. Todos sabemos que nem tudo é tão cor-de-rosa como a situação jura, nem tão negro como clama a oposição, assim como sabemos que essa análise automática de um e do outro lado mais não é de que o resultado directo e natural do ser-se da situação ou da oposição, um cor de rosa, o outro negro, isto é como uma realidade matemática, um teorema ao qual nada nem ninguém pode dar a volta. É assim e pronto. Mais um sinal da perfeita criação divina onde tudo está no seu devido lugar.

3. Dia houvesse em que alguém da oposição elogiasse o poder, uma medida ou um governante, ou que alguém confortavelmente sentado na cadeira do dito cujo poder saísse a terreiro para reconhecer que, certamente, puseram numa determinada situação a própria pata na poça - a chamada teoria dos três pês (própria/pata/poça) - e deixaríamos imediatamente de reconhecer o mundo que nos rodeia como todos o sabemos e aprendemos nos bancos da escola desde a mais tenra idade.

4. No fundo, todos temos plena consciência de que a natureza é perfeita e tem os seus pesos e contra-pesos e que tudo está calculado ao milímetro para que possa haver vida no planeta Terra, onde nada se cria e tudo se transforma, onde dois mais dois são sempre igual a quatro, onde o quadrado da hipotenusa é igual à soma dos quadrados dos catetos e onde tudo o que a situação vê rosa a oposição observa negro.

5. Para mim, que sou uma pequena e insignificante molécula entravada no sistema, o estado da Nação não é uma e só coisa. Momentos há em que é gasoso, outros líquido e outros sólido. Depende sempre da temperatura e do ambiente instalado. É a natureza no seu melhor, em transformação!

6. Por exemplo, há quem possa dizer que o estado da política energética ou até da política cultural seja o gasoso: sabemos que existe, mas não a vemos nem a sentimos em parte nenhuma, embora de quando em quando possamos sentir algo, um cheiro a língua cabo-verdiana aqui, um aroma a Cidade Velha, acolá.

7. Ou que o estado da própria economia é líquida, o que quer dizer que toma a forma que lhe quisermos dar, conforme o ponto de vista ou o recipiente onde a colocamos: uma forma agradável à vista, se virmos as coisas do lado das reservas cambiais, da inflação ou da estabilidade macro-financeira; uma forma menos interessante, se colocada na panela do desemprego ou do crise no mercado hoteleiro.

8. Há, finalmente, componentes do estado que poderemos considerar sólidos, como sejam a consolidação do sistema democrático, a liberdade de expressão, a revolução verde, a capacitação profissional, a aposta nas infra-estruturas - não fosse o betão o sólido da modernidade! - ou a implementação do ensino superior.

9. Há, pois, quem veja apenas o mundo no estado sólido, cor-de-rosa, como um urso de peluche que temos à beira da nossa cama, com um ar simpático e pachorrento e nos aumenta a estima e sossega o sono, não há como não encostarmos a cabeça no travesseiro e sorrir confiantes nos amanhãs que cantam e que farão desta uma Nação que a todos orgulha.

10. Outros há que tem inevitáveis monstros a dormir debaixo do leito, invadidos por uma nuvem negra, por definição algo que se encontra no estado gasoso, irremediavelmente condenados a adormecer aterrorizados com os casubodistas e os bandidos de colarinho branco que nos querem tomar o país de assalto sem que nada nem ninguém o possa evitar, um pesadelo do qual é difícil acordar, a não ser em tempos de eleições, se o povo resolver dar a volta à coisa.

11. Outros há, como aquele pessoal da UCID, que nunca se percebe muito bem em que estado estão, tão entretidos andam a fazer congressos e impugnações a Norte e a Sul, e portanto não devem ter muito tempo para pensar nestas coisas dos estados, daí que se lhes perdoem as banalidades que sempre dizem nestas ocasiões, que nunca são nem carne nem peixe, e que portanto soa a coisa mal cozinhada.

12. No fundo, esta crónica, de desaforada, tem muito pouco. Apenas mostra como a natureza funciona, e como tudo é relativo, e como dizendo muito se consegue dizer quase nada. Não é uma técnica muito complicada. Basta estar atento ao que nos rodeia, observar bem quem sabe realmente da poda e num instante estamos a distribuir uma mão cheia de nada.

