Café Cinematográfico

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De todos os filmes que já se fizeram retratando a vida de Jesus, o filme "A Última Tentação de Cristo", a obra-prima mais pessoal de Martin Scorsese pode ser considerada o mais emblemático, controverso e genial, no que foi o resultado de um trabalho de 15 anos de amor. O romance de Nikos Kazantzakis toma vida neste filme tocante e espiritual. O elenco, cheio de estrelas inclui Harvey Keitel, Barbara Hershey, Harry Dean Stanton, David Bowie e temum competente Willem Dafoe no papel de Jesus. A banda sonora, também ela espantosa, tem a assinatura de Peter Gabriel.

O filme propõe uma releitura dos acontecimentos da vida de Jesus Cristo, enfatizando a sua natureza dividida e o seu conflito interior entre o messias predestinado por Deus ao sacrifício na cruz e o homem comum e prático que ambiciona constituir família e desfrutar de uma vida serena e tranqüila no mais absoluto anonimato. Na cruz, à beira da morte, é dada a Cristo uma derradeira e decisiva oportunidade para abdicar da sua responsabilidade para com a humanidade e assumir para si mesmo uma vida de homem comum, com esposa, filhos e uma perspectiva de envelhecer e morrer como tal.

A partir de então o filme mostra o polémico terreno que constituiu a sua razão de ser: a própria última tentação de Cristo. Assim, vemos Jesus casado com Maria Madalena, a ter filhos – e uma amante! – e a envelhecer como um homem qualquer. Seduzido por um belo anjo, fugiu do sacrifício na cruz ao qual estivera destinado. Quem não o faria?

Para ver (e ouvir) quantas vezes forem precisas. Aprende-se sempre mais, com os filmes de Martin Scorsese. Este é, sem dúvida, um dos melhores da sua monumental carreira.



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3 comentários:

Tchale Figueira disse...

O romance e o filme são ambos obra prima. O humanismo de um homem que a igreja só faz dele... Ocus Pocus Abra Cadara!!!!!!!! Peter Gabriel como sempre, não nos deixa indiferente.

Anónimo disse...

João, ve lá toma tento pois o Papa Bento ainda te enquadra nos rigores da lei divina e publica uma enciclica contra ti!
Ana

João Branco disse...

Sou um caso perdido há muito, Ana. Graças a Deus.