Encontrei este texto do jornalista brasileiro Arnaldo Jabor e que mesmo indo no sentido contrário do que toda a gente sabe, não deixa de ser bom de se ler para quem largou o ginásio há alguns meses por falta de tempo e, mais decisivo, por pura preguiça. Foi um bom momento para atenuar os meus problemas de consciência, sendo certo que o facto de não ter carro e me deslocar a pé para todo o lado - o que numa cidade como o Mindelo não é nenhuma proeza por aí além, diga-se de passagem - também ajuda a compensar este período mais tranquilo, para não lhe chamar outra coisa. 

Então é assim

Barriga é barriga, peito é peito e tudo mais. Confesso que tive agradável surpresa ao ver Chico Anísio no programa do Jô, dizendo que o exercício físico é o primeiro passo para a morte. Depois de chamar a atenção para o fato de que raramente se conhece um atleta que tenha chegado aos 80 anos e citar personalidades longevas que nunca fizeram ginástica ou exercício – entre elas o jurista e jornalista Barbosa Lima Sobrinho – mas chegou à idade centenária, o humorista arrematou com um exemplo da fauna: A tartaruga com toda aquela lerdeza, vive 300 anos. Você conhece algum coelho que tenha vivido 15 anos?

Gostaria de contribuir com outro exemplo, o de Dorival Caymmi. O letrista compositor e intérprete baiano era conhecido como pai da preguiça. Passava 4/5 do dia deitado numa rede, bebendo, fumando e mastigando. Autêntico marcha-lenta, levava 10 segundos para percorrer um espaço de três metros. Pois mesmo assim e sem jamais ter feito exercício físico viveu 90 anos.

Conclusão: esteira, caminhada, aeróbica, musculação, academia? Sai dessa enquanto você ainda tem saúde… E viva o sedentarismo ocioso!!! Não fique chateado se você passar a vida inteira gordo. Você terá toda a eternidade para ser só osso!!!

Então: não faça mais dieta! Afinal, a baleia bebe só água, só come peixe, faz natação o dia inteiro, e é gorda!!! O elefante só come verduras e é Goooooordo!! 

Viva a batata frita e o chopp!!

Você, menina bonita, tem pneus? Lógico, todo avião tem!
E nunca se esqueçam: ‘Se caminhar fosse saudável, o carteiro seria imortal


Via: aqui






Esta semana o nosso destaque vai para o blogue Communicare, um interessante espaço dinamizado pelos alunos da Licenciatura em Ciências de Comunicação da Universidade Lusófona de Cabo Verde, que além deste blogue, têm organizado palestras e conferências sobre os mais variados temas. Dizem-se, acima de tudo, "unidos para um futuro de maior profissionalismo e qualidade da comunicação social, apoio à gestão de empresas e em tudo o que abarca a comunicação." 

Numa altura em que se tem falado tanto de Ensino Superior em Cabo Verde e de déficit de cidadania é bom verificar que um conjunto de alunos não encara a sua instituição de ensino apenas como um caminho para obter um canudo. É o meu Café da Semana e pode ser consultado, aqui.






100 é um número redondo, quase perfeito. Não é por acaso que se comemoram centenários com toda a pompa e circunstância. Sejam de nascimento, de morte ou de algum acontecimento histórico relevante. Fazer 100 declarações, dizendo o que se pensa, porque se pensa e fundamentando essas tomadas de posição, tendo ou não tendo razão nalgumas delas, merece, pois, a devida referência. 

Então declarou-se alto e bom som sobre aspectos tão pessoais como amar todos os diasas coisas boas da vidaos beijos e os abraçosa ternura dos 40, os malefícios do Verão ou a beleza das segundas-feiras; a falta de paciência para o Natal, o fenomenal reveillon do Mindelo, o sentimento de ser-se ateu e a visão macro e micro da vida. Como é bom ser pai, declarou-se, a páginas tantas! Como é estupidamente caro, ser info-incluído em Cabo Verde, chorou-se num outro dia. Ser homem é um desporto radical? Não sabemos, porque estas declarações procuram provocar o debate, mas na maior parte das vezes, trazem mais perguntas do que dão respostas. 