Mindelo, 04 de Agosto de 2009








«Cada vez há menos gente a votar; menos interesse nos resultados; cada vez os políticos se empenham menos. Começam a tratar os actos eleitorais como sondagens de luxo. E criticam-nas quando a abstenção é alta, apesar de terem ido votar todos os cidadãos que queriam.

A abstenção alta não é grave. Mas esta atitude é. Tratam o povo que se deu ao trabalho de ir votar (e que representa legitimamente o país inteiro, até ao último dedo do pé) como um petulante focus group. Votámos em partidos esquisitos só porque queremos "mandar uma mensagem". Ficámos em casa só porque estamos amuados. E o que mais irrita é a condescendência com que os derrotados admitem que sim, que até temos razão em estarmos chateados e que escusamos de continuar a fazer beicinho porque eles vão tratar disso já na segunda de manhã.

As eleições não são centros de recados nem fotografias dum instante político. Não são sondagens. Não são o Twitter. Se tratam as eleições como se não servissem para nada senão para informar, como é que depois podem queixar-se da abstenção ou até usar as eleições para se legitimarem? Cuidado.»

Miguel Esteves Cardoso, a propósito das últimas eleições europeias (fonte: aqui)


Sobre esta questão do voto, tenho a dizer duas coisas rápidas:

1. O único e verdadeiro voto de protesto é o voto em branco. A abstenção é um encolher de ombros, um lavar mão à Pilatos que depois não dá o direito a reivindicar rigorosamente nada. 

2. Por todas as razões e mais alguma, e tendo em conta a sociedade actual, sou totalmente a favor ao voto obrigatório, em detrimento ao voto por opção. 








Parece-me inquestionável que a maioria dos crimes e mortes violentas que ocorrem hoje no mundo estão directamente ligadas ao tráfico e consumo de drogas. Estados, Nações e cidades inteiras estão nas mãos de grandes cartéis de narcotraficantes e nem precisamos de ir para a América do Sul ou lembrar alguns filmes para comprovar isso mesmo. Aqui mesmo ao lado, num país tão próximo quanto a Guiné Bissau, a situação está num ponto que coloca em causa a própria existência de um Estado de Direito. Em todo o mundo há quem lucre montantes inacreditáveis com este negócio, e há peixe miúdo que se vai remediando com o pequeno tráfico, sempre com duas possibilidades: ou subir um degrau na hierarquia do tráfico ou descer sete palmos abaixo da terra. 

Cabo Verde não é imune a esse fenómeno, por muito esforço que se possa fazer para combater este mal. As apreensões conseguidas, a nova legislação, a adaptação das forças armadas para o combate a este flagelo, os julgamentos e as prisões efectuadas. Todo este esforço é inquestionável. Mas isso não impede que um clima de medo prevaleça, as mortes violentas continuem a acontecer, e a desconfiança da população em relação a alguns sinais exteriores de riqueza se faça sentir. Há, pois, que fazer mais.

Mas muito poderia ser evitado com uma despenalização imediata das drogas leves e até a liberalização, a nível mundial, de todo o tipo de drogas. Acabavam-se logo grande parte das mortes, das violências e dos lucros ligados ao tráfico, com o mercado a funcionar, e até com algum controlo sanitário em relação à qualidade das drogas. De resto, tudo isto é resultado de muita hipocrisia. Porque é que aquele que fuma Cannabis é mais drogado do que aquele que consome bebidas de alto teor alcoólico, como o grogue, logo pela manhã? A História ensinou-nos que a proibição pura e simples só piora a situação, e basta lembrar da Lei Seca nos EUA que correspondeu a um período negro onde o crime prosperou na directa proporção da violência punitiva. Não seria tudo mais simples se não houvesse toda esta histeria? Quem ganha mais com a penalização? O Estado que protege os seus ou os bandidos que lucram astronomicamente? Aliás, aviso já: se transformarem a cafeína numa droga ilegal, torno-me militante do tráfico na hora. Sem açúcar.








