Declaração Cafeana

38 Comments


Eu sei que estou a comprar uma guerra que não é minha - e porque não pode ser minha também? - mas não posso deixar passar em claro um post publicado pela Margarida, jornalista, no seu blogue Os Momentos, e que transcrevo aqui na íntegra:

«Tem sido notório e crescente, aqui e acolá, a multiplicação de artigos de jornais e posts na net de jornalistas que decidem vir a Cabo Verde tentar a sorte, e mais não fazem do que espartilhar o nome do país. Já tentei pensar que talvez seja isso fruto da juventude, gana de dizer, demonstração de bravura, ou alucinação… sim, porque alguns, nos seus países de origem, só tiveram a sorte de publicar em jornais dos corredores universitários. Essa malta precisa trabalhar mais, despir-se de preconceitos e olhares outros, e entender Cabo Verde nas suas múltiplas nuances: um país que sobreviveu às secas, à fome, à miséria, à escravatura, à colonização: um grande país de brava gente! Sim, um país que padece de falhas, deficiências, várias, que está ainda a aprender muita coisa, mas caminha com cabeça erguida. Quando decidirem apontar os males, porque os há, chamem nomes aos bois, falem dos vossos patrões. Os “dons” que pagam os vossos chorudos salários.»

Fiquei pasmado. Algumas perguntas: qual é o mal de vir a Cabo Verde tentar a sorte? Se tem habilitações para tal, não vejo onde posssa estar o problema. Despir-se de preconceitos, porquê? Por falar de barracas com pessoas a viver em condições desumanas ou por denunciar o comportamento de alguns políticos? E um País que sobreviveu às secas, fome, miséria, escravatura e colonização é imune a críticas? E o que diz a Margarida, então, de um Abraão Vicente ou de um César Schofield? A partir de quanto tempo é que se pode ter legitimidade para criticar? Criticar é espartilhar o país? E silenciar, é o quê?

Escrevi, então, um comentário que diz o seguinte:

«Desculpa, Margarida, mas não entendo este teu post, principalmente a última parte. Se calhar, devias colocar a questão de uma outra forma: é uma pena terem que ser umas jornalistas imberbes e inexperientes que vem para Cabo Verde tentar a sua sorte (depois de apenas conseguirem publicar em jornais universitários) a ter que denunciar certas anormalidades, porque os que cá estão há muito tempo, não denunciam, por falta de vontade, coragem, brio profissional ou outra qualquer razão misteriosa que ninguém sabe qual é.

Um comentário que me parece carregado com alguns laivos de protecionismo coorporativo e, o que é pior, de uma certa dose de preconceito. Mas eu também sou daqueles que vim para cá tentar a minha sorte, portanto, se calhar mais valia estar calado.

Abraço do Mindelo»


E pronto, caros amigos jornalistas e amigos de jornalistas (e tenho muitos amigos nesta área profissional), a minha cabeça está à vossa disposição pronta para ser cortada e servida numa bandeja.




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38 comentários:

Anónimo disse...

concordo...post triste num blog bom (os momentos)...é pena...
(e é incrivel como tem sido regra nos ultimos dias , na blogosfera, chamar-se de preconceituosos usando argumentos duas vezes mais preconceituosos)enfim
(viva obama)

Margarida disse...

Caro João. Comprei a guerra confesso!
Sou jornalista, estrangeira, tenho um blog e não hesito em pôr o dedo na ferida quando vejo que se justifica. Obviamente, escrevo sobre Cabo Verde, uma vez que é o país onde vivo, onde trabalho, onde pago os meus impostos e onde acompanho a realidade política, económica e social.

Também já publiquei em jornais de corredores universitários e sinceramente orgulho-me de o ter feito. (não vejo qual é o problema) Mas passei igualmente por muitos outros corredores.

O post no blog "os Momentos" só posso classificá-lo como um "momento" infeliz.
Como tal, subscrevo a tua resposta e acrescento alguns pontinhos, no meu blog...
Mera estratégia para lá dares um saltinho ;)

Parabéns pela tua capacidade de argumentação e diplomacia.
Beijocas

Ps- "Máscaras" é a que horas?

Abraão Vicente disse...

Caro João, acho que passate em cima/acima do essêncial do post da Margarida!
um abraço
Abraão

João Branco disse...

