Ficção Cafeana

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Quando acabou de ver o filme "They Live" de John Carpenter, estava deveras impressionado. Aquele enredo, onde o protagonista descobre uns óculos especiais que uma vez colocados, para além de nos fazer ver o mundo a preto e branco, nos permite distinguir os humanos normais, dos extra-terrestres, seres ignóbeis com cara de caveira, que estão a invadir a Terra com o objectivo de dominar por completo o planeta, deixou-o a pensar no quanto podemos ou devemos confiar nas pessoas hoje em dia. Aquilo era uma conspiração à escala universal! E quem sabe se...

Por acaso, nesse mesmo dia, recebeu uma encomenda que após o visionamento do filme, foi buscar aos correios. Não queria acreditar: dentro de uma caixa, e sem qualquer outra explicação, encontravam-se uns óculos escuros, daqueles muito modernos, enormes e extravagantes, que nos fazem parecer moscas verjeiras em corpo de gente. Alguém estava a brincar com ele, só podia! Que coincidência! Bem, melhor mesmo é colocar os óculos e sair para a rua, decidiu.

Assim fez. Colocou os óculos e qual não foi o seu espanto, para não dizer profundo choque, quando verificou que tudo o que via através dos óculos misteriosos estava a preto e branco. E não só: tal como no filme que acabara de visionar, algumas pessoas, melhor, quase todas as pessoas, apareciam com cara metálicas horrendas e assustadoras! Ficou aterrado. Na Rua de Lisboa, em pleno centro da cidade do Mindelo, foi o cúmulo porque através dos óculos não havia um único mindelense que não se tivesse já transformado em extra-terrestre.

Correu para casa, desligou o telemóvel, o telefone, e qualquer contacto com o exterior. Pregou placas de madeira nas janelas e empurrou móveis contra a porta da entrada. Ficou paranóico. Sentou-se na porta de casa, em estado de choque, a cantar o Apocalipse, sem mais nenhuma reacção. À espera simplesmente, que o viessem buscar. Decidido, no entanto, que não iria sem dar alguma luta. Filhos da puta!




P.S. Qualquer semelhança com a realidade, não passa de pura coincidência. Naturalmente.
P.S. 2 To be continued
 



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9 comentários:

José Eduardo Fonseca Soares disse...

Os extra-terrestres que não chegam assim, de repente, montados num enorme disco voador... são muito mais arrepiantes e de temer. Belo filme esse que serviu de catalisador desta tua prosa.

Anónimo disse...

Hehehehehe!

É verdade é: mesmo sem os tais óculos eu próprio já por lá vi pelo menos algumas extra-terrestres!

Será caso para pedir ajuda aos homens do MIB?

Aguardo, ansioso, a continuação.

a) RB, anónimo por obrigação

João Branco disse...

Fonseca, acho que entendeste o espírito da coisa... Num destes dias vais perceber porquê.

RB, não vai ser preciso!

Anónimo disse...

Estou curioso...

Tchale

Mário Vaz Almeida disse...

O que daria uma curta-metragem dessas.Imagina se partisse de «Mars Attacks» de Tim Burton. Estou ansioso pela continuação, João.

João Branco disse...

Tchalê, não vais ter que esperar muito.

Mário, Tim Burton, outro génio da Sétima Arte. Mas o "They Live" do Carpenter é percursor do género. Aliás, para mim o melhor filme deste realizador.

Mário Vaz Almeida disse...

Pois é, João. ACho que se pode mesmo falar de uma atmosfera John Carpenter no cinema. É inconfundível.

carlos ferreira santos disse...

João, se ainda tiveres influência sobre o personagem, vai um conselho:
ele que se deixe levar...se todos na Rua de Lisboa já são!? Se ele resistir e ganhar, vai ficar a deambular-se por ai, sozinho? Seria uma grande seca… os Borgs diziam: “Resistance is futile”. Pelo andar da carruagem se calhar até é…

Grande abraço

CFS

João Branco disse...

Hehehe Conselho interessante. Espera pelo que aí vem. Não vai precisar de o seguir.