Declaração Cafeana

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Já sabemos que o Mindelo é uma cidade vocacionada para as artes cénicas. Quando menos se espera, uma peça teatral espreita na mais inesperada esquina. O tempo em que uma estreia era notícia e cabeçalho dos jornais já passou. Agora é uma quase normalidade. Tanto assim é que podem até acontecer estreias sem que demos por isso.

Foi o que aconteceu com a peça "Nada é Impossível", que estreou no auditório do Centro Cultural do Mindelo, ontem ao final da tarde. Tenho o bilhete mesmo aqui há minha frente, doutra forma não acreditava. Com o subtítulo "para aquele que crê em Deus" ou "também você pode ter a sua vida transformada" é um espectáculo que, ao que parece, conta com uma interacção muito intensa com o público e há quem diga que é uma comédia. Do meu ponto de vista, que não estive lá e só acreditei no que aconteceu porque pessoas próximas viram com os seus dois olhos que a terra há-de um dia engolir, esta foi mas é uma grande tragédia.

Não sei se já entenderam, mas o auditório do Centro Cultural do Mindelo, a mais importante e utilizada sala de espectáculos de S. Vicente, foi utilizada para um culto de uma igreja denominada Igreja Maná, que entre outras coisas cura ou ajuda a curar infertilidades, as mais diversas doenças, mesmo aquelas que a ciência jura serem incuráveis, como a Sida ou o Cancro, ajuda os mais incautos a prosperar nos negócios e alivia dores de coluna ou de cabeça, entre muitas outras atribuições e poderes, manifestados a troco sabe-se lá do quê. 

Ali mesmo ao lado do auditório decorria ainda a XXIV Feira do Livro e naquele mesmo auditório foi apresentado, 24 horas antes, um romance. Não se sabe se esta sessão foi marcada para aquela sala por causa da última peça estreada naquele espaço, que por ironia se chamava "No Inferno", mas o que se ficou a saber é que o maior centro cultural da ilha de S. Vicente,  uma estrutura do Estado, da responsabilidade do Ministério da Cultura de Cabo Verde, para sobreviver tem que se sujeitar a este tipo de negócio das almas. 

Imperdoável. Inadmissível. Batemos no fundo. 


  


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28 comentários:

Amílcar Tavares disse...

Que Deus os ilumine...

M.Estevao disse...

É isso que dá, entregar a gestão de um Centro Cultural, mesmo à nossa medida, nas mãos de alguém que pouco ou nada entende de cultura. E depois vem o Ministro de Cultura (não este, mas deste Governo) dizer que mudava a gestão do CCM para melhor dinamizar o dito.
Dizes bem; O CCM bateu mesmo no fundo.
QUO VADIS CCM?

Tey Alex disse...

Bom... Não sei se chegas-te a reparar, mas há cerca de uns 4 meses já tinha acontecido o mesmo, na mesma sala, mas com uma Igreja/Empresa diferente... Tava eu num domingo diferente (normalmente não saio de casa aos domingos, ou será que era sábado?)...
Bem... o que interessa é que depois de ter sido abordado pelo menos umas 3 vezes, na rua do CCM e na Praça, com flyers e palavras amenas, e de ter perdido a minha companhia.
Lá decidi eu, um Ateu 100% ateu (passe a expressão), ir assistir a esse tal culto especial, isso no intuito de algum dia escrever um "Upgrade (bo) religião" ou algo do género...

A sala estava bem decorada, e das primeiras sensações que eu tive, é que como seria possível, em pleno Soncent, (ou Sanvicente, Zaumente falando) eu estar no meio de tanta gente, apesar de a sala estar a pouco mais de meio e não encontrar ninguém que me fosse particularmente conhecido!

Reparei também um grupo de "ilustres" estrategicamente bem distribuídos pela sala, devidamente engravatados e lustrosos, indivíduos estes, que insistiam sempre a responder-me lusofonamente, sempre que eu indagava algo. Grupo esse, que depois fiquei a saber, que uma boa parte deles provinha de S. Tomé. Especialmente para dar aquele ar, de “grande encontro de fé”.

