Perguntas Cafeanas

22 Comments



Ter sabido qual é o real significado da expressão "dar um café" aqui no Mindelo deve fazer-me sentir obrigado a mudar o nome e a estrutura deste blogue ou posso ficar descansado que ninguém vai aproveitar esta coincidência para atentar contra o meu bom nome?


Nota: por aqui ficarei também a saber se era só eu que não fazia a mínima ideia que dar um café é o mesmo que... bem, se não sabem, digam lá, para eu não ficar na vergonha, está bem?


À melhor resposta, ofereço um café (bem, depende!)




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22 comentários:

Anónimo disse...

Whaty???? Please explain. Gato Esteves

argumentonio disse...

e uma italiana, também entra nesta história?

bom café e bom dia!

Kuskas disse...

AAHAHAHAHAHAHAH
João, não acredito que não sabias o que é "dá-me um café moss".
Não conheces a musica "café agora ê 500 escudos"?

Como dizem no Mindelo: "bô titá durmi ptinzim moss"

Respondendo a tua questão, o teu café deve ficar como está. A maioria dos teus clientes (tal cmo tu) não sabem o que quer dizer "dar um café" em Mindelo. Por isso esteja descansado...
Abraço

Virgílio Brandão disse...

João, essa é imperdoável!

Dal um café ê mesma-cosa q´tmá o fazé um czinha.

E nunca ouviste a história do «três café», pasado aí n´Pelurim d´verdura?

Pergunta por aí... a Zau, o Cuxim e quis más entigue d´soncent, poderão contar-te bem esta história deliciosa.

Ah, não te preocupes com o sentido «dal um café»... mas, como dizia o Agildo Ribeiro, «perguntá ná ofendji»

Sabes, ja tinha notado que, às vezes, ficas «a nadar» nalgumas expressões mindelenses... Como aquela do «ôi vive n´melon», não é «olho vivo no melão» mas sim no «melon», um peixe muito conhecido aí na terra. Expressão de varina mindelense que tem o picante que já sabes.

E olha, quem não sabia dessa parte do café fica com mais um motivo de interesse para pensarem café... Ah, mas «dal um café» tem um contesto social próprio e que já foi aflorado aqui no margoso, quando se falou de «tios» e protegidas.

Dia bom

João Branco disse...

Hum... o Virgílio é que tem razão. Tenho que ir pedir ali ao Neu Lopes um curso prático de calão mindelense a partir das letras do Manuel d' Novas.

Alguém aqui, com essa licenciatura, pode explicar aos leigos, como eu era (já não sou!) e o Gato Esteves o que significa isso? Só para o caso do pessoal ser aqui de compreensão lenta, porque pelas respostas dadas, já se entende muito da coisa. Ou não? :)

Argumentonio, se for uma daquelas italianas clássicas, porque não? hehehe

Virgílio Brandão disse...

João,
Em português plano: uma queca!

Mas «dá-me um café» tem uma dimensão de troca de favores, de haver uma contrapartida (a expressão apareceu num contexto de grandes dificuldades financeiras) para se por café na mesa. Isso numa altura que ter café ou chá com umas bolachas ou pão todos os dias era uma feito para muitas famílias (nomeadamente mães solteiras).

É uma antiga prática social mindelense (como a poligamia envergonhada) que nada tem a ver com a prostituição, mas de "amizade colorida", dir-se-ia hoje. Ou de "solidariedade mútua", se assim desejares. Um efeito colateral da miséria, da necessidade.

É uma expressão efemística que se confunde com a história do Mindelo de outrora. Depende de como se fal do café... uma coisa é «pagâme um café» e outra, dita com voz de cama ou outro trejeito, «dâme um café». Percebido?

Hoje será usada com um outro "sabor" contextual, mas é isso mesmo que quer dizer: uma queca, um czinha, um trancada, um pirafo, um rebencada, etc, etc...

Esta gráfico o suficiente, João?

Ah, investiga essa estória de 3 café... Um mocim d´soncent que, em pleno Pelurim d´Verdura, na Rua de Lisboa, tirou os Três à uma donzela enquanto compravam café num botchada à antiga. Ficou o nominha ou cognome de «3 café». Ah, Ah...

E era, ainda, no tempo da Inspecção (verificador ginecológico da virgindade das moças da terra - o hímen, então, tinha valor). Imagina só...

Olha, não sei se o 3 café já morreu ou não... Se estiver vivo e por aí, quem sabe não te conte a estória na primeira pessoa.

Um vez soncent era sâbe... sim, para alguns, para alguns...

Dia bom

João Branco disse...

Caro Virgilio, pronto! Excelente desenho do café d'un vez. Agora, quem não sabia, fica a saber. Eu já sabia - daí a pergunta - mas não com tantos pormenores sociológicos...

Ah, Virgilio, só um reparo. A expressão não saiu de moda, não. Sinais da crise? :)

Sisi disse...

Eu tb ando a "durmir ptinzim" pk esta é novidade para mim...essa é boa e bem melhor do que algumas expressões que se ouve por aí. Qto a tua pergunta, acho que agora que se sabe do que se trata, perdia a graça se o mudasses.

João Branco disse...

:) Sisi! Por vezes não me leves tão a sério. A parte final da pergunta foi para lhe dar uma outra graça. Nunca mudaria o nome deste estabelecimento, muito menos por uma questão de calão. Abraço!

Teatrakacia disse...

