Declaração Cafeana

17 Comments


Podemos dar as voltas que dermos, mas o mundo acaba sempre por nos surpreender de alguma forma. Há alguns meses atrás perguntei aqui se a beleza seria mesmo fundamental. Entretanto, nos Jogos Olímpicos de Pequim, uma bela criança chinesa sem muito jeito para cantar fez o playback na cerimónia de abertura de uma outra criança chinesa menos "perfeita" esteticamente, mas com uma voz do outro mundo. A marosca foi descoberta e a organização corou de vergonha.

Nesta semana que passou, no programa Britains Got Talent 2009, um reality show para encontrar talentos na música, Susan Boyle, uma escocesa, senhora de 47 anos, com poucos ou nenhuns atributos físicos, que nunca namorou, nunca foi beijada e vive sozinha com um gato, surpreendeu tudo e todos quando começou a cantar. O júri, que neste tipo de programas tem que ser implacável, arrogante e sádico, ficou envergonhado pela risota que antecedeu a actuação e levou uma lição. Eles e o público. Mas não foram só eles. Fomos todos nós.

Quando Vinícios de Moraes disse: “Desculpem-me as feias, mas a beleza é fundamental”, estava certo? Certíssimo. Susan Boyle é uma mulher linda, espantosa, única. Porque trás com ela um ensinamento que nos dias de hoje é crucial para a própria sobrevivência do pouco humanismo que ainda nos resta: não julguemos as pessoas pela sua aparência, pode ser que o interior nos possa vir a surpreender.

Vejam (e revejam) o vídeo, numa versão com legendas em português, aqui. Eu, escusado será dizer, chorei que nem um perdido.





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17 comentários:

Anónimo disse...

Encontrar talento em qualquer area, nao apenas sobre a musica.

Anónimo disse...

Caro João, também já tinha visto este video.

Se fizermos uma aproximação, podiamos também perguntar quantas vozes, instrumentistas, actores e outros podemos nós estar a "limitar".

Faltam palcos (além de outras coisas) para serem oportunidades para pessoas se revelaram.
Acho...!

Djinho

Mic Dax (francês) disse...

Mmmm mmmm.

Ca tem casting, antes daqel programa? Qualquer pessoa podê sbi no palco, ca foi ouvid primeiro, qel juri ca sabia nada de nada, ninguêm dzêl nada, publico ca foi avisod, bla bla bla...

Comunicaçon, buzz, relança sperança d'publico, qualquer um podê sinha, spia programa smana qé bêm, bla bla bla.

Amílcar Tavares disse...

O Brian Smith diz já beijou! :)

Anónimo disse...

