Declaração Cafeana

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Ponto de partida: odeio panfletos, sejam de que tipo e género forem. Vivo numa cidade que tem um quê de masoquista, porque gosta de se auto-flagelar de tempos em tempos com papeis absurdos e coloridos que circulam pela Rua de Lisboa. A versão crioula da peça de Frederico Garcia Lorca, "A Sapateira Prodigiosa" foi encenada há alguns anos como chamada de atenção para a riola, essa doença social que assola os lugares pequenos onde todos conhecem toda a gente e são primo ou prima de alguém. 

Detesto esse ditado popular do fumo e do fogo a que tanta gente se agarra para crucificar presumíveis culpados e inocentes, cujo estado de culpabilidade ou de inocência não interessa realmente a ninguém desde que se possa assistir a esse medieval espectáculo de ver gente massacrada na praça pública, com as cabeças cortadas na guilhotina da má língua e da cobardia. Fazer fumo é fácil e há imenso fumo sem fogo, sim senhor. É o que mais há por aí e os especialistas boateiros sabem disso muito bem porque tem inúmeras técnicas infalíveis de fazer fumos da mais variada espécie.

Só quem já foi vítima deste tipo de "estratégia" sabe onde é e como dói. Há quem cruze os braços e se ria quando vê o seu nome envolvido em romances de cordel ou teorias da conspiração, mas há quem sofra, há famílias, lares, carreiras profissionais destruídos por causa destas pseudo denúncias cobardes atiradas para a rua sob a capa da defesa da transparência e dos bons costumes.

Vivemos num Estado de Direito. Cabo Verde, que se saiba, não é uma República das Bananas. Pessoalmente, não acredito que o venha algum dia a ser porque este povo já mostrou inúmeras vezes como combater os seus próprios defeitos e vícios, fazer o bem prevalecer sobre o mal, a coragem vencer a cobardia, a competência ganhar aos pontos à arrogância. Se há roubos, corrupção, compadrio, tráfico de influências, negócios escusos, dinheiro sujo que se denuncie pelas vias legais. Há mecanismos para isso. No dia em que deixarmos de acreditar nisso, então podemos esquecer de tudo o resto e enterrar definitivamente esse projecto lindo chamado Cabo Verde.






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23 comentários:

Cesar Schofield Cardoso disse...

João esta famosa cartinha é mais do que riola. São indícios. Tens razão numa coisa: havia que ter mais coragem de quem a elaborou para dar a cara. Mas, quanto ao assunto em si, sabemos todos, sem precisar provar nada, que as coisas não andam bem. Aliás, se fizeres uma ronda pelos jornais online, hás de ver que nem a malta do PAI desmente a carta. Todos reclama do anonimato, mas todos estão de acordo que o país anda a ser vendido a retalho por uns tantos chicos-espertos

Amílcar Tavares disse...

Quando se vê aplausos a um panfleto anónimo está tudo dito. Por mim, prefiro passar ao lado. Que credibilidade pode ter um panfleto anónimo?

Mesmo quando Mário Fonseca expressou ao Expresso das Ilhas - 23 de Dezembro 2008 - as suas preocupações sobre a corrupção, não prestei muita atenção ao homem. E ele deve saber do que fala, já que anda no círculo do poder.

As pessoas quando dizem que sabem de algo, devem meter isto na cabeça: que juntem as provas e se desloquem à Procuradoria ou à PJ.

Tal como disseste, e bem, vivemos num Estado de Direito!

Fonseca Soares disse...

Apoio total a esta Declaração Cafeana!!! Mas atento em relação aos lobbies em questão, à volta do CI, claro!

João Branco disse...

César e Tchá: sobre os lobies e outros quejandos, só tenho a dizer, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Tem denúncias a fazer? Há fóruns e lugares próprios melhores do que as praças públicas virtuais. E os jornais e jornalistas que cumpram também a sua parte e INVESTIGUEM! Tão simples quanto isso.

Fonseca Soares disse...

Não que não goste de estar ao lado do César... mas neste caso concreto, não percebi porque o JB teimou em dar-me resposta, se eu declarei estar totalmente de acordo com o que ele defende nesta Declaração Cafeana...

