Blog Joint: Declaração Cafeana

17 Comments



Já falei sobre isto várias vezes: ter as praças digitalizadas é fantástico, mas só alguns, muito poucos, tem computadores portáteis, tempo e disponibilidade para estarem sentados numa praça pública a navegar na Internet. E como a luz do Sol torna a navegação durante o dia muito complicada, só alguns conseguem fazê-lo em viatura própria, como faz um amigo meu de vez em quando aqui na Praça Nova. Ter Centros de Juventude com acesso gratuito à Internet é outro passo. Salas com computadores nas escolas, principalmente nos Liceus, também. Porque o acesso à Internet faz-se por duas vias: tendo material informático e tendo acesso à Internet. Em ambas há muito por fazer, mas a mim interessa-me aqui discutir principalmente a segunda questão, já debatida no Café Margoso. 

E a conclusão é simples, concreta e imediata: só podemos combater verdadeiramente a exclusão se acabarmos com o monopólio vigente e quando se fizer algo para combater a política de preços escandalosa que continua a ser praticada no nosso país. Faz sentido que comunicar num país como Cabo Verde, uma pequena e dependente economia, seja muito mais caro (mas mesmo muito mais caro!) do que, por exemplo, nos E.U.A., a maior economia do Planeta? E mesmo comparando com Portugal, faz sentido de que o cidadão cabo-verdiano, cujos rendimentos são certamente bem menores, pague muito mais para aceder e comunicar na Internet do que o português (como se pode ver aqui)? Isto pode parecer uma heresia, mas às vezes gostava que houvesse aqui um Hugo Chavez que mandasse tudo à badamerda, nacionalizasse as comunicações e anunciasse ao povo: a partir de hoje, meus amigos, comunicar é gratuito. 

Sei que é completamente errado. Tenho consciência disso e peço desculpa. Além disso, por enquanto que não começarmos a explorar os tais poços de petróleo que poderão existir nas nossas águas territoriais, não há economia que aguente tal desvario e desvio democrático. Mas como está, é que não pode ser. Comparando com o mundo lá fora, o tal mundo global, somos todos info-excluídos. Cabo Verde é, provavelmente o país onde estar "incluído" custa mais caro. Um luxo, portanto.



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17 comentários:

argumentonio disse...

comunicar a preço zero, independentemente do custo!

parece utópico e nacionalizar (sempre sem Chávez, por favor!) é apenas um dos modelos de exploração da actividade mas quando um grande político assumir esta ideia margosa, então passará a ser uma grande ideia

na realidade, a abertura de vias de comunicação sempre constituiu uma fonte de altíssimo retorno para a evolução dos povos

terá a contrapartidazinha de propiciar e potenciar a globalização que tantos tão insanemente aviltam

porque o livre e generalizado acesso às vias de comunicação levaria os termos da questão para quem tem pernas para andar, democratizando as oportunidades

um dia...

;->>>

Tey Alexandre disse...

Começo por citar a Sua Excelência, O Presidente do Conselho de Administração da Cabo Verde Telecom, Eng. Pires Ferreira que no primeiro fórum realizado pela Nosi , arrogantemente proferiu do cimo da sua imponente torre de marfim – “A Cabo Verde Telecom existe para dar lucro aos seus accionistas”.

Será que é preciso dizer mais? De uma empresa que as proprias ferramentas que ela disponibiliza aos clientes ADSL, para controlarem o seu uso, conseguem cobrar até 30h de conexao num dia só!

Uma empresa em que é possivel comprar um cartão-grilo (3000$) hoje, dia 18 de maio e valer só por 3 meses (até 18 de Agosto) gastarmos o saldo todo hoje e comprarmos outro cartão grilo ainda hoje de 1000$ e de repente nos virmos confrontados que o nosso saldo agora já só é válido até 18 de Junho.

Com provedores como a CVTelecom, Quem precisa de inimigos?

Bem gostaria de ficar aqui a atirar pedras na Telecom, pois me apraz, mas não irá dar em nada! O Governo nada faz, Agencias Reguladoras idem idem aspas aspas, ADECO... chamamos a informar que em tal Supermercado estão a vender um produto x fora de prazo e uma semana depois ainda encontramos o mesmo produto nas prateleiras.

