Intervalo Amoroso

7 Comments


O que fazer entre um orgasmo e outro,
quando se abre um intervalo
sem teu corpo?

Onde estou, quando não estou
no teu gozo incluído?
Sou todo exílio?

Que imperfeita forma de ser é essa
quando de ti sou apartado?

Que neutra forma toco
quando não toco teus seios, coxas
e não recolho o sopro da vida de tua boca?

O que fazer entre um poema e outro
olhando a cama, a folha fria?

Affonso Romano de Sant'Anna

Fotografia de Anton Martynov (via: Jumento)



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7 comentários:

Catarina disse...

lindo... e a esse propósito, lembrei-me disto...

EU TE AMO
Chico Buarque (Brazil) - 1980


Ah, se já perdemos a noção da hora
Se juntos já jogamos tudo fora
Me conta agora como hei de partir

Se, ao te conhecer, dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir

Se nós, nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir

Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu

Como, se na desordem do armário embutido
Meu paletó enlaça o teu vestido
E o meu sapato inda pisa no teu

Como, se nos amamos feito dois pagãos
Teus seios inda estão nas minhas mãos
Me explica com que cara eu vou sair

Não, acho que estás te fazendo de tonta
Te dei meus olhos pra tomares conta
Agora conta como hei de partir

Anónimo disse...

O que fazer, pois?

Se isto fosse só para adultos, dir-te-ia...

Manu Moreno disse...

lindo Djonsa: confesso que tocou meu coração a ponto de envolver a minha alma, o meu corpo e meus sentimentos...rs...rs...!!!

Por isso dexam alimenta nha alma ku mais um palavriadu!!!

O ESCRAVO

Ela despiu-se diante do escravo
Por não considera-lo um Homem
Inúmeros factos não sucederam
Porque, o escravo era um humilde servo

O escravo sentia-se um pouco desarmónico
Tudo era destoado ao primeiro relance
A vontade pairava no cubículo
Sua senhoria começara a masturbar-se

Era impossível resistir ao querer,
O escravo querendo fazer crer
Decidira aprumar-se, por ser Homem
Começou a faze-lo por conta de outrem

A alma continuava atormentada
A força e o muscular Africano
Chegara a precisão da sumosa vagina
…findo o sexo, o escravo continuou escravo…

KEL ABÇOM DI KURAÇOM!!!
ManuMoreno

Tamara L. Allgäuer de Melo. disse...

LINDO!

Beijos.
Tamara - CAFÉ COM GATO.

João Branco disse...

Lindo, Catarina;

Anónimo, e porque não agora?

Manu, belo poema!

Obrigado, Tamara! Kiss.

zito azevedo disse...

Afinal, tudo pode ser escrito da forma mais explícita possivel, sem subentendidos mais ou menos parabólicos para fugir á censura dos moralmene correctos...Basta saber faze-lo, em beleza!
Zito Azevedo

João Branco disse...

É isso mesmo, caro Zito!