Perguntas Cafeanas

22 Comments



É imaginável assistir à eleição em França de um presidente descendente de argelinos, na Alemanha de um chanceler de ascendência turca, na Holanda ou em Portugal de 1º ministros oriundos das Guianas ou de Cabo Verde?


À melhor resposta, ofereço um café


Pergunta Cafeana plagiada daqui





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22 comentários:

Anónimo disse...

...se nos estados unidos foi possivel , e se ha dois anos ninguém pensaria que tal "façanha" fosse realizavel, porque não?todos sabemos o que é ser negro nos estados unidos(e não penso que isso mudara da noite para o dia)...sim pode ser possivel, apesar de tudo(racismo e afins), depende dos interesses, do carisma ,do momento,enfin têm que ter certos requisitos...

Hiena(OBtimist oops optimista)

Kuskas disse...

AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

João: Only in your dreams

Anónimo disse...

aqui em cv podemos ter um ministro, de ascendência portuguesa, se ele se resolver dar luta para tal..

septuagenário disse...

Atenção que no caso de Portugal, há muita gente que tradicionalmente até se julga indubitavelmente BRANCO, mas se virmos com atenção ao espelho, de branco apenas tem os dentes, porque o resto é de uma mestiçagem indesmentível à primeira vista.

João Branco disse...

Hiena, acooooooooorda! hehe

Kuskas, ya! :)

Anónimo, tira-me desse filme que não tenho ambições políticas! :)

Septuagenário, o melhor exemplo, talvez seja o socialista António Costa, actual Presidente da Câmara de Lisboa. Ele é tudo menos branco!

Redy Wilson Lima disse...

Não me parece, mas também achava a cerca de 8 meses que os EUA nunca iriam eleger Obama. Contudo, a realidade americana é muito diferente da europeia. Na Europa não existe Bush e companhia nem a conjuntura sócio-económica actual dos EUA é igual à europeia.

João Branco disse...

Redy, há um conceito sociológico fundamental para se entender o que está a acontecer nos EUA e que explica um pouco a eleição de Obama. Os EUA são o país do Melting pot, termo que nos diz que se podem combinar as diferenças étnicas para criar novos padrões de comportamento que se apoiam em diversas fontes culturais. Quando vemos que Obama ganha um país em que apenas 12% dos cidadãos tem a sua cor de pele, ganhando em Estados como o Ohio, onde há apenas 1% de população negra, vemos que tudo isto tem raizes muito mais profundas que a questão racial.

A velha Europa está longe desta possibilidade. Os EUA foram forjados, construidos e moldados com a mistura. A Europa, não.

Sisi disse...

Com a vitória de Obama, pode até virar moda, mas com certeza não vai pegar.

Redy Wilson Lima disse...

Faz mais ou menos um ano que discutia sobre isso em Lisboa com um primo. É verdade, os EUA são uma mescla e a Europa não. Apesar da guerra da sucessão, da segregação racial e de um sistema social racial ao contrário do sistema classista europeia, os EUA aprenderam a ultrapassar o passado e a prova é a eleição do Obama (embora a conjuntura actual ajudou e de que forma). Os negros americanos são considerados americanos (apesar de pensar que o termo afro diz inconscientemente que não são tão americanos como os outros - e o mesmo digo dos indígenas - nunca percebi porquê não tb euro-americano) enquanto que na Europa não é bem assim. Inventou-se uma palavra absurda que é imigrantes da segunda ou terceira geração, sabendo que sociologicamente isso é insustentável porque os descendentes dos imigrantes não tem um percurso imigrante como os pais e são socializados tal e qual como os europeus (frequentam as mesmas escolas, os mesmos sítios, etc.).
O facto de não os considerar 100% europeus, a imagem negativa e o estigma que carregam torna-se muito mais difícil vermos um PR ou PM não branco na Europa (pelo menos por agora). Mas, atenção que Sarkozy é filho de imigrante (imigrante europeu é claro).

João Branco disse...

Na américa diz-se afro-americano mas nem mesmo eles sabem que afro quer dizer Africa. Mas todas as etnias nos EUA tem esta tendência para a identificação. Vemos isso claramente, na forma como estão organizadas certas grandes cidades americanas, com os bairros «italianos», «hispânicos», «afro-americanos», «chinês», etc.

Concordo com o absurdo dessas expressões europeias de imigrantes de segunda e terceira geração. Não faz qualquer sentido. É como dizer que as minhas duas filhas são imigrantes de segunda geração. Um absurdo.

A França é um caso interessante. Lembras-te da selecção de futebol que ganhou o campeonato do mundo? 2/3 dos jogadores tinham origens africanas... Mas mesmo assim, ainda hoje, nos bairros de Paris, assistem-se a motins e tensões socias enormes, devido a questões raciais.

O mundo é complicado...

septuagenário disse...

O mundo é tão complicado, que se discute o absurdo, e o lógico ninguem o debate.

