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15 Comments


"Pedras no caminho? 
Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."

Fernando Pessoa - poeta






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15 comentários:

Anónimo disse...

...ou refazer a linguagem poética:

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

(Carlos Drummond de Andrade, Alguma Poesia)

a) RB, anónimo por obrigação

Tchale Figueira disse...

Eu não sabia que Pessoa entendia de construção civil... e, com tanta topadas deve ter ficado sem dedos nos pés...

Lily disse...

Eu não gosto de guardar as pedras que encontro no caminho, assim como não gosto de passar por cima delas...prefiro retirá-las e continuar o caminho...
Não vá dar-se o caso de começar a ter pedras no sapato!

Fonseca Soares disse...

Sabedoria pura... em poesia sublime! É Pessoa! (Para outras pessoas... seria só contornar a pedra, já reclamando das pedras no caminho...)

Elsie disse...

Seguindo a lógica da Lily, eu prefiro guardá-las, pois têm sempre algo para nos ensinar, principalmente aquelas em que chegamos mesmo a tropeçar.

Anónimo disse...

Um dos maiores poetas de sempre...
Pessoa é intemporal e imortal.

mdsol disse...

Ou seja: olhar o cop meio cheio em vez d emeio vazio. Fazer das tripas coração é que é. O Pessoa sabia de tudo, irra que o homem é msmo génio.
:))

João Branco disse...

RB, lindo, como sempre.

Tchalé, Pessoa era engenheiro, caramba!

Lily, as pedras são experiências que não devemos esquecer. Principalmente as más, quanto mais não seja para não as repetirmos.

Fonseca, isso mesmo!

Elisie, é essa também a minha percepção :)

Anónimo, não podia concordar mais!

Mdsol, irra porquê? Sorte a nossa! hehehe

zito azevedo disse...

Quem não guarda as pedras que o destino vai colocando no caminho de cada um de nós, jámais terá com que construír o seu castelo... de experiência!
Zito Azevedo

Lily disse...

Ok, eu concordo com voces no sentido de que não devemos esquecer e penso também que não devemos passar por cima das pedras ou contorná-las...Contudo, prefiro construir o meu castelo não com todas as pedras, mas apenas com aquelas que considero que o vão edificar de uma forma sólida. As outras pedras, podem ficar de fora do meu castelo, na minha paisagem, para que eu as veja e não me esqueça que estiveram no meu caminho, mas as não uso para construir o meu castelo! Enfim, é só a minha forma de ver as coisas...mas obrigada a quem me fez pensar sobre o assunto e rever a minha perspectiva!

Kuskas disse...

Indo para o lado do humor "se um dia te atirem uma pedra, pegue-a, suba em cima de uma outra pedra ainda maior e atire-a de volta ao fdp que ta atirou"

O que o Fernando Pessoa queria dizer (acho) é que cada pedra no caminho é uma experiencia que enriquece a nossa vida. Existem aquelas pedras más ou ruins que sempre tentamos esquecer, mas que sempre contribuem para o nosso conhecimento e enriquecimento enquanto seres humanos.

Abraços

João Branco disse...

E de posições diferentes e o seu confronto salutar, também se constroem enoooormes castelos, não é?! Bem hajam a todos!

zito azevedo disse...

Pois é. JB - são as nossas diferenças que nos fazem iguais!
Zito Azevedo

Tina disse...

JB, mais vale tarde do que nunca e eu não resisto a deixar aqui um link onde se desdiz a autoria de Fernando Pessoa relativamente a esta frase... Há dias, deixei o mesmo link no fotolog do Zizim Figueira pois ele citava um poema que continha esta frase. Há muitos mails na Net que atribuem a Fernando Pessoa textos e poemas que não são da categoria dele, por mais sugestivos que nos possam parecer. "Dá a supresa de ser" também não é da sua autoria.
O referido link é o seguinte:

http://static.publico.clix.pt/homepage/provedor/04.ruiAraujo/textos/2007.05.13.fernandoPessoa.asp

Fernando Pessoa também escreveu sobre as pedras, está claro, como nestes versos, sob a pena do heterónimo Alberto Caeiro:

"Num meio dia de fim de primavera
Tive um sonho como uma fotografia
Vi Jesus Cristo descer à terra,
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se de longe.

Tinha fugido do céu,
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.
No céu era tudo falso, tudo em desacordo
Com flores e árvores e pedras,
No céu tinha que estar sempre sério
E de vez em quando de se tornar outra vez homem
...
A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as cousas,
Aponta-me todas as cousas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mão
E olha devagar para elas.
..."

Sublime, é de se ler! E os versos de Drummond, citados pelo Anónimo (que pena), idem aspas!

Mantenha.
Tina

Tina disse...

JB, mil desculpas pois distraí-me. "Dá a surpresa de ser" é de Fernando Pessoa, faz parte do Cancioneiro".
Mantenha.
Tina