Abraão, se o que a Margarida - jornalista queria ter dito algo mais para além do que está escrito, não sei, ela mesmo o dirá. Eu acho que ela foi, no mínio, deselegante, mas está no direito dela.

Pelo meu lado, sei que me estou a meter num «ninho de sampê», mas também julgo já ter passado aquele prazo a partir do qual já me é permitido fazer alguma critica pública.

Anónimo disse...

João, estás certo, no que dizes. Fizeste bem comprar uma guerra que não é tua, mas olha que a tua cabeça tem mais utilidade pública agregada ao corpo, do que na bandeja!


Essência Abraão Vicente?
Qual é então essa essência superior de que falas?
Tenho-te em grande estima e se vês para além das palavras, partilha connosco. Terei todo o prazer em saber onde queres chegar então.

A Margarida, que se diz “jornalista de investigação”, e que gosta de “investigar” deveria então “investigar” mais por onde, e de onde é que vieram essas (esses) jornalistas, que ela diz só publicarem em “jornais dos corredores universitários”. Margarida, Margarida, não lhe ficou nada bem esta atitude, mostrou “inveja” da juventude e ousadia dos outros, mostrou preconceito. Se você, por múltiplas razoes, não tem capacidade, não quer, ou não pode dar “um olhar” da realidade do seu país, então deixe essa juventude, venha ela de onde vier, fazer o seu trabalho, o trabalho que vocês, principalmente na TCV não fazem. O problema, não está nos directores que de seis em seis meses vão passando pela TCV, está nos jornalistas e depois o retrato da televisão pública é esse mesmo, uma vergonha. Nada de serviço público, mas sim funcionalismo público, duas coisas bem diferentes, sobretudo, porque são preguiçosos e não se dão ao trabalho, são orgulhosos e não têm humildade suficiente para admitirem que alguém os ensine a evoluir.

Mas olhe Margarida, que essas (esses) jornalistas que acusa, não são assim tão “escrivãs” como você as pinta. Já levam alguns aninhos de jornalismo sério na bagagem e não é só de jornalismo de corredores universitários, há muitos corredores e corredores sérios, de rádio, televisão, imprensa escrita. Mais humildade Margarida, ficava-lhe bem. Mais humildade e menos “dor de cotovelo”.

Pedro Moita disse...

Temos que ter respeiro por todos e pela cultura do país que nos acolhe, mas não é por apontar os males que os passamos a desrespeitar.
Será mesmo necessário pedir autorização a estes "carolas" quando queremos dizer e mostrar o que nos vai na alma?

E apelidar-nos de "piratas das ilhas" é porque nós viemos, como muitos caboverdianos foram para fora, procurar outros destinos e desenvolver o nosso trabalho? Isto é senão preconceito e medo, muito medo.

P.S. já agora: quem é que tem "chorudos ordenados" a trabalhar em jornalismo em Cabo Verde? ou será só inveja?

gicas disse...

"No comments", lembraste dessa rubrica da Euronews?

Nao vale a pena comentar, Joao.
Nao, agora. Sobretudo, porque estou demasiado ocupada a tentar acabar o meu trabalho a tempo de ir ver o espectáculo de Flamengo de Marina Heredia e nao quero, nem posso perder tempo com momentos infelizes e insignificantes.

Prometo encontrar tempo, no meu fim de semana de trabalho, para me debruçar sobre o assunto e quem sabe escrever um comentário ou um post sobre isso.

É que, como diz o Abraao, escrever é uma grande responsabilidade. Mas para mim essa responsabilidade é igual, seja sobre um país, ou sobre alguém.

Margarida Conde disse...