Proponho um dia de Greve, de todos os produtos da CVTELECOM, pq não 31 de Maio?... Com a ajuda de todos, do blogjoint, dos emails, dos hi5´s Facebooks e similares, Flyers, Radios, etc... Tentemos mostrar à CVTelecom que nos importamos com as mãos alheias nos nossos bolsos...

Em relação à primeira parte, Giovanni Bianco, penso que deverias fazer um post à parte, pois fica dificil tentar dar alguns subsídios para ajudar o combate à info-exclusão e à informatização de Cabo Verde e ao mesmo tempo
Rmarr ma Cvtelecom...

Amilcar Aristides - TIDI disse...

Oi João, permite-me acrescentar que importa também que se faça uso produtivo do acesso. Continuo recebendo mts spams e correntes e isso atrapalha e é um indicio do grau de maturidade que temos colectivimente em relação às TIC.

Quanto à revolução, ehehehe, estamos em andamento, hoje em dia as revoluções são silenciosas e era bom que todos opinissemos na inicitiva da ANAC pelo acesso universal.

um abraço e bom debate.

TIDI

Álvaro Ludgero Andrade disse...

Meu caro João, também me choca o preço do acesso à internet em Cabo Verde, mas por favor, não peças um Hugo Chávez - o real, não o que é vendido por essas bandas - porque é o único dirigente de uma potência petrolífera que colocou os seus concidadãos a fazer fila para pagar combustíveel, ... e quando há. Além disso, lá o acesso à internet ainda é pior do que aqui e olha que conheço a terra. Mas que está na hora de alguém fazer a concorrência à CVTelecom.... dias-há.

João Branco disse...

Argumentonio e Álvaro, sem Chavez, certo. Considerem a utilização do seu nome, hum, uma metáfora, pode ser? :)

Tey, olha excelente ideia. Queres arrancar com isso? Texto inicial e anúncio da iniciativa? Com a tua rede fenomenal de contactos seria um excelente começo.

TIdi, com o estado de coisas actual, essa questão a que te referes (a qualidade na utilização), sendo importante, não está ainda na minha lista de prioridades!

Amilcar Aristides - TIDI disse...

João, não sei se entendeste o sentido do uso que falei no comentário anterior. Mas net tá evoluindo mt rápido para além da simples mensagem email. Empresas e o proprio estado já lançaram mao à tecnologia e estão capazes de ser eficazes eficientes à escala estratosférica.

isso não te diz respeito??

João Branco disse...

Não, não tinha entendido. E sim, diz-me respeito, enquanto cidadão, naturalmente. Tens toda a razão! Bali!

Lena disse...

Um dos factores que induzem o custo está directamente ligado ao nº de utilizadores. O nosso mercado é pouco atractivo mas bastante lucrativo para a CVTelecom. Um dos males da privatização... Que o Governo não faz nada não é bem verdade, tem feito com reflexos directos no custo e bem que precisa da ajuda do público (como factor de pressão). Conseguir que a entrada de novas empresas foi fruto de uma batalha jurídica mas também de determinação política (foi há pouco tempo mas a malta já esqueceu....). A própria existência das praças digitais foi contestada pela CVTelecom apesar do Governo pagar!!!!. .
A batalha é titânica na área da Internet e da banda larga - vários projectos estão em fila de espera das negociações com a CVTel

HF disse...

Boas JB

Em relação ao tema do blog joint quer-me parecer que há um sector que não anda a acompanhar os novos(ou não muito) ventos dos tempos da informação. Falo concretamente do sector privado.

E falo com conhecimento de causa. Acham os patrões que acesso à informação pode ser bloqueio à produtividade??? Só assim posso entender certas políticas restritivas de acesso a net em certo banco comercial.

Esta política de acesso à info-exclusão, isso mesmo que leu, existia há cinco anos atrás de forma tímida e sisuda, só que agora os tecnicos superiores para baixo deixaram de ter acesso a certos conteúdos, como, v.g., o google, os sites tecnicos, ao site do governo, à imprensa nacional, à europa.eu, aos sites da OMC, da OCDE, and so on. Só podem ter acesso aos conteudos e sites devida e previamente decididos, a porta fechadas, pelas chefias...
No entanto nem sai um comunicado interno a informar a politica do banco sobre o acesso e o não acesso à net. Enfim, esta aqui até fez-e lembrar a famosa década de 90...