Eu próprio, nunca me lembro que teria de ser um apache, que era o indio queu achava mais simpático nos livros de cóbóis, o genuino presidente dos EUA.

João Dias disse...

Se me permitem a opinião:

É imaginável, quando houver mais mistura (quantas uniões interrácicas existem na Europa?) e acabar a auto-guetização e guetização forçada, quadros com preparação e em nº suficiente, e se a conjuntura política ajudar o partido do candidato - a sra Condoleeza ou Colin Powel não ganhariam em 2008 contra Clinton, logo ser "preto" não chegaria.

Tal como as mulheres fizeram, os imgrantes e seus descendentes têm de chegar à Universidade, às empresas,e não terem também discursos racistas para reivindicarem direitos, o que transforma uma questão de direitos em disputa de supremacia. Igualmente devem apontar o dedo aos "seus" que são marginais (ex: França) e desta forma mostrarem que (como em tudo) não é andorinha que faz a Primavera.

Os nossos avós também não acreditariam se vissem mulheres a governar Inglaterra, Alemanha, empresas, câmaras municipais.

Na europa, por outro lado, há imigrantes cujo estilo de vida é anti-integração (islâmicos radicais), o que não aconteceu com a esmagadora maioria dos negros americanos.

Por mim vou ficando satisfeito que ganhem os "bons", sejam de que cor forem.

No caso de Obama quem ganhou não foi só um negro, ganhou um filho de um africano, com uma branca, com padrastro asiático que viveu e percorreu vários locais, e essa foi uma fórmula mágica de alguém que teve "crises de identidade racial", mas que além de ser culto e preparado percebe a fórmula do melting pot, sem rancores ou ideias de supremacias raciais.

Sarkozy é descendente de imigrantes de de judeus, o que há uns anos não seria imaginável.

João Branco disse...

Excelente comentário João Dias. Obrigado pela sua contribuição e volte sempre aqui ao Margoso!

lumadian disse...

Eu continuo a achar que se fala demasiado em cor e em raça. Para mim racismo é isso, é procurar diferenças onde é desnecessário.
Parece-me pelo menos para mim, que Obama venceu, porque demonstra ter personalidade, inteligência e muita vontade em fazer algo de concreto.
É um homem com ideias, com garra e com inteligência.
Que me importa se é afro, chinês, moicano, àrabe ou alentejano...
Até porque nos E.Y.A. muitos dos idolos são pessoas de cor, no Basquetebol, na música, no cinema, na televisão...
Cá temos o Eusébio, o pantera negra.

Anónimo disse...

Por que não ia ser possivel? Estamos num mundo livre e para além do mais, Hitler tinha ascendência judaica, porque não podemos ter então um presidente negro ou um primeiro ministro Cabo verdiano?.

VL

João Branco disse...

É preciso discutir e analisar estas coisas de forma aberta. No caso dos EUA, para se saber da importância que tem o facto de Obama ter descendentes africanos, basta dizer que há pouco mais de 40 anos atrás, os negros nem sequer podiam votar...

Anónimo disse...

As perguntas não são absurdas. As respostas é que fazem as perguntas absurdas.

João Branco disse...

Tem lógica, sim senhor. Mas mesmo assim há perguntas absurdas... O que não é, manifestamente, o caso da presente questão. Penso eu de que.

MYA disse...

Sabes a origem do Freitas do Amaral ??
Vai ver! E revê a tua pergunta. Bj

João Branco disse...

Mya, como eu não sei, aposto que mo vais dizer. E como eu não me sinto com capacidade para rever esta pergunta, seria bom que pudesses tu dar-me a sugestão. Sempre se contribui para a continuação desta interessante e pertinente (do meu ponto de vista) discussão margosa. Abraço!

Anónimo disse...

João, na Holanda ja temos 2 ministros que nasceram em Marrocos e Turquia, para além de Surinãos, Antilhanos, Gregos, uma Iraquiana,um Chines como secretarios do Estado.

O proximo Burgo-mestre de Rotterdam, a segunda cidade da Holanda e capital industrial deste país vai ser um marroquino. Nomeado pela rainha pois os burgo-mestres não são escolhidos mas sim nomeados. Nasceu em Marrocos e que emigrou qundo tinha 16 anos. É já apartir do 1 de Janeiro que ele será emposado. Algo que em 1975 quando cheguei aqui não era possivel e ninguem de origem estrangeira sonhava ter postos publicos.

O presidente do sub-municipio do Delfshaven de Rotterdam com cerca de 80 mil habitantes é o cabo-verdiano José Carlos Gonçalves nascido em S.Vicente. Isso há ja cerca de 3 anos.

Portanto aqui há já muito tempo que as coisas deram voltas.

cumprimentos e bom café. O meu com muito açucar

Guy Ramos

João Branco disse...

Guy, são de facto excelentes avanços a esse nível e um exemplo para a Europa... Abraço!