Obrigado N.O.S.I.

24 Comments


A reportagem do jornal A Semana sobre a evolução informática de Cabo Verde nos últimos anos é muito boa e tem um excelente título, "A revolução silenciosa do NOSI". De facto, é espantoso constatar as mais valias que esta gente conseguiu para o país em apenas 10 anos, com o seu trabalho pioneiro, sob o comando de um discreto Jorge Lopes. Nós, como cidadãos, só temos mesmo que agradecer e desejar que esta fantástica equipa - plena de juventude e criatividade - continue a inovar e a contribuir para elevar Cabo Verde a novos patamares.

A equipa do NOSI, Núcleo Organizacional para a Sociedade de Informação, quase toda ela constituída por jovens recém licenciados, é outro exemplo de como ainda podemos ter esperança de que o empenho vença a preguiça, a criatividade ganhe a batalha à falta de imaginação, a competência tenha mais valor do que abstinência, ou que o amor pelo país e pela causa pública fale mais alto do que a vontade de acumulação rápida de riqueza.

Sinceramente, quando vejo estes exemplos, que seja como for, são também resultado directo da aplicação de políticas públicas, é que sinto que muitas vezes temos a nossa bússola do julgamento demasiada apontada para os factores negativos. Afinal de contas, há coisas muito interessantes acontecendo em Cabo Verde. Parabéns, NOSI!

Fiquem atentos. Num espaço de mais ou menos uma semana, este caderno especial estará disponível na Internet, e do seu link daremos conta aqui, porque vale bem uma leitura atenta.


Nota final: quem deveria ficar preocupado com este dossier é mesmo o pessoal do Ministério da Cultura, já que esta capacidade de informatização foi designada na referida reportagem, e em letras garrafais que ocupam duas páginas inteiras de jornal, "o diamante cabo-verdiano". Conhecem esta expressão? Com uma concorrência deste calibre para uma expressão tão usada noutras circunstâncias, e vendo as actuações de uns e de outros, facilmente se verifica quem percebe mais de pedras preciosas no nosso país...




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24 comentários:

JP disse...

A acreditar nesta "posta", já não era sem tempo que lhes reconhecessem o trabalho!

Conheço o Jorge Lopes e realmente ele e a equipa do NOSI merecem estas e outras homenagens, porque com poucos recursos têm conseguido colocar CV no mapa da net.

Se ao menos na CVTelecom também estivessem assim atentos...

Por acaso este artigo não estará online? Procurei no site, mas nada, se alguém souber sff manifeste-se...

Obrigado por esta posta João, abraço e até breve - fim d'ón na Soncent, oh k sabim!

João Branco disse...

JP, por acaso tenho que confessar que fui um bocado a reboque do Suplemento de A Semana. Mas melhor que nada!

Michael Night disse...

Meus caros,
A CV Telecom é tão só e simplesmente a melhor empresa do país. Procurem saber que vão ter essa informação.

A NOSI, está a fazer um bom trabalho e a criar potencialidades para chegar realmente longe.
Mas há claramente algum exagero e excesso de propaganda tipo Filu (CV Digital) - trata-se de uma instituição do estado, e é sabido o que vale a propaganda política nos tempos que correm.

Se quiserem maus exemplos de comparação saltem para as TACV e outras que andam por aí, no meio internacional.

João Branco disse...

Michael, também não podemos cair no erro de considerar, à partida, tudo o que é do Estado mau, e quando se diz que é bom é porque é propaganda. Há bom e mau no público e no privado e excelentes profissionais nas duas partes.

Salim disse...

Só uma correcção, para dizer que a reportagem inteira (e este post) deu um destaque exagerado para Jorge Lopes.

O verdadeiro líder do NOSI é o Hélio Varela, ele sim a comandar aquela juventude de maneira discreta, focada, e pioneira.

O Jorge Lopes não é mais do que a cara política do NOSI, não esteve aí no início, e não estará lá quando mudarmos de Governo.

Eu reconheço o trabalho do NOSI (e tenho as minhas críticas também), e não posso deixar de fazer esta correcção: dar a Hélio o que é de Hélio.

Parabéns, NOSI.

Bali

João Branco disse...

Salim, não acho que tenha sido dado destaque exagerado ao Jorge Lopes nem aqui nem na reportagem. Aqui então, uma referência e discreta. Mas pronto!

Em relação ao facto de ser "apenas" a "cara política" do NOSI, tudo bem, mas quando as coisas correm mal, há indícios de incompetência ou corrupção nalgum serviço público, não deve ser a "cara política" a primeira a assumir as responsabilidades perante a opinião pública? Evidentemente que sim. Na mesma ordem de ideias, à "cara política" deve lhe ser reconhecido também o mérito quando este existe.

