SMS Cafeano

9 Comments





«Ou a mulher é fria ou morde. Sem dentada não há amor possível»

Nelson Rodrigues - escritor brasileiro



Imagem: Monica Bellucci no filme Manuale d'Amore 2




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9 comentários:

HF disse...

Claro, uma mulher fria como um homem frio, estão mortos pelo que não podem sequer dar uma dentadxinha...

rsrsrsrrs

;)

HF

Tchale Figueira disse...

O Nelson Rodrigues devia saber que boca fechada não entra mosca nem sai asneiras!

Anónimo disse...

Uma mulher fria pode, contudo, exaltar o desejo:

I
Balzac é meu rival, minha senhora inglesa!
Eu quero-a porque odeio as carnações redondas!
Mas ele eternizou-lhe a singular beleza
E eu turbo-me ao deter seus olhos cor das ondas.

II
Admiro-a. A sua longa e plácida estatura
Expõe a majestade austera dos invernos.
Não cora no seu todo a tímida candura;
Dançam a paz dos céus e o assombro dos infernos.

III
Eu vejo-a caminhar, fleumática, irritante,
Numa das mãos franzindo um lençol de cambraia!...
Ninguém me prende assim, fúnebre, extravagante,
Quando arregaça e ondula a preguiçosa saia!

IV
Ouso esperar, talvez, que o seu amor me acoite,
Mas nunca a fitarei duma maneira franca;
Traz o esplendor do Dia e a palidez da Noite,
É, como o Sol, dourada, e, como a Lua, branca!

V
Pudesse-me eu prostar, num meditado impulso,
Ó gélida mulher bizarramente estranha,
E trêmulo depor os lábios no seu pulso,
Entre a macia luva e o punho de bretanha!...

VI
Cintila ao seu rosto a lucidez das jóias.
Ao encarar consigo a fantasia pasma;
Pausadamente lembra o silvo das jibóias
E a marcha demorada e muda dum fantasma.

VII
Metálica visão que Charles Baudelaire
Sonhou e pressentiu nos seus delírios mornos,
Permita que eu lhe adule a distinção que fere,
As curvas da magreza e o lustre dos adornos!

VIII
Desliza como um astro, um astro que declina,
Tão descansada e firme é que me desvaria,
E tem a lentidão duma corveta fina
Que nobremente vá num mar de calmaria.

IX
Não me imagine um doido. Eu vivo como um monge,
No bosque das ficções, ó grande flor do Norte!
E, ao persegui-la, penso acompanhar de longe
O sossegado espectro angélico da Morte!

X
O seu vagar oculta uma elasticidade
Que deve dar um gosto amargo e deleitoso,
E a sua glacial impassibilidade
Exalta o meu desejo e irrita o meu nervoso.

XI
Porém, não arderei aos seus contactos frios,
E não me enroscará nos serpentinos braços:
Receio suportar febrões e calafrios;
Adoro no seu corpo os movimentos lassos.

XII
E se uma vez me abrisse o colo transparente,
E me osculasse, enfim, flexível e submissa,
Eu julgara ouvir alguém, agudamente,
Nas trevas, a cortar pedaços de cortiça!

(Cesário Verde, "O Livro de Cesário Verde")

a) RB, anónimo por obrigação

Anónimo disse...

Bom mas isso já vem de longe...já havia aquela estória da mulher EVA no paraíso e da serpente, que analisado parece que serpente e a EVA afinal eram a mesma coisa, uma confuão dos diabos, enfim, afinal eles é que tinham razão...a mulher sempre morde, e por vezes sai mesmo veneno e é capaz de matar os mais incautos...antídotos precisam-se...humhum

João Branco disse...

O Tchalé, aqui concordo com a Helena. No amor servem-se pratos quentes!

RB, belo poema muito a propósito!

Dundu disse...

Coitado dos motchas... serve mordida de gengiva. ah ah ah

Sisi disse...

A propósito da imagem, não sabia que tinham feito um segundo filme, muito menos que contava com a interpretação da belíssima Monica Bellucci. Vi o 1º e adorei, vou ver se arranjo o 2º.

mdsol disse...

Demasiado ou-ou para o meu gosto. Mas percebo a ideia.

:))

Anónimo disse...

Sem dentada ou mordidela nao houve coito nenhum.
mesmo quando ela 'e fria ela morde. morde os seus proprios labios ou morde o sua propria mente para poder ficar com o rotulo de fria..

Guy Ramos