Confesso que estava bastante entusiasmado por estar nesse ambiente, que em tudo me parecia surreal, pois, em toda a minha vida, não devo ter entrado mais do que uma mão cheia de vezes em Igrejas, e sempre turisticamente ou fim de parodiamente, e eis que ela tinha vindo ter comigo, nesse mesmo espaço em que já respirei teatro, tanto do palco como da plateia.

Bom... confesso que a minha memória não está à priori configurada para me lembrar de muitos detalhes visuais, até porque só eu fiz "save as" aos aspectos que futuramente me ajudarão a escrever o "Upgrade (bô) Religion". Finalmente, lá começou, com um orador/apresentador "low profile" que rapidamente desaguou nas frases necessárias à apresentação do Orador principal.

Agora que penso sobre o assunto, arrependo-me imenso de não ter escrito algo nos dias posteriores, no intuito de não ter esquecido muitos detalhes que, com certeza, enriqueceriam estas duas linhas. Bom, vamos lá a ver se consigo pintar-vos este quadro caricato, apenas com a minha parca memória e dedadas num teclado. Bom… andava o dito cujo (um jovem de 33 anos, 1,80m cerca de 75kg, com um fato completo impecável) para a direita e para esquerda no palco, com um microfone na mão, gritando palavras de ordem, num português que ao principio não descortinei “casca” de sotaque era aquele.

“ - Vc que tem problemas de saúde, vc que tem problemas financeiros, vc que sofre, vc que já perdeu a esperança, vc que tem problemas familiares, vc que quer ter uma vida melhor, …”, enfim um “Ktxada” de “vc´s” que qualquer ser humano está incluído na maioria desses grupos pelo simples facto de respirar. – após umas ginástiquinhas bem regadas com a psicologia barata que consegue atingir qualquer audiência que tenha o peito aberto, como quem vai a um psicanalista para ser hipnotizado, e voilá… já tínhamos o auditório todo em pé , ao pé do palco, no espaço entre a primeira fila e o orador que ainda se encontrava irrequietamente, orando e falando, atingindo os crentes profundamente, a tal ponto, que a minha pessoa, sem que eu desse conta, já se encontrava encostada no palco, de costas para o orador, com os braços cruzados, curtindo as manifestações da audiência, esta que já tinha convulsões, fechava os olhos, com ambas mãos na posição de quem está a brincar “hands up” ou lhe está ponteirado uma pistola.
Foi então que de cima (proveniente do orador que estava no palco 1m mais alto que eu, e não do céu) subitamente aparece uma mão, que inesperadamente (pelo menos para mim) pega a minha cabeça como se fosse uma bola de andebol, enquanto saia das colunas, palavras de ordem, como “SAI SATANÁS, SAI ESPIRITO MAU, Abandona este ser” seguidamente de outras palavras reconciliadoras, de alguém que procurava “formatar” o meu ser e depois instalar só coisas boas. Apesar de não ser crente e de ser bastante céptico, confesso ter fechado os olhos e baixado a minha firewall, com a esperança de que tal ritual me tornasse uma pessoa melhor, mas qual quê, infelizmente continuei o mesmo ser humano, com os mesmos bugs, limitações e defeitos e se algo mais habita em mim, mais vale cobrar renda do que esperar que saia.

A mãozinha continuou perambulando pela audiência e sempre que “atingia” alguém, e o Orador passava para outra cabeça, esta era substituída, pela mão de umas gostosas, que colocavam as mãos nas testas das pessoas enquanto continuavam os seus transes e convulsões. O estilo das “gostosa” era do género “Pentium IV instalado o Windows 95” ou seja, muito bom hardware e mau software. Mas prontos, todos nós sabemos que as coisas não são o que nos parecem, mas sim o que elas são, ou seja “as aparudem, ilências”

Dei, efectivamente, nas vistas, aos olhos dos “ilustres”, com a minha postura de quem estava lá para curtir o ambiente. Esta fase durou mais de hora e meia, e teve vários outros detalhes que não irei descrever, para simplesmente não correr o risco de não os reproduzir com 100% de fiabilidade. Detalhes tais como: pessoas a cuspir convulsivamente para o chão, como se por ai os maus espíritos abandonassem o hospedeiro, pseudo-desmaios, pedidos dos ilustres para eu prestar atenção ao culto, etc…

