Declaração Margosa

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Lembram-se da cena do filme «O Carteiro de Pablo Neruda», em que o poeta explica ao carteiro do que era feita a poesia? «Metáforas», disse ele. É disso que é feita a poesia, de metáforas.

Por isso sempre me incomodou que se faça uso da metáfora, uma ferramenta da arte poética, para ataques, insinuações escorregadias, segundos sentidos, sempre com aquele famoso argumento, «e agora quem quiser, que enfie a carapuça.»

Bem, por favor, que esta pequena declaração não seja encarada como um ataque, insinuação escorregadia ou um segundo sentido para que alguém enfie a carapuça. Não é. Vejam isto apenas como um pedido. Dirigido todos, incluindo eu próprio, que tenho também a tentação de por vezes procurar o caminho mais sinuoso, quando a porta do diálogo está mesmo ali, à frente do meu nariz.

Penso, como profundo amante da poesia, que o mundo seria muito melhor, se quem tivesse algo a dizer, o fizesse de forma clara e directa, e deixasse a metáfora lá onde ela é tão essencial: no mundo que alimenta a alma, nesse planeta maior, chamado poesia. A não ser que seja uma declaração de amor, e aí, todas as metáforas se justificam à nascença...




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4 comentários:

Catarina Cardoso disse...

Esta não percebi.......
Dá para dares uma pista?

João Branco disse...

Catarina, é o que lá está, nem mais nem menos. Quem tiver algo para dizer a alguém que o diga. Simples!

Anónimo disse...

pô JB!! o que é que farà um jornal da hiena sem as metaforas??? espero que este teu "Manifesto Contra à utilização da Metafora" não altere à linha editorial... mas compreendo, "metaforas à mais, mata a metafora", la teràs as tuas razões...eh eh fca cool

Hiena(Braço Armado Para Libertação da Metafora,AKA BAPLM)

João Branco disse...

Hahaha oh Hiena, o que tu fazes é pura poesia! A metáfora, está neste teu caso, perfeitamente justificada! Luz verde do Guru, portanto... :)