Declaração Cafeana

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O Primeiro-Ministro anunciou há poucos dias a sua versão de um plano tecnológico avassalador, que vai fazer com que o arquipélago seja invadido por um autêntico tsunami de computadores e um vendaval de telecentros, a partir de Março de 2009. "Cada professor e cada aluno a partir dos seis anos vão ter acesso a um computador" afirmou José Maria Neves. Contas feitas por alto estamos a falar de 150 mil computadores, num país com pouco mais de 400 mil habitantes. É obra!

Não vejam neste texto qualquer sinal de ironia descrente. Apoio, de forma incondicional, todo e qualquer caminho rumo à inovação tecnológica, e os elogios públicos aqui feitos à equipa do NOSI são prova disso mesmo. Nesse aspecto, como se viu, Cabo Verde é já um exemplo. Mas depois lembrei-me da passagem do big boss da Microsoft, Steve Ballmer, por Portugal, e duma entrevista que deu para a SIC Notícias, onde ele extrapolava toda a sua admiração e mesmo espanto, pela ousadia do Governo luso e do seu plano tecnológico, nomeadamente no que concerne à distribuição dos tão falados computadores Magalhães pelas escolas e crianças portuguesas. "Um exemplo para o mundo", foi a expressão utilizada por Ballmer, com ar de sincera estupefacção.

O que diria ele de Cabo Verde e deste plano avassalador do nosso Governo? Quase 40% da população cabo-verdiana com um computador nas mãos! Todos ligados em rede, a fazer blogues freneticamente, a enviar comentários anónimos para o Ala Marginal, a fazer apload de fotografias para o Hi5, a pesquisar no Google, a publicar as suas músicas no MySpace (somos ou não somos um país de músicos?) e em poucas semanas teremos uma secção da Wikipédia totalmente escrita em língua cabo-verdiana, com ou sem Alupec! O que diria Steve Bullmer desta revolução? Um exemplo para o Universo, no mínimo!

Mas depois faria a pergunta fatal. Quanto custa navegar na Internet em Cabo Verde? Custa tanto que não podemos ouvir rádio ou mesmo televisão online, nem escolher alguns vídeos do Youtube, nem demorar muito na escolha das imagens que queremos colocar no blogue, nem falar no Msn com amigos ou familiares utilizando voz ou vídeo, nem fazer download de programas e utilidades informáticas importantes, nomeadamente actualizações de software, enfim, tudo o que é hoje corriqueiro em muitos locais, é proibitivo em Cabo Verde por causa do preço a que é cobrada a Internet no arquipélago. Por enquanto que não se baixar substancialmente os preços e não se acabar com o absurdo de ter limites de navegação totalmente desajustados da realidade actual da rede, qualquer medida revolucionária deste teor poderá ser vista como um despropositado cartucho de pólvora seca.



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15 comentários:

Anónimo disse...

Pelos visto o homem perdeu o Norte e está delirando.

Os politicos e não só desta sociedade neurotica deviam consultar um SCHRINK como fazem os gringos.

Tchale Figueira

Anónimo disse...

uhn...é muito computador pra um homem sô!! não é algo impossivel , mas ...

Hiena (não faço prognosticos antes do jogo, sô depois)

Arsénio disse...

E aí os computadores ficarão nas prateleiras da sala de visitas, como um bibelô.

Bom, o que faremos com as zonas que não tem energia eléctrica? Ah, ... esqueçi que esses são esqueçidos.

Independentemente da CVTelecom ser privada, não devemos esquecer que o Estado tem lá a sua fatia do bolo.

Adriano Reis disse...

bdia joão, Santo Deus a febre do magalhães já chegou em C.Verde? Aconselho os nossos politicos Caboverdeanos a ver o filme "ensaio sobre a cegueira".

A internet em C.Verde ainda é um luxo e muitos ainda não sabe o que?

Isso resumo-se em duas palavras: copiar/colar.

João antes de ir trabalhar, vou rezar pela a sanidade dos nossos politicos apelando que pelo menos colocação de magalhães nas escolas com internet para os alunos ter aceso...

João Branco disse...

Tchalé, tens que cá vir mais vezes. Conto contigo no próximo dia 27 de Dezembro, no convívio anunciado. Leva música!

Hiena, é precisamente a minha postura.

Arsénio, pelo menos durante algum tempo os portáteis aguentam sem luz. Depois é arranjar centrais para carregar baterias...

Adriano, reza antes para os preços na net baixarem!

Teatrakacia disse...

Segundo a lógica economicista e a regra fundamental da procura/oferta e o seu impacto nos preços... o acesso à internet vai aumentar exponencialmente e o preço vai (e tem que!) baixar na mesma proporção. Não? Senão... vai ser como quase tudo nesta terra: começa com 'furor'... e acaba sem que ninguém dê por isso...

João Branco disse...

Este é um caminho irreversível. Não há como andar para trás.

Anónimo disse...

João, o que estás ai a comentar vem aí...e olha que não sou politíco nem estou a candidatar-me a nada.

Há muita BOA GENTE a trabalhar para que isto aconteça. Tens (temos) é que acreditar.

Já sei que vem aí coments...
Djinho Barbosa

Anónimo disse...

Complementando o Djinho é preciso repôr alguma verdade: o plano para a Sociedade de Informação, os famosos (mas pelos vistos muito pouco conhecidos) PAGE e PESI existem desde 2005 e estão desde aí disponíveis na página do NOSi. Por isso a imitação é do Sócrates caso exista. Mas não é a única coisa em que nos imitam lol lol lol

Anónimo disse...

No comments

João Branco disse...

Anónimo, no comments, em que sentido? :)

Catarina Cardoso disse...

Bem,

se me permitem eu concordo inteiramente com este programa- "um computador, um aluno" ainda que sem possibilidade de explorar totalmente o material (ligações acessíveis à net, etc.) pq o computador permite às crianças duas coisas essenciais: Escrever bem (corrector ortográfico, ou seja, permite que os alunhos tenham experiências de sucesso na escrita e por outro permite que crianças com Nee (paralisia cerebral, dificuldades de escrita- disortografia, etc...) consigam aceder à linguagem escrita numa perspectiva funcional.

Por estes dois motivos venham lá os magalhães ou qq outro equivalente!

João Branco disse...

Catarina, como se pode ler neste post sou incondicional apoiante de programas do género. Mas há que criar condições para que as coisas funcionem efectivamente...

Anónimo disse...

Só que as condições não se criam dum momento para o outro ou num estalar de dedos. Há um longo trabalho já feito. Até nos preços... e o pc não se limita à Net. Há muita coisa para dominar e explorar. Saber trabalhar com excel, com o publisher, com uma base de dados ou com qualquer outra das imensas ferramentas se calhar é mais importante na nossa formação do que aprender a navegar que é absolutamente intuitivo

João Branco disse...

Baixar os preços e acabar com os limites irrealistas, seria um excelente passo para a democratização do acesso à Internet...