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Soube com um dia de atraso que ontem, dia 18 de Janeiro, e segundo estudos efectuados por um professor britânico da Universidade de Cardiff que não tinha melhor forma de ocupar o seu tempo, foi o dia mais deprimente do ano. Porquê? Bem, dizem eles, porque o Natal nunca esteve tão longe (para mim, isso é motivo de júbilo, mas tudo bem) e o Inverno tão agreste (aqui tem estado um frio gélido de 20 graus positivos de noite que faz com que ninguém queira sair de casa). Depois será deprimente também porque por esta altura já se deve ter recebido as contas do mês (como se não as houvesse todos os meses), e é neste dia preciso que se percebe que as resoluções do ano novo nunca serão cumpridas e que não se adivinham melhorias (como raio foram eles descortinar isto?).

Na verdade, tenho sido o primeiro a admitir que este início d'ano tem sido particularmente complicado, mas por condicionalismos outros que todos conhecemos. Mas o mais interessante da notícia não é o diagnóstico, é a proposta de cura. Diz o diário inglês Telegraph, que criou um guia prático de como combater este blue monday, que nada é melhor do que começar o dia comendo chocolate ao pequeno almoço. Apoiado! Depois, aconselha um passeio pelo jardim (aqui como ando sempre a pé e o centro do Mindelo é um pequeno-grande jardim, estou dentro do esquema). A seguir, uma exposição de pelo menos 15 minutos ao Sol (é só ir ali à varanda de casa e pronto, assunto resolvido!) e, finalmente, o cancelamento de uma reunião (praticamente um património cultural das ilhas). A conclusão é fácil e imediata: Cabo Verde é o paraíso do anti-stress. Será?

Se lermos os conselhos seguintes, talvez não: forçar um sorriso (há-os cada vez menos); marcar as suas férias (com que dinheiro, se é tudo caro e se ganha pouco?); imaginar o fim (despos de passa sabe, morre ka nada?); comer fruta (lá se vai o orçamento familiar!); e beber chá (só se for Ice Tea, mas não me parece que seja a mesma coisa). "Mude as músicas que ouve no ginásio" (se em vez de ginásio estivesse escrito rádios, estavamos fritos!); "tente exercer uma influência positiva" (com a nossa capacidade de invejar o vizinho, dúvido que o consigamos) e, se nada resultar, dormir uma hora mais cedo também é remédio para a depressão. Aqui, com a quantidade de festa e de paródia permanente, não me parece que seja essa a melhor solução!

Bem, mas se mesmo em Cabo Verde nada disto resultar, não desanimem: o estudo também revela que existe um dia que é "o mais feliz do ano". Acontecerá a 18 de Junho. Porque será? Cá por mim, acho tudo isto um disparate. Os dias mais e menos felizes podem acontecer a qualquer altura do ano e só depende da forma como, hora a hora, gerirmos as nossas emoções, tristezas, alegrias, pequenos prazeres e frustrações. O resto é conversa para boi dormir. E se chegaram ao final deste texto sem adormecer, certamente concordarão comigo.


Fonte: Diário I




Qual o melhor retrato da classe média cabo-verdiana,
se é que isso existe?



À melhor resposta, ofereço um café








Costuma-se dizer que a classe média é uma espécie de barómetro social que, entre muitas outras características, é a mais sacrificada na aplicação de políticas fiscais do Estado ou é aquela que decide os resultados das eleições. Em Cabo Verde, só recentemente podemos afirmar que temos uma classe média, pois para esta existir é fundamental que haja também uma classe mais abastada acima do seu nariz, o que só mais recentemente, com o advento da aplicação das políticas liberais capitalistas e o desenvolvimento de alguns dos negócios do século (entre os quais os ligados ao narcotráfico), se tornou realidade no país. Hoje sim, podemos dizer que temos em Cabo Verde uma classe média com existência real e significado sociológico, pois que os seus membros já tem para quem ver quando olham para cima, já tem quem invejar e o que almejar para o seu futuro a curto-médio prazo: sair da condição miserável de membro da classe média e atingir, finalmente, o oásis dos novos ricos cabo-verdianos.

