Café Cinematográfico

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Finalmente consegui vir ontem o filme "No Vale de Elah", realizado por Paul Haggis em 2007, com Tommy Lee Jones e Charlize Theron nos principais papeis. Um filme cru, duro, que fala da guerra do Iraque e da forma como esta está a dar cabo da cabeça e do equilíbrio mental de uma geração inteira de jovens americanos, que regressam daquele lugar com os nervos em franja, capazes de cometer as maiores atrocidades com um sorriso nos lábios.

Charlize Theron está irreconhecível e é o melhor elogio que se lhe pode fazer numa segura interpretação. Mas nesse aspecto destaca-se, sem dúvida, Tommy Lee Jones que domina todo o filme e define com o sua espantosa criação, toda a respiração da história.

Se tivesse que o definir, diria que é um filme sobre os Mantos de Silêncio. Do silêncio criado neste caso a propósito de uma guerra absurda e injustificável, mas que reflecte o peso insustentável do silêncio quando debaixo deste se escondem atrocidades, horrores, crimes, cumplicidades. O povo diz que depois da tempestade vem a bonança, mas sabe-se também que por debaixo de um manto de silêncio, se pode esconder e acumular um ruído insuportável. Que mais tarde ou mais cedo se irá manifestar. Nada pior do que varrer o lixo para debaixo do tapete, esconder esqueletos no armário ou enterrar cadáveres no quintal. O cheiro nauseabundo acabará sempre por se manifestar. E quando isso acontecer, o nojo vencerá mais uma batalha. 




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11 comentários:

Cesar Schofield Cardoso disse...

Heis um GRANDE filme. Não necessariamente entendido por toda a gente. Ou então, entendido mas fazendo-se de desentendido.

A minha definição deste filme é: como falar sem dizer uma única palavra.

João Branco disse...

Aliás, César, Paul Haggis, está a revelar um cineasta de primeira linha. Basta dizer que a sua estreia no cinema foi, nada mais nada menos, do que com o monumental filme Colisão / Crash (2004). Abraço.

Anónimo disse...

E,para vossa informação,colisão vai ser "re-introduzida" na tv em série,com realização do mesmo autor..

João Branco disse...

Anónimo, esse assunto já teve direito a um post aqui e tudo! A malta anda informada! Abraço!

Anónimo disse...

Gostaria de ver o filme João, como?... e também o Slome dog Milionear... Da-me um lamiré.

Abraço. Tchale Figueira

João Branco disse...

Este filme apanhei-o eu por caso num dos canais de cinema da ZAP. Mas encontrarás, certamente, no Marabu. Só bons filmes e originais. O segundo, ainda é cedo para encontrá-lo no vídeo, portanto, não te sei dizer...

José Eduardo Fonseca Soares disse...

É!!! também acho, JB, que este é um nome a registar no rol dos 'grandes fazedores da magia da sétima arte': Paul Haggis. Deus queira que 'isto' de passar a vida a falar de filmes e cinema... nos dê um Cinema do Mindelo... (inshalá!)

João Branco disse...

Sempre a desejar isso...

Pura eu disse...

João Branco acabo de ler o teu post sobre The Valley of Elah. E só lamento o facto de não seres um telespectador assíduo da TCV, porque esse canal já passou o filme, e mais! passou um programa, feito por mim, em que Paul Haggis fala deste filme.

Outra coisa: quando falas de estreia com Crash referes-te certamente ao Paul Haggis Realizador, e não riteirista, suponho.

Cumprimentos,

Margarida

João Branco disse...

Margarida, tem uma razão prática - e que não tem nada a ver com discussões qualitativas da estação - pela qual não vejo a TCV: motivos profissionais. De noite estou sempre a ensaiar e portanto, só vejo televisão a altas horas da noite, quando a emissão da TCV já está no fim. Há um ou outro período diria "entre peças"em que tenho um pouco mais de disponibilidade, mas esta é rara. Sendo assinante da ZAP, com os canais dos filmes, de quando em quando apanho pérolas destas, nas repetições.

Quanto ao segundo comentário, naturalmente, falo dele enquanto realizador.

Abraço

sofi disse...

Que coincidência, vi o filme no mesmo dia!
Gostei muito.