Tal como tu joão gosto de comprar guerras, especialmente quando "a essência" da própria (guerra) não tem qualquer sentido, por isso gostaria de dar uma informção adicional a essa senhora: Vim para Cabo Verde ganhar mais cinco mil escudos do que em Portugal e como sabemos o jornalismo em terras lusas é mal pago. Aventura, enriquecer o currículo profissional e pessoal. Tentar fazer algo por Cabo Verde. Aprender e ensinar. Mas qual é o problema? Há algum mal nisso? Portanto não consigo entender o que quer dizer com "salários chorudos".
Em vez de criticar quem vem tentar a sorte, deveria antes atacar as faculdades que lançam para o mercado, jornalistas que nem as leis básicas do jornalismo conhecem e que se sentam nas suas secretárias a copiar press releases em vez de irem investigar ou pesquisar como é da sua competência. E depois surge a frase de ouro. "É normal", associada ao slogan "Viva a passividade em Cabo Verde". Haja paciência. Um bom exemplo. Estive há cerca de uma hora a cobrir a visita da Ministra da Justiça ao Centro Orlando Pantera, que como sabem deveria receber crianças deliquentes. Tal nunca aconteceu, ou seja criou-se uma instituição para estar ao abandono. Sabem quantos orgãos de comunicação estavam a cobrir a iniciativa? Dois, e ambos de imprensa escrita. Perguntou-me porque é que Exma. Sra. Margarida em vez de fazer um tiro ao alvo sem nexo não estava a investigar algo que é de interesse nacional?
E nós é que precisamos "de trabalhar mais?" Como costumo dizer HAJA PACIÊNCIA...

Catarina Cardoso disse...

Bem, agora é hora para perguntar: Mas quem é a Margarida?????

De qualquer modo entende-se (entendo mas não significa que concordo com a posição) essa postura- não é o que nós portugueses sempre fizemos em relação aos estrangeiros no nosso país???????'

Um abraço aos jornalistas que têm de tentar a sorte noutro país pq infelizmente o de origem é uma tristeza em matéria de oportunidades de trabalho .
Catarina Cardoso

Margarida disse...

Pelo que li no post dos "momentos" e de alguns apoiantes, parece-me que escrever sobre Cabo Verde é uma tarefa concessionada a determinadas pessoas.
Peço por isso desculpa por ter vindo, como forasteira, intrometer-me nessas concessões previamente estabelecidas...

Puro preconceito, medo e uma dorzita entre o braço e antebraço.

Teatrakacia disse...

Nada contra nenhum estrangeiro em terras de Cabo Verde, assim como acho normal a procura secular do cabo-verdiano por uma vida melhor em qualquer ‘canto’ deste mundo cada vez mais global e de todos os seres humanos. Mas, embora ache que a Margarida Fontes não se tenha explicado com os melhores argumentos, acho também – e na linha do Abraão Vicente - que o ‘João passou em cima/acima do essencial do post da Margarida’. Não sei se te lembras, JB, mas alguns posts atrás, e a propósito do relato da postura ‘patética’ de certos políticos, pela Margarida Conde (sobre a sessão no Salão China, do caso do Banco Insular e da audição pela Comissão Especializada de Finanças e Orçamento do Governador do Banco Cabo Verde), e após vários comments, eu ter escrito que, cito ‘Eu acho essa 'postura' uma vergonha! E é de condenar! Veementemente! Nem parece de gente considerada de 'chefes cá da zona', os mais altos representantes deste povo que, infelizmente, descamba 'ovelhamente' no mesmo sentido...’ e acrescentando ‘Mas também, por outro lado, não gostei dessa 'espécie de grupo maçon' a achar isso 'coisa de sub-desenvolvido'... Era já na linha do que viria a ser o tema do post da Margarida Fontes. Não porque são estrangeiros, não por serem mais ou menos ‘imberbes’, não por serem eventualmente mais corajosos do que nosotros, não por inveja, não por exporem ainda mais as ‘falhas’ e o muito caminho por percorrer pelo jornalismo indígena… mas pela sobranceria, pela arrogância, ‘chico-espertismo’ e sobretudo pelo preconceito latente. E isso é uma constatação de há algum tempo atrás. Frequentes frases do tipo: ‘A mim, já nada me surpreende’, aqui na terra dos pretos, ou ‘É verdade, (aqui neste país) para alguns (jornalistas) o silêncio é o melhor caminho’, como se isto não fosse válido para países civilizados. Resumidamente, esses indígenas cansam-nos, não entendem, não fazem nada como deve ser, nós estamos aqui para lhes ensinar o caminho… e culminando com esta outra citação ‘…porque se calhar já devia achar normal este tipo de situações. (Aqui)Tudo é normal...’
Repito que estou de acordo com quase todas as críticas, mas não com os preconceitos. Aqui neste espaço é sempre difícil explicar coisas… espero ter sido entendido, ou ter-me explicado minimamente bem, pois não sou nem nunca serei racista, por um lado, nem corporativista a ponto de querer esconder o estado ainda sofrível do jornalismo que fazemos neste país. Mas uma coisa é certa: esse jornalismo está de acordo (e é o espelho) da sociedade que temos neste momento. Felizmente que em construção.
Tchá

Mic Dax disse...