Claro que isto tudo tem latente, para quem ainda não tenha percebido, uma ironia que reflecte o actual estado de coisas e permite a partilha de uma das mais inovadoras e divertidas descobertas da blogosfera dos últimos tempos: um blogue dedicado a esmiuçar - diria mesmo, a autopsiar - a classe média (brasileira, neste caso, mas muito do que ali está se aplica ao nosso caso, o que nem é para admirar). Esta pérola tem a designação The Classe Média way of live e os seus textos são divertidos e poderosos. Alguns exemplos (títulos da minha responsabildiade):

1. Como encara o cidadão da classe média a possibilidade de um filho seu ir para a tropa: "Muitos pais de família medioclassistas guardam boas lembranças da época do serviço militar obrigatório. Normalmente o período é tido como uma fase de grande aprendizado e da conquista de boas amizades. Mas quando o patriarca pensa em seu rebento pós-adolescente às voltas com a possibilidade de enfrentar as situações que conhece bem, imediatamente aciona os mecanismos de superproteção em seu cérebro medioclassista. O Papai Classe Média sabe muito bem que aquelas mãos de pele fina, acostumadas apenas ao videogame, não são adequadas ao manuseio de fuzis, e aquele físico nada avantajado de “filho de apartamento” não é adequado para as flexões e para os terríveis cangurus diários. Imagine então ter que acordar o menino todos os dias de madrugada!"

2. Como encara o cidadão da classe média a questão da pena de morte: "Como representante da gente de bem deste País, o membro da Classe Média é contra a violência e pode provar isso, com muitas fotos em que veste branco nas “passeatas pela paz”. Mas quando se traz à baila o assunto “pena de morte”, normalmente se encontra na Classe dois tipos de posicionamento: os simpatizantes e os defensores."

3. O cidadão da classe média e o espírito de manada: "Um verdadeiro membro da Classe Média precisa estar em sintonia com seu grupo social, principalmente quando se trata do “instinto de manada” que lhe é característico. Como qualquer rebanho, este instinto é um recurso que o grupo possui para manter e perpetuar seu modo de vida, mesmo em qualquer adversidade. Como forma de justificar tudo o que faz de errado, ilícito, fora do padrão ou desaconselhável, ou mesmo algo que nada tem de errado, mas não se tem a mínima vontade de fazer, o médio-classista sempre pode apelar para o velho argumento: “todo mundo faz, então não tem problema se eu fizer”. (...) As aplicações para esta ferramenta são muitas: estacionar em fila dupla, comprar um produto que não precisa, deixar de assinar a Carteira de Trabalho da empregada, comer no McDonalds, sonegar imposto, beber e dirigir, gostar de música sertaneja."

4. O cidadão da classe média é, por definição, um sofredor e deve saber divulgá-lo: "Uma coisa que o aspirante à Classe Média tem que saber: dizer a todos que leva uma vida difícil. Na lógica médio-classista, sofrer de estresse com o trabalho e martirizar-se pagando impostos para manter o carro e a empregada faz com que a pessoa emane respeito e admiração. Por isso, nada melhor do que tornar-se um deprimido para em seguida poder tornar pública esta condição. A melhor maneira de mostrar a todos que você carrega o mundo nas costas é ser consumidor de antidepressivos de tarja preta."

Os exemplos são muitos e devo confessar que vergonhosamente me vi retratado em algumas das situações referenciadas, enquanto membro de uma classe média crioula invejosa, recalcada e desejosa para subir de posto e poder ter condições para, finalmente, comer no Poeta mais do que uma vez por mês e ir ao Kapa todos os fins de semana sem se preocupar com quantos uisquis (graças a Deus a classe média consome cerveja importada) vai consumir ou mesmo oferecer, isto sem falar de férias em destinos um pouco menos rascas que Fortaleza ou as Canárias que esses, desde que os TACV se lembraram de fazer voos directos, passaram a ser lugares banais, para não dizer outra coisa.




