Café Teatro

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A angústia da criação. Não há maior angústia, assim como não há dor como aquela que resulta do nascimento de um novo ser humano, e sobre isso são as mulheres as melhores testemunhas. Não há parto sem dor. E com a angústia e a dor chegam os fantasmas, as vozes, as imagens e sobretudo, o peso do passado, as referências de tudo aquilo que já vimos e lemos, a memória como inimigo do novo, a balança empanturrada com todas as criações anteriores da Humanidade. Que posso eu escrever, pintar, encenar, compor, fotografar, esculpir se (quase) tudo já foi experimentado? Como posso eu preencher a folha em branco, a tela vazia ou o palco despojado de objectos, de movimentos, de vida? Sem procurar respostas, esta peça vive do que se ouve e vê – como qualquer peça de teatro, em suma. Mas quase tudo o que se ouve e muito do que se vê, tem uma forte carga simbólica, no cenário, no registo interpretativo dos actores, na música e, claro, no texto. As asas, os cacifos, o leito, as sombras, os ossos, os livros gigantes que imanam luz, as diferentes formas que assumem os fantasmas que povoam o dia-a-dia do poeta, são tudo símbolos de um estado de espírito impossível de descrever de forma racional e objectiva, porque neste Inferno da criação, o caos é um ponto de partida e será, provavelmente, o ponto de chegada. Somos todos joguetes do destino. Não há como arrumar o caos, ordená-lo sem acabar com a sua própria natureza. Então o melhor é, como diz o poeta no final, “a gente retirar-se para um lugar onde haja flores – sobretudo rosas – beber vinho e morrer.”

Texto do programa

Estreia dia 28 de Março, na cidade do Mindelo



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7 comentários:

Adriano Reis disse...

MUITA MERDA!!!

mdsol disse...

Boa estreia
:))

Anónimo disse...

Muita Merda!!! e, ter o amigo e Poeta Arménio Vieira na sala na estreia é fantastico.

Abraço. TCHALE FIGUEIRA

sarron.com - Companhia de Teatro disse...

Vcs têm aí um bom espectáculo, com certeza. Quatro dinossaros no palco, uma raposa a encenar, um rapaz com vontade de mostrar seus dotes musicais, duas fadas a ajudarem na cenografia e adereços e um grupo de renome.

Espero, sinceramente ter o prazer um dia de trabalhar com os outros três dinossauros, uma vez que só tive esse prazer com o Tchá.

Quanto à raposa, temos estado sempre lado a lado, de capoeira em capoeira.

Neu Lopes

MEEEEEEERRRRRDAAAAAAAA!!!!!

João Branco disse...

Devem saber os amigos que a desejos de merda e de boas estreias teatrais, não se deve agradecer. Mas fica aqui o registo do vosso companheirismo.

Abraço fraterno

HF disse...

Julgo que seria uma boa prenda de aniversário ao nosso Premier que nesse dia faz mais um ano aos muitos que tem nos 40. Claro convidá-lo para ir à estreia, adquirindo o seu bilhetinho, e pagando a sua passagem de ida e volta. lol

Por falar nisso, quando é que a peça vai ser vista na capital?

Sucessos, e boa me..da!

HF

jandir disse...

e quando umas peças aqui em portugal de novo?no festival de tondela, ou em LX?

isso é q era