Temos também que acabar um pouco com esta mania de diabolizar tudo o que cheira a político e ter um pouco de coerência, elogiando ou criticando, com os mesmos critérios.

Este comentário não retira o mérito a quem o tem, neste caso o referido Hélio Varela - referido na reportagem, mas não neste post (mea culpa) - a quem endereço também os meus sinceros parabéns!

Abraço

Salim disse...

Bom, espero que saibas melhor do que eu do que estás a falar.

Eu, o que não posso deixar passar em branco é ver os políticos a tomar o crédito que é dos técnicos.

De resto, o meu comentário foi simples e directo (pelo menos assim achei) e tu é que vieste introduzir um monte de outras coisas.

Saberás lá o porquê.

Bali

João Branco disse...

Salim, tranquilo. Ninguém está a dar aos políticos o crédito do que é dos técnicos, pelo menos aqui no Margoso. Estou apenas a dizer que se o projecto NOSI é público, há que parabenizar também os políticos que permitiram que ele existisse. Mais nada. Um dia destes explicas-me o teu conceito de "destaque", que é, certamente muito diferente do meu! :) Abraço!

Salim disse...

Combinado!

De resto, tu também hás-de me explicar quando é que, em CV, "a cara política" assumiu as suas responsabilidades perante a opinião pública. ;-)

1 love

P.S. Só uma correcção (e faço a minha mea culpa): o teu post tinha dado crédito a JL e não exagerado como eu disse. Bali.

João Branco disse...

Salim, nunca, para responder à tua pergunta, mas se tu não permites que apareçam quando as coisas são bem feitas, tu mesmo não podes exigir que dêm a cara quando metem a pata na poça.

A tua correção final era desnecessária, porque esse mea culpa era di meu! hahaha Excelente troca de galhardetes. Se tivesse na Praia convidava-te para um café! Abraço sincero!

Anónimo disse...

NOSI hoje não passa de um instrumento manietado cheio de boas intensões e com muita dose de publicidade enganosa pelo meio.

O verdadeiro projecto que foi assassinado chamava-se RAFE - Reforma Administrativa e Financeira do Estado, isso sim tinha um objectivo nacional, alicerçando o cerne da informação essencial do Estado, numa grande modernização tecnológica! Isso sim era um projecto fabuloso e mais: tinha um técnico matemático à frente assumidamente não político.

Eu estive no RAFE e no NOSI e sei do que falo!

Hoje o q faz verdadeiramente o NOSI nos serviços públicos? Apetecia dizer que actualente quase só servem para dar acesso /user e passwor) aos funcionários para irem à net. mais nada!

O resto é tudo fantasia e projectos de intensões! NOSI hoje é um grande bluff!

João Branco disse...

UI! Reacções a este comentário? Conseguiremos esclarecer aqueles que, como eu, estão completamente fora do meio, sem cair no insulto gratuito? Vamos ver!

GUEVARA disse...

Antes de começar, parabenizar pelo espaço e pelo tema introduzido.
Iniciaria por me apresentar sou um técnico do NOSI, estou cá desde do inicio (RAFE).
Desconheço as razões do “Anónimo” ter-se manifestado, dessa forma, o que me coloca certas dúvidas, sobre o espírito RAFE/NOSI, que ficou, após a sua saída. Uma das coisas essenciais no espírito NOSI é a forma de estar e de posicionar, com frontalidade e com o foco nos problemas, que diga-se de passagem não foi o caso do Anónimo.
Concordo com o anónimo, pela referência ao RAFE e ao “matemático”, Eng.José Fernandes, pessoa que é admirada e respeitada no NOSI, que continua a colaborar conosco, num dos projectos mais importantes que é o SIGOF - Sistema de Gestão Orçamental e Financeira do Estado. O mesmo sistema, utilizado por todas as estruturas do estado de forma descentralizada, desde 2005/2006 e, que tem permitido nos últimos anos, o reconhecimento de CV a outros níveis. Dado a abrangência das acções do RAFE e da sua dinâmica de grupo, entendeu-se estender ou ampliar as suas funções ou atribuições. Terá sido a melhor opção? Penso que as respostas, começam a aparecer a pouco e pouco.
Dado a dinâmica do sector, novas mudanças estão por vir!!!! Não vou avançar para não dizerem que estou fazendo bluff. A seu tempo poderão constatar o que está por vir.
Dizer que o NOSI, só serve para dar acesso aos utilizadores...... , é uma tarefa entre várias outras. Sem mais comentários. Não vou repetir o que o jornal já publicou.
Infelizmente, a norma do “bota abaixo” continua a prevalecer na nossa sociedade. Temos convivido, com isso, ao longo dos anos. Ainda bem que a tendência começa a mudar.
Ainda bem, que a maior parte dos ex-técnicos do RAFE/NOSI, com quem tenho tido oportunidade de trocar impressões, continuam fiéis a alguns princípios: a frontalidade com criticas construtivas, a atitude, o fazer bem e acima de tudo inovar, corrigir quando está errado e ser melhor amanhã.
Muita coisa, precisa ser melhorada, estou plenamente de acordo. Mas custa tanto assim, reconhecer quando as coisas realmente acontecem? Custa reconhecer que o colega ao lado vez um excelente trabalho? Custa motivar, quando se sabe que o colega está a esforçar para dar o melhor de si?
Essa boa prática acontece no NOSI, esse espírito, prevalece, é isso que faz as coisas andarem.

