Nem os dias longos

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        Nem os dias longos me separam da tua imagem.
        Abro-a no espelho de um céu monótono, ou
        deixo que a tarde a prolongue no tédio dos
        horizontes. O perfil cinzento da montanha,
        para norte, e a linha azul do mar, a sul,
        dão-lhe a moldura cujo centro se esvazia
        quando, ao dizer o teu nome, a realidade do
        som apaga a ilusão de um rosto. Então,
        desejo
        o silêncio para que dele possas renascer
        ,
        sombra, e dessa presença possa abstrair a
        tua memória.


        Nuno Júdice



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4 comentários:

argumentonio disse...

o mineiro recorta o bocado do fundo do mundo e traz à superfície a poesia feita pedra, maduras mãos duras e um coração, ou mais, a latejar os silêncios de que precisa para renascer memória, memória futura e memória de luz e alimento para a sua carne e para nomear as almas que ama

o caraças a linha azul e moldura e abstracção

ah, já agora, de quem é autoria das imagens?

margosa e respeitosa desculpa, desculpa?

João Branco disse...

As imagens são retiradas de uma publicidade para tv de uma marc a de lengerie. A mulher é Leticia Casta.

Neu Lopes disse...

Lindo poema.
Quanto à imagem... ehehe.
No entanto, convido-te para ver "10 segundos" no dia 14, João.
Abraço!

João Branco disse...

Estou ansioso!