Já falei sobre isto várias vezes: ter as praças digitalizadas é fantástico, mas só alguns, muito poucos, tem computadores portáteis, tempo e disponibilidade para estarem sentados numa praça pública a navegar na Internet. E como a luz do Sol torna a navegação durante o dia muito complicada, só alguns conseguem fazê-lo em viatura própria, como faz um amigo meu de vez em quando aqui na Praça Nova. Ter Centros de Juventude com acesso gratuito à Internet é outro passo. Salas com computadores nas escolas, principalmente nos Liceus, também. Porque o acesso à Internet faz-se por duas vias: tendo material informático e tendo acesso à Internet. Em ambas há muito por fazer, mas a mim interessa-me aqui discutir principalmente a segunda questão, já debatida no Café Margoso. 

E a conclusão é simples, concreta e imediata: só podemos combater verdadeiramente a exclusão se acabarmos com o monopólio vigente e quando se fizer algo para combater a política de preços escandalosa que continua a ser praticada no nosso país. Faz sentido que comunicar num país como Cabo Verde, uma pequena e dependente economia, seja muito mais caro (mas mesmo muito mais caro!) do que, por exemplo, nos E.U.A., a maior economia do Planeta? E mesmo comparando com Portugal, faz sentido de que o cidadão cabo-verdiano, cujos rendimentos são certamente bem menores, pague muito mais para aceder e comunicar na Internet do que o português (como se pode ver aqui)? Isto pode parecer uma heresia, mas às vezes gostava que houvesse aqui um Hugo Chavez que mandasse tudo à badamerda, nacionalizasse as comunicações e anunciasse ao povo: a partir de hoje, meus amigos, comunicar é gratuito. 

Sei que é completamente errado. Tenho consciência disso e peço desculpa. Além disso, por enquanto que não começarmos a explorar os tais poços de petróleo que poderão existir nas nossas águas territoriais, não há economia que aguente tal desvario e desvio democrático. Mas como está, é que não pode ser. Comparando com o mundo lá fora, o tal mundo global, somos todos info-excluídos. Cabo Verde é, provavelmente o país onde estar "incluído" custa mais caro. Um luxo, portanto.




Sobre a questão do crioulo e da sua oficialização, urge perguntar: estão os nossos linguistas a fazer um bom trabalho? Se sim, o que está a falhar na socialização da proposta? Sabendo que a questão da oficialização, hoje, está intimamente relacionada com a padronização da escrita do crioulo, porque é que se escreve tão pouco na língua materna? Porque é que nos jornais e nos blogues cabo-verdianos mais de 90% dos textos são escritos em português? Porque é que a maioria esmagadora da nossa ficção e poesia, os romances, contos, cónicas, não é escrita e publicada em crioulo? Referir que os jovens comunicam nos chat's em crioulo é suficiente para esconder esta realidade? O que falta fazer para socializar a escrita da língua materna? Estão os nossos políticos a fazer um bom trabalho? Se o crioulo não é uma questão que divide os cabo-verdianos, então porquê que os ânimos se exaltam de cada vez que o assunto vem à baila? 

Sobre estas questões, por hoje, só tenho perguntas a fazer. E é tudo.







Os licenciados desempregados em Cabo Verde estão aumentar? Nada mais natural e inevitável, porque é preciso ver este problema a jusante, na sua fonte. E qual é a fonte? São as opções que existem em termos de cursos, vistas comparativamente às reais necessidades do país. São as bolsas que existem preferencialmente para determinados cursos em detrimentos de outros, sem se entender muito bem qual o critério. É a falta de acompanhamento psicotécnico dos jovens cabo-verdianos na hora de escolher a área, o curso, no fundo, descobrir a vocação. 

Um exemplo muito concreto: está-se neste momento a implementar uma profunda reforma curricular no sistema de ensino cabo-verdiano onde o ensino artístico passará a ter, e muito bem, uma presença forte. Fantástico, não é? E onde estão os professores? E onde estão os professores destes professores dessa futura e decisiva disciplina de Educação Artística? Quantas bolsas deu o Estado de Cabo Verde, vá lá, nos últimos 15 anos, para os jovens cabo-verdianos que quisessem tirar um curso superior em Artes Plásticas, Dança, Teatro ou Cinema? Isto para não falar de mestrados nestas mesmas áreas. Licenciados desempregados? Esqueçam. Nós somos é um país de artistas. E não foi preciso ninguém para nos ensinar! 