Nosiamente,
guevara

Cesar Schofield Cardoso disse...

Este indivíduo que se diz ter pertencido ao RAFE e ao NOSI deve estar a ver a coisa completamente ao contrário. Uma dica somente: porque acham que o MCA adjudicou tanto dinheiro ao Estado de Cabo Verde. Para que não queimem muitos neurónios a pensar, vou dar a resposta: porque CV tem uma solução, que pouquíssimos países no mundo tem, que se chama SIGOF, que é o sistema de gestão financeira do Estado, o produto estrela do RAFE/NOSI, que garante uma uma gestão impecável das contas do Estado. Aliás, sabem porquê que CV anda a ser propalada pelos quatro cantos do mundo sobre a Governação Electrónica? Por ter isso aí que disse.

Mais outro esclarecimento. RAFE, que significava Reforma Administratica e Financeira do Estado, é uma ínfima parte integrante do que é agora NOSI, um projecto amplo, que significa Núcleo Operacional para a Sociedade de Informação. Por causa do NOSI (e Salim tem razão, por causa de técnicos e não políticos) CV está na agenda de grandes discussões mundiais.

Salim, isto dos políticos colherem os louros dá um livro inteiro.

Eu pertenci ao NOSI por 4 anos. Marcou-me e deixei marcas. Também tenho críticas, mas digo de peito aberto: foi das melhores coisas que acontecerem neste país após a independência...até que os políticos arranjem maneira de dar cabo dele.

Jorge Lopes trouxe uma coisa importante ao NOSI, que se chama "sponsoring político", sem o qual não seria possível a muita coisa. Jorge Lopes faz uma coisa que poucos vêm: os corredores da decisão, nacionais e internacionais. Mas, não é ele o timoneiro, o líder do NOSI; são os fundadores, do qual Hélio, mas não só, faz parte, e outras pessoas que vão passando pelo NOSI e que dão a sua força criativa e empreendedora.

Anónino, se pertenceste ao RAFE/NOSI a tua obrigação seria de seres objectivo. É fácil mandar bocas. Trata de justificar as tuas bocas, para que tenham crédito.

João Branco disse...

Guevara, deixa-me dar-te também os parabéns pelo excelente comentário, que conseguiu esclarecer sem insultar, informar sem cair a piada fácil e pessoalizada. Excelente. Abraço!

João Branco disse...

César, excelente depoimento, também. E sobre a questão política, era exactamente isso que eu queria dizer. Peço desculpa ao Salim se não me soube explicar. Acho que o César explana essa importância de uma forma clara. Agora, por favor, não me vejam como um paladino e defensor dos políticos, pois não tenho procuração para tal. O que defendo é se exigimos - e muito bem - que os políticos dêem a cara quando as coisas correm mal, também possam ser referidos, quando as coisas dão certo. É o caso do NOSI, como me parece cada vez mais claro.

Helio Varela disse...