Falou-se de direitos humanos na China a propósito do Tibete; apelou-se à participação eleitoral e festejaram-se as vitórias de Barack Obama; denunciaram-se os desmandos do novo Papa e as palermices do economista crioulo que acha que ser gay é uma doença; reflectiu-se sobre a falta de interesse dos cabo-verdianos pela política e sobre guerras entre jornalistas de dentro e de fora; lamentou-se a situação na Guiné-Bissau, a guerra suja de Israel nos territórios palestinos,  

O Café Margoso comemorou as 25 mil visitas, deu corda aos Anónimos, declarou o que é um bom blogue e festejou o seu primeiro aniversário; fez-se a defesa intransigente da blogosfera crioula e esclareceram-se as razões que fazem o Café Margoso aquilo que ele é;  explicou-se porque é bom ter um blogue e lamentou-se a nossa falta de tomates; a análise ao 180º deu origem a muita reacção e o mundo seria melhor se a liberalização das drogas fosse uma realidade.

Enalteceu-se os Raiz di Polon e o Juventude em Marchao prazer de estar no palco, o dia mundial do teatro, a beleza de Santiago, as qualidades do inimitável IMac ou a forma como são ocupados os espaços públicos; estranhou-se a preguiça dos combustíveis em descer os preços, defendeu-se um cortar a mal pela raiz e reflectiu-se sobre a função social da Arte; denunciou-se o muro da vergonha do Mindelo, que ainda lá está, apoiou-se a fé do nosso primeiro no Mundo Novo a descobrir e estranha-se as fortunas gastas nos festivais de música; chora-se a degradação que "obriga" o aluguer de espaços públicos para cultos de seitas radicais e desconfia-se sempre que se utilizam argumentos bairristas para esconder outras realidades.

Do país falou-se de ensino superior, do caso Murdeira, de corrupção ou do nojo da pedofilia; arranjou-se uma confusão ao Vital Moeda, e declarou-se guerra aberta à violência doméstica; desconfia-se do fumo sem fogo como justificação da riola e grita-se não às bases militares estrangeiras em Cabo Verde; refletiu-se sobre o poder das máscaras na nossa sociedade, sobre as confusões alupekianas ou a falta de humildade artística.

Porque há licenciados desempregados, o local certo para uma orquestra sinfónica, o fenómeno Susan Boyle, a falta de sentido de humor ou o descaramento dos ladrões de electricidade dos bairros chiques da Praia, foram mais alguns dos assuntos levantados por estas declarações, quase sempre com cafeína. Qualquer dia lanço um livro com isto tudo. É a última coisa que me falta para poder ser considerado um blogueiro de pleno direito.




A bela arte de Peter Callesen









Galeria com os trabalhos do artista, aqui



«Cada vez há menos gente a votar; menos interesse nos resultados; cada vez os políticos se empenham menos. Começam a tratar os actos eleitorais como sondagens de luxo. E criticam-nas quando a abstenção é alta, apesar de terem ido votar todos os cidadãos que queriam.

A abstenção alta não é grave. Mas esta atitude é. Tratam o povo que se deu ao trabalho de ir votar (e que representa legitimamente o país inteiro, até ao último dedo do pé) como um petulante focus group. Votámos em partidos esquisitos só porque queremos "mandar uma mensagem". Ficámos em casa só porque estamos amuados. E o que mais irrita é a condescendência com que os derrotados admitem que sim, que até temos razão em estarmos chateados e que escusamos de continuar a fazer beicinho porque eles vão tratar disso já na segunda de manhã.

As eleições não são centros de recados nem fotografias dum instante político. Não são sondagens. Não são o Twitter. Se tratam as eleições como se não servissem para nada senão para informar, como é que depois podem queixar-se da abstenção ou até usar as eleições para se legitimarem? Cuidado.»

Miguel Esteves Cardoso, a propósito das últimas eleições europeias (fonte: aqui)


Sobre esta questão do voto, tenho a dizer duas coisas rápidas:

1. O único e verdadeiro voto de protesto é o voto em branco. A abstenção é um encolher de ombros, um lavar mão à Pilatos que depois não dá o direito a reivindicar rigorosamente nada. 

