Soneto

7 Comments



          Senhora, por quem sois, não sejais minha,
          que o bem que aspiro é um mal para nós dois.
          Sede insensível como terna sois,
          à paixão que vos tenta e me espezinha.

          Não cedais. Resisti. Morra sozinha
          esta chama. Soframos hoje, pois,
          mais vale ora penar que ver, depois,
          que o bem que se sonhou só mal continha.

          A ansiedade de agora é vã tristura
          Comparada a essa angústia que não cansa
          Do amor que se encaminha para o tédio…

          Antes este amargor sem amargura,
          este doido esperar sem esperança,
          que arrepender-se sem ter mais remédio.

          Menotti Del Picchia



Imagem: «Keep Out» de Alexander Kharlamov




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7 comentários:

Dundu disse...

Isso sim é um amor desmedido.
Lembra os do E. Tavares.

Belo poema

João Branco disse...

Concordo. Não foi por acaso que juntei os dois autores numa peça de teatro...

MYA disse...

Um soneto, Sr.Joao Branco.
Bene, molto bene ed anche bellissimo.

João Branco disse...

Mya, como adivinhaste que ando a ter aulas de italiano? Caramba!

MYA disse...

Arlecchino que se preze, tem que saber italiano, senão Colombina vai aprender frances. Ai que Pierrotada.... credo

MYA disse...

Arlecchino tem de saber italiano, senao Colombina faz uma Pierrotada...

João Branco disse...

Pronto, até eu, que não sabia, já percebi porque estou a ter aulas de italiano...