O TALENTO DOS OUTROS

1- Em tempos não muito distantes, vi um filme que foi uma grande lição, à parte ser também um grande filme. Ninguém está condenado a ser o que quer que seja. Ninguém nasce estúpido, ou génio. Ninguém nasce intelectual, e o gosto (bom ou mau, pouco importa) forma-se, educa-se, constrói-se. Ou a lição era outra, a de que o amor é capaz de todas as conversões? Ou então, que ele há um dia, e uma hora, para tudo nas nossas vidas? Talvez o parágrafo seguinte o confirme.
2- Já tinha visto no ano passado, também no YouTube, uma reportagem sobre um anónimo cantor que venceu, 'out of the blue', um conhecido concurso, onde cada um vai mostrar o seu talento, cantando. O Homemzinho, de que todos se riram à entrada, desdenhado por júri e público, abriu as goelas e revelou-se um tenor de primeira água. A sala inteira, júri e público, boquiaberta, ficou rendida. Um homem sem qualidades fez-lhes engolir o desdém (Qualquer de nós, provavelmente, teria feito a mesmíssima figura. E engolido a seco, claro!). Este ano a cena repete-se. Uma mulher sem qualidades, mas dotada de um dom natural, a sua voz, 47 anos, voltou a pulverizar a chacota, o cinismo, os preconceitos, as ideias feitas, os juízos precipitados, e fez, mais uma vez, que um júri e uma plateia de gozadores, se rendessem ao seu insuspeitado talento natural. Gente, what a voice! E garanto-vos, que não é só voz. É a alma, a força, a segurança, a maturidade da interpretação. Ouvi-la cantar é perceber como a vida pode ser, por vezes, cruel. Ocultando, escondendo, anulando, talentos como o desta lady suburbana. A puta da vidinha por vezes é um maldito poço sem fundo, onde muitos genuínos talentos se escondem, e se perdem, por falta de oportunidades, por timidez, ou por simples crueldade de uma sociedade onde ‘a imagem é tudo’ e onde, por vezes, se valoriza mais o celofane e os laçarotes do que o conteúdo. Não me espanta que um dia alguém tenha dito a esta senhora que a FIGURA dela, a IMAGEM dela, não a ajudariam a construir uma carreira. Uma carreira fracassada, ou arruinada, no altar dos preconceitos, onde se imola a qualidade e com ela a simplicidade, e a timidez, e onde se premeia o foguetório, os insinuantes, os sem vergonha, os que gostam de se por em pontas, os exibicionistas, os sacanas, o trafulhas, os hipócritas, os egolatras, enfim, podia continuar por aí fora.
3- Um homem esquecido na margem dos dias, dito marginal (viva a marginalidade), dito rebelde (viva a rebeldia) um nome que muito poucos conhecem (eu não conhecia), e, afinal, eis mais uma pérola, perdão, mais um diamante, escondido. Eis uma grande lição de vida, feita de humildade, lucidez, inteligência, honestidade. Um homem que é um poço de saber e simplicidade, despido de todas as peneiras e vaidades, despido de todo o exibicionismo porno de hoje, de toda a egolatria balofa e bufa que entre nós impera. Eis-me deliciado a ver uma entrevista que devia ser obrigatório passar em todas as escolas do país; que devia ser obrigatoriamente mostrado a todos os nossos artistas (aos que já são humildes também, porque não lhes fará mal por certo, e há sempre coisas a aprender com este personagem apaixonante); que devia servir de Introdução a qualquer curso (de Música, ou outro). Um grande homem, mas acima de tudo uma grande alma.
1) O filme: “O Gosto dos Outros”. Vejam! A não perder, neste tempo de aparências em que vale mais ter e parecer, do que SER. (Num Clube de Vídeo perto de si)
2) A voz: Susan Boyle. Ouçam-na. E depois diga-me se a beleza deveria interferir com o mérito e as escolhas de cada um. Que desperdício de talento. (Em vários Blogues, mas no YouTube - Susan Boyle - Singer - Britains Got Talent 2009)
3) O Homem: Tom Zé. Apaixonante. Lindo. Delicioso. Mais do que um grande homem, mais do que uma lição de vida, um mundo a descobrir. (No Blogue do Djinho “Son di Santiago”, link enviado pelo Mito)
Falo-vos, caros amigos, do TALENTO DOS OUTROS. Quantas vezes não convivemos lado a lado com esta gente, e os ignoramos, e os gozamos, e os desprezamos? E quantas vezes o nosso desprezo, o nosso cinismo, a nossa inveja (sim inveja!) não é o cemitério de muito talento alheio? No fundo, o único verdadeiro talento que importa relevar nesta nossa humilde condição de mortais, é sermos capazes de ser pessoas de corpo inteiro (por dentro e por fora, mais por dentro do que por fora), e, se possível, decentes.
Alex

LIGEIRINHO disse...

Amigo João, apenas uma correção, o nome correto é Vinícius, e não como constou...Para ser exato :-Marcus Vinicius da Cruz de Melo Moraes.
PS a britânica é brilhante, como os cabo-verdianos também os são!
Abraço amigos de C.Verde
Vinícus do Brasil

Salim disse...

Incrível...

Para mim, uma das coisas mais belas (no ser humano) é a nossa capacidade de rendermo-nos perante aquilo que é maior do que nós.

Não posso ter a certeza, mas acho que nenhum ser humano, por mais invejoso e cínico que seja, consegue escapar a isso.

Acho que é essa a experiência universal que temos ao vermos esse vídeo. De certa forma, lembra-nos daquilo que todos podemos ser (grandes) e aquilo que, no fundo, todos somos (insignificantes).