Houve uma época em que havia mais coragem. Talvez porque muitos dos acontecimentos não estavam cobertos pelo que hoje conhecemos como "democracias estáveis" ou "Estados de Direito" e então grupos de pessoas, principalmente jovens e/ou artistas, denotavam uma outra irreverência, sendo que uma das acções mais comuns, principalmente em grandes cidades europeias como Amsterdão, Paris ou Lisboa, era a ocupação de edifícios abandonados para o exercício de actividades culturais, ligadas à criação artística.

Hoje, no Mindelo, há vários espaços desses, prontos para serem ocupados, dado o seu estado de completo abandono, alguns há dezenas de anos. Ou porque são locais envolvidos em imbróglios judiciais, ou porque estão à espera de valorização do terreno, ou simplesmente porque quem é dono e responsável por eles, o Estado, tem outras prioridades.

São espaços que são ocupados, sim. Mas por mendigos e/ou toxicodependentes que por força do vício ou da necessidade, tem muito menos do que perder quando ocupam estes locais. Se tivéssemos uma classe artística organizada e com sangue na guelra, alguns destes lugares poderiam estar hoje ocupados com galerias, locais de ensaios e apresentação de espectáculos. Depois que viesse a polícia e os processos no tribunal, mas pelo menos sabíamos que não nos tínhamos limitado pela sempre cómoda espera de alguém que viesse resolver os nossos problemas. E sim, isto é uma auto-crítica.
 



A sociedade é um gigantesco baile de máscaras onde só de vez em quando, muito de vez em quando, cada uma das pessoas que a compõe tem a coragem de tirar a sua máscara e mostrar a sua verdadeira face. Cada um de nós tem dentro do seu armário chamado personalidade, múltiplas máscaras que utiliza conforme a conveniência, o momento, a ocasião. O próprio ser social nos obriga a isso já que em muitos momentos da nossa vida não podemos fazer, dizer ou agir conforme nos apetece, porque "não fica bem". Num enterro não podemos estar alegres, numa festa zangados com meio mundo ou na galeria da Assembleia aos palavrões. Somos todos um pouco fingidores e não há mal nenhum nisso, afinal de contas a poesia está cheia deles.

O problema é quando a utilização dessas máscaras vai para além do razoável. E estas são colocadas para disfarçar de cordeiros lobos famintos ou vampiros ansiando por sangue. O anonimato ou a utilização de pseudónimos são máscaras como essas e embora possam ser muito úteis e defensáveis numa sociedade que não permite que os seus se manifestem livremente, a sua proliferação num país como Cabo Verde não é um bom sinal. As pessoas manifestam-se por detrás dessas máscaras porque temem algo, não querem ou não podem dar a cara. É um péssimo sintoma. E o facto de a grande maioria dos comentários deste blogue ser dessa natureza dá que pensar. 

Estou à vontade para dizer isto: em todos os fóruns utilizo o meu verdadeiro nome. Nos comentários também. Sou portanto um "leviano social", como me chamou com certa piada um desses anónimos que por aqui andam, já que tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa. Mas também gosto de bailes de máscaras e do mistério que envolvem. E deve ter até alguma piada e ser uma experiência de um erotismo exacerbado, participar numa orgia como aquela do final do formidável "Eyes Wide Shut" de Kubrick, onde todos comem e são comidos sem saber por quem. Mas fazer disso um modo de vida, desculpem lá que vos diga, deve ser um supremo aborrecimento. Tirem lá a máscara de vez em quando. Vão ver que quando a colocarem, vão ter um prazer redobrado.