Se os cabo-verdianos tivessem o mesmo nível de fidelidade com as esposas e namoradas que tem pelo seu clube de futebol ou pelo seu partido político, não seríamos um país modelo certamente no Top Ten do ranking das nações com maridos e namorados mais exemplares?


À melhor resposta, ofereço um café







“Um marciano que decida conhecer os cabo-verdianos através dos fóruns electrónicos seria capaz de pensar que somos um povo em guerra civil declarada.”

José Vicente Lopes - jornalista



Fonte: aqui
Imagem sacada aqui




E por falar em violência doméstica, o que dizem a isto?

"Uma mulher tem sempre a última palavra em qualquer discussão. Qualquer coisa que um homem diga depois disso, é o começo de uma nova discussão."

Fonte: aqui







Os Sete Pecados Capitais Crioulos

1. A propósito dos Sete Pecados e deste post no Bianda, venho por este meio recordar a peça que encenei em 2002 para o Atelier Teatrakácia, denominada Os Sete Pecados Capitais, e que foi um tremendo sucesso de público, pela principal razão (julgo eu) de nos colocarmos perante os nossos próprios defeitos de uma forma humorada, utilizando o teatro como ferramenta de comunicação.

2. A peça tinha, entre outros factores de destaque, Nuno Delgado como protagonista, um dos melhores actores cómicos com quem já trabalhei e que haveria de brilhar, alguns anos depois, com a sua interpretação de João Grilo, na encenação que fizemos aqui no Mindelo do Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna.

3. Em Sete Pecados Capitais, o personagem do Nuno era uma espécie de bispo moralizador de uma qualquer seita religiosa, falava português com sotaque brasileiro (como não podia deixar de ser) e na sua primeira intervenção, onde entra em cena com uma mala de cartão antiga (a mesma mala que trouxe os meus primeiros pertences para Cabo Verde há 17 anos atrás), enumera os sete pecados capitais, com a respectiva tradução em crioulo.

4. O primeiro dos pecados enumerados é a Luxúria cuja tradução encontrada foi Vissarada. Para o caso da Gula, a tradução foi Espissadeza. Para a Ira, o termo certo foi Vluntareza. Para a Avareza, Dzusper pa dinher, Orgulho a Basofaria, a Preguiça foi traduzida pelos termos Relax ou Deskontra e finalmente a Inveja que era simplesmente a... Inveja. Com esta introdução o personagem conquistava de imediato o público e provocava enormes gargalhadas com as traduções para o crioulo.

5. A Vissarada, pecado capital maior dos ilhéus que como se sabe aumenta em noites de lua cheia, é nos tempos que correm um dos principais motores da economia actual, seja ela paralela, formal, informal, horizontal ou mesmo desenvolvida na posição vertical. Os semanários da terra tem dedicados vastas páginas e reportagens à descrição do negócio que só existe porque o mercado tem enorme potencial, porque a matéria prima é de elevada qualidade e porque há falta de alternativa para outras fontes de rendimento.

6. Vai daí, quem tem dois palmos de cara e corpim de sereia utiliza os seus atributos para atrair clientes, o que nem é muito difícil de acontecer neste nosso canto tendo em conta a quantidade de vezes que certo pessoal deixa a cabeça de baixo dominar totalmente a de cima, factor decisivo para a concretização do negócio ou da transacção tipo "eu faço a manutenção, tu dás-me um móvel 3G" ou "troco-te o óleo e amanhã quero um vestido novo da botique Vogue"...

7. A Espissadeza do crioulo não se resume apenas às questões culinárias mas fica sempre claro nas abertura de exposições de artes plásticas que o quadro mais apreciado é aquele que fica junto da mesa dos comes e bebes. Mas ter mais olhos do que barriga, outra frase que define a presunção concreta deste pecado, não é imune à forma de estar dos nossos políticos. Ontem éramos uma espécie de Dragão africano, hoje estamos na linha da frente na Boa Governação e somos chamados para encontros pessoais com Obama.

