Cafeína

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"Se a corrupção for de esquerda, só a direita reage. E vice-versa. Se for autárquica, só o poder central se insurge. E reciprocamente. Se for pública, só os privados protestam. E ao contrário. Se for de um partido, aos outros de contrariar. E assim por diante. Quer isto dizer que não existe qualquer espécie de tradição ou de “cultura” contra a corrupção, a promiscuidade e a “cunha”. Na verdade, os beneficiários são muitos: municípios, populações locais, associações desportivas, partidos políticos, empresários, proprietários, construtores, promotores imobiliários, funcionários públicos, políticos, banqueiros e comerciantes. Neste nosso pobre país, a corrupção é democrática. Herdámos a corrupção da ditadura, à qual acrescentámos a liberal. Recebemos a corporativa, enriquecendo-a com a socialista e a capitalista. Sem regulação à altura, o mercado gera corrupção, fraude e promiscuidade. Quando aparece o Estado, corrupção, fraude e promiscuidade são geradas. Do atraso económico e cultural, recebemos a cunha e o favoritismo; mas do crescimento fácil chegou-nos o casino. Da ditadura, tínhamos a corrupção escondida; da democracia, temos a corrupção exposta.

Que fazer? Creio que ninguém é capaz de responder. Só uma coisa se sabe: tudo começa na justiça. Mas, saber isso, com a justiça que temos, é o mesmo que nada."

António Barreto - Sociólogo


Comentário Cafeano: leiam o artigo completo aqui. Muito bem escrito e com inúmeras possibilidades de pontes para situações domésticas. Apenas coincidências? Pois. Talvez. Ou não? Ah pois é! Basta lembrarmos do que foi o último debate da Assembleia Nacional sobre "transparência na governação"...


Imagem: "Corruption" de AnkyShpanky




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3 comentários:

Anónimo disse...

Sim João, o debate que referes " FOI MUITO ENRIQUECEDOR E MUITO ALTO NÍVEL. O POVO FICOU MAIS ESCLARECIDO E A POLÍTICA MAIS TRANSPARENTE". Oh que afronta na mund! Maltas, dess manera nô ka ta bai pa lugar nenhum. Elevação precisa-se!

Kuskas disse...

Oh João
Um dia ainda hei-de escrever sobre a minha experiencia na casa paralamentar. Antes não acreditava nas historias que me contavam, até passar a presencia-las.

A cena que me deixou sem um pingo de respeito pelos nossos ILUSTRES REPRESENTANTES, foi ver 2 senhores deputados a trocarem mimos em que a Mãe de um e de outro entrava no meio.

Por isso não perco mais o meu tempo ouvindo o Parlamento. Tenho imenso amor pelos meus ouvidos.

João Branco disse...

Kuskas, aguardo ansioso por esses escritos...