Começo a notar que a minha presença estava a ser cuidadosamente observada, tanto que, nuns meros minutinhos que dei um saltinho lá fora, para me satisfazer com um download de nicotina para o sangue e um upload de fumo para a atmosfera, é que aproveitaram para rapidamente fazer circular a “a sacola vermelha de veludo” onde recolheram os donativos dos fieis… Assunto este que me absterei de comentar, tanto por achar nem ser necessário, como também por não ter visto o acto, e por isso não poder contar outros detalhes.
Existem vários outros aspectos que poderia mencionar, detalhar, mas confesso que já estou ansioso para chegar ao clímax do relato (a conversa com o orador) desta minha experiencia religiosa, e para um “coment” num blog de outrem…. Isto está muito pouco resumido…

Fazendo sempre que me era possível algumas perguntas, que nem sempre foram respondidas, aos “ilustres”, lá consegui no fim de todo o culto sentar-me com o Orador mesmo no fundo do palco, para um chat, que me esclareceu de diversas maneiras. Já íamos em mais de 15 minutos, da conversa típica entre crente e descrente, evolução versus Adão e Eva… e outros bla bla blas, quando reparo, que, contrariamente, ao que não sei porque pensei do inicio, não era a Igreja Universal do Reino de Deus… mas sim uma outra… O Templo da Restauração… hum… E que o Orador que se encontrava na minha frente, quem eu pensei desde o inicio, que fosse mais um, do imensamente numeroso exercito da Igreja Universal do Reino de Deus, com quem eu, um mero “goodbye”, tinha discutido de igual para igual. Era nada mais nada menos, do que o FUNDADOR, daquela igreja… Phonix… Bem… Sinceramente… apanhou-me completamente desprevenido, logo comecei a bombardeá-lo de perguntas… “De onde raios saíste com a ideia que tens legitimidade para, efectivamente, fundar uma Igreja?” “Para onde vai o dinheiro da sacola de veludo vermelha?” bem…. Deixemos as perguntas e falemos das respostas… Fiquei então a saber, que o dito cujo nasceu em Cabo Verde, e emigrou aos 12 anos para os States, e que cedo sentiu o call… Ah… esqueci-me de mencionar, que começamos discutir em português, mas depois de sentir que lhe faltava sempre vocabulário e que socorria-se sempre do Inglês , então passamos para o Inglês. Esta Igreja existe nuns 10 países, principalmente nos países lusófonos. Ele acha que o “Upgrade” que se pode dar à religião é de ela aproximar-se mais de Deus. Gostaria que eu trabalhasse com ele, e que o meu salário seria maioritariamente o facto de saber que estou afazer o bem. Teve ainda a barbaridade de afirmar que acredita que viemos de Adão e Eva e não do macaco porque, se viéssemos do macaco ainda estariam pessoas a nascer de macacos. O que prontamente, fiz questão de lhe mostrar, que tal afirmação só poderia ser proferida por quem em nada entendeu a teoria da evolução… Dei-lhe uns 150 mil expressivos “behave” palavra essa que insiste em sair sempre da minha boca qdo anglófono. Recusei sempre qualquer menção à Biblia, livro que já teve mais de milhares de edições diferentes e desde que Jesus nasceu até à invenção da maquina de impressão por Gutenberg foram mais de 1400 anos em que apenas uma cúpula no Vaticano decidia o que saía na Biblia ou não… Bom já imaginas João…
Tenho que bazar… mas depois falamos ao vivo sobre esta experiencia…

Quanto ao facto de disponibilizarem a sala para o “Dark Side”, não tenho nada contra… Mais me xateia é o facto de o Estado ser laico, pelo menos constitucionalmente, e termos visto bacoradas como políticos atrás de entidades religiosas, como na altura em que Mindelo virou Diocese e a politicagem corria atrás do Bispo, para garantir votos… Precisamos de nos comportar como laicos… pelo menos oficialmente….