8. Com tanta fartura, como aquela de prometer crescimentos a dois dígitos, ou a descida do desemprego para um apenas, não admira que acabemos por ter algumas congestões circunstanciais provocadas por alguns alimentos indigestos tipo TACV's ou Electra's que uma vez ingeridos, não há pastilha digestiva que nos valha e livre duma poderosa diarreia e má disposição correspondente.

9. Bem, para a Vluntareza as explicações não são muitas a não ser aquela que dá muito jeito quando não se consegue explicar o que não tem explicação, ao dizer-se que "é algo inato", ou seja, sem remédio. Marido bate na mulher, ninguém se mete. Pai espanca o filho, ninguém denuncia. Dois transeuntes discutem e batem-se à pedrada na rua e todos assistimos ao espectáculo à espera do sangue que inevitavelmente acabará por jorrar.

10. O Dzusper pa dinher, a basofaria e o relax, os correspondentes crioulos à Avareza, Orgulho e Preguiça, andam incrivelmente de mãos dadas e para isso basta colocar um olho na nossa administração pública ou na política do horário único. O importante mesmo é que não nos falta o pão nosso de cada dia, que é como quem diz o salário ao fim do mês e se possível, na proporção directa da importância da nossa cadeira, com todas as regalias a que julgamos ter direito.

11. Não gostamos muito de nos esforçar, preferimos um emprego a um trabalho, mas mesmo assim ai de quem nos ouse criticar - se for estrangeiro ainda é maior a ofensa - porque a obrigatoriedade de dar a devida resposta vai-nos obrigar a um esforço suplementar que a nossa desconstra não alimenta e muito menos justifica. Até porque como todos estamos cansados de saber somos os melhores em tudo o que fazemos e ai de quem se atreva a dizer o contrário!

12. Há alguns anos, o advogado Geraldo Almeida escrevia uma crónica muito boa sobre este aspecto da nossa realidade social, utilizando um termo justo: a moleza nacional, apontando o dedo ao nosso modus fazendis, à nossa capacidade de ir adiando para amanhã o que podíamos perfeitamente fazer hoje, à nossa busca incessante pela solução mais fácil, ou seja, e dito de uma forma simples, à nossa adopção total à chamada Lei do Menor Esforço.

13. Falta falar da Inveja, cuja tradução para o crioulo não conseguimos encontrar nesse espectáculo. Esse talvez seja o mais compreensível e humano dos pecados, até porque mesmo confessando que tenho um teor pessoal e implacável para cair na Luxúria ou na Preguiça (principalmente a primeira logo seguida da segunda), confesso também invejar aqueles que são melhores em determinados aspectos. Até porque a Inveja acaba por ser uma espécie de admiração pelos outros e aposto que este é um pecado fácil de perdoar. Ou não fosse ele Capital.


Mindelo, 17 de Setembro de 2009




Imagem: "time is dead" de MainLi


Este artigo nasce de um comentário desaforado do Paulino Dias a propósito da pontualidade. Como não tenho nada a acrescentar, deixo aqui para a vossa consideração. Proposta para uma Campanha pró-pontualidade?

Tipo: "Eu sou pontual. E tu?"

Sugestões de regras a serem rigosamente seguidas pelos aderentes:

1. Abandonar sempre o local do show cinco minutos depois da hora em que deveria começar e processar os organizadores para recuperar o dinheiro do bilhete (em tempos abandonei ostensivamente o show do Princesito na Assembleia Nacional depois de uma hora de atraso);

2. Cancelar propositadamente aquela reunião em que a pessoa chega 10 minutos atrasados e nem se digna telefonar para avisar e remarcar para dia seguinte às 08h00 em ponto. Se atrasar de novo, remarca outra vez, e assim por diante, até ele perceber;

3. Sair em peso dos actos públicos depois de dez minutos de atraso, dando sempre aquela arrastadinha na cadeira e olhando ostensivamente para o relógio, para todos perceberem que estás abandonando o lugar devido ao atraso;

4. Trancar a porta das salas de aula/seminários/fóruns e quejandos, cinco minutos depois da data indicada para começar, e não abrir nem para Papa quanto mais para o JMN;

5. Desclassificar automaticamente o candidato a emprego que chega atrasado no dia de prova/entrevista e informá-lo porquê;

6. Facturar as empresas de transporte e outras, pelo tempo de atraso (basta calcular o teu salário/rendimento por minuto e multiplicar pelo tempo de atraso) - processar também para cobrar a factura....

