Blog Joint: Declaração Cafeana

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A sociedade é um gigantesco baile de máscaras onde só de vez em quando, muito de vez em quando, cada uma das pessoas que a compõe tem a coragem de tirar a sua máscara e mostrar a sua verdadeira face. Cada um de nós tem dentro do seu armário chamado personalidade, múltiplas máscaras que utiliza conforme a conveniência, o momento, a ocasião. O próprio ser social nos obriga a isso já que em muitos momentos da nossa vida não podemos fazer, dizer ou agir conforme nos apetece, porque "não fica bem". Num enterro não podemos estar alegres, numa festa zangados com meio mundo ou na galeria da Assembleia aos palavrões. Somos todos um pouco fingidores e não há mal nenhum nisso, afinal de contas a poesia está cheia deles.

O problema é quando a utilização dessas máscaras vai para além do razoável. E estas são colocadas para disfarçar de cordeiros lobos famintos ou vampiros ansiando por sangue. O anonimato ou a utilização de pseudónimos são máscaras como essas e embora possam ser muito úteis e defensáveis numa sociedade que não permite que os seus se manifestem livremente, a sua proliferação num país como Cabo Verde não é um bom sinal. As pessoas manifestam-se por detrás dessas máscaras porque temem algo, não querem ou não podem dar a cara. É um péssimo sintoma. E o facto de a grande maioria dos comentários deste blogue ser dessa natureza dá que pensar. 

Estou à vontade para dizer isto: em todos os fóruns utilizo o meu verdadeiro nome. Nos comentários também. Sou portanto um "leviano social", como me chamou com certa piada um desses anónimos que por aqui andam, já que tenho opinião sobre tudo e mais alguma coisa. Mas também gosto de bailes de máscaras e do mistério que envolvem. E deve ter até alguma piada e ser uma experiência de um erotismo exacerbado, participar numa orgia como aquela do final do formidável "Eyes Wide Shut" de Kubrick, onde todos comem e são comidos sem saber por quem. Mas fazer disso um modo de vida, desculpem lá que vos diga, deve ser um supremo aborrecimento. Tirem lá a máscara de vez em quando. Vão ver que quando a colocarem, vão ter um prazer redobrado.


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14 comentários:

Anónimo disse...

Na hipocresia esta laia de anonimos mostram o que verdadeiramente são. Lembras-te do filme Satiricon de Fellinni baseado no livro de Petronius? A condição humana nada mudou João. No Filme morre um Tribuno Romano abastado e no seu textamento deixa escrito que os herdeiros teem que comer o seu cadaver para receberem a riqueza...Comeram o cadaver todo e até chuparam os ossos!!! Existem muitos grifos com forma de gente por aí. TCHALE FIGUEIRA

Anónimo disse...

Ó João, deixa-me estar assim que estou bem e os motivos para o anonimato mantêm-se!

Tu já sabes quem eu sou...os outros pouco importa.

a) RB, anónimo por obrigação

Lily disse...

Que analogia bem conseguida com esse filme estrondoso!
Na verdade, parece que por vezes, e palas mais variadas razões, andamos todos "De olhos bem fechados"... ou abertos na teoria e bem fechados na prática, para só se ver o que se quer...

João Branco disse...

Tchalé, como diria o outro, deixa-os pousar...

RB, sei quem és e comentas poeticamente, logo, a tua máscara é bela de se ver. Estás à vontade!

Lily, nem mais!

Anónimo disse...

Ahahahahahahahahahahahah sim sim sim és um verdadeiro leviano Social! Mas tens talento! és bom nauilo que fazes! agora não venhas com tretas, tunão tens coragem para fazer nada disso, João Branco que assina os posts é uma máscara, um individuo autónomo do João Branco encenador(Um mestre sem dúvida), aqui no margoso digamos nham nham nham haaa: demsaido Ego, sim isso demasiado ego,Demasiado ego! Demasiado ego!Demasiado ego! Demasiado ego!Demasiado ego! Demasiado ego!

A.T. Varela

Kuskas disse...

Oh João
Eu sou péssima com mascaras, pois mesmo com minha alkunha as pessoas que me são proximas sabem quem eu sou, pela forma como escrevo e pelos ideias que defendo.

Respeito o anónimo que por timidez "esconde-se", mas abomino os anónimos que utilizam o anonimato para criticar por criticar, ou como dizemos em Soncent "mandá boca"

Uma "máscara" é boa de vez enquando, nem que seja pelo prazer de ver a cara de espanto dos outros quando a tiras;)

João Branco disse...

A.T.Varela, que bom que pudeste dar uma boa gargalhada, que se ouviu por aqui em Soncent. Agora, meu caro, só lhe digo uma coisa: conheces-me tão mal! Tão mal! Tão mal! Tão mal! A isso chama-se pre-conceito. Dúvida minha: a máscara é aquela que usa o ego ou o mestre do teatro? Qual é o verdadeiro eu? Gostava de saber, já agora! Abrasu!

Kuskas, é isso mesmo.

Anónimo disse...

Este post merece uma citação de Oscar Wilde.

"Nunca o homem deixa tanto de ser ele mesmo como quando fala por sua própria conta. Fornecei-lhe uma máscara e logo vos dirá a verdade".

JonDays disse...

És um leviano social! Eu não diria melhor! Leviano Social! hehehehe...

João Branco disse...

Anónimo, uma frase que obriga a reflexão.

Joãozinho, joãozinho, olha que eu conheço todos os teus podres... hehehehe Não queres saber qual o peso de uma vingança social, pois não? Vê lá, não abuses da sorte!

Catarina disse...

uau, anónimo: adorei a citação do oscar wilde e não posso deixar de concordar plenamente...

João Branco disse...

Catarina, mas é uma frase triste não? Dá-lhe uma máscara e ele falar-te-á a verdade? Tem que ser assim? Já ninguém diz o que pensa, olhos nos olhos?

Catarina disse...

É triste sim, mas pelo menos, de alguma forma - as máscaras podem ser libertadoras (olha o paralelismo com o carnaval!) - motivos e motivações à parte, ainda bem que há essa possibilidade, mesmo que com máscara - de sermos nós próprios...

João Branco disse...

Pena que haja tão poucas possibilidades de sermos nós próprios sem máscaras... na vida real. Quanto ao resto, apetece dizer, deixem o teatro cumprir a sua função!