As praias, o mar azul, o céu azul não chegaram para atrair em Cabo Verde a crema das jornalistas internacionais : teria que criar um evento importantissimo, algo fora do comum, para chamar atenção do mundo fora.

Por exemplo, eligir um presidente branco.

E so uma idea, João. Estas muito ocupado, em 2010?

Neu Lopes disse...

Nhas gente!
Cada vez mais, faço certas perguntas em relação ao jornalismo e comunicação social do nosso país. E, permitam-me o direito de não perguntar mais uma vez.

João Branco disse...

Tchá, desculpa mas acho que nem foi isso que escreveu a Margarida - é só ler - como não foi também o que quis dizer o Abraão. E não acho nada, pelo que li nesses posts e artigos em causa, que haja algum reflexo de "paternalismo" ou "neocolonialismo pedante". Alguns dos comentários até são para sublinhar que alguns dos problemas acontecem e são comuns a outros países, nomeadamente Portugal.

Exemplo? Estamos neste preciso e exacto momento a falar no programa da TV do Abraão Vicente, do problema das barracas na ilha da Boavista e do tipo de turismo implementado naquela ilha e em Cabo Verde de uma forma geral. O que os comentadores estão ali a dizer não varia nada do que escreveu a Gisela, por exemplo, se calhar de uma forma mais apaixonada, logo "pouco jornalistica" (Será? Nâo há lugar para a paixão no jornalismo, Tchá?)

Não vás por aí. Pelo menos neste caso. Não que não tenha já acontecido, não que não possa vir a acontecer...

Sanpadjud disse...

Reacções assaz exageradas para um post de alguém que nos habituou à qualidade. Duas coisas me despertaram a atenção: passou-se por cima da primeira parte do post (presumo que não interessa nem importa investigar) e "Mas eu também sou daqueles que vim para cá tentar a minha sorte, portanto, se calhar mais valia estar calado" - Vou além do pasmo e pergunto: achas mesmo que os cabo-verdianos mereciam essa tirada? Senti uma certa dose de preconceito.
Mais preconceito senti na pressa de criticar (diria mais opinar) e divulgar a crítica e gerar a guerra... pressa estranha quando se refere a qualidade a que a autora do blog nos habituou. Pressa ainda mais estranha pelos chavões empregues - proteccionismo, corporativismo - imediatamente seguida nos comentários por xenofobiae e coisas que tal.
Lendo os comentários mais umas perguntas me ocorrem: Será arrogância? Interdição de criticar os estrangeiros? Que jornalismo de investigação? Onde? Ensinar a quem? A todos? E todos vieram ensinar? E nada aprenderam? Fazer duas entrevistas descontextualizadas e ignorando a história do país é jornalismo de investigação? Qualificar e opinar é jornalismo?
Não esta guerra não compro... porque injustificada, gratuita e injusta.

João Branco disse...

Sampaduj, ninguém é perfeito. Não és tu, não é a autora do Momentos, muito menos sou eu. A primeira parte do post não estava relacionada com este assunto e era pertinente, comentar o quê e porquê?

Não vejo onde possa estar o problema dessa tirada - motivada pelo próprio texto do post - e devo dizer que nem eu, nem a minha mulher, nem as minhas filhas, todos nós cidadãos deste país, com passaporte, direitos e deveres, se sentiu ofendido como cabo-verdiano.

Preconceito por divulgar a crítica?! Então porquê? Somos imunes à critica? Ninguém pode falar, dizer o que pensa, e é preconceituoso?

Olha, qualquer blogue pode ter toda a qualidade do mundo mas isso não faz de ninguém flor de estufa a quem não é permitida qualquer chamada de atenção.

Se o amigo pretende criticar o trabalho das jornalistas lusas faça-o à vontade. Nem sei de que entrevistas fala, nem de quem "descontexto" se refere, pode ser mais claro?

Um jornalista é um jornalista. Tem um código de ética e deontologia universal, acho eu. Como os médicos, advogados, professores. Não tem rigorosamente nada a ver com nacionalidades. Quando questiona a não possibilidade de criticar "os estrangeiros" revela a forma equivocada como encarou esta questão.