Mais sugestões?

"O que nos falta, João, é vergonha na cara, falta de assumpção do tempo como um recurso escasso e... colhões para penalizar os que não são pontuais! O nosso maior desafio como PDM, acredita, é mudarmos a nossa atitude em relação ao tempo..."

Nota: quando leio este e outros comentários do Paulino, só me apetece apelar para que se deixe de tretas e invente um novo blogue rapidamente para nos fazer companhia de forma mais assídua. Faz falta.



O meu mundo por um sorriso


1. Há pequenos acontecimentos que ocorrem nas vidas de cada um que, não significando quase nada, podendo mesmo ser considerados factos residuais sem importância no dia-a-dia das pessoas ou sem qualquer influência no futuro a curto e médio prazo, podem ter, no entanto, sentidos que nos façam perceber alguns sinais do que se está a passar à nossa volta.

2. Vou dar um exemplo vivenciado há alguns dias. Estava eu no novo e agradável aeroporto de S. Vicente, pronto para viajar, e desloquei-me ao bar do mesmo, o único por sinal, num raio de vários quilómetros. A jovem que servia estava de costas nos seus múltiplos afazeres. Chamei a atenção que estava ali e queria ser atendido. Nada. Voltei a chamar. Voltou-se ligeiramente, mas não percebi se aquela subtil deslocação corporal seria um sinal de entendimento. Fiz o meu pedido. Um café e uma sandes de queijo, por favor.

3. A mesma jovem repetiu o pedido para uma outra funcionária. Tudo isto sem sequer se dignar a olhar para mim, o suposto cliente. Não me calei. “Olhe lá”, disse, “pelo menos digne-se a olhar para a minha cara, quanto mais não seja para eu entender se ouviu o meu pedido e se este já está encaminhado” (tradução crioulo – português da minha responsabilidade). A jovem grunhiu um qualquer som imperceptível, que suponho tenha sido uma confirmação que sim, que tinha entendido perfeitamente o meu pedido e que escusava de estar ali a pôr-me em bicos de pés, a querer ser mais importante do que realmente era.

4. Fui atendido sem uma palavra, sem um sorriso. Nada. A mesa onde me sentei tinha ainda alguns restos mortais de consumos anteriores, que foram retirados, mas quanto a passar um pano e limpar a mesa, qual quê. Isso já é pedir demais. Por sua vez, a gerente do bar do aeroporto, que é uma simpatia de senhora, e que me conhece desde há muito, essa sim, foi de uma amabilidade natural. Pelo menos na hora de pagar, o ambiente estava menos pesado!

5. A verdade é que em todos os locais naquele aeroporto, desde o chek-in, passando pelos seguranças, apenas a funcionária que estava no guichet dos TACV sorria com quantos dentes tinha na boca e mostrava uma boa disposição, que até pareceu estranha naquela circunstância. “Eles acham que eu sou maluca, por andar sempre assim a rir com toda a gente, mas nem quero saber. Adoro trabalhar aqui e não tenho que escondê-lo”, confessou a alegre funcionária que antes de voltar ao posto tinha estado a divertir os taxistas com as suas histórias e anedotas. De resto, o sisudíssimo ambiente era a regra geral.

6. Isto num aeroporto, onde muito provavelmente mais de metade das pessoas que ali estão, se encontram em estado de pavor quase absoluto, pelo medo generalizado de voar, muito comum no comum dos mortais. Ainda para mais com as recentes e medonhas notícias de quedas de aviões, que originaram tsunamis mediáticos, como o terrível acidente acontecido com o Boeing da Air France em pleno Oceano Atlântico.