Num estudo realizado em 2006 pelo Instituto Nacional de Estatística ficamos a saber que cerca de 22% das mulheres cabo-verdianas foram vítimas de violência doméstica nos 12 meses anteriores. Ou seja uma em cada cinco mulheres. Na ilha do Fogo, segundo um estudo noticiado pela A Semana em Outubro do ano passado, 43% de mulheres de alguns dos bairros críticos de S. Filipe são agredidas fisicamente dentro das suas próprias casas. A agressão física mais comum são "os socos". As que apresentam queixa à polícia são ainda uma minoria, o que quer dizer que o índice de denúncia dos crimes de violência por parte das mulheres é bastante baixo, ainda que nos últimos anos tem vindo a aumentar devido à influência da comunicação social e ao resultado do trabalho realizado por diversas instituições.

Quase todas as semanas somos confrontados com notícias de crianças violentamente agredidas, violentadas, vítimas de abusos sexuais, obrigadas a trabalhar pedindo ou roubando na rua, e a trazer o produto para casa, sob ameaça de progenitores. Não há dados oficiais, mas não me espantaria nada que a grande maioria das ocorrências com crianças agredidas que vai parar às urgências hospitalares ou aos centros de saúde, ocorram dentro das suas próprias casas. O velho conceito de lar doce lar já deu o que tinha a dar.

Tudo isto para dizer que se queremos falar de (in)segurança temos que começar com o olhar de dentro. Está mais do que provado de que os maiores perigos estão confinados ao domínio doméstico. Muita desta realidade é de alguma forma abafada ou passada para segundo plano, por causa dos thugs, dos cassubodys, dos traficantes ou dos assassinatos por encomenda. Mas a violência doméstica na sociedade cabo-verdiana é um fenómeno transversal. Pode estar acontecendo neste momento na casa do nosso vizinho. E o que fazemos nós? Como em muitas outras situações, calamos. A verdade é que muitas mulheres, velhos e crianças tem monstros a dormir debaixo ou mesmo dentro das suas camas.


Porque considero que estamos longe do PDM turístico:

Há um ano escrevi uma Crónica Desaforada que tinha precisamente este título, mas o que se abordava então era o panorama cultural da Nação. Hoje, respondendo ao desafio do tema proposto, o Turismo, a melhor forma que encontrei de sintetizar o que penso sobre o modelo turístico que nos está a ser impingido pelos políticos e empresários foi este, até para não me enervar muito. Questiono-me mesmo se ainda vamos a tempo de emendar a mão, para que isto não se transforme numas horrendas e novas Canárias, no que ao turismo diz respeito.

Primeiro, tudo o que for aqui dito não invalida algo que continua a ser um facto inquestionável: muitos dos nossos visitantes adoram Cabo Verde, ficam impressionados com o país e com vontade de voltar. Isso deve-se a algo que é a nossa maior riqueza e que nenhuma política ultra-liberal conseguiu ainda fazer desaparecer: as pessoas e a sua simpatia. Mas por quanto tempo essa forma de bem receber aguentará ou disfarçará os inúmeros problemas de que padecemos a este nível? Nas principais cidades já se anuncia a "morte da morabeza", por causa da violência urbana, da pobreza e dos graves problemas sociais a ela associados. Terá este modelo adoptado algum futuro? Não. Vão os muito empreendimentos anunciados fazer o tal milagre, diminuir o emprego e ajudar a acabar com alguns dos nossos maiores problemas estruturais? Também penso que não. E o que mais desejo é estar enganado.

Eis, pois, as razões porque considero que estamos longe de ter um turismo PDM:

1. Porque não há forma aproveitar a maior riqueza do arquipélago: a sua diversidade. Visitar as 9 ilhas habitadas de Cabo Verde é como visitar 9 países, com características geográficas e culturas diversas. Mas é impossível fazê-lo com o nosso actual sistema de transportes, principalmente, marítimo, totalmente obsoleto;

2. Porque, apesar da diversidade, se continua a promover o turismo de pacote, reduzindo Cabo Verde a um destino de praia, crioulas bonitas e Sol todo o ano;

3. Porque nunca houve uma aposta séria numa diplomacia cultural, que deveria estar sempre lado a lado com a chamada diplomacia económica, a tal que procura atrair investimentos para o país. Para mim é simples: onde vai um empresário, devia ir um artista. No mínimo;

4. Porque não existe - pelo menos até hoje - formação profissional na área, e isso percebe-se à vista desarmada, pela forma como somos servidos em qualquer restaurante do país;

