Declaração Cafeana

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Não fui daqueles que rejubilou com os milhares de soldados que andaram por aqui no Mindelo para uns exercícios militares multinacionais que, pelo que constou, trouxeram múltiplos benefícios ao país, na indústria hoteleira, na animação, no comércio, nos romances, nos expedientes, nas ofertas, nos intercâmbios, nas festas, no índice de emprego, na inflação, na economia e sabe-se lá onde mais.  Ao que parece até se fizeram estudos sociológicos que comprovam a importância multisectorial de tão vasta movimentação, provocada pela presença da Nato e do seu "Jaguar" (acho que era assim que se chamava o conjunto das "operações"). Fizeram-se separatas em jornais e especiais de informação nas televisões. Viam-se por esses dias fardas um pouco por todo o lado, cada uma delas com uma das várias bandeiras dos países envolvidos naquela que terá sido a maior movimentação militar em Cabo Verde desde a Independência. Que giro! Que fixe! Tantos soldados! Continuo sem perceber a razão para tanta animação, mas pronto.

Por isso também, quando li na entrevista que Carlos Veiga deu ao semanário A Nação que era defensor da abertura do arquipélago à possibilidade de instalação de bases militares estrangeiras no território, nomeadamente norte-americanas, até tremi. A Constituição da República, de forma sensata, não permite que isso aconteça e ao que parece este é um dos artigos que o Movimento para a Democracia admite alterar, o que, do meu ponto de vista, não faz qualquer sentido.

Sou literalmente contra a instalação de bases militares em Cabo Verde. Diz uma das mais belas mornas que "No ka tem ouro, no ka tem diamant, ma no tem ess paz de Deus, ke na mund ka tem." Deixem ficar assim, que estamos muito bem. Bases militares em Cabo Verde? Vadre retro!




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16 comentários:

Felina disse...

Material bélico não combina nada mesmo com a belissima paisagem

Salim disse...

Nem mais!!! No dia em que permitirmos uma base militar aqui em CV, Amílcar Cabral será enterrado de vez (se é que ainda não foi totalmente enterrado).

Quem cá instalar uma base militar, jamais a retirará e seremos para sempre refém dos seus interesses (refiro-me aos interesses obscuros, é claro).

A propósito, José António dos Reis escreveu um excelente artigo sobre esta questão (no A Nação) há poucas semanas atrás.

Base militar = Vender (o pouco que nos resta de) Cabo Verde... OVER MY DEAD BODY!

Anónimo disse...

Concordo e subscrevo, João.

Como é sabido - os exemplos são múltiplos - a instalação de bases militares estrangeiras implica, a longo prazo, a existência de mais prejuízos do que benefícios.

A vista curta não é, por isso, boa conselheira!

a) RB, anónimo por obrigação

Anónimo disse...

O Dr.Carlos Veiga, com todo o respeito, precisa revisitar a história, e rever o episódio PEARL HEARBOUR. Vi o filme e fiquei arrepiada...temos todos memória muito curta, como já dizia alguém por aí...

Anónimo disse...

O que o Dr. Carlos Veiga sabe é que o poder tem horror ao vazio.
Em virtude da actual importância geoestratégica de Cabo Verde e de este não ter Forças Armadas significativas, existem somente duas hipóteses: ou uma base militar estrangeira, ou uma base internacional de narcotráfico.

Fait vous jeux.

Pedro

Anónimo disse...

As pessoas que vivem bem, que podem viajar para todo o mundo,que tanto podem viver cá como na Europa, que se vestem pela última moda parisiense, quando adoecem apanham avião e desembarcam numa das capitais europeias, não desejam aqui bases militares. Mas as que vivem em situações diametralmente opostas decerto não se importam que sejam cá instaladas bases...

João Branco disse...

Pedro

Nada a ver. Não é preciso ter bases militares estrangeiras para se combater o narcotráfico, era só o que faltava. Pode - e deve - é haver acordos de cooperação entre forças de segurança, o que é bem diferente.

Anónimo; vai dizer isso aos açorianos, que realmente agradecem aos deuses todos os dias por terem lá instalada a Base das Lajes. O tempo em que as tropas expedicionárias davam comida ao povo para ajudar a combater a fome já passou há muito. Esse teu argumento é não só completamente demagógico como desfasado da realidade actual.

Anónimo disse...

João,
Estamos a falar de realpolitik, não vai haver nenhuma cooperação internacional eficaz na área da defesa sem contrapartidas sérias (tens muitos e actuais maus exemplos). Não estás à espera que outros países mobilizem meios e recursos económicos para a nossa defesa, isto é que nos defendam com o dinheiro deles, sem que tenhamos também que nos empenhar. Ou concordas com a canalização dos poucos recursos das Infraestruturas, da Educação ou da Saúde para a defesa? Já não falo da Cultura, que te é tão cara, porque estes não davam para comprar um par de botas.