"TΣΨ Δ|Σx"

Anónimo disse...

that's what we can call : um golpe de marketing ...
hiena

Anónimo disse...

por acaso , se pedir o centro cultural para fazer um centro de lavagem de carros (e cerebros ) achas que poderiam aceitar ???!! calaro que pagaria uma rendinha? eh eh eh !
Hiena (perguntando "ondé k nô tà?)

p.s- como diz o bugs bunny: "I knew I shoulda taken that left turn at Albuquerque!

Anónimo disse...

É como diz o título:"Nada é impossível".

Valha-nos Deus!!

a) RB, anónimo por obrigação

Lily disse...

Isto até custa acreditar...

Tchale Figueira disse...

Deste ministério não me espanta nada: Lembras João quando o Ministro Veiga foi pedir publicamente indolgencia ao bisbo?

Se o José Maria Neves continua a ter aquele homem como Ministro da Cultura, considero que ambos são TROLOZE ele está gagando naquilo que vamos por aí dizendo. Mas, senhor Zé Maria Neves, tudo é transitório um dia nimguem irá lembrar de si. Os artistas ao menos deixam a obra.

João Branco disse...

Tey, a tua descrição diz tudo sobre esses charlatões. "Quanto ao facto de disponibilizarem a sala para o “Dark Side”, não tenho nada contra… " Nada contra? Nada contra? Na mais importante sala de espectáculos da ilha, da cidade do Mindelo? Nada contra? Numa infra-estrutura do Ministério da Cultura de Cabo Verde? Nada contra? TUDO CONTRA! TUDO CONTRA.

Desculpem, estou absolutamente furioso.

Anónimo disse...

Inaceitável , isso merece um veemente repúdio público e chamar a quem de direito para que se pronúncie se essas práticas consubstancia actividades culturais ; os Mindelenses e os cabo-verdianos em geral não podem permitir essas práticas e porque não exigir a cabeça do ministro da cultura!!!cabo-verdianamente a minha indignação.

Anónimo disse...

Não sei porqué tanto alarito se O BISPO AUTORIZOU.
joão, isto chama-se Ascenção cultural. Do Inferno ao Céu.

Abraço
sarraia sem fiera

João Branco disse...

Espalhem a notícia!!!!

O que é que o Bispo tem a ver com este ultrage???????????

Anónimo disse...

JOÃO, APENAS UM PEQUENINO REPARO: BATEMOS NO FUNDO DO POÇO E DESCOBRIMOS QUE TEM UM ALÇAPÃO. De facto é vergonhoso que o próprio Governo apoie coisas do género, que são pura e simplesmente formas deploráveis de aproveitamento de situações de desespero de pessoas com problemas graves, a todos os níves, exploração vergonhosa do estado de necessidade e de fragilidade emocional das pessoas. Isto constitui crime, devia ser investigado e os responsáveis simplesmente banidos do país. Não nos podemos escudar no princípio do Estado Laico e da liberdade religiosa, para permitir essa vergonha. A mim causa-me revolta, pois os fracos é que precisam de apoio, e não os que se aproveitam deles.


Um bem haja para ti, por trazeres sempre assuntos pertinentes à discussão.

Pimintinha

Eileen disse...

Gente, eu sou do mais ateu que existe, mas parece-me que a partir do momento em que o CCM arrenda a sua sala não apenas para eventos culturais - como para empresas, conferências, políticos, então também não se pode negar a arrendá-la a credos religiosos, sob pena de estar a incorrer em discriminações.

João Branco disse...

Eileen, no edificio do Estado?! Do Ministério da Cultura?! Só podes estar a brincar! Até a Sra. Luisa Marques, ex-gerente do Eden Park aguentou sempre que foi confrontada com propostas milionárias de pseudo-Igrejas como essa para não deixar que aquele local histórico da nossa cultura fosse utilizado para "cerimónias" como essa.

Contra! Contra! Contra! É inadmissivel.

Anónimo disse...

Em Angola , essa Seita , foi expulsa , fazem fortunas com desgraças e infortunio alheio , em nome de liberade não se pode consentir tudo!disse. ps. chama a essas práticas credo religioso , convenhamos.

zedeportugal disse...

entre muitas outras atribuições e poderes, manifestados a troco sabe-se lá do quêEntão não sabe? É sempre a troco de $$$$$$$$.