antes de mais parabens pelo Site e pela dinamica criada. O meu nome é Helio Varela e faço parte deste fantastico projecto RAFE/NOSI. Apesar de estar neste momento em França, tive acesso ao artigo da Semana e a este fantastico site que permite uma livre expressão de opiniões. Considero que por ser o membro mais antigo deste projecto posso dar algum contributo a esta sessão de esclarecimento. Antes de mais atribuir os louros do que foi conseguido a uma ou duas pessoas não espelha a historia do NOSI. Este é um projecto cujo sucesso dependeu (literalmente) de cada tecnico (dos mais de 70) que por aqui passaram. Naturalmente que o "conceito" nasceu num grupo restrito à dez anos atrás (Eu, Cacuto, Djinho). Mas a verdade é que os tecnicos e lideres que vieram posteriormente, apropriaram-se do conceito e tornaram-no bem maior. Ze Moreno, Adilson, Victor, Leca, Natalia, Chico, Paulo Noel, Cesar, só para focar alguns nomes que hoje não estão conosco mas foram fundamentais na construção deste grande edificio que é nosso orgulho. O Jorge Lopes entrou em 2003 e teve um papel importante na consolidação do NOSI. Claro que trouxe o suporte Politico, mas é injusto resumir a sua actuação a essa componente. Como exemplo, saliento o Fatástico data Center que temos hoje, um dos maiores orgulhos da Governação que conseguimos graças à sua liderança e determinação. Fico triste de ver um Ex/Nosiano falar como falou da Instituição a que pertenceu.. Custa-me a acreditar que alguem que partilhou os valores do RAFE/NOSI possa desvalorizar o nosso trabalho após a sua saída.....que pena. Os resultados atingidos pelo NOSI em cada dia que passa estão visiveis e não precisam de grandes defesas. Em relação ao artigo da Semana fiquei com a sensação de que centraram demasiado os sucessos na minha pessoa e no Jorge. Embora reconheça que lideramos um grupo , pelo que as responsabilidades para o bem e para o mal sejam nossas, a verdade é que efectivamente o sucesso alcançado (e o que virá no futuro) está umbilicalmente ligado aos fantasticos trabalhadores do NOSI (incluindo o anónimo que tanto nos atacou) que põem a sua "alma" no trabalho, estão sempre disponiveis para inovar e para dar o seu contributo para além do que o código laboral exige. A Liderança do NOSI (onde me incluo) tem permitido a existencia de um ambiente laboral que incentiva a inovação , a auto-critica e o espirito de grupo. Os tecnicos do NOSI alicerçados neste ambiente têm mostrado que em Cabo Verde nós criolos , podemos fazer coisas bonitas quando nos dão as condições para tal. a mensagem do Obama "YES WE CAN", encaixa perfeitamente no que representa o NOSI. O RAFE/NOSI é fruto de um grupo de Caboverdianos que ousaram acreditar que podem ajudar a termos um Cabo Verde melhor. O NOSI é muito mais do que o fruto de um ou dois Governos, é muito mais do que um tecnico com obvias frustações que o impedem de dar a "cara", o NOSI é um grito de Jovens Caboverdianos que dizem alto e bom som "nós somos capazes", "nós podemos fazer a diferença", "nós queremos participar na construção de um Cabo Verde diferente", "não olhem para o Estrangeiro quando em Cabo Verde existe qualidade". São esses os nossos valores, são por eles que dezenas de Tecnicos do NOSI lutaram e lutam diariamente sem olhar a meios nem condições. É por eles que peço a todos os que tiveram paciência para ler este meu desabafo, que sejam intelectualmente honestos e avaliem-nos pelos nossos resultados. Não pela nossa cor Politica , não pelas frustações individuais de cada um, não pelos ataques que queiram direcionar a cada um. Avaliem-nos pelo que fizemos, pelo impacto das nossas acções. Conheçam os nossos projectos , e façam as vossas criticas, e nós estaremos como sempre ávidos de ouvir as criticas e tentar melhorar, como sempre foi a nossa cultura.
Um abraço a todos e um voto que nós enquanto Caboverdianos consigamos ultrapassar os dois ultimos obstáculos que nos limitam na nossa capacidade de sermos ainda melhores, a "auto-estima" e dificuldade de reconhecer o mérito.

João Branco disse...

Caro Hélio Varela, um obrigado sincero pelo seu comentário, que vale um post próprio. Vou tratar disso e espero que não me leve a mal. Abraço!

Salim disse...

Bom, acabo de ler o comentário do Sr. Hélio Varela, e, embora ele tenha dito muita coisa com o qual concordo, temos que ter em conta que é o líder do NOSI que está a falar, e, por isso, não pode deixar de defender a sua dama (o que é natural).

De resto, há algo que li e que me "trancou" na garganta, e o qual não posso deixar passar em branco: e é exactamente quando fala de "nós somos", "nós podemos, "nós queremos" e, especialmente, "não olhem para o estrangeiro quando em CV existe qualidade".

Espero que tenha ficado bem claro que "nós" = técnicos do NOSI, e "em CV existe qualidade" = no NOSI existe qualidade, colocando de lado o resto dos técnicos informáticos caboverdianos.

Isto porque (e vou explicar para não ficar só na "mandadura de boca") depois de muito tempo a criticar o NOSI pela sua falta de inclusão (ou, mesmo, exclusão) dos técnicos nacionais "não-nosianos" nos projectos relevantes para o país, e os líderes do NOSI (o Sr. Hélio em especial) a ripostar que em CV não existe resposta para as demandas do NOSI, fui convidado (aliás, a minha empresa foi convidada) a participar num concurso, onde os vencedores (descobrimos por acaso numa pesquisa na Internet) já estavam a trabalhar com o NOSI, antes mesmo do início do concurso (e, para completar o quadro, eram técnicos estrangeiros).