Todos sabemos que essas lindas praias são mais frequentadas por lanchas rápidas dos narcotraficantes do que por navios militares ou de vigilância costeira. Também deves saber que o exercício Jaguar realizado em 2006, desencorajou durante largos meses as actividades de narcotráfico nas nossas ilhas, empurrando-o para a Guiné (que está hoje a pagar bem caro a factura de ser uma plataforma continental dos narcotraficantes em África).

Mas podia juntar a esta outras ameaças como o tráfico de seres humanos.
Parece-me haver da parte dos integristas, na defesa intransigente do “não alinhamento”, muita ingenuidade. Muito cuidado com os aliados da vossa causa.

Pedro

João Branco disse...

Pedro, ingenuidade tua ao pensares que só se pode combater esses males com bases instaladas. Não. Aliás, quando dizes que "não vai haver nenhuma cooperação internacional eficaz na área da defesa sem contrapartidas sérias", tens toda a razão. Mas a contrapartida é a ocupação do território para fins militares e imperialistas? Fala a sério! Realmente, desde que os EUA se instalaram no Afeganistão o aumento da produção da heroína subiu exponencialmente, portanto está-se mesmo a ver que isso resolve o problema do narcotráfico. A cooperação internacional ao nível da defesa trás muitas vantagens para quem ajuda Cabo Verde, porque torna o país menos vulnerável, logo menos ponte de passagem de droga ou de imigração ilegal e clandestina. Se a UE dá a Cabo Verde uma parceria especial, por alguma razão é. Olha, quase todas as semanas chegam às ilhas Canárias algumas dessas "razões", em embarcações artesanais e geralmente com cadáveres lá dentro. Se a Cooperação Internacional ajuda na instalação de aparelhos de Raio X nos portos de Cabo Verde, menos provável será a utilização dessa via para fazer entrar ou sair droga do país. Se algum país oferece a Cabo Verde lanchas, ou radares, ou formação na vertende de vigia de zona económica exclusiva, está a contribuir para que esse país esteja menos sujeito a que entre droga dentro dele, proveniente de Cabo Verde. É tão simples quanto isso. Não são bases militares que vão resolver nada.

Lily disse...

O narcotráfico não se desmantela com bases militares mas com fiscalização séria e eficiente. De olho aberto e não a piscar a interesses.

Anónimo disse...

Tens toda a razão, João. Digo e repito: a história está lá para ensinar-nos, e dessa forma podermos evitar repetir mesmos erros. O problema é que a mémória anda curta, à mercê de conveniências pessoais de alguns, e andámos aos círculos, que nem pescadinha com o rabo na boca

Anónimo disse...

João,
A situação do Afeganistão é mal comparada por este ser um cenário de guerra, em que a missão estratégica dos norte-americanos é tão só o combate ao terrorismo. Imagina o que seria Colômbia ou o México sem os acordos de defesa com os Estados Unidos? Quem seriam hoje os legítimos representantes dessas nações, e os seus financiadores?

A presença de uma base militar em Cabo Verde seria de uma outra natureza, por exemplo logística e com funções vigilância territorial. As alianças e os acordos de defesa entre estados soberanos são históricos, e sempre existiram, não têm que configurar essa abordagem manicaista do imperialismo americano.

Neste caso, e face à crise económica que, essa sim, vai-se instalar em força em Cabo Verde, o narcotráfico com o seu ascendente económico vai ser um factor de perturbação da normalidade democrática (se não é já hoje?!). A captura pelos narcotraficantes de decisores políticos, policias, juízes e outros pode levar à sul americanização de Cabo Verde, e depois quero ver onde está a tão propalada independência nacional.

Quanto à União Europeia… nem com o Obama colaboraram para receber os prisioneiros de Guantanamo.

Pedro

João Branco disse...

Não sabia que os EUA tinham bases militares na Colombia, mas tendo em conta que 99% da droga que entra em território americano é PRODUZIDA por lá...

Agora, eu concordo com o que dizes, mas não vejo é como BASES MILITARES INSTALADAS resolvem o problema do narcotráfico e da sua "perturbação da normalidade democrática". O combate não deve ser feito por aí.

Volto a repetir. Há muitas outras formas de cooperação a nivel da defesa nacional que NÃO PASSAM NEM TEM QUE PASSAR pela instalação de bases militares em território cabo-verdiano.

Mic Dax (francês) disse...

Pedro tem razão: base militaria t'ijda na combate contra droga.

E Cabo Verde ja experimenta-l.

Qond NATO tava fazê sês palhaçaria na Soncente em 2006, ca tinha ipotse d'incontra nem um puntim d'padjinha.

Qês tropa strangêr otcha preço d'marijuana mut barato e sabe pa xuxu, es compra tud qel stock...

Anónimo disse...

Esquecestes das Putas!!! e agora os filhos querem... Fuck off

Tchale Figueira

Anónimo disse...

Base militar, ainda mais norte-americana? Em cabo verde? Manda-o para "aquele lugar do brasil".