Pena que, como compatriota, não tenha sido capaz de um mais pequeno comentário sobre um post infeliz. Pensa que está ajudando? Não está. Pensa que eu estou aqui com alguma etiqueta na testa escrito "branco", "mandrongo", "emigrante" ou algo do género? Não estou.

Mas posso estar, evidentemente, como ser humano que sou, totalmente equivocado, e de facto, o que foi escrito e originou esta polémica, tem, afinal toda a razão de ser. Não havia de ser a primeira vez, nem será a última, em que não terei a razão do meu lado. Não faço cavalos de batalha neste tipo de assuntos, até porque tenho outras "guerras" mais importantes para travar.

Cumprimentos!

Teatrakacia disse...

Caro João, com que então tens as ‘procurações’ da Margarida Fontes e do Abraão Vicente, sobre o que queriam dizer… Devias ter avisado! E explicado! Haha, estou a brincar! Mas a sério mesmo: eu não falava destes posts e nem dos artigos em causa, mas em comentários aqui no Café Margoso, num post anterior (sobre o Banco Insular) em que os portugueses todos – tu incluído – menos a Mya, (e sem um pingo de racismo na minha constatação) se referiam naqueles propósitos preconceituosos, arrogantes, de não entender a lógica ou a ‘civilização/ou falta dela’ dos cabo-verdianos… e fiz questão de citar exemplos concretos. E não me referi a ‘paternalismo’ nem a ‘neocolonialismo pedante’ nenhuns. Não terá sido por acaso. E devo acrescentar que, só em reacção ao meu comentário, tu e outros se referiram ao facto de poderem acontecer e serem comuns a outros países, nomeadamente Portugal. Mas repito, porque parece ser necessário, que não criticava os trabalhos das ditas jornalistas, antes pelo contrário, realçava o aspecto positivo – num jornalismo insipiente que continuamos a ter neste país, de forma global. Só que, sem os preconceitos de superioridade visíveis nos comentários. E mais, respeitando como se deve, a cultura e realidade do país de acolhimento, e aqui cito o Pedro Moita aqui mesmo neste espaço: ‘Temos que ter respeito por todos e pela cultura do país que nos acolhe’. Outro aspecto, e já respondendo à tua pergunta: Não há lugar para a paixão no jornalismo! Um não redondo! Jornalismo é Informar e não Comentar. É mostrar as versões/opiniões todas. Privilegiar sempre o contraditório e não ocupar como jornalista, o lugar dos actores… Chamar a atenção para os problemas todos, dar atenção a tudo o que vai bem e sobretudo o que vai mal, mas mostrando os actores e as suas versões – nas suas ‘vozes’, e não julgar/opinar, substituindo-os, E ‘paternalmente’ dizer que isto ou aquilo, aquele ou este é que estão bem!

João Branco disse...

Não tenho procurações, não, Tchá, mas pelo que eles comentam sobre o que foi escrito, não podem querer dizer apenas o que foi escrito. Deve haver "entrelinhas" que eu não apanhei.

E constato, com alguma tristeza, que foste incapaz de fazer o minimo juizo critico à forma e ao conteúdo do texto que originou esta polémica, mas tu lá sabes e conhecerás, melhor do que ninguém, a tua classe profissional.

Mas o que se retira deste caso é isto mesmo: não tens direito de criticar a "minha casa", mesmo que sejam claros os problemas que aconteçam na mesma. E se criticas é porque tens manias que és superior, não sabes o que se passa, estás a dar uma de paternalista, enfiaste a carapuça ou carregas nos genes 500 anos de história. E ponto final, parágrafo, continuamos cantando e rindo como se o mundo fosse perfeito! Pelo menos para os outros!

rui almeida santos disse...

Há jogadores que preferem jogar em Angola, onde são estrelas, do que jogar em ligas mais competitivas, como as europeias, onde ganham mais mas têm menor visibilidade.

Há ppl que vêm pra cá p isso, ganhar umas massas e fazer outras coisas que o "anonimato" lhes permite.

Que venham abordar as coisas de forma diferente, com outro olhar e dizer algumas verdades. Muito bem. Mas que tenham capacidade de encaixe p ouvir algumas verdades tb.
A falta de vontade, brio profissional e coragem devolvo-os à procedência. Maus e bons profissionais os há em todo lado, alguns mais expostos k outros.

