Café Cinematográfico

5 Comments


Finalmente vi o filme "Slumdog Millionaire", o grande vencedor dos Óscares deste ano, e confesso que fiquei bastante desapontado. Eu até sou um tipo romântico, tenho várias costelas idealistas, choro que nem um perdido ao ver um filme como, por exemplo, "O Estranho Caso de Benjamim Button", acredito no amor à primeira vista e de quando em quando dá-me para escrever poemas. Então porquê é que este filme, tão aclamado, tão premiado, não me aqueceu nem arrefeceu?

Porque é demasiado pimba, por vezes tenta ser um bocadinho "Cidade de Deus", pisca um olho ao estilo de Spilberg - principalmente na parte com as crianças - sem a competência deste e tem uma história cujo conteúdo, incluindo o desfecho final, já adivinhamos depois de ver os primeiros cinco minutos de filme. A separação entre os bons e os maus é demasiado óbvia, o retrato da Índia oportunista e demagógico (compreende-se a irritação de muitos intelectuais indianos com o filme), a realização é apenas competente e os actores adultos são muito maus.

Safam-se os actores mais novos, crianças e jovens, onde se inclui o protagonista, a beleza exótica de Freida Pinto (cuja exploração foi demasiado evidente sem grandes ganhos para a sua personagem) e a banda sonora, essa sim, excelente, juntamente com o clip final, que nos faz saltar da cadeira a dançar e perdoar este descarado piscar de olhos de Hollywood à cada vez mais poderosa indústria cinematográfica indiana.

Vê-se bem, mas apenas isso.




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5 comentários:

Anónimo disse...

Fico desapontado caro João mas vou ver o filme e tirar as minhas ilações.

Um abraço. TCHALE Figueira

Deina disse...

Eu gostei muito do filme e adorei a banda sonora. Mas realmente ainda não tinha feito uma análise a fundo e admito que tenhas razão nalguns pontos focados.
Se bem que entre este filme e "O Estranho Caso de Benjamin Button" fiquei mais satisfeita com o final deste do que com o final do segundo. Com o Benjamin acho que pecaram no final e por ser tão comprido o filme torna-se um bocadinho cansativo.
Fico é triste de não termos salas de cinema onde possamos assistir a esses filmes com a qualidade merecida.

João Branco disse...

Tchalê, não vais gostar. Adivinho.

Deina, não estou a dizer que um é melhor que o outro, mas "O Estranho Caso..." tocou-me de uma forma, hum, como dizer, estranha!? Aliás, o problema do filme em questão é que estava com a expectativa muito, muito elevada, depois do muito que se escreveu, dos prémios, etc. Agora, quanto ao final do comentário, podes crer: cada vez que vejo um filme no video ou no computador, fico suspirando pela tela gigante e pelo ruído da mancarra a ser descascada. Ou até dos gritos da plateia, com um sonoro e descarado "DAL EL!"

Bons tempos!

Anónimo disse...

Eu gostei bastante do filme mas enfim gosto de cada qual...
Gostei bastante do fim, depois de tantos filmes com finais tristes e dramáticos até cai bem um final menos negro.
Tive a sorte de ver tanto o Estranho caso de Benjamin Button como o Slumdog Milionaire no cinema e apesar de ter gostado muitíssimo do Estranho caso de Benjamin gostei mais de ver Slumdog Milionaire, tanto que repeti a ida ao cinema.
Mas realmente quando se cria muita expectativa é mais fácil ficar-mos desiludidos.
VT

argumentonio disse...

curioso, achei especial por ser diferente das habituais americanadas: aqui há um romance indiano e um realizador inglês, cada vez estamos menos habituados ao que foge um bocadinho ao hollywood style...

embora aceitável e divertido, foi unicamente o final que achei um tanto pimba...

e pareceu-me que os maus e os bons do filme representam bem

quanto aos intectelectuais, um pouco por todo o planeta, fazem sempre por aparentar alguma incomodidade com a politicamente incorrecta denúncia planetária de uma realidade local confrangedora, quer pela miséria em si quer pela passividade, ineficácia e até aceitação a que tudo e todos ficam submetidos se esperarem por esses tais intelectuais que se fazem de virgens ofendidas...

sorry ;->>>