Café Humorístico

6 Comments



Perdoai-lhes, Senhor, eles não sabem o que dizem!






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6 comentários:

Anónimo disse...

Bom pelo menos fiquei mais aliviada, e mais preocupada, pois já estava eu a achar que os sentimentos que esse Papa desperta em mim já eram implicância minha, mas afinal outros partilham também dessas minhas opiniões. Mas não aparece ninguém para dar um basta no vaticano? Pelo amor de Deus, estamos em pleno século XXI, e já são séculos e séculos a aturar os desmandos e abusos da Igreja Católia.Haja paciência! Deus nunca lhes deu procuração para fazerem e dizerem tudo o que tem vindo a fazer...onde é que foram buscar legitimidade para mandar tanto e fazer tanto? Conheço a história, e a minha indignação não provém da ignorância, mas de uma vontade de ver as coisas mudarem para melhor.

Anónimo disse...

É bem verdade “eles não sabem o que dizem”, mas a Igreja sabe bem do que fala.
A consternação ocidental com as palavras do Papa é reveladora de uma profunda ignorância da realidade africana e da perspectiva da Igreja. Mas é compreensível, o Papa defende a dignidade da vida humana, já os políticos ocidentais, e nomeadamente europeus, que se pronunciaram defendem a indústria farmacêutica. Para os outros, os desinteressados, os muitos que não partilham dos despojos que a industria arrecada nestas campanhas, tem que haver uma outra explicação, talvez um ideal.

Como demonstra a realidade africana estudada, os factos não aderem à “estorinha” que o preservativo seria a solução para a SIDA em África. A contaminação alastra e a SIDA toma proporções dantescas, nomeadamente onde a distribuição do preservativo é até mais significativa. Resta o ideal – o preservativo como ideal salvífico do homem africano.

Atrevo-me a pensar que a maioria dos que hoje criticam o Papa não encontram grande humor nesta banda desenhada, usam-na como arma de arremesso, e sabe porquê? “O ideal é uma maneira de mostrarmos o mau humor” (Paul Valery).

Paulo

Tiago Leão disse...

Gosto mais da perspectiva e subtileza destes versos de Sophia de Mello Breyner Andresen:

«Perdoai-lhes Senhor
Porque eles sabem o que fazem.»

Abraço.

João Branco disse...

O Paulo deve andar a ler estudos que ninguém mais conhece ao sair-se com estas espantosas declarações de que "A contaminação alastra e a SIDA toma proporções dantescas, nomeadamente onde a distribuição do preservativo é até mais significativa". Quer dizer que todos os cientistas e governantes do mundo inteiro andaram enganados estes anos todos! Caramba! A revelação chegou!

E o seu maior problema é que continua a utilizar a palavra "solução" quando devia era utilizar a palavra "prevenção". Não foi o Paulo que disse que "culturalmente" o africano é, hum, como dizer, poligamíco para não dizer "fornicardor" (perdoe-me o termo, não foi para ofender ninguém)?. E então o que se faz? Educa-se os pretinhos a ter mais juízo, é? A solução é a evangelização, será? Como aquela que os jesuítas levaram a cabo na América do Sul, com a preciosa ajuda dos carniceiros espanhóis no tempo dos descobrimentos? Tenha Santa paciência...

Paulo, seja sério e leia o que anda a escrever. Acho bem que defenda os seus ideais, mas repare que até gente ligada à Igreja e sobretudo aqueles que CONHECEM BEM A REALIDADE AFRICANA fazem da distribuição de preservativos uma acção de prevenção contra a SIDA normal, apesar das declarações tontas do seu chefe supremo.

Sobre a indústria farmacêutica, essa é outra guerra, outra questão. Que tem a ver com ganância dos grandes senhores empresários e pouco a ver com a questão da prevenção, que é o que está em causa quando se fala de distribuição de preservativos.

Como diria o outro, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

Abraço

Anónimo disse...

Uma verdade inconveniente é ainda assim uma verdade. E o Papa como homem de verdade e de coragem tem que a dizer. É na génese das causas do problema da SIDA e também da pobreza que pode estar a solução. E as causas, volto a afirmar, estão na poligamia a na promiscuidade sexual de algumas comunidades africanas. Não devia haver dúvidas, pois os factos estão ai.

Quanto à questão da “solução” versus “prevenção” não nos afastemos do fundamental. O Papa não fala sobre soluções paliativas.

Quer factos, meu caro? Já lhe indiquei o ‘case study’ do Uganda, mas há mais, procure na net. Procure também investigar quais são as comunidades africanas mais contaminadas, se as próximas da religião católica, se as próximas do anglicanismo. Mas vamos ficar pelas suas fontes, o jornal Público.

No mesmo dia que o Público deu à estampa as palavras do Papa e este comic, uma notícia sobre a epidemia de SIDA em Washington (onde 3% da população está infectada). Americanos em Washington com falta de acesso aos preservativos? Alguém acredita? No entanto, no desenvolvimento da notícia estava lá: 76% da população infectada era afro-americana. Mas claro, disto não interessa falar, havia muito que explicar.

Paulo

João Branco disse...

Paulo, vc dá um dado mas não explica o porquê desses números. Mas eu, mesmo sem saber, até sou capaz de adivinhar: ainda há nalguns sectores da população, e muito por culpa do discurso como o do seu Papa, gente que faz sexo a torto e a direito e não usa o preservativo. Muitos por causa disso outros porque pensam que a utilização do preservativo diminui a "sensibilidade", é "anti-estético" e sabe-se lá mais porque. Uma coisa é certa: frases como as que foram proferidas pelo Papa contribuem para essas estatisticas. Nem é muito inteligente vir para aqui usar esses argumentos...

Independentemente disso, deixe-me sublinhar que estou a gostar da sua postura, sempre correcta e educada, com que defende as suas opiniões. De elementar justiça dize-lo, mesmo que não concorde, de todo, com o que defende.

Abraço