Declaração Cafeana

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“Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns com os outros em espírito de fraternidade.”

(artigo 1º da Declaração Universal dos Direitos do Homem, de 10 de Dezembro de 1948)


Um pouco de história: a Assembléia Geral das Nações Unidas proclamou, faz hoje precisamente 60 anos, a Declaração Universal dos Direitos Humanos como "o ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações, com o objectivo de que cada indivíduo e cada órgão da sociedade, tendo sempre em mente esta Declaração, se esforce, através do ensino e da educação, por promover o respeito a esses direitos e liberdades, e, pela adoção de medidas progressivas de carácter nacional e internacional, por assegurar o seu reconhecimento e a sua observância universal e efetiva, tanto entre os povos dos próprios Estados-Membros, quanto entre os povos dos territórios sob sua jurisdição."

Lendo apenas e só, o primeiro artigo. Lendo a motivação principal que fez com que há 60 anos, um conjunto importante de países tivesse promovido e assinado este documento histórico, cabe-nos tirar a cabeça da areia, olhar à nossa volta e perguntar: somos hoje um país que cumpre este desígnio? A resposta é, claramente, não! O macabro crime da semana passada vem comprová-lo. E não confundam as coisas, embora esta seja uma questão (também) muito política, este é um problema de mentalidade, de cidadania. Se continuarmos a insistir em ver que o problema está apenas no topo da pirâmide, não vamos a lado nenhum. Não se esqueçam: "o problema é o base"!

"Agir com os outros em espírito de fraternidade"? Eh moss, vai-te catar! Bá rezá pa bo Igreja e bo txam dsegôd k'un tem ke ba dá un expediente ali n'alfandega. "Dotados de razão e consciência"? Oh men, un gaj ka podê estod pra li ta falá, un gaj tem ke pô k'mida na prato de nhas fidjos, nha boss ka krê p'un estod li na conversa. S'un tivess money na bolso até k'un podia defendê dretu humanu, má e agora? Consciência, fraternidade, fala a sério, isso é para quem pode!


Imagem: pescada no Jumento




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6 comentários:

Catarina disse...

Sabes que agora há um novo conceito paralelo à fraternidade? Um conceito pró-género: sororidade. Fraternidade vem de frater, frateris (do latim irmão) - sororidade vem de soror, sororis (do latim irmã)!

João Branco disse...

E andamos nós preocupados com isso... Putz! (Não é, como é lógico, um desabafo dirigido à portadora da informação! Para essa vai um beijim!)

Sisi disse...

O problema é que hoje em dia o pensamento mais comum é este :"se a Liberdade do outro implica o término da minha, então que se lixe a liberdade do outro". Quem diz liberdade diz todos os direitos humanos. O valores estão cada vez mais centrados no "ter" do que no "ser", e sendo assim é como referiste aí no final João, S'un tivess money na bolso até k'un podia defendê dretu humanu, má e agora?

Anónimo disse...

hummmmm.....

João Branco disse...

Olha que a Jessica Alba está ali em baixo...

Perséfone Hades disse...

E assim caminha a humanidade...
Escrevendo lindos textos, refletindo maravilhas sociais e
vivendo no preconceito e na covardia...

belo post

bjs
Perséfone