Amilcar Aristides - TIDI disse...

Poético da tua parte João mas onde estão os profissionais da informação.

Esse panfleto anónimo é mais informativo do que 7 anos a ler os jornais da praça.

abrx

João Branco disse...

Tchá, concordas mas avisas, "atento aos lobies". Era isso mesmo que estava a sublinhar. Posso ser poeta, como diz o Tide, mas não sou parvo. Nem gosto que me tomem por tal. Capiche! hehehe

Tide, essa para mim a grande questão. Aliás, está dado o mote para o tema do próximo blogjoint. Vou "cozinhar" a coisa e apresentar a proposta.

Anónimo disse...

é obvio q um panfleto anonimo tem o valor q tem...é obvio q um texto cheio de nomes mencionados por um anonimo n é muito simpatico...porém ,os indicios são realmente fortes - cruze-se este panfleto com muitos outros já escritos FORMALMENTE sobre a questão das zdtis. Assim sendo, estranha-me muito esta vossa postura tão asseptica e purista em relação a um panfleto ( panfleto sim mas q parece ter sido escrito por alguém q conheçe bem a "casa")qdo n o foram em relação a tantos outros assuntos levantados tb sem grande "cientificidade".
Acreditem que gostaria mais de vos ver encorajar esse tal anonimo, autor do panfleto, a formalizar uma queixa do que escudarem-se nesta atitude "limpinha" anti panfletária...penso q dever~se-á mobilizar tudo e todos no sentido de se tirar a limpo a veracidade do conteudo...(mmo que com origem panfletária)
(já agora n vejo muita diferença entre rigor deste panfleto e o dos (alguns) jornais da praça...portanto tudo neste país é de origem um tanto ou qto panfletária)
abraço e
obrpl'oblog

Fonseca Soares disse...

Atento, porque sei que existem! Mas totalmente de acordo que 'essa' não é a forma de pretensamente lutar contra! (Capicce niente!)

Baluka Brazao disse...

Desculpa-me João mas isto parece-me mais do que um panfleto. Há nelefactos de difícil contestação, até porque já se verificaram e não é preciso prová-los. Por outro lado quase toda a gente que se interessa pela matéria sabe das negociatas que têm acontecido á volta dos terrenos das ZDTI. Eu também não gosto de panfletos porque na sua maioria servem para atingir a imagem de passoas de forma anónima e ninguém está imune aos estragos que provocam, por mais pequenos que sejam. Porém, repito, este não parece ser o caso.
Abraço

João Branco disse...

Anónimo, ou não leste ou não percebeste. O que está neste texto é precisamente um encorajamento a esse anónimo, seja ele quem for, a formalizar uma queixa. Aliás, nem devia ser preciso. O que está a circular é mais do que sufiente para a PGR acionar uma investigação, os deputados fazerem uma comissão de inquérito, os jornalistas investigarem, enfim, que cada um faça o seu trabalho.

Recebi um mail de uma pessoa, a propósito deste tema, que me dizia que já sabia de muitas destas coisas HÁ MAIS DE UM ANO e que tem testemunhos mais ou menos directos, etc e tal, e no entanto, ainda estamos na fase do panfleto?

Não há aqui nenhuma atitude "limpinha". Este é um assunto de Estado. Que seja tratado como tal.

Abraço

João Branco disse...

Lançar um boato é a coisa mais fácil do mundo. É só seguir o Manual, pubilcado aqui:

http://alibemtempu.blogspot.com/2009/02/manual-de-instrucoes-para-campanhas.html

Digo e repito: que cada um faça o seu trabalho, e que o faça bem feito. Muitos males serão evitados.

Pedro Anónimo disse...

Algo me diz que foste tu João, quem escreveu este panfleto. A escrita me pareceu tua. Com recorrências ao criolo mal escrito e piadinhas provocativas. Vá lá homem, seja corajoso e assuma que foste tu quem escreveu o panfleto. O povo estará contigo.

Pedro Anónimo

David D. disse...

