Um Café Curto

8 Comments


«A história de um menino de rua. Podia ser igual como tantas outras. Mas não é. As próximas linhas têm a ambiguidade de relatar a “perversidade” de menores que, com cerca de oito anos, se iniciam nas teias da droga. Não são simples meninos de rua… São astutos, desconfiados, autênticos artistas na arte de roubar e ao mesmo tempo, frios, manipuladores. Criam sistemas de defesa, mas todos, lá no fundo querem o mesmo. O desejo de um dia sair da rua.»

Excelente, muito boa mesmo a reportagem de Margarida Conde, no Expresso das Ilhas, sobre os chamados «meninos de rua», da cidade da Praia.


Podem ler a versão integral aqui




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8 comentários:

Sisi disse...

Thanks pela dica!! Depois de lê-lo na íntegra passo aqui novamente para deixar um comment.


Abraço!

Margarida Conde disse...

Antes de mais, muito obrigada pelo comentário, num país onde os elogios ficam guardados no bolso é bom de vez em quando ouvir um (neste caso ler).

E aproveito por lhe dar os parabens pelo seu blog. Neste caso aqui a originalidade e a criatividade caminham de mãos dadas. Haja isso em Cabo Verde...

João Branco disse...

Sisi, vale a leitura!

Margarida, antes de tudo, parabéns pelo trabalho. Espero que possa continuar a brindar-nos com textos dessa natureza. Quanto ao cumprimento, a gerência agradece. Volte sempre!

Teatrakacia disse...

O que a 'dureza' da vida e a falta de amor não consegue 'criar'! É a lei da selva! É a lei da sobrevivência! Simplesmente. E junto-me ao JB para parabenizar a autora e o Expri pelo 'bom trabalho'.

João Branco disse...

Que venham mais como este e que tenham um pouco mais de destaque, nomeadamente em primeira página. O jornal e os leitores só tem a ganhar.

Sisi disse...

Valeu mesmo a pena a leitura...a Margarida está de parabéns, o texto está escrito de forma a prender o leitor, mm tratando-se de duma realidade tão dura e triste, que precisa se vista mais clinicamente. Uma coisa é verdade, é a própria sociedade que alimenta este fenómeno, qdo os nomeamos de "piratinhas" ou "meninos de rua" qdo tudo o que eles querem é contestar esta sociedade e sair dessa prisão invisível em que eles vivem. Há muitos casos de sucessos de programas e projectos destinados a essas crianças e jovens que deram certo, é preciso apenas saber por onde começar, e um desses inícios é conhecer as suas reais necessidades. A situação deles retrata a decadência de uma sociedade que se tem perdido em termos de princípios e valores. No entanto ainda no meio desses "meninos de rua" encontramos meninos como o "Pedro" com uma honestidade, ainda que perversa, que prefere pedir ao invés de roubar.

gicas disse...

João, como sempre atento.
Também li a reportagem graças ao teu post. É que nos últimos tempos em Cabo Verde, prefiro dar 100 escudos a um rapaz portador de deficiência que está sempre a pedir junto ao Bom Gosto no Palmarejo, este eu sei que não é para a droga…

Aqui deixo o meu comment para os teus assíduos leitores e para a Margarida.

Escreves muito bem, parabéns.
A reportagem está boa, descreves bem o dia a dia e as "teias" dos meninos de rua e na rua, mas olha que o trabalho não fica por ai...

Conheço bem a realidade que pretendes transmitir sobre estes meninos de rua. Tens a visão inocente de quem ainda traz uma percepção "limpa" e "humana" da realidade destes meninos, eu tinha e ainda tenho essa visão "humana", que me leva a questionar que estes meninos de rua, não passam de vítimas desta sociedade desigual que os obriga a sobreviver e os empurra para a marginalidade.

Os grandes "dealers" atraem estas crianças, que mais tarde se tornam adolescentes, porque são alvos frágeis, fáceis de dominar e enganar.

Mas, infelizmente, já não há praticamente inocência nestas crianças que pedem e roubam para a droga, que se prostituem, que fazem de tudo. Mesmo tudo!

Todas querem sair da rua, mas todas sabem que isso não é possível, não há volta. Entram na malha com a polícia, com os senhores da droga, com a conivência da sociedade.

Mesmo com o ICCA a trabalhar com estas crianças, diariamente, não há volta a dar, e a taxa de sucesso de recuperação é, praticamente, inexistente.

Faz, praticamente, um ano que, também eu, fiz uma grande reportagem com os meninos de rua e na rua. Há uma diferença. Nem todos são "marginais" que buscam o alimento para o único "pão" do dia, "o fumo", como se chama em Cabo Verde. Há os que têm a rua como único lar e há os que mantêm uma ligação com a família.

Margarida há também muitas crianças que trabalham para ajudar os pais, na esmagadora maioria, a mãe, a única figura paternal.

Chegam a casa à noite e têm de entregar dinheiro, senão apanham, ou da mãe ou do, ou “dos” padrastos, companheiros da mãe. Essa é também a realidade. Muitos acabam por não querer voltar a casa, e preferem a liberdade de entrar na vida da "rua", como única companheira, porque não há lar, não há amor, nem carinho, nem apoio. Não há nada para voltar.

Pertencem a famílias desestruturadas, a maior parte começaram desde pequeninos, muitos "obrigados" pelos pais ou familiares com quem vivem, que exploram as crianças e as empurram literalmente para esta vida.

Devias ter explorado o lado das autoridades (in) competentes e ias descobrir muitas coisas, lamentáveis!!!

O sucupira é o maior "centro" de concentração desses meninos, como bem referes e conheço o prédio de que falas...mas olha que na rua não há amizades. Há apenas a lei da sobrevivência e o "Robinho" que eu também conheço, não ia hesitar em matar o amigo do lado por um cocktail. O vício é mais forte, fala mais alto. Domina-os por completo e a solução para o problema parece não ter fim.

O fim da lei da Imputabilidade para menores de 16 anos em Cabo Verde, na prática nada veio mudar ou acrescentar a esta realidade da Praia, do Mindelo, do Sal, do Fogo e a longo prazo da Boa Vista, onde o abismo social caminha nesse mesmo sentido. Há um Centro de Recuperação/Integração – Orlando Pantera, que já na altura que fiz o trabalho estava a funcionar com técnicos pagos e vazio, sem hóspedes. É que depois, tens a questão dos tribunais, que também, acabam por, alegadamente, não funcionar. Na altura a própria “polícia” admitiu que os Tribunais colocavam de novo estes marginais, na rua.

Sou a favor da integração, da reabilitação, não é fácil. E nem sempre, estes Centros de Acolhimento estão realmente capacitados para dar resposta…mas muito mais haveria para dizer.

Continuação de bom trabalho.
Ass: Gisela Coelho

João Branco disse...

Excelente comentário! Beijo grande, Gi!