Isto n é uma terra de cegos e, muito menos, precisamos de zarolhos. E, desculpem lá, muitos n passam disso.

Os males k p cá há são próprios de um país de 3º mundo que somos e assumimos. Que os outros assumam a condição de menoridade no seu espaço e escusam de, sob a capa de kem veio p ajudar (há 500 anos foi p evangelizar, n foi?!), terem a pretensão de, qual varinha mágica, apontarem a solução p os nossos problemas.
Há um aproveitamento de ideias colonizadoras preconcebidas no subconsciente de todos para se impôr ou...tentar. Mas p cá há massa pensante. Muita até.

Agora invertam a coisa e digam o k daria isto noutras paragens. "Nem pa ka tenta".
O preconceito existe sim, mas muito mais do outro k deste lado.

N se pense k há qq coisa contra kem vem de fora, mto pelo contrário mas isto deve ser "piano piano".

Curioso é que a reacção, fora do blogg, veio de um lado.
A carapuça terá servido...

João Branco disse...

Muito maturo, justificar o teu mal com o mal dos outros. Como diria um turista britânico, very typical!

E assim, pela minha parte, fico sem argumentos e fora de discussão.

Abraço!

Abraão Vicente disse...

Mais do que o teu texto, a reacção que o mesmo provocou revela que há (que las hay, las hay) um "establishment" hiper sensível e pronto a tornar certos assuntos "tabus" e proibitivos. Há coisas que são sintomáticas. Quem te conhece e está atento à tua trajectória sabe que não colam certos comentários de "gente oca, cabecinha de alfinetes", como diria o Poeta Arménio Vieira. Há sim jornalistas, nacionais e estrangeiros, que andam a "fabricar" uma visão falaciosa e enviesada de Cabo Verde. Há sim "opinion makers", nacionais e estrangeiros, que fazem fretes insuportáveis a uns e a outros. Tu és de outra fibra, de outra cepa. Continua a passar a tua caravana diante dos cães que ladram. Continua a fazer o teu caminho, caminhando...

Mic Dax disse...

Picasso = exclusividade espanhola. Se não es espanhol, cala-te.

Virgílio Brandão disse...

Gente, esta é daquelas coisas que, por vezes, como agora, resisto a comentar - para não ser, como diz uma amiga, gráfico.

É que há coisas para as quais não deveria haver lugar em Cabo Verde, mas, pelos vistos, há.

Há dias e momentos assim. É a vida na sua nudez e todos, mesmo estando errados, têm o direito de dizer o que pensam. E, como é consabido, eu sou um defensor de direitos humanos, inclusive do «direito à asneira».

Esta discussão fez-me reflectir sobre aquilo a que chamo de «racismo do oprimido».

Abraço fraterno

moreia ta bibê sopa de catchupa disse...

Assim é que ta dizide Tchá!

Os 500 anos de história ao que referes, João, está inscrita sim nos nossos genes. A liberdade se aprende. E estamos a caminho dessa liberdade, dessa nossa autonomia e da nossa democracia.

Abraço caboverdeano.

Pedro Moita disse...

Goste-se ou não, nós cá continuaremos a mostrar o "Cabo Verde real".

Sim, porque esta é a nossa casa e não estamos cá para ser o rei em terra de cegos. Estamos cá porque o destino assim o quis e abraçamos a nossa causa, que é tudo menos estar sentado nas redacções à espera da papinha feita.
É ir à luta, é ir pró calor, pró mar, prás montanhas, prós resorts de luxo, enfim, onde há noticia e onde há algo para mostrar a quem desconhece. É esse o jornalismo que aprendemos a fazer e é com esse que transpiramos a camisola. Seja mostrar o bonito, seja desmascarar o feio e injusto.

Anónimo disse...

Só faltou escrever aqui com LETRAS GRANDES, quem é que faz a chamadinha, ou às vezes vai pessoalmente, indicar qual é o destino da vez.. calor, mar, montanha... Deviam era estar calados.

Teatrakacia disse...