O problema é que os jornalistas nada fazem, a policia nada faz, os deputados nada fazem, o MP nada faz... e se alguém denuncia qualquer situação menos clara, nomeadamente contra o Poder instituído corre o risco de ser ele a ter problemas. Desde problemas laborais ( promoções que não se fazem, transferências etc- já que o Estado é o maior empregador de forma directa ou indirecta e CV) até vidros do carro partidos... e no fim ainda é condenado por difamação. Quando se critica o “pasquim” há que ter em conta também a realidade onde esse mesmo pasquim se insere e que o condiciona, sendo por vezes a única ( embora não ideal) forma de denúncia .

Anónimo disse...

O problema é que , os jornalistas, o MP, a policia nada fazem. Não só quando se trata de corrupção, mas também no que diz respeito ao trafico de drogas e afins... ninguém que realmente interessa é posto em causa por qualquer investigação do MP, da policia ou ainda de uma comissão parlamentar.

João Branco disse...

Pedro Anónimo, essa só mesmo para dar uma boa gargalhada? Tem dó! Deve ser porque escrevo as Crónicas Desaforadas separadas em pontos numerados, vai daí achas que temos o mesmo style?! Quem sou eu? Não tenho nem os conhecimentos, nem a pena para tal literatura, garanto-te. E seria muita hipocrisia fazer uma coisa com uma cara e depois dizer outra com outra cara, não achas? Isso eu não faço mesmo. A única coisa que peço ao autor desse texto é que vá à PGR e denuncie tudo o que sabe. E que se saiba pode fazê-lo anonimamente.

Harleqüim disse...

Oh João, joão das opiniões, tu o que é que sabes?!
Tens alguns princípios, sim, todos temos.
Minha opinião (e de muita gente, ao que parece): a par de bom actor, e de muito bom productor teactral, não passas de um leviano social, pelo menos pelo que se vê nalgumas declarações tuas.
Fala mas é de teatro que tás bem.

João Branco disse...

Grande Harlequim! Obrigado pelo elogio, fica sempre bem. E pela nova designação de "leviano social". Que fixe! Estou a pensar fazer a minha tese de mestrado à volta desse novo e revolucionário conceito, já que sou especialista! hahaha Um bom fim-de-semana. E volta sempre aqui ao Margoso. Nada como ter gente inteligente como tu para nos colocar etiquetas na testa!

Anónimo disse...

desculpa joão...li e percebi uma fortissima e legitima atitude anti panfletária e anti anonimato...n tenho nada contra...mas n digas q não percebi...desculpa mas perceber cristalinamente uma intenção de "apoio" e "encorajamento" no teu post é entrelinha a mais para as minhas capacidades...
(a informação lida - sem cara na cara, olhos nos olhos, sem se perceber a intenção q a expressão de rosto mostra - tem dessas... presta-se a "desvios de interpretação...)...porém tudo isto é periférico e n tem gra interesse...
o q reitero do meu comentário é q preocupa-me muito mais o conteudo da carta (principalmente considerando antecedentes e factos) do q a origem mais ou menos corajosa ou + ou -covarde...até pq tenho duvidas se considero esta pessoa covarde...dar-se ao trabalho de elaborar tal documento parece-m bastante corajoso e proteger-se, considerando a terrinha, parece-me infelizmente natural...
o q n me parece natural é qqr tipo de desvio ao problema princiapal q é a possivel podridão que reina nas terras da terra
+1abr. e ...
obrpl'oblog

João Branco disse...

Pois é, Anónimo. Mas e se tudo isto for mesmo uma guerra de lobis como diz o jornal A Semana e afinal as intenções do denunciante não eram assim tão generosas? Nunca havemos de saber, não é? Nunca haveremos de saber se por detrás de tais denúncias estão motivações políticas, económicas, empresarias ou até pessoais. Esse o grande problema. Abraço!

Anónimo disse...

concerteza...
só por trazer á tona todas essas (tristes) hipoteses e mecanismos humanos (duvido q se n existisse a cartapanfleto o problema tivesse sido levantado) q levantas e levantam-se já dou por importante o acto anonimo...
abr..obrpl'oblog

Anónimo disse...

"Jornalistas nada fazem, Polícia nada faz, MP nada Faz..." Tudo bem, só gostaria de saber o que fazes, David? Será tua ocupação... matar os Golias???

João Branco disse...

Anónimo pergunta a outro Anónimo, certo?