7. Este seria, pois, o local ideal para todos os trabalhadores sorrirem, contribuindo para um ambiente mais tranquilo, calmo, sereno. Sem colocar em causa a competência deste ou daquele serviço, seria tão diferente se, por exemplo, chegássemos ao segurança que controla os passaportes e os bilhetes na entrada do chek-in e ouvíssemos um “bom dia, como estão? Posso ver a sua identificação, por favor?”; e este terminasse com um “muito obrigado e tenham uma boa viagem”, tudo acompanhado de um desinteressado sorriso.

8. O que se está a passar em Cabo Verde? Este exemplo é apenas uma pequena amostra. Nos últimos dias andei particularmente atento a este aspecto: em praticamente todos os serviços, no Estado ou em empresas privadas, nas Câmaras Municipais ou nos Hospitais, nos autocarros ou nos táxis, nos cafés ou nos supermercados, ninguém anda a sorrir. Muitos prestam o serviço como se estivessem a fazer um favor e outros nem se dignam a olhar para a cara dos clientes.

9. O primeiro mandamento, aquele mais básico do bê-a-bá do Marketing diz-nos que hoje, cada vez mais, se uma empresa quer singrar no mercado, tem que ter como principal objectivo e foco a satisfação dos clientes. Isto é básico. Clientes satisfeitos não só se mantêm enquanto tal, como trazem por arrasto outros clientes, aumentando a carteira da empresa e os seus mais que prováveis lucros anuais. Um cliente insatisfeito, pelo contrário, provavelmente nunca mais voltará a utilizar os serviços dessa empresa. Pelo menos, é o que está escrito nos manuais.

10. Isto teoricamente, claro. Em Cabo Verde fica difícil, porque quando os TACV nos pregam as partidas habituais, de anular voos ou fazer os clientes “desaparecer do sistema”, apesar de terem comprovativos de que compraram a sua passagem, restam poucas ou nenhumas alternativas. Se alguém está insatisfeita com a Electra, faz o quê? Se sou mal serviço no bar do aeroporto de S. Vicente vou tomar café à aldeia de S. Pedro? Felizmente, a concorrência nalguns serviços tem permitido que alguns destes melhorem, mas estamos longe, muito longe, de ter um ambiente e uma qualidade de atendimento sequer perto do razoável.

11. A crise de sorrisos é, pois, generalizada. Nos restaurantes, para além da demora faraónica e da enorme paciência que implica a espera entre o momento em que nos sentamos, aquele em que somos atendidos e começamos efectivamente a fazer o que nos levou àquele lugar – comer – vai uma distância directamente proporcional aos preços praticados nas ementas. Na generalidade dos hotéis e residenciais os serviços de atendimento são maus. E podemos ir para qualquer actividade económica geradora de rendimento que a realidade é a mesma.

12. É paradoxal, num pais que aposta no turismo como motor de desenvolvimento, que não se façam largas campanhas de bem atender. Façam-se acordos com marcas de pastas dentífricas e consultórios de dentistas e promova-se o sorriso do cabo-verdiano como marca a preservar e promover. Não tenhamos medo de ser simpáticos, mesmo que não gostemos do nosso trabalho. Lembremo-nos de que os clientes não tem culpa que a grande maioria prefira um emprego em que nada faz a um trabalho que dê (algum) trabalho.

13. Há uma crise de sorrisos em Cabo Verde que urge resolver. Não há motivos para sorrir? Não há razão para não haver motivos, isso sim. Porque o não sorrir é apenas e só um dos sintomas mais visíveis do estado lastimável em que se encontra a qualidade da prestação de serviços, sejam eles públicos ou privados. Para os que cá estão e para os que nos visitam, é urgente sorrir mais. Ou como diria o poeta Daniel Filipe, re-inventemos a nossa capacidade de sorrir, com carácter de urgência.

Mindelo, 23 de Julho de 2009






A falta de pontualidade do crioulo tem alguma razão antropológica mais profunda ou é apenas uma questão de (falta) de respeito pelo próximo?


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SMS's 1

"Vi pessoalmente e com os meus próprios olhos, Jesus Cristo."

Amândio Honório de Jesus Delgado de Brito, em artigo publicado aqui

SMS's 2

"