2. Por todas as razões e mais alguma, e tendo em conta a sociedade actual, sou totalmente a favor ao voto obrigatório, em detrimento ao voto por opção. 









Que legenda para esta imagem?

À melhor legenda ofereço um café




Que escrever no Livro de Reclamações 
do Governo de Cabo Verde?


À melhor resposta, ofereço um café



É uma boa notícia e mais um passo para a civilidade do nosso arquipélago: a partir de hoje já está disponível, e pela módica quantia de mil e duzentos escudos, o Livro de Reclamações, instrumento fundamental que dá voz aos consumidores dos estabelecimentos comerciais, incluindo os de hotelaria e restauração. A lei que a isso obriga, e que entrou em vigor a 28 de Maio de 2009, é um instrumento que permite aos consumidores cabo-verdianos exercerem o direito de queixa no local, por serviços inadequados.

O livro de reclamações, já à venda nos Correios do país e na Imprensa Nacional (IN), é obrigatório e deve ser disponibilizado por todos os fornecedores de bens e serviços. O governo justifica a obrigatoriedade deste livro com a necessidade de tornar mais rápida a resolução de conflitos entre os consumidores e os agentes económicos. O fornecedor “é forçado a disponibilizar gratuitamente ao utente o livro de reclamações sempre que este for solicitado e afixar um letreiro sobre a existência daquele instrumento no estabelecimento. É ele também quem deve remeter a queixa à entidade competente”.

Comentário Cafeano: Fiquei muito satisfeito com esta medida mas não deixei de me lembrar da época em que foi aprovada a lei que não só proibia a venda e consumo de bebidas alcoólicas a menores de idade como obrigava todos os estabelecimentos que vendem estes produtos, nomeadamente bares e restaurantes, a colocar uma placa com as medidas tais e tais, em local bem visível, fazendo referência directa à lei e à proibição. Nas primeiras semanas, era ver o pessoal todo a mandar fazer placas à medida, em todos os materiais, desde o metal e a madeira para os mais chiques, passando pela simples impressão em papel para os mais remediados, e a verdade é que nos primeiros meses tivemos uma inspecção zelosa a verificar se todos tinham a referida placa nos respectivos estabelecimentos e se de facto não se andava a vender bebidas alcoólicas a menores. Ora, passado algum tempo, não só as placas desapareceram da vista como bastaria uma saída à night mindelense durante este último fim de semana para se perceber que esta proibição não só é letra morta como o consumo está generalizado entre os jovens, tendo inclusive originado cenas contínuas de pancadaria e violência à porta de estabelecimentos de diversão nocturna. Esperemos que daqui a alguns meses não aconteça o mesmo com o livro de reclamações.




Clica-me!

(Scarlet Johanson)




Não basta um grande amor
para fazer poemas.
E o amor dos artistas, não se enganem,
não é mais belo
que o amor da gente.

O grande amante é aquele que silente
se aplica a escrever com o corpo
o que seu corpo deseja e sente.

Uma coisa é a letra,
e outra o ato,

– quem toma uma por outra
confunde e mente.

Affonso Romano de Sant'Anna


Pintura: Blue Lovers, de Chagall

Bom fim-de-semana




A Polícia Judiciária cabo-verdiana está em grande forma. Desde espectaculares apreensões de droga, caça a burlões, investigações rápidas e com resultados, é rara a semana em que não temos notícia de mais uma proeza da nossa CSI. A última novidade é a que nos diz que a PJ confiscou cerca de 350 milhões de escudos cabo-verdianos em bens móveis e imóveis em 2008. É muita massa e inclui valores de contas bancárias congeladas, bens imóveis arrestados e bens móveis apreendidos a pessoas ligadas à criminalidade organizada em Cabo Verde.

Da operação efectuada foram apreendidas vinte e três viaturas no decurso de 2008, de várias marcas e modelos, nomeadamente Toyota Avensis, Toyota Prado, Toyota Land Cruiser, WW Touareg e Mercedes, entre outras. Segundo a notícia da Inforpress a PJ já está a enfrentar problemas com o espaço para guardar as viaturas. Candidato-me desde já à guarda de um desses carrões, a bem da Nação, e que o tragam depressa, porque carro parado demora mais na hora do arranque.


Nem é preciso dizer mais nada...