E se vocês ainda só conhecem a igreja maná, ainda não viram quase nada.
Quando chegar à igreja universal do reino de Deus (até admira como os brasileiros ainda não aí não chegaram...) é que vai ser "em grande" a exploração da crendice popular.

Enquanto cristão (cristão significa imitador de Cristo) ainda fico mais amachucado quando vejo o nome de Deus usado assim.
Enquanto cristão deixo aqui, na sua caixa de comentários, o alerta para que ninguém se deixe cair no conto do vigário que essa gente usa.

O cristão faz tal como o Mestre disse:
"Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demónios. Recebestes de graça, dai de graça. Não possuais ouro, nem prata, nem cobre, em vossos cintos" (Mateus 10, 8)

Estas palavras de Jesus significam que os verdadeiros enviados de Cristo têm mandato para curar e até para ressuscitar, mas que os verdadeiros enviados de Cristo darão essas coisas de graça, de graça como as receberam.
Tal como fez toda a vida aquela que deu na actualidade o maior exemplo de santidade: madre Teresa de Calcutá.

Não é preciso ser ateu ou agnóstico para perceber onde está a vigarice religiosa que grassa por aí. Os cristãos de verdade também a vêem.

Salim disse...

Tenho que concordar com a Eillen e com o Tey: "podé pa un, podé pa tud". Então que se conteste, com razão, o aluguer para todas as actividades que não sejam do foro cultural. Se bateu-se no fundo, com certeza não terá sido agora. 1 love

Jack Sk. disse...

Rapaz, e eu que achava que o fenômeno de abdução dos espaços culturais pelas igrejas era um mal típico do Brasil, que assiste impassível ao avanço da fé estúpida daqueles que não tem nada mais em que acreditar e ao enriquecimento criminoso dos bispos do templo da putaqueopariu.

O fato é que fodeu de vez e não há mais pra onde correr.

É a vida, caro camarada, é a vida.

Anónimo disse...

Sabemos que a Mana não tem boa fama, mas João, fala a serio! O que escreveste neste post me decepcionou! Isto é pura descriminação da tua parte! Porquê descriminar?
Olha, logo tu que tem pautado por um postura correcta contra o racismo, em lutas pro gay, etc.etc. Descriminação religiosa também é descriminação!!! Haja coerência homem!
Estou a ser o mais frontal possível contigo. Espero que me compreendas.
Um abraço,
José Araujo.

João Branco disse...

José Araújo, discriminação por achar que um espaço NOBRE e PUBLICO da cidade não pode ser utilizado para cultos de seitas religiosas? Onde se extorque dinheiro a troco de milagres? Onde os mais enganados são, geralmente, as pessoas mais pobres e com menos meios? Que seja. Por exemplo, não gosto de skinheads e de neonazis. Odeio esses cabrões e ficaria muito zangado se eles se reunissem por aí em locais públicos!

Um abraço

P.S. Podes criticar sempre que quiseres. Recebo isso com tranquilidade, embora a forma apaixonada como discuto possa indiciar o contrário.

Anónimo disse...

Sim, mas João.. repare bem o Tchalê fez exposição no covento e deu a celeuma que deu, esses aí fazem serviço religioso no edificio do Estado é um problema, em que ficamos?
A questão é o edificio? Deve-se censurar as coisas, a liberdade de se exprimir? Ainda não entendi...?
Abraço,
Zé Araujo.

João Branco disse...

Zé, com todo o respeito essa comparação não faz sentido. No post que escrevi hoje sobre o assunto, penso ter sido suficientemente esclarecedor.

Abraço e bom fim-de-semana

Virgílio Brandão disse...

João,
não era para dizer nada - quedar-me na minha visita diária e silenciosa ao Café Margoso, mas sabendo que falas da Igreja Manã, não deu para ficar calado.