Palavras para quê JB? Por aqui vê-se que as chefias é que estão mal ou a lidar mal com a informação, e principalmente, não sabem partilhar, co-responsabilizar, gerir, administrar, etc.

Mas diz-me quem as coloca lá? Não são as Comissões Executivas com o aval e carimbo dos Conselhos de Administração??! E quem designa os administradores em representação dos accionistas-Estado? And so on?

Alguma coisa vai mal nesta cadeia: ou trata-se de jobs for boys and girls, tanto mais que ganham mais que o dobro dos ministros, ou então algo falha - como sempre - no sistema de controle, fiscalização e compliance..., no âmbito sistêmico das políticas públicas ou gerais de combate à info-exclusão...

Se calhar eu que é que vejo demais, perhaps.

Jokinhas

Helena Fontes

P.S. De toda a forma, não é admissível o que se passa num certo banco comercial da praça, e a mim não me custa nada por a minha boca no trombone. Apenas terei mais um PD no meu CV...

lol

mdsol disse...

A minha solidariedade. Que posso fazer mais?
:))

Tey Alexandre disse...

Cabo Verde já não se pode dar ao luxo de ter decisores ultrapassados. Tanto a nível do Poder local, como Central, Ministérios, direcções gerais, privados, etc... Tem que haver um boom no uso das novas tecnologias, principalmente em relação à nossas crianças. Elas têm que aprender desde a primária, por exemplo a escrever conforme as regras de dactilografia, e usar todos os dedos (com um pequeno software uma criança aprende a escrever velozmente sem sequer olhar para o teclado em menos de 1 mês, isto a 15 minutos por dia de practica). Tem que se massificar o uso da internet. Explodirem novos locais de acesso gratis à Internet, escolas, centros juvenis, Centros Culturais, tem que estar sempre à mão de semear...

Fala-se tanto em Desemprego em Cabo Verde, mas será que o Governo alguma vez encomendou algum estudo, sobre formas de capacitar a população a ganhar dinheiro na Internet? Não deveriamos estar a estabelecer uma meta, sei lá, almejar para em 2015 30% da população consiga auferir algum da net, seja a dactilografar documentos, digitalização de documentos, criação de sites, call center, e-comerce, administração e manutenção remota de computadores e sistemas informáticos, enfim.

Existem cada vez mais formas de fazer dinheiro pela intennet, e tal como tudo na Informática, essas irão crescer exponencialmente, tanto em numero com nos valores que movimentam. Então do que estamos à espera? Se não dermos aos nossos jovens as ferramentas necessárias para que desde muito cedo possam dominar as novas tecnologias, estamos, sinceramente, a hipotecar a nossa competividade como país, nação e economia viável de amanhã...

João Branco disse...

Excelentes contribuições. Especialmente da HF e do Tey.Obrigado a todos! (E com isto não "fecho" a conversa... que continua...)

Anónimo disse...

HF,
Então achas que em vez de estar a trabalhar, a sua produtividade
seria melhor consultando hi5 profile, lendo jornais desportivos,ou vendo videos no Youtube. É claro que o pessoal resposável pela administração
da rede, ainda por cima de um banco, sabem muito melhor, qual é o risco de deixarem as pessoas navegarem livremente na internet. Mais importante que a questão de produtividade, tem a ver com a questão de segurança. Se tivesse a miníma ideia qual é prejuízo que pode causar a um banco ao visitar um simples website que nos teus olhos pode aperecer que não representa risco nenhum, mas para os mais informados sabem muito bem que é melhor prevenir do que remediar. Já agora seria bom mencionar o nome do banco, porque pelo menos é bom saber que os seus funcionários têm acesso directo a internet.

Lena disse...

Ainda bem que vamos à frente de países bárbaros como a Inglaterra e a Alemanha (e Portugal onde o acesso mais que condicionado é autorizado e muitas empresas verificam o e-mail) onde se demitem trabalhadores por mau uso da Net durante as horas de serviço. O princípio laboral é o mesmo de furtar clips ou andar a passear com o carro da firma... lol lol

HF disse...

