Declaração Cafeana

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Eis a sequência de alguns factos:

1. Um país africano encontra-se hoje dominado pelo circuito internacional do narcotráfico;
2. Realizam-se, nesse país, eleições legislativas, consideradas pelos observadores internacionais, livres, justas e transparentes;
3. O histórico PAIGC ganha as eleições com larga maioria;
4. O futuro Primeiro-Ministro auto intitula-se o "Buraco Obama" do seu país;
5. Militares atacam violentamente a residência do Presidente da República;
6. Tentativa frustrada de golpe de estado;
7. A imprensa anuncia a instalação de uma "paz podre".


Tudo isto aconteceu nas últimas semanas num país chamado Guiné-Bissau. Sim, esse mesmo, que Amilcar Cabral sonhou, defendeu e projectou ser uno e indivisível com Cabo Verde. E enquanto isso, o bom povo da Guiné Bissau sofre, pena, chora e desespera. Mesmo sabendo que não devemos justificar os nossos males com o mal alheio, há alturas - como esta - em que tenho um imenso orgulho do meu país, Cabo Verde.




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7 comentários:

septuagenário disse...

Será que não havia razão suficiente para durante 10 anos (1963-1974) os guineenses terem lutado contra essa promessa de independência? Falsa independência?

Porque Amilcar nunca deu um único tiro em Caboverde?

Será que contar a história ao povo sofredor africano, dizendo-lhe que tem que caminhar com os próprios sapatos não será desumano?

João Branco disse...

Sinceramente, não sei responder a essa pergunta...

Teatrakacia disse...

Há realidades africanas que só podem ter 'soluções africanas'... o que equivale a dizer que as soluções têm que ter olhos para realidades próprias, tendo em conta olhares/sentires reais da terra... sem imposições externas... calcorreados pelas solas indígenas em terrenos internos...

Anónimo disse...

Concordo pouco com este tipo de comparações, sobretudo porque pecam por ser superficiais...a miséria dos outros não nos pode nunca fazer ficar contentes com a nossa (aparente) sorte! E cuidado, não me parece que este país esteja assim ao ponto de estares a fazer uma Ode! As vezes parece-me que exageras nessa tua vontade de expressar o teu amor por CV. Não digo que não ames; não digo que não o proclames, mas tudo o que é demais soa a falso...desculpa, se te estou a julgar de forma errada.
Ana

João Branco disse...

Ana, entendo-te e pensei nisto quando escrevi este pequeno texto. Mas é a tal história das duas faces da moeda. Por vezes, vemos cada aberração nos países irmãos, que nos dá logo aquela inspiração para um hino de amor à nossa nação. Agora, nesse amor incondicional por Cabo Verde, pode haver de tudo, exageros, absurdos, incoerências, paixões, arrebatamentos. Mas falsidade, não há certamente. Mas se te soa, a culpa será minha.

Anónimo disse...

Quando te explicas deixa logo de soar...desculpa qualquer coisinha!
Ana

João Branco disse...

Abraço!