Declaração Cafeana

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Num dia totalmente dedicado ao cinema, venho aqui contar-vos o que me aconteceu ontem quando vi o filme "O Estranho Caso de Benjamim Button", realizado por David Fincher. Chorei que nem um perdido. Chorei durante o filme. No final do filme. E passado algumas horas ainda estava nesse estado de pieguice aguda, sem perceber muito bem o que me estava acontecendo. Certo que já passei por isto noutras situações e também é por isso que gosto tanto de cinema. Há filmes assim, que tem esta capacidade, de nos provocar uma catarse interior, seja através do riso, do choro, da emoção ou do temor.

Este filme conta-nos a história de Benjamin Button (interpretado por um Brad Pitt, de quem nunca fui grande admirador, mas que merece certamente a nomeação deste ano para os Óscares) nasceu de forma incomum, com a aparência e doenças de uma pessoa em torno dos oitenta anos mesmo sendo um bebê. Ao invés de envelhecer com o passar do tempo, Button rejuvenesce. Tem uma vida no inverso. O protagonista caminha numa estrada com dois sentidos, onde ele é o único a dirigir-se numa direcção. O resto da humanidade caminha no sentido contrário.

Porque comoveu tanto este filme notável? Porque é que quando acabou, a minha primeira reacção foi ir ver e afagar as minhas filhas que dormiam, a leste desta angústia que me consumia? Andei o dia todo a pensar nisso e cheguei à conclusão que este é um filme que nos ensina a viver com aquela que é a principal característica do ser humano: a sua própria imperfeição.

Como qualquer um que por aqui ande, sou um ser humano terrivelmente imperfeito, que procura melhorar todos os dias. É natural que haja momentos em que não consegue. Sei que sou um tipo às vezes irritante, ausente, basofo, ignorante, precipitado, injusto, incoerente, que tem muitas dúvidas e se questiona constantemente. Mas luto por melhorar. Na arte, na criação, nos relacionamentos com os outros, principalmente em relação aos que me rodeiam e estão por perto. Por isso vos peço, tenham lá mais paciência comigo. Não venham para aqui com pedras na mão e os dedos prontos para comentar furiosamente o próximo deslize. No fundo, sou alguém cheio de boas intenções. Mas destas, sei bem, está o Inferno cheio.


Bom fim-de-semana





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3 comentários:

Anónimo disse...

Sinceramente? Não gostei! Ganhou, merecidíssimo, o Óscar que lhe competia, e onde o filme se mostrou competente. Rien d'autre a dire!
Ab
Alex/ZC

João Branco disse...

Oh Zé Cunha, eu gostei mesmo muito deste filme... Não me lixes, pá! Argumento notável, realização competentíssima, interpretações de alto calibre, e efeitos visuais a dar resposta a uma história de encantar muito, muito bem contada.

TIDI disse...

ehehehe, tem sempre alguém querendo melar.

Aí, grande filme, fiquei atordoado mas não me deu para chorar. Tenho de vou ver de novo!

abrx.