Os Teus Pés

8 Comments



Quando não posso contemplar teu rosto,
contemplo os teus pés.

Teus pés de osso arqueado,
teus pequenos pés duros.

Eu sei que te sustentam
e que teu doce peso
sobre eles se ergue.

Tua cintura e teus seios,
a duplicada purpura
dos teus mamilos,
a caixa dos teus olhos
que há pouco levantaram voo,
a larga boca de fruta,
tua rubra cabeleira,
pequena torre minha.

Mas se amo os teus pés
é só porque andaram
sobre a terra e sobre
o vento e sobre a água,
até me encontrarem.

Pablo Neruda



Bom fim de semana




You may also like

8 comentários:

Anónimo disse...

Existem pés fantásticos... Alguns prolongam-se até lugares interessantes...

Anónimo disse...

Simplesmente magnífico este poema, mesmo muito bonito...

Anónimo disse...

Tenho, confesso, um fétiche pelos pés (femininos, "of course").

De tal forma que, se deles não gostar, já pouco ou nada me interessam os lugares onde podem conduzir.

Manias...!

a) RB, anónimo por obrigação

João Branco disse...

Anónimo I, e que lugares!

Anónimo II, Pablo Neruda no seu melhor!

RB, então és daqueles que olham para os pés primeiro?! hehehe

Neu Lopes disse...

Lindo poema, João. Porém... bem, não sei porquê, mas há qualquer coisa nessa imagem que me desvia dos lindos pés.
O chato é que não consigo ver precisamente o quê. Os homens às vezes têm esses lapsos de memória.

Anónimo disse...

Sou anónimo um...o Joca. Lol...que lugares? Sei lá...a minha imaginação leva-me a alguns.Segue as pisadas dos pes. Migo Joca, manda sempre...hoje a colheita foi do melhor, viste o resultado, né? better_man...

Luis Bento disse...

Não foi pelos meus pés, mas pelos meus dedos, que cheguei aqui...Amplo espaço de cultura e humor. esticamente irrepreensível!
Vou seguir...

João Branco disse...

Eu entendo-te, Neu. Também não consegues tirar o olho daquele copo, não é?

Joca, thank's!

Luís, obrigado, e volta sempre sim. Esta é - também - casa tua.