Romance Fragmentado 10

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Quando acordei estava ligado a uma série de tubos e um cheiro horrendo cobria toda a atmosfera, aquele odor que sempre toda a minha vida havia detestado e evitado a todo o custo. O cheiro de hospital. Fiquei apavorado, era só o que me faltava, vir parar assim aqui, sem mais nem menos, sou um tipo saudável, nunca tive problemas de saúde, pode lá ser uma coisa dessas. O seu coração está com problemas, disse-me uma enfermeira com o rosto embaciado, quem sabe uma daquelas deusas fenomenais da Anatomia de Grey. Problemas? Que problemas? O caso é grave, falta-lhe um pedaço, há um canto do seu coração que já não funciona como devia e tem que ser trocado, sei lá, sou apenas uma enfermeira, o doutor depois explica-lhe melhor. Mas não pode ser, não pode ser. Então ando eu a treinar no ginásio que nem um louco, estou aqui com uns peitorais de fazer inveja a muito desportista, corro, nado, escalo e faço amor pelo menos três vezes por semana, não fumo, não bebo para além da conta, isto tudo só pode ser um lamentável equívoco. Não é não. Vamos ter que operar e não sei, convém mesmo que se prepare para o pior, que é como quem diz, viva e aproveite o melhor que pode os momentos que lhe restam, nunca se sabe o que pode acontecer ao virar da esquina. Foda-se! Isto não pode ser bom. Acordei.




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4 comentários:

MYA disse...

Graças a Deus.

João Branco disse...

Amém!

Rêves à emporter disse...

Excelente exercicio JB ou As memórias dum caderninho de beira cama. Faço o mesmo. Um poço de ideias surrealistas.

Braça tamonh Lat 50°27' Long 4°51'

João Branco disse...

Boa definição. Faço estes textos como exercício. Porque a escrita também o exige. Um dia, quem sabe? Abraço, reves!