Cafeína

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«Os progressos técnicos, que toda a gente está confundindo cada vez mais com progresso humano, vão criar cada vez mais também um suplemento de ócio que, excelente em si próprio, porque nos aproxima exactamente daquele contemplar dos lírios e das aves que deve ser nosso ideal, vai criar, olhado à nossa escala, uma força de ataque e de triunfo; mais gente vai ter cada vez mais tempo para ouvir rádio e para ir ao cinema, para frequentar museus, para ler revistas ou para discutir política, e sem que preparo algum lhe possa ter sido dado para utilizar tais meios de cultura: a consequência vai ser a de que a qualidade do que for fornecido vai descer cada vez mais e a de que tudo o que não for compreendido será destruído; raros novos beneditinos salvarão da pilhagem geral a sempre reduzida antologia que em tais coisas é possível salvar-se.»

Agostinho da Silva, in «Textos e Ensaios Filosóficos» (Via: Notas ao Café)

Imagem: Hell de Escher




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4 comentários:

Anónimo disse...

E eis como, de uma penada, se desmonta e destrói a solução utópica do "Zeitgeist"

a) RB,anónimo por obrigação

Lily disse...

Sobre umas breves notas:
Gosto muito da obra de Escher.
Se neste momento tanto se fala em Educação Sexual, porque não começar também a falar-se em Educação Cultural? Seria um meio de dar o tal preparo para, em última análise, se saber usar os meios de cultura...

João Branco disse...

RB, achas mesmo? Nunca liguei as duas coisas... Vou reflectir sobre isso, até porque o documentário a que te referes me marcou especialmente.

Lily, também adoro os trabalhos de Escher. E concordo contigo.

zito azevedo disse...

Entre o Inferno de Escher e o Paraíso apocalíptico de Agostinho sería interessante saber onde colocar a utopía...
Zito Azevedo