Eu agora já não penso, não tiro ilações, não argumento, porque estou sempre fora do tema ou estou enganado, ou não compreendi nada... por isso só cito: Aqui 'as pessoas com quem trabalhamos nem sequer sabem o que é um simples principio do contraditório. E nós pagamos por isso. Nesta terra tudo se diz, tudo se escreve'...
Aqui em Cabo Verde 'É vulgar um menino da rua com 9 anos drogar-se, é normal uma menina de 15 anos engravidar.
A nós resta-nos continuar a lutar, como costumo dizer "esta terra não nos vai vencer, nós é que vamos vencer esta terra"'. MC
'Por vezes, é mais rápido falar com o PAPA no VATICANO do que com uma simples secretária de um Ministro...sempre ausentes, com os telefones ocupados e recados que se repetem e acumulam. Por vezes, somos obrigados a perder o "tempero" e fazer um "ultimato"' GC
As ilações, deixo para os entendidos/autorizados. E ponto final
Tchá

João Branco disse...

Tchá, como deves ter reparado, foram as tuas posições as mais aplaudidas neste tenso debate. Por alguma razão isso aconteceu.

Que possam acontecer outros debates em volta do jornalismo, noutros foruns e com um pouco mais de civismo, esse o meu maior desejo.

E que desses debates possam nascer uma evolução positiva do nosso jornalismo, que tem quem o faz, mas também tem quem o consome. E como «comsumidor» falo.

Abraço fraterno

Redy Wilson Lima disse...

Sobre isso, disse o que tinha a dizer e mais não falo. Achei foi piada dar conta de um plágio nesses comentários. É que o comentário aqui deixado pelo Abraão é idêntico (com vírgulas e pontos) ao deixado uns dias antes no blog da Margarida, então assinado pelo Filinto Elísio. A piada é que ambos criticam o plágio, agora quem plagiou quem, só os dois poderão responder. Apenas achei piada, mais nada.

gicas disse...

Infelizmente, é verdade Tchá, às vezes, e muitas vezes mesmo, ficamos pelo menos duas semanas a passar de telefone em telefone, de pbx em pbx, com recados que nunca sao transmitidos, e nunca ninguém assume as responsabilidades. Isto acontece muito quando ligas para instituiçoes públicas, seja Palácio do Governo, seja Assembleia Nacional, seja Polícia e outros tantos.
Mas nao quer dizer que esta seja uma realidade só de Cabo Verde, mas é a realidade que estou a viver cá, é o meu país há dois anos, é aqui que eu vivo e faço a minha vida, por isso é natural que eu me reporte para a sociedade em que vivo. Se eu estivesse em portugal, ou na china, ou sei lá onde, era sobre essa realidade que eu escreveria.

Margarida disse...

Só lamento que nesses debates continuem a aparecer uns cobardes que mandam os seus bitaites para o ar, sob a capa do anonimato.
Há um problema neste país da falta do contraditório e há outro muito grande que é a falta de responsabilização por aquilo que se diz, levianamente, só por dizer.

A esses cobardolas que sabem tudo mas não têm nome só me resta dizer que: "estupidez é uma coisa muito triste!"

Anónimo disse...

O Pedro Moita e a Margarida deviam ter mais calma. Quem conhece a forma como chegaram à Cabo Verde sabe perfeitamente da condição previlegiada que sempre disfrutaram. Mas apesar desse discursinho batido e desgastado de abraçar causas, não duvido que se algum dia as coisas deram para o torto (por exemplo se o governo do Sr. JMN cair e com ele todas as concessões e facilidades), os dois e o resto da malta da ACI, não terão dúvidas em puxar dos seus passaportes da U.E. e.... goodbye, astalavista país real.
Portanto, mais respeito e entendimento por favor. Que se faça jornalismo e não juizo de valores de uma sociedade que ainda não perceberam.

Cá estarei, anonimamente, a assistir ao desfecho desta estória toda.

P.S.: Peço desculpas por não me indentificar. Mas a minha condição política actual não me permite. Muito obrigado

xaquitim disse...

