Pastelaria

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        Afinal o que importa não é a literatura
        nem a crítica de arte nem a câmara escura


        Afinal o que importa não é bem o negócio
        nem o ter dinheiro ao lado de ter horas de ócio

        Afinal o que importa não é ser novo e galante
        - ele há tanta maneira de compor uma estante

        Afinal o que importa é não ter medo: fechar os olhos frente ao precipício
        e cair verticalmente no vício

        Não é verdade rapaz? E amanhã há bola
        antes de haver cinema madame blanche e parola

        Que afinal o que importa não é haver gente com fome
        porque assim como assim ainda há muita gente que come

        Que afinal o que importa é não ter medo
        de chamar o gerente e dizer muito alto ao pé de muita gente:
        Gerente! Este leite está azedo!

        Que afinal o que importa é pôr ao alto a gola do peludo
        à saída da pastelaria, e lá fora – ah, lá fora! – rir
        de tudo

        No riso admirável de quem sabe e gosta
        ter lavados e muitos dentes brancos à mostra

        Mário Cesariny




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7 comentários:

José Eduardo Fonseca Soares disse...

Alguém duvida 'Que afinal o que importa é não ter medo'? Com o medo na direcção... nada se constrói! (haha) Isso tudo para dizer: belo texto de Cesariny

João Branco disse...

Eu diria mais; belo texto de Cesariny!

José Eduardo Fonseca Soares disse...

Hahaha! Que peça?

Anónimo disse...

Assino por baixo e acrescento:

O que faz falta é avisar a malta
O que faz falta é animar a malta
O que faz falta é acordar a malta
O que faz falta é empurrar a malta
O que faz falta é agitar a malta
O que faz falta é libertar a malta
O que faz falta é dar poder a malta (Zeca Afonso)

a) RB, anónimo por obrigação

João Branco disse...

"Conde de Abranhos"!

RB, o que faz falta é... a malta! Quem completa?

José Eduardo Fonseca Soares disse...

Matar???

João Branco disse...

Demasiado definitivo! hehehe