5. Porque se continua a confundir cultura com folclore, arte com artesanato, criação artística com animação;

6. Porque os próprios turistas que nos visitam nesses tais pacotes, são aconselhados a nem sequer saírem dos hotéis, pelo que essa dos empregos indirectos é uma grande treta;

7. Porque os nacionais, ou por falta de iniciativa própria, ou por falta de apoios de quem de direito, raramente conseguem aproveitar as sinergias originadas com o negócio do turismo;

8. Porque os preços de uma vinda a Cabo Verde são desajustados, porque muito caros, em comparação com outros destinos turísticos mais longínquos dos potenciais turistas;

9. Porque se está a fazer pouco para combater os fenómenos resultantes do chamado turismo de massa, como a prostituição, a pequena criminalidade e o consumo de droga;

10. Porque quando se vai a Santa Maria, a vila mais turística do país, se ouve falar mais italiano do que o crioulo;

11. Porque quase todo o turismo é concebido para fora, sendo que há muitos cabo-verdianos que nunca saíram da própria ilha e vão continuar sem fazê-lo, porque a aposta no chamado turismo doméstico é exígua ou mesmo inexistente;

12. Porque me custa perceber para onde vão os dejectos orgânicos (vulgo "caca") e não orgânicos (vulgo "lixo") de tantos milhares de turistas se nenhum destes empreendimentos turísticos de alto standart tem, que se saiba, estações de tratamento de águas residuais ou locais para reciclagem dos seus próprios resíduos;

13. Porque os preços praticados pelos locais de maior influência turística são abusivos. A mentalidade do lucro rápido em tempo de crise, não me parece que resulte muito bem, mas eles que são donos do negócio, lá sabem o que fazem.


E volto ao início. Há que apostar na diversidade. Na riqueza humana. Na arte. Na promoção cultural. Na paisagem. Abençoado país que possui tal diversidade. A chave do turismo cabo-verdiano tem que estar na mão das pessoas. Nada como cantar a morna de Antero Simas, "Doce Guerra", para sabermos e termos consciência de que estamos a fazer (quase) tudo errado.





Como já foi anunciado uma nova aquisição na equipa (Pedra Bika), aproveito para apelar à entrada do Jornal da Hiena no BlogJoint.

E para quem acredita, aqui fica uma bela frase que tem tudo a ver com isto:

"Palavra puxa palavra, uma ideia traz outra, e assim se faz um livro, um governo, ou uma revolução."

Machado de Assis, escritor brasileiro (1839-1908)



Fui recentemente convidado por um professor para ir falar, numa disciplina específica, numa das Universidades privadas existentes no Mindelo, sobre a minha experiência profissional. Aceitei, como habitualmente, o desafio. Preparei uma apresentação em Power Point e lá fui eu, todo basofo, dar a minha palestra. Nunca tive problemas em falar em público, e portanto, sentia-me perfeitamente à vontade. O curso em causa tinha um horário nocturno, pós-laboral.

Quando entrei na sala, fiquei um pouco apreensivo, e essa preocupação acabou por se justificar. Resumindo, e para não entrar em detalhes, devo dizer que a sensação que dava era que aqueles alunos - os que estavam no início e os que foram chegando ao longo da hora e meia de conversa, como se não houvesse algo chamado horário e relógios - estavam ali a fazer alguém um favor, a quem não se sabe. A fazer um frete. Enfim, um aborrecimento. Com uma ou duas excepções, a maior vontade daquele pessoal era ir para casa o mais depressa possível.

Agradeço aos poucos que souberam ou quiseram tirar daquele encontro alguma mais valia. E logo pensei que a culpa da situação só podia ser minha e do tema proposto, que por acaso até estava relacionado com a disciplina em causa. Mas na semana seguinte, foi uma outra pessoa, levar a sua experiência. E o ambiente era mais ou menos o mesmo. Malta a comer pipocas, a conversar como se ali não se estivesse a passar nada, como se não estivessem a receber um convidado, que de livre e expontânea vontade, foi ali partilhar um pouco da sua vida e experiência.