Na altura eu quis denunciar o caso publicamente e na imprensa, mas a minha empresa preferiu contactar os responsáveis pelo concurso e acreditar que a empresa em questão não tinha dado conta do recado, e que, por isso, estavam a abrir o concurso (onde, curiosamente, a empresa que não dera conta do recado aparecia como concorrente). Por isso, calei-me.

Depois, e como seria de prever, a empresa que não tinha dado conta do recado venceu o concurso. Apesar da minha empresa ter cometido um erro crasso ao enviar uma versão incompleta da nossa proposta para o concurso (o que nos eliminaria de qualquer modo), eu fiquei a saber o quanto o NOSI aprecia a qualidade nacional "não-nosiana".

Na altura, e conhecido o desfecho do concurso, um elemento da minha empresa quis contestar, mas eu fui integralmente contra porque achei que tínhamos sido ingénuos demais (ou burros se quiserem) e tínhamos branqueado um concurso que sabíamos estar viciado à partida. A coisa ficou por aí.

Portanto, Sr. Hélio, não querendo desconsiderar tudo o que acabou de dizer, até porque eu valorizo muito do trabalho que o NOSI tem feito, o discurso (pelo menos dos líderes do NOSI) de que o NOSI valoriza a qualidade nacional (a não ser que venha de dentro do próprio NOSI), para mim não tem qualquer credibilidade, como também perde fundamento a crítica de que os técnicos nacionais (fora do NOSI) não tem capacidade (pelo menos, não suficiente) e que, por isso, o NOSI é que tem que puxar pelo sector privado.

Desculpe-me o desabafo, mas, ao ler a parte final do seu comentário, o "bicho pegou" e tive que fazer esta pequena adenda, para que constasse.

Bali

P.S. Já agora, no concurso participaram 2 empresas caboverdianas e 2 estrangeiras.

Helio varela disse...

Caro Salim.
Lamento não poder responder à acusação que faz de um caso especifico, pois como deve calcular, as informações são insuficientes. Parece-me no entanto que está a pegar num caso que se sente lesado para generalizar que o NOSI não trabalha com Empresas Nacionais. Tentando ser objectivo, para não cairmos na acusação fácil, permita-me mencionar algumas Empresas que através do NOSI apresentaram ou estão em vias de apresentar soluções:
ELSEG, TEI, PRIME, ADA,COMPTA.
São algumas que me vêm automáticamente à mente. Sinceramente não sei qual é a sua Empresa, mas terei todo o gosto (e prazer) em conhece-la e ver onde pode nos ajudar nesta tarefa de todos nós. Lamento Salim , mas nós Caboverdianos somos capazes sim. Nós do NOSI e nós fora do NOSI. Não faço essa distinção como afirma. Mas atenção, a verdade é que para grande parte das nossas necessidades infelizmente não conseguimos ter competencias Nacionais....infelizmente. Gestão Empresarial de biometria, Sistemas Empresarias para Gestão de informação Geografica com integração a Bases de Dados Empresariais, Concepção e Implementação de Data Centers, Gestão de Private Key Infrastructures (PKI), Implementação de Fabrica de Software, Personalização de cartões de Identidade (Cert Digitais....). Caro Salim, para os desafios que temos para implementação da Governação electronica em Cabo Verde, o sector Privado Caboverdiano Actual tem que passar por uma maior capacitação. Infelizmente o mercado Caboverdiano não tem dimensão suficiente para que uma Empresa Caboverdiana invista nestas tecnologias e tenha retorno do investimento. É por isso que estamos a tentar arranjar parcerias Internacionais (ex. Microsoft), para que possamos montar um modelo de partenariado ,que permita às Empresas Privadas caboverdianas terem acesso a soluções Empresariais e simultaneamente viabilizar a sua actividade extendendo-a para além do nosso pequeno País. Só assim se poderá viabilizar no sector Privado, o dominio de tecnologias "Empresariais" de forma lucrativa. Os ganhos conseguidos e consolidados na arena Internacional pelo NOSI, só poderão efectivamente ser consolidados , com o envolvimento do sector privado Cabovediano , capacitando-o e criando "mercado" para poderem viabilizar a aquisição de competências Empresariais que o mercado de Cabo Verde "per si" não consegueabsorver.
Penso que ainda não tive o prazer de o conhecer caro Salim , mas tambem tenho a profunda convicção de que nunca falou comigo sobre esta questão, porque se o fizesse nunca teria sugerido que o meu sentimento é não apostar em competências Nacionais. Desde o inicio o nosso discurso tem sido quase agressivo na defesa do Nacional (não só do NOSI como sugere). Talvez esteja a faltar conversarmos mais . Agora num ponto penso que não estamos nada de acordo (penso eu). Achar que o sector privado Caboverdiano esta capacitado para responder a grandes soluções Empresariais é....tapar o sol com a peneira. Aí lamento , mas não concordo. Só sabendo onde estamos podemos ambicionar chegar ...longe.
No RAFE/NOSI à dez anos atrás não tinhamos sequer a noção de soluções Empresariais. Actualmente fruto de intensas formações (que chegam a meses por ano),com orgulho digo que os tecnicos do NOSI estão ...mais capacitados, mas tÊm que melhorar ainda mais...
Embora sinta da sua parte uma vontade de "extremar", do lado do NOSI a vontade é...oposta. Juntos podemos ir longe , caro Salim. Com agressões fáceis, mantemos.... a sina crioula.
Fica a pergunta.
Se o NOSI não valoriza a qualidade Nacional porque razão tem no seu seio DEzenas e dezenas.....de tecnicos Nacionais, tendo quebrado o Status Quo que existia que era de se recorrer sistematicamente a Assistencias tecnicas Internacionais???
Porque razão que aplicações tão criticas como sistema Financeiro, Impostos, Gestão Municipal, Registos e Notariado, Educação , Saúde foram desenvolvidos essencialmente por tecnicos Nacionais????
acabo com um desafio objectivo....Salim,não quer vir tomar um café e "olhos" nos "olhos" , sem preconceitos trocarmos opiniões? a minha unica condição é...façamo-lo de forma construtiva e com um objectivo comum. Reforçar e engrandecer a Capacidade Nacional...YES WE CAN..
desculpa o desabafo.....mas acho que perdemos tanto a desconfiar uns dos outros