Ó João, permita-me responder a este "político". Mi ê de DjadSal. nasci e criód la na R'Bera Funda, ma póme ser entendid pa tud gent m tita bem scrivê na Portugues.
- Sr. Politico, se o senhor não pode se identificar, não emita opiniões se não quizer que nosotros pensemos que a sua intenção é incendiar e mais nada. Esta atitude é um pouco o confirmar de algumas críticas que até neste assunto vieram à baila e que tem a ver com pretensa pouca qualidade profissional de alguns membros de determinadas classes (e acrescento eu, sejam elas politicas, jornalisticas ou outras). Ameaçar assim, o Pedro ou a Margarida envergonha-me como Cabovediano, porque obriga-me a ouvir determinadas criticas que doem sem poder protestar, por o Senhor ter-me feito o favor de automaticamente os justificar. Espero não estar a ter o politico que mereço. Já agora, assumo-me como um fã dos programas da ACI e dos da Margarida Fontes (Monumentos e Sitios, por exemplo) porque mostram-me alguns aspectos do meu país, de uma forma que outros jornalistas até hoje não conseguiram fazer.
Já agora, a respeito desta polêmica, eu até percebo que alguns se sintam ofendidos com determinadas interpretações originadas no artigo d'Os momentos. Porém não posso deixar de constatar que estamos todos um bocadinho intolerantes com a opinião alheia. TODOS...Permitam-me vos lembrar que todos nós arranjamos blogs para exprimir o que nos vai na alma, logo, a opinião da
Margarida Fontes é só isso mesmo, com xenofobia ou não, a minha opinião é a minha, a do João Branco é a do João Branco e pronto. Achamo-nos sempre no direito de não só a contestar (acho bem) como dar-lhe nossa própria interpretação (já não me parece tão bem). Eu achei que a MF tentou esclarecer o sentido original do seu post mas ninguem mais ouve. Já só interessa nossa própria opinião.
João, Pedro, Margarida, estou feliz que vocês tenham escolhido CV para morar e trabalhar porque enriquecem um bocado meu meio. Trouxeram o que de melhor tinham convosco (e se calhar, o que de pior têm, mas who cares? não somos assim todos nós?). Um abraço

Anónimo disse...

Caro Xaquitim,
o Senhor passou ao lado da questão.
Boa tarde.

O Político anónimo.

Pedro Moita disse...

Meu caro "politico anónimo" esperamos não o incomodar com a nossa vivência em C.V., seja ela profissional ou pessoal.

A ACI instalou-se em Cabo Verde com diversas finalidades no campo audiovisual. Começou por cobrir campanhas politicas, passou a produzir programas de televisão de grande visibilidade, dos quais o mais famoso é o Nha Terra Nha Cretcheu, e fazemos também campanhas publicitárias e institucionais de grande enfoque.

Teremos concerteza a solução para promover eficazmente a instituição/partido/empresa que lhe paga o ordenado.

Afinal não é essa a finalidade de todos nós: O sucesso e a realização pessoal, seja aqui, seja na China?

Anónimo disse...

Caro Pedro Moita,
o Senhor passou por cima da questão.
Boa noite.

o Político anónimo.

Xaquitim disse...

Pois claro que passei ao largo da questão (politica), sr politico...Oh Pedro, não dês trela. Nós os Caboverdianos temos que parar com essa mania de politizar tudo e sempre a nosso proveito. Ainda precisamos amadurecer e aprender a criticar os profissionais (assumidamente) e não as pessoas, principalmente as que não conhecemos bem. Ás vezes parece que alguns dos nossos politicos pensam que não existe inteligência para além das Assembleias e que todos os ouvintes/votantes são pessoas que não têm capacidade de ler nas entrelinhas. Basta ouvir a nossa AN para se perceber que alguns julgam-se mandatados para dizer de tudo, sem verem que o que proferem mais rapidamente lhes qualifica que qualquer curriculum. Ó João, desculpe-me o desabafo na tua casa. Venho sempre aqui para ler opiniões alheias e obter subsidios para formar minha própria. Com algumas concordo e com outras até discordo mas respeito porque acho que estarás sempre no teu direito. Assim como "Os momentos" estava, concordando ou não. Achei descabido alguém aproveitar esta discussão para lançar esta advertência e depois dizer que não pode identificar-se. Se calhar Precisava era de aprender a ser responsavel pelas "opiniões" que emite. Em suma: aprender a ser um Politico a sério, com hombridade e coragem. Fico-me por aqui que este assunto já deu o que tinha a dar. Saudações...e desculpas mais uma vez ao anfitrião.

João Branco disse...

Só para avisar que estou assistindo a esta conversa, que mantém um grau de civilidade digno de registo. Estão perfeitamente à vontade. Só enriquecem o Café Margoso.

Entretanto, depois de um tiro ao lado e outro por debaixo da questão central (segundo o politico anónimo), só me resta esperar que alguém acerte "na mouche".