Bom dia Anónimo

Eu pelo menos identifico-me, e ao comentar tentei ser clara ao dizer que nesse tal banco as politicas restritivas de acesso à net, não permitem acessar aos sites temáticos, por exemplo da minha área juridica, apenas acessamos aos que acham eles, que podemos acessar, mas não podemos entrar na imprensa nacional crioula nem na lusa, nem a da Europa (?). Não podemos entrar no google, nem nos sites da OCDE, da OMC, da europa.eu, onde se tem acesso, entre outras, as conclusões do G-20 sobre a crise financeira (acho que isto interessa à banca, ou não, anónimo?) as decisões da CEuropeia, à jurisprudência do Tribunal Europeu, em matéria, v.g. da concorrência, fiscal, contabilidade, and so on, entre muitos outros.

Como o anónimo sabe, porque presumo que vive em CV, os livros técnicos, são uma óasis no deserto, por isso nas feiras dos livros anuais esgotarem-se estes livros.

Então, tenho para mim que o acesso à doutrina e às inovações em matéria de direito deverá, também, ser feito via net, ou não?
Tenho para mim, também, que o acesso à informação relevante e actual é um dos trampolins para o aumento da produtividade técnica, pois que uma empresa bem assessorada é uma empresa que pode prestar serviço de qualidade aos seus clientes.

O problema, meu jovem anónimo, é que ainda temos dirigentes que acham que acesso a informação é ser um rival ao poder...??? Pelo que o melhor mesmo é cortar os mal pela raiz, a saber: os subordinados não podem ter acesso a mais informação que eu, e ponto final! Talvez por isso que lá onde falo os chefes têm um ecran de computador maior que os distribuidos à maralha... :)

Em relação ao acesso ao Hi5, aos chat, ao msn, aos jornais desportivos, aos sites de sexo, sou apologista que cada um faça-o em sua casa, ou num cybercafé.

Por último o nome do banco onde sou técnica superior (aliás uma das poucas com mais categoria profissional)dá-lo-ei, no momento oportuno, após calcorrear os trâmites institucionais normais. Mas devo explicar ao jovem anónimo que nesse banco onde trabalho, regrediu-se em matéria de políticas internas de acesso à informação virtual, ainda por cima sem aviso prévio, como era costume na década de 90...

Mais uma vez, depreendo que o jovem não leu com atenção o que escrevi supra, ou então não compreendeu, o que pode ser normal quando já entramos numa discussão com 30 pedras na mão, ainda por cima de forma anónima.

Jokinhas

Helena Fontes

João Branco disse...

Lena, o nosso "exíguo mercado", como dizes, permite mesmo assim à empresa distribui milhões de lucro pelos accionistas. Imaginem se o mercado não fosse exíguo!

É isso mesmo, cara Helena. Mostra do que é feita a tua fibra! E com cara, nome e assinatura. Comme ill faut!

Cesar Schofield Cardoso disse...

Uma pequena ajuda e nota, principalmente ao que disse Álvaro.

CVTelecom não pode ter concorrência, porque é inviável e desnecessário. CVMóvel e CVMultimédia, esses sim. Começa aqui a confusão: Uma única empresa é, ao mesmo tempo, concessionária das Telecomunicações DO PAÍS e fornecedora de serviços (Internet, Telefonia e Conteúdos).

A parte das Telecomunicações está ao mesmo nível dos portos e aeroportos: infra-estruturas nacionais, que até beneficiam de investimentos públicos nacionais e internacionais. Esta parte é que condiciona todas as políticas de desenvolvimento com base em Comunicações e é esta parte que não pode ser deixada em mãos privadas sem uma regulação responsável e alinhada com objectivos de Desenvolvimento.

Uma vez vista a primeira parte, quanto ao serviços de Internet, Telefonia e Conteúdos, a empresa pratica as políticas comerciais que quiser.

Reparem, faz sentido que a T+ dependa da CVTelecom para funcionar? Ou outra alternativa: faz sentido que T+ tenha de construir uma Infraestrutura em paralelo com a nacional (CVTelecom) para poder sobreviver? Digo-vos, é um sufoco, estamos a fazer forças para sobreviver, mas é garantido que nenhuma outra operadora vai atrever-se a entrar neste mercado, maquietado pela CVTelecom, com conivência do Estado.