Salim disse...

Caro Sr. Hélio,

Só algumas pequenas clarificações a fazer:

Primeiro, eu não tenho vontade de extremar e nem acho que fiz uma agressão fácil. Neste caso, como em todas as coisas, a moeda tem sempre dois lados e eu tentei focar um pouco o outro lado.

Segundo, eu não disse que as empresas nacionais estejam capacitadas. O que disse é que esse discurso, vindo dos líderes do NOSI, para mim, não tem credibilidade e fundamento pelo factos que expus e descrevi no comentário anterior.

Terceiro, e mais importante de tudo, eu não faço a distinção "nós do NOSI" e "nós fora do NOSI", ou prego essa divisão, porque acredito piamente que "nós caboverdianos somos capazes sim".

A realidade, no entanto, é que os que não estão no NOSI querem colaborar e sentem que não lhes é dada a oportunidade. É isso que assisto. O NOSI diz exactamente o contrário. Por isso, temos dois discursos opostos, e alguém terá que estar errado.

De resto, nunca desvalorizei o trabalho do NOSI e nem dos nosianos, até porque conheço o seu trabalho, e tenho muitos amigos extremamente competentes que aí estão. Portanto, desviar a questão para esse lado é extremamente injusta e, aí sim, seria tapar o sol com a peneira.

Espero que o pessoal que me conheça saiba que não estou a atacar a sua competência e jamais o faria. Estou, sim, a falar de um caso concreto e muito pessoal, que alterou a minha visão do NOSI, uma visão que agora não posso deixar de ter.

Isso, de modo algum, tira o mérito dos técnicos, e nem de si (a quem tenho maior respeito), porque eles, ao fazer as coisas boas que fazem para o país, às vezes nem sabem ou se apercebem das coisas que por vezes acontecem por detrás das cortinas.

De resto, estarei afastado da minha empresa por algum tempo, e, talvez, também, só agora fiz esse comentário porque não os queria eventualmente prejudicar no mercado caboverdiano. Sei que isso pode parecer injusto para si, mas é para ver até que pondo chegam estas coisas.

Portanto, faço suas as minhas palavras: "acho que perdemos tanto a desconfiar uns dos outros".

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Salim disse...

Bem, como está discussão parece estar encerrada do lado do do Sr. Hélio, quero aproveitar esta oportunidade para fechar o meu lado.

Primeiramente, quero reafirmar que falei de um caso específico, não só por ser o que me toca (o que não deixa de ser importante), mas, também, e como é evidente, ser aquele sobre o qual posso pronunciar-me com autoridade, por poder falar na primeira pessoa e fundamentar a minha razão.