Convém acrescentar, já que se fala nisso, que na mesma altura nasceu a outra expressão que o nosso trovador Manel d'Novas eternizou numa das suas composições: 'Bife de canéca'. Nesse quadro de muita 'priclitância', de crise (não financeira mas alimentar), onde um cházinho ou uma canéca de café com umas bolachas conseguiram o estatuto de refeição...
Coisas da realidade longínqua da terra...que precisam ser lembradas!

Dundu disse...

"É uma antiga prática social mindelense (como a poligamia envergonhada) que nada tem a ver com a prostituição, mas de "amizade colorida", dir-se-ia hoje"

Acho que o Virgílio romantizou um pouco a expressão. Amizade colorida é ter um(a) amigo(a) com quem se curte de vez em quando, sem compromissos de namoro. Isto como ele bem disse "tem uma dimensão de troca de favores".
No fundo trata-se do que hoje na Praia se chama de "soku na rostu". Sei que esta expressão parece mais violenta mas o sentido é o mesmo. Talvez, pelo maior poder económico que se tem hoje, tem-se dado muito alem do café (roupas caras, férias no exterior, carro e até curso superior) de outrora.
Mas, sinceramente, confesso não saber como surgiu essa expressão do "soku".

João Branco disse...

O Virgilio é especialista, nestas questões, em romantizar a realidade. Mas claro, quase sempre do ponto de vista do macho crioulo.

MYA disse...

Mas tu nao dás. TU OFERECES UM CAFÉ!

Bem pior ehehehe
Bj

João Branco disse...

Estava neste preciso momento a pensar por onde andarías. E eis que apareces e me fazes soltar uma sonora gargalhada! Quando houver ocasião, ofereço-te um café, mas num lugar público e com muita gente! hahaha

Neu Lopes disse...

Da linguagem moderna, utilizando termos como "flow", "maruscação na arena de nha baby" ou outras gírias, pouco entendo. Se calhar estou a ficar velho. Das últimas que tenho ouvido consta "tssapá". Incrível como a língua cabo-verdiana está em constante mutação. Diria que a nossa língua, particularmente a que se fala no Mindelo, conta sempre com mudanças derivadas às influências e afluências próprias de cidade cosmopolita e portuária. Mas confesso que tenho investigado um pouco mais sobre a gíria de outrora. Há palavras utilizadas por "gente antigue" que não se perderam. Das muitas que foram esquecidas, algumas se recuperam. E esse é um papel importante que a literatura, a linguística e também o nosso teatro podem ter sempre. Lembro-me bem de, depois de termos levado ao palco "Biografia dum Criôl", muita gente a comprimentar com a expressão "O quê que ti ta tchufcthi". A palavra "rambóia" também passou a ser mais utilizada no seu real significado. Mas muitos quando dizem "mi n'é de bsôt rambóia" utilizam bem a expressão, noutro contexto, sim, mas sem saberem o que dizem. Na realidade há muita coisa sobre o "crioulo de Cabo Verde" que devíamos aprender. Convém ler e ouvir músicas de Manuel d'Novas, Goy, Frank Cavaquim, Quês Môce e muito mais. Mas é interessante sabermos sempre as novidades que por aí surgem. Não estou tão surpreso como tu, João, mas já fiquei muitas e muitas vezes por não frequentar certos meios, o que me dificulta a aprender muita coisa. E olha que o teatro acusa isso sempre.
Abraço!

Tchá, Tens razão. "Bife de caneca" é utilizado na coladeira "Jám' psú Nhô N'denga (Scapinha)". E há muitas mais expressões interessantes nas músicas dele e doutros autores que, por vezes, são esquecidos por muita gente.

João Branco disse...

Neu, bem podes escrever a tua tese sobre este assunto!

Neu Lopes disse...

Quem sabe, João...
Haja vida´, saúde e coragem para chegar ao fim. Não está fácil conciliar a vida profissional com a de estudante.
Dependendo de minhas forças, empenho e teimosia... bem, já me conheces.

João Branco disse...

Isso para ti, é canja de galinha... hehehe

MYA disse...

Num lugar público e com muita gente??
Tas parvo pa?? Isto é assim??
Eu sou liberal, nao sou libertina. Achas QUE ACEITO CAFÉS ASSIM ??

O desaparecimento deve-se a um novo job na redacção de um jornal.
Falta tempo agora... Bj cafeano

João Branco disse...

No local público, e um café simples. Não sou de grandes luxos, no que diz respeito a cafeínas...

E dá-te por satisfeita! :)

Virgílio Brandão disse...

Dundu, se calhar és capaz de ter razão... romantic is my middle name. Mas acho violenta essa expressão, sim...

Olha, essa de soku na rostu deverá ser uma criolização da especialidade angolana do «quebra braço». Agora, fiquei curioso em saber como as outras especialistas africanas, além da angolanas (as guineenses), chamam esta situação a que te referes.

Eduardo, o tempo de 'Bife de canéca' não está assim tão longe como pensas. Acho que é mesmo os tempos de crise, além da pobreza endémica do nosso país, que sustenta essas situações.

Neu, «tssapá» lembráme de «ractâ febinha», «tchlufi n´culchon»... E mi n´ê bedje, nem gent entigue, nada disso!

João, olha a tua resposta à Sissy... é que o 3 café... He, he...

Ah, Sissy.., informa-te sobre o 3 café. Não há publico que trave a natureza, creia-me!

Dia bom,
Virgílio «O Romântico» Brandão

MYA disse...

Pronto, ta bem, seja !