Já agora, o comentário do Alex (que parece estar inspirado) é excelente. Vou, absolutamente, seguir as suas sugestões.

Deixo, também, este link (em inglês), pois lembrei-me dele:

Pale Blue Dot1 love

pedro disse...

Penso que os risos eram mais pelo aspecto desmazelado, e o ar divertido e descontraído dela. Grande voz.

Anónimo disse...

Choraste com a Susan Boyle? Entao prepara mais um lencinhos para esta menina de 6 anos que também participou no Britains Got Talent. http://www.youtube.com/watch?v=QWNoiVrJDsE

Felina disse...

Gostei do discurso do Alex, ele ja disse tudo o que havia a dizer sobre o assunto, eu vi esse programa na televisão a semana passada com as minhas filhas e elas perceberam a mensagem e falamos sobre o assunto, sempre lhes ensinei que não se deve avaliar as pessoas pela aparencia, no entanto também gostei de uma das juris ter tido a humildade apesar de tudo de ter pedido desculpas em publico

João Branco disse...

Anónimo I, obrigado pela correcção.

Djinho, é isso aí, faltam palcos... A quem de direito.

Mic Dax, bo ta pensa realment ke foi tud ensenadu? Ka ta parcem... Ma mim é facilmente enganadu!

Amilcar, sempre bem informado. :))

Alex, não se encontra esse filme aqui. Não dá para enviar aqui ao rapaz? Eu sei, sou "cara podre", ma li sim ka tem fnac!

Ligeirinho, obrigado, vou corrigir. O seu a seu dono.

Salim, thanks! Vou ver com atenção.

Pedro, olha que não...

Anónimo, ai, ai, até tenho medo de clicar nesse endereço! :)))

Felina, a princesa Barbie estava estupefacta. Como todos nós, aliás. Mas mais interessante foi a reacção do implacável Simon!

Anónimo disse...

Bali, un Cafe Margoso pa ken ki kre sta IN" . Un Blogi ki bali pena tene na "favoritos". Obrigadu, João Branco y sigidoris ki ten kumentarius y akresentus suma eshttp://www.youtube.com/watch?v=QWNoiVrJDsE... Fenomenal!. Et

Tiago disse...

Que espectáculo! Ainda estou arrepiado... e de olhos molhados. Não tinha visto ainda, João, mas não será que mais do que desmentir o que eu tinha dito, esta senhora, e as nossas próprias reacções, não fazem mais do que nos dizer que infelizmente não julgar um livro pela capa é a excepção, como tão bem o Alex escreveu? Também vi, e adorei, «O Gosto dos Outros», simplesmente por nos deixar a pensar que, e o título diz tudo, há um gosto dos outros, diferente do nosso, mas em tudo tão válido e justificado como o nosso. E tive a sorte de assitir a um concerto do Tom Zé, em Lisboa, que me fascinou completamente, embora não conheça bem a sua obra.

zito azevedo disse...

Onde se prova, uma vez mais, que não se deve calcular o valor do presente pela qualidade da embalagem...
Zito Azevedo

Kuskas disse...

Oh João
Realmente ela é a voz. Já conhecia a musica devido à peça dos Les miserables, mas nunca pensei que alguem pudesse a cantar com tanta paixão.
Fiquei arrepiada.

Realmente temos que resgatar valores e principios de outros tempos, para pararmos de julgar "o livro somente pela capa".

Abraços

Sisi disse...

A Susan Boyle é uma dádiva dos céus...é pena que hoje em dia, a aparência tenha tanta importância, pois de certeza já se perderam muitos talentos como o dela por este motivo.

ps: aproveito para deixar aqui um convite para mais um espaçinho da blogesfera caboverdeana
http://amdjer-cv.blogspot.com/

João Branco disse...

Anónimo, obrigado e volta sempre!

Tiago, já fiquei mais curioso ainda com esse filme...

Zito, é isso mesmo.

Kuskas, o interessante é pensarmos que há - deve haver - muitos casos como este em todo o mundo.

Sissi, obrigado pela dica. Já lá fui e gostei!