Muito provavelmente, alguém vai ler isto e vai identificar a situação. Vão imprimir o texto e fazer cópias para os colegas, e uma onda de indignação vai-se levantar. Da parte que me toca, peço que pensem um bocado antes de gritar aos sete ventos a fúria perante este atrevimento. Pensem o que é o ensino superior, o que faz, o que implica, o que deve exigir dos alunos, dos professores, dos gestores, dos decisores, dos políticos. Pensem no que andam ali a fazer. Pensem que é uma oportunidade incrível que vos está sendo dada de crescerem enquanto seres humanos, essa de ter acesso a uma aprendizagem de um nível elevado, e que se o vosso estabelecimento de ensino ou os vossos professores não estiverem a corresponder às vossas expectativas, protestem, contestem, reúnam, organizem-se, promovam associações de estudantes, exijam, mexam-se, façam baruuuulho, como se costuma dizer nos concertos e manifestações populares.

Isto para dizer muito simplesmente que a tarefa de edificação de um Ensino Superior digno, de qualidade, prometedor e capaz de dar resposta aos desafios de qualificação dos recursos humanos em Cabo Verde, passa por um exercício de cidadania de todos os envolvidos, e nunca se conseguirá apenas por decretos ou medidas políticas. Aplaudo com entusiasmo o aparecimento da Universidade Pública de Cabo Verde. Acredito que o caminho se está fazendo, mas parece-me que neste, como em outros campos, o maior problema está na regulação. Regule-se mais, controle-se melhor, exija-se o que é exigível a uma instituição do Ensino Superior. E essa exigência, a vários níveis, deve começar pelos próprios alunos.






Ao que parece o texto do Mário Fonseca no último número do Expresso das Ilhas deu o mote para que se fale de corrupção. Falemos então disso. Mas sem papas na língua. Sem medo de processos nos tribunais por difamação. Sem medo de ter dezenas de anónimos verdes ou amarelos a carpir banalidades avulsas sem nos conhecerem de lado nenhum. Porque provavelmente pior que a corrupção - talvez ligada a ela - é esse cancro social banalizado no nosso país chamado riola (tradução mais ou menos literal da expressão má língua). E depois, mistura-se uma e outra e ninguém se entende. Não há denúncias, há bocas. Não há relatos de ilegalidades, há curtos artigos nos radares do nosso contentamento. Não há processos-crime ou investigações contra poderosos, há jogos político partidários que não convencem nada nem ninguém. Não há jornalismo de investigação, doa a quem doer. A verdade é que parece não haver quem esteja disposto a dar com a boca no trombone. Toda a gente teme as consequências. Muito provavelmente porque metade do país é primo, amigo, conhecido ou familiar da outra metade e não fica bem estar a lavar roupa suja em público.

Falemos, pois, de corrupção. Vamos lá. Como é possível que a grande maioria da população não confie, por razões "ninguém sabe ninguém diz", nas alfândegas deste país? Como é possível que circulem viaturas de milhares de contos e sejam erigidos certos palacetes que vemos por aí? De onde vem o dinheiro que sustente certos estilos de vida e formas de estar de pessoas que fazem da ostentação o seu dia-a-dia? Que salários pagam os luxos que circulam debaixo dos nossos narizes? Alguém sabe? Silêncio. Alguém actua? Imobilidade. Ninguém fala do que toda a gente vê. Porque razão não chegam a entendimento os deputados da Nação sobre tudo o que diga respeito à reforma da Justiça, sem a qual tudo o que se possa dizer ou mesmo fazer não passa de água em balaio furado? É assim tão difícil de entender, porra?

Isto tem a sua lógica. Todos somos inocentes até prova em contrário, não é? Viu-se no caso do roubo da electricidade por certos barões do Palmarejo. Denunciar? Não! Todos somos inocentes até prova em contrário. Pronto. Ponto. Mas como a justiça não funciona ou funciona mal, é um pouco complicado, para não dizer improvável, que alguém com carteira recheada e sentado nalguma cadeira confortável do poder, seja ele qual for, possa vir a ser confrontado em Tribunal. Não é novidade. Foi dito publicamente por gente identificada que há juristas com nome e responsabilidade a defender gente suspeita por crimes muito pouco católicos. Há por aí muita promiscuidade e não é de admirar que uma personalidade como Vital Moeda provoque tanta reacção na população. Olhem! Um gajo que fala, que faz, que não se deixa comprar! Há algo que me perturba bastante na forma entusiástica como se olha para o jovem procurador. Aliás, ele sabe disso melhor do que ninguém, parece-me. Se este fosse o país das maravilhas no campo da justiça, o Vital Moeda era a regra e não a excepção.