Para que se saiba: fui um dos fundadores da Igreja Manã! Decorria o ano de 1984, e trabalhei durante algum tempo na nossa comunidade na Cova da Moura(onde começou um dos 3 primeiros grupos familiares da Igreja) - onde preguei o Evangelho, orava pelos enfermos e ajudava os mais necessitados. Mas isso, João, fica para depois...

Agora, concordo de todo com a postura da Eillen Barbosa - pois é a correcta. Ademais, João, existe algo de mais profudamente cultural do que a religião? Não, de certeza que não.

Mas há por aí uns equívocos que gostaria de esclarecer, nomeadamente sobre o teu último post, e a questão da Cura Divina (o livro é um conjunto de anotações das pregações do Jorge em 1984/85 - com base no ensinamento de Kenneth Hagin e que eu então seguia e ensinava - e que depois tomou a forma de livro que foi se desenvolvendo ao longo dos anos).

O que te posso dizer, João, é que para Deus, não existe impossiveis -é uma questão de creres ou não.

Existem coisas menos edificantes, é verdade, mas não se deve nem tomar a nuvem por Juno nem se ser preconceituoso no que à religião diz respeito.

Abraço fraterno

João Branco disse...

Virgílio, com todo o respeito, o equívoco não é meu. Está na página oficial da seita. Ainda com todo o respeito, sou radicalmente contra a utilização de um espaço público cultural para estes fins.

Podem dizer o que disserem. Para mim não faz qualquer sentido a não ser nos mostrar o desnorte total da política cultural cabo-verdiana.

Jack Sk. disse...

Virgílio, caro camarada, é nobre a existência da fé em algumas pessoas de forma tão apaixonada e elevada. É fato também que doentes terminais que possuem alguma religião têm sobrevida maior do que a reservada aos descrentes e que o cérebro humano é um órgão a respeito do qual sabemos muito do hardware mas basicamente nada do software. Mas é fato também que existem limites até mesmo para a vontade de Deus.

Eu particularmente creio que certas situações simplesmente não se resolverão jamais, seja com ou sem fé, mas a grande questão é que religião é mais ou menos como socialismo: a intenção por princípio há de ser boa ao menos por parte de alguns, mas o fato de existirem espertalhões infiltrados, decididos a crescer subindo na anca alheia, torna a proposta literalmente inviável aos olhos da unanimidade.

o fato é que nunca a humanidade esteve tão perdida e tão desesperada por acreditar em algo, não importa o quê. E acreditar que não existe gente em TODO LUGAR disposta a abocanhar a sua parte, tirando proveito disso, nos torna tão ingênuo quanto uma pobre menina virgem do interior ou tão limitado quanto uma bela e colorida anêmona.

E não podemos condenar aqueles que enxergam as coisas dessa forma, pois se por um lado alega-se sempre boa intenção, por outro não devemos nos esquecer da máxima que defende que "de boa intenção, o inferno está cheio".

Nada contra Deus, entende? O problema não é Deus, é o homem que acredita ser capaz de representá-lo.

Espero que ninguém se ofenda, mas é assim que vejo as coisas.

Mic (francês) disse...

Num pais laïco, é na scola q'religião ca t'podê entra, né na teatro ou na centro cultural. Se gente podê aluga qel espaço, tud gente podê fazêl, sem discriminaçon.

Liberdade de reunião, liberdade de culto, liberdade de expressão, são valores (quase)universais dos direitos humanos : João, CCM seria um excepçon? CCM = lugar sagrod? Templo sagrod?

Dzêm se m'ta ingana: qel casa do Bispo na Laginha, né casa do governo? Né Estado q'paga?

Qond TACV pdi Bispo d'batiza sês Airbus/Boeing novo, m'c'ouvi ninguêm tchora.

João Branco disse...

Está bem! No Mindelo, hoje, é algo normal alugar a principal sala de espectáculos da cidade para cultos da Igreja Mana. Uma sala pertença do Ministério da Cultura de Cabo Verde. Pronto, é esta a conclusão deste debate. Eu é que sou discriminatório. É normal. Proponho agora que, para uma ajuda orçamental ao nosso parlamento, que se alugue o Auditório da Assembleia Nacional à Igreja Universal do Reino de Deus.

E viva a Liberdade!