No entanto, não deixa de ser verdade que a quase generalidade dos técnicos informáticos que conheço (e que tiveram a oportunidade de cruzar caminhos como o NOSI), têm os seus casos de desencanto e desconfiança em relação ao NOSI. Alguns poderão estar errados, outros a exagerar, mas não podemos estar todos enganados ao mesmo tempo.

Portanto, fica aqui claro que o problema entre o NOSI e os privados é um problema de confiança. Nesse sentido, vou aqui dar a minha modesta opinião sobre algumas medidas concretas que o NOSI pode adoptar para tentar reestabelecer o clima de confiança e eliminar, de uma vez por todas, a desconfiança que mina as relações entre o NOSI e o sector privado e que nos permitirão avançar no sentido que todos queremos:

1) A primeira coisa, porque é a queixa que mais oiço do sector privado, é o NOSI fazer um esforço para não impor a sua hegemonia no mercado (ou seja, na função pública). É óbvio que o NOSI refuta esta acusação, e apresenta a sua lista de empresas com quem trabalha. Por isso, vou explicar.

Ninguém disputa a necessidade do NOSI estar presente no sector público. O que muita gente contesta é quando um privado presta assistência a uma instituição, e, de repente, chega o NOSI e oferece prestar essa mesma função de graça e sem custos para a instituição. Como é óbvio, essa é uma proposta quase que impossível de se recusar, e, assim, o privado é afastado do seu cliente.

O que não é dito é que essa assistência do NOSI não é na realidade gratuita. Ela tem os seus custos, só que esses custos não são assumidos directamente pelo cliente. Quem paga esses custos é o Estado, ou, melhor, alguma organismo internacional que financia o Estado e/ou o NOSI. Portanto, o que acontece é que uma renda que ia directamente para um privado passa para o NOSI.

E, como é evidente, isso cria um descontentamento generalizado e uma revolta inevitável. Portanto, o que o sector privado gostaria é que o NOSI fizesse a sua intervenção lá onde é necessário, mas que fizesse, também, um esforço para não eliminar o privado, a não ser que seja absolutamente necessário. E, especialmente, redobrasse esse esforço se o privado prestar um bom serviço que é reconhecido pela instituição em questão.

Com isso, todos sairiam a ganhar (os clientes, os privados, e até mesmo o NOSI), e desapareceria 90% do descontentamento e da desconfiança do sector privado em relação ao NOSI.

2) A segunda coisa, e é algo que às vezes até resulta directamente da primeira, é que o NOSI tenha uma boa vontade no sentido de colaborar com os privados, ou, no mínimo, não bloquear, travar, ou rejeitar as iniciativas dos privados sem uma fundamentação forte e convincente.

O que quero dizer com isso é que às vezes, mesmo depois do afastamento do privado, o NOSI não consegue dar conta do recado e os privados são mantidos pelo cliente ou chamados de volta para preencher um vazio que foi criado a posteriori.

Isto pode parecer absurdo ou paradoxal, mas o que acontece é que por melhor que sejam os técnicos do NOSI, é para eles impossível satisfazer todas as necessidades de toda a função pública, que é enorme, e ao mesmo tempo fazer o seu trabalho de desenvolvimento e criação dentro do próprio NOSI.

Portanto, alguém tem que sair a perder desta equação, e, invariavelmente, são os clientes que pagam este preço, e são obrigados a manter os privados para complementar o NOSI, ou acabam por chamar os mesmos privados que tiveram que dispensar, para suprir as suas necessidades, que podem não ser prioritárias para o NOSI, mas dificultam e emperram a acção das instituições.

Portanto, e no final, as instituições são obrigadas a trabalhar com ambos os lados, o NOSI e os privados, e é aqui precisamente que queria chegar, porque é aqui que reside o outro grande ponto de contestação e descontentamento.

3) Que é o seguinte: mesmo quando o NOSI e os privados têm que trabalhar lado a lado, os privados, por estarem em contacto directo e permanente com os clientes, são os quais recebem o seu feedback diário e visualizam as suas necessidades prementes, procurando criar soluções mais imediatas para esses mesmos clientes.

No entanto, o que acontece, muitas das vezes, é que depois de discutir e criar soluções para as instituições, e ter essas mesmas soluções aprovadas com agrado, o NOSI é chamado para a questão (ou aparece na questão), para dar o seu parecer, e, na grande maioria dos casos, o NOSI pura e simplesmente rejeita, desconsidera, ou minimiza essas soluções, deixando o cliente perceber que não é a solução mais adequada, que não precisa dessa solução, ou terá que essa necessidade suprida pelo próprio NOSI em devido tempo.