Há um grande equívoco em relação a este estado de coisas. É que não parece haver nenhum desentendimento em relação a este assunto. O que parece é, pelo contrário, haver um entendimento tácito, claro, não assumido porque inadmissível publicamente, em relação a uma não-reforma. Que tudo fique como está. Não mexer. Não tocar. Senão ainda vão andar por aí esqueletos saídos dos armários de alguns poderosos a circular impunemente pelas ruas da cidade. Shiuuuuu, kalam ess boka.


Ilustração de Pedro Madeira Pinto


Ver também: blogue geração 20j73



2008 foi um ano extraordinário para a blogosfera cabo-verdiana. A dinâmica mantida ao longo do ano, a quantidade de novos blogues criados, o aumento exponencial dos comentários, a noção clara da força que pode ter este movimento, a adopção do selo "Cabo Verde Blog" pela grande maioria dos blogues crioulos, o aparecimento das expressões "blogosfera", "blogocratas", "blogueiros berdianos", entre outros, demonstra a vitalidade deste fenómeno que, apesar de tudo, ainda é pouco explorado em Cabo Verde, se compararmos com o que acontece noutros países. O avanço para o conceito de Blog Joint foi apenas mais um passo do que poderá vir a ser um movimento de opinião, com uma palavra a dizer.

Quanto ao Café Margoso, procuramos estar atentos a esta realidade com este "Blogómetro Cabo Verde" e chegou a altura de atribuir algumas distinções, para fechar o ano.

Blogómetro 2008 - Prémios & Distinções Margosas

Blogue Nacional do Ano


Blogue Internacional do Ano




Outras Distinções

Blogue Revelação do Ano (novo blogue em destaque) - Bianda (aqui)
Blogue Fodas do Ano (blogue mais cáustico) - Ala Marginal (aqui)
Blogue Regresso ao Futuro do Ano (blogue renascido das cinzas) - Tempo dos Lobos (aqui)
Blogue Quase Erótico do Ano (blogue com melhor tempero) - Retalhos de Vida (aqui)
Blogue Desaparecido em Combate do Ano (activista em hibernação) - Pedra Bika (aqui)
Blogue Sempre a Postar do Ano (blogue com maior regularidade) - Terra Longe (aqui)
Blogue Grafismo do Ano (blogue com grafismo mais original) - Boca de Lobo (aqui)
Blogue Cadáver Esquisito do Ano (blogue morto e enterrado pelo autor) - Blogue do Paulino (aqui)
Blogue Promessa do Ano (blogue que promete animar 2009) - Ku Frontalidade (aqui)

Comentador do Ano - Anónimo


Quanto ao Café Margoso, ganha definitivamente o prémio de Blogue Basofo do Ano. Um grande 2009 para todos os leitores, blogueiros, crioulos e crioulas, em particular e população mundial, em geral



Está a crescer e a solidificar, esta noção de que existe uma blogosfera cabo-verdiana. Primeiro foi o selo Cabo Verde Blog, nascido e criado aqui no Café Margoso, que se espalhou rapidamente, e tornou-se uma espécie de imagem de marca. Agora a ideia é ir-se um pouco mais longe. Com o conceito Blog Joint Project, criado pelo Bianda, pretende-se de forma assumida marcar a agenda da discussão na blogosfera, com escolha de temáticas comuns e com a missão (suicida?), digamos assim, de "operar como uma terceira via de debate das políticas executadas no país", como muito bem escreveu Rony Moreira, no blogue Geração 20j.73.

Tal como o César, também acredito e ponho fé no colectivo. Ou não fosse um homem de teatro, cuja existência enquanto criador depende do saber fazer junto. Embarco nessa jornada, claro.