Declaração Cafeana

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Um dia ouvi uma história arrepiante: uma professora de um estabelecimento do Ensino Superior fez depender a aprovação dos alunos na sua disciplina da entrega de um trabalho de investigação sobre determinado tema. Um dos alunos fez o mais simples: recorreu ao Google, aplicou copy-paste em série e pimba, entrega o trabalho sem sequer se dar ao trabalho de formatar o "seu" trabalho de "investigação". Os diferentes tipos, tamanhos e cores das fontes de cada um dos sítios "consultados", assim foram mantidos no papel, num gesto não se sabe se de grande honestidade intelectual ou de desavergonhada cara de lata. A professora, claro, anulou o trabalho ao referido aluno.

Foi um branbran só visto. Incredulidade. Dúvida. Aquilo não podia estar a acontecer! Era inaceitável. Daí à raiva, e desta à ameaça foi um passo. O principal argumento é o mais interessante dessa história: "a professora não pode anular o meu trabalho porque eu pago as minhas propinas!" Do tipo, pago os meus impostos logo ninguém me pode levar a mal se assaltar a casa do meu vizinho.

Daí esta ser uma boa nova. É que tendo em conta a proliferação de estabelecimentos de Ensino Superior e respectivos alunos, o mais certo é que a quantidade de trabalhos finais, dissertações e outros desafios académicos cresçam igualmente a ritmo exponencial em Cabo Verde nos próximos tempos. Por isso, nada melhor do que esta útil ferramenta, desenvolvida por uma empresa de Barcelona, e noticiada ontem (aqui): o Approbo.

E o que é o Approbo? É uma nova aplicação gratuita que permite detectar plágios em trabalhos académicos. Mais elaborada, certeira e implacável de que outros programas do mesmo tipo, este software, perante alguma frase ou parágrafo de um documento entregue por um aluno que conste nalguma página web, denuncia imediatamente o plagiador. O funcionamento da aplicação é simples: basta descarregar o Approbo da net, submete-se o documento que se pretende escrutinar e, com um click, em poucos segundos, fica a saber-se se o conteúdo do documento está online – seja em formato Microsoft Office, Adobe Reader ou OpenOffice – e onde é que está. A aplicação disponibiliza ambos os textos – o original e a cópia – no ecrã, para que seja possível perceber a extensão do plágio.

Por exemplo, facilmente se verifica que parte substancial do parágrafo anterior foi copiado da notícia que inspirou este post, mas estou certo que ninguém leva a mal, até porque esta é uma ferramenta para docentes universitários e menos para blogueiros. “Estamos a favor de que os documentos, quando são bons, se copiem... A única coisa que dizemos é que se citem as fontes”, fizeram questão de referir os seus autores. Importante referir que o Approbo é totalmente gratuito, tendo sido financiado pelo Citilab, um portal de educação online que, por sua vez, recebe financiamento de várias administrações públicas

Uma ferramenta idealizada a pensar na comunidade docente, que frequentemente lida com casos de plágio descarado. Nem de propósito. Neste momento, não podia ser mais pertinente. Divulguem lá, a bem da nossa futura comunidade científica.

Fonte: Público



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3 comentários:

Anónimo disse...

Caro João,
Um muito obrigado por este post "approbo"... é para os professores que corrigem os trabalhos dos alunos uma ferramenta... pena é que tenhamos net tão cara!

João Branco disse...

Já estava a estranhar que ninguém comentava isto... :)

Anónimo disse...

Caro João,
Estava também a estranhar que ninguém falasse disto publicamente. A falta de informação é técnicamente tão devastadora como a informação em excesso. Tive a infelicidade de ser o tutor duma aluna da Universidade de Jean-Piaget num trabalho que ela deveria recorrer à internet para investigação. Depois duma pesquisa muito interessante, essa aluna não conseguiu sintetizar num trabalho de esforço pessoal e pediu-me que o fizesse. Infelizmente o trabalho ficou por fazer.
Não se está a passar aos alunos a mensagem correcta nas escolas permitindo distinguir copy & paste do mérito próprio.