No entanto, o que se segue é que normalmente o cliente continua com as suas necessidades, que não são supridas, e acaba por ficar frustrado e desiludido com o próprio NOSI, desilusão e frustração essa que passa para o privado porque não lhe é dada a oportunidade de desenvolver soluções, e, pior do que isso, vê o seu cliente a mercê do NOSI que, apesar de ter capacidade para suprir essa lacuna, não terá certamente tempo. Quando podia ter ajudado o privado a ajudar o cliente, e, mais uma vez, sairiam todos a ganhar.

Portanto, e nesse sentido, o que o sector privado gostaria de ter, por parte do NOSI, é, em primeiro lugar, uma maior abertura para discutir as soluções dos privados e argumentos convincentes para bloquear ou rejeitar qualquer iniciativa privada.

Isto poderá ser resolvido com a criação, por parte do NOSI, de um Manual de Procedimentos e Conduta para o sector privado, no sentido de regular a sua actuação na função pública, pois permitiria a criação de um clima excelente, não só de serviço, mas de reciprocidade e aproximação do NOSI e privados. Por outro lado, o NOSI poderia criar um API público, no sentido de permitir aos privados pensarem soluções inovadoras e criativas para as instituições, que poderão ter acesso a informações essenciais (para os clientes) mas críticas (do ponto de vista do NOSI), de maneira segura e controlada.

Isso, sim, iria estimular a criação e a inovação de uma maneira nunca vista até agora, pois permitiria uma actuação efectiva e responsável por parte do sector privado (com o devido controle e supervisão por parte do NOSI), o que só ajudaria a cimentar a sociedade de informação e a avançar Cabo Verde para novos patamares.

Do meu ponto de vista, a maior parte dos privados não quer pensar que está a receber migalhas do NOSI para poder sobreviver, e nem quer que o NOSI pense que ele é obrigado a carregar os privados às costas. O sector privado quer, sim, é oportunidade para avançar e prosperar, e, logo que seja criada essa ponte de maneira credível e incontestável, não só desaparecerão 99% das queixas do sector privado, como, também, aí sim, o NOSI terá os fundamentos para criticar o sector privado pelas suas falhas e ineficiências, construtivamente.

O que, por seu lado, permitirá ao sector privado melhorar o seu desempenho, e permitirá ao NOSI ter todo o aval para focar a sua acção nas áreas mais críticas e complexas, aquelas onde efectivamente o sector privado não consegue (ou, melhor, não pode) dar conta do recado.

Ninguém iria disputar esse estado de coisas, excepto o restante 1% que será sempre céptico, crítico, e descontente por natureza, e que, felizmente, assim o é, porque são eles que nos levam a encontrar as falhas quando pensamos que tudo está bem e, por isso, são também cruciais.

De resto, despeço-me esperando que possamos aprofundar estes e outros tópicos em outros fóruns, talvez mais apropriados, e com a participação de toda a sociedade de informação caboverdiana, como aliás, já tem vindo a acontecer (e é muito bem-vindo e apreciado por todos).

O NOSI terá certamente a oportunidade de dizer ao sector privado as razões que poderão fundamentar a sua desconfiança em relação a este, com casos concretos e fundamentados, e, nesse sentido, ajudar também neste processo de reconciliação necessária e absolutamente crucial para um clima de confiança e prosperidade para todos.

Os meus cumprimentos

Helio Varela disse...

Caro Salim.
Desde que começamos esta conversa virtual, senti que apesar de aparentemente estarmos em campos opostos, conjugavamos os mesmos valores, agora após ler com atenção este seu comentário, brilhante comentário a meu ver, fico com essa certeza. Claro que não concordo com a visão de que o NOSI vê o privado com desconfiança, mas partilho da essência da mensagem e revejo-me em muito do que referiu. Considero as sugestões muito interessantes e a meu ver, penso que acaba de lançar um desafio concreto, com propostas obvjectivas ao NOSI. Cabe ao NOSI, com a humildade e abertura que é na minha opinião, a nossa maor força, responder à altura da fasquia por si colocada.
Peço-lhe da sua parte, caro Salim que tambem retire se dispa de alguma eventual desconfiança em relação ao NOSI ou seus Lideres (porque como referi anteriormente, a lierança no NOSI é repartida por mais de 70 tecnicos) e vamos juntos construir um mercado IT que extravase as nossas fronteiras. Foi um prazer, caro amigo virtual, ouvir e aprender consigo. Fica em aberto para uitilizar quando entender o "tal" convite para o café.
parabens João Branco por este espaço que permitiu uma conversa com elevação e que sinto que dará frutos.
Bem hajam
Caoverdianamente e...Nosianamente

João Branco disse...

Eis três das (boas) razões porque vale a pena manter um blogue: comunicação, partilha, conhecimento.

Abraço