Café Economia

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Esta tarde, no Jornal das 5 da Rádio Morabeza, a deputada nacional do PAICV, Filomena Martins, proferiu declaração em que justifica a alta taxa de desemprego em São Vicente com o aumento da natalidade, explicando que "o número de nascimentos é superior à capacidade da economia gerar empregos."

Sinceramente, esta é a primeira vez que vejo um facto ligado ao outro assim de uma forma tão umbilical (o termo aqui encaixa como uma luva, diga-se de passagem), e muito embora demografia e economia até sejam ciências se não irmãs, pelo menos primas, não deixei de ficar espantado com tão original teoria.

Duas coisas podiam acontecer desde já: em primeiro lugar, ocupar o imenso espaço vazio e desaproveitado do tão prometido e falado parque industrial de S. Vicente e colocar no muito curto prazo lá a funcionar várias unidades fabris para o fabrico de preservativos - camizinhas, em linga di terra - em que metade da produção fosse para exportação e a outra metade para distribuição gratuita pela população. Matavam-se dois coelhos numa cajadada só, por um lado fomentando o emprego com os milhares de postos de trabalho criados com a indústria de camisinhas, projetando a marca Mad in Cabo Verde, quiçá de Soncent, por todo o mundo (imaginam um eslovaco ou um canadense, cada um dos respectivos países, a meter a mão no bolso para a urgente camisinha e verificarem que aquilo foi fabricado em Cabo Verde? Nem Cesária conseguiu ir tão longe como embaixadora do país!). Por outro lado, como é lógica imediata, a utilização massiva de camisinhas por parte da população, principalmente a mais jovem, permitiria uma diminuição abrupta da natalidade. Uma medida, duas consequências imediatas: mais emprego, menos natalidade. Genial, não?

O segundo acontecimento é ainda mais óbvio: a deputada deve ser tida em conta, pelo menos ao nível das nomeações, para o próximo Prémio Nobel da Economia. É o mínimo! 



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2 comentários:

Anónimo disse...

Acho que tem sim direito à sua opinião, mas o que ela disse não é de todo despropositado, uma vez que sim em Cabo Verde as pessoas têm filho demais e não têm condições de as sustentar. Se pensarmos que essas pessoas que estão no desemprego precisam de uma fabrica para trabalharem, porque não estudaram, porque abandonaram os estudos cedo, então a minha questão é a seguinte: num mundo em que as fabricas ficam cada vez mais robotizadas, como é que gente que não estudou vai arranjar emprego?

o Sr. pode dizer: muita gente que está no desemprego tem formação superior e é verdade. Mas ai eu pergunto: porquê vivemos de costas para o nosso continete? somos um país pequeno...porque não ir trabalhar para uma zona aqui ao pé?

Isso é mais dificil em S. Vicente, porque as pessoas não querem sair dali e isso percebo perfeitamente. Soncente é lindo e tem boaqualidade de vida , mas se eu não tenho pão pra boca, porque vou insistir em ficar num sítio onde não há trabalho?

E mais....isso não é um problema só de soncente, mas de todo o Cabo Verde. Eu vejo aqui na cidade da Praia, onde muitas e muitas mulheres saem de casa para irem trabalhar na venda e deixam os filhos em casa, que não têm ninguem que os acompanhe e que acabam por abandonar as ecolas e ficam sem escolhas. Conheço não uma, mas várias meninas que têm dois filhos, cada um com um pai e que só elas sustentam os filhos e acham que podem engravidar um terceira e quarta vez.
Não é o único factor, mas que influencia o desemprego lá isso é verdade e a sra Filomena diz muita palha, mas isto não foi uma delas.

E mais...estamos num mundo que cada é muito diferente e que as oportunidades já não são tantas e eu não percebo porque temos que nos manter sempre com a mesma conversa, temos sim de procurar outras formas de emprego, que vai estar ligado às tecnologia, com toda a certeza. e para isso é preciso gente formada. Não é preciso só saber ler e escreve, que muitos sabem e mal é preciso dominar as tecnologias. Nós vivemos num nova era, muito diferente da anterior.

JB disse...

Não sendo economista, retive este curto texto publicado num blog da praça escrito por quem sabe:

"Sendo um fenómeno socioeconómico, o desemprego é multidimensional, ou seja, é influenciada e explicada por várias variáveis. Sendo a intenção medir em quanto a taxa de desemprego é explicada pela demografia, isto é, se o aumento da população for X o nível de desemprego esperado será Y e estando perante apenas uma variável independente, é provável que a capacidade explicativa desse modelo simples seja muitíssimo reduzida. E se, depois de realizada a regressão linear simples, se chegar a conclusão de que o aumento da população explica, por exemplo, apenas 1,3% da subida da taxa de desemprego? Não há qualquer relação causal entre as duas variáveis, quanto muito há uma relação probabilística e, provavelmente, com coeficiente de determinação insignificante porque explicada por uma única variável. Para entendermos correctamente a subida de desemprego há que invocar outras variáveis independentes, nomeadamente, o crescimento económico, a lei laboral, as relações laborais, o capital humano, a segmentação do mercado de trabalho, a dinâmica do sistema de emprego, etc." (de Edison Ferreira Sanches)

O senso comum diz-me que essa ligação directa que originou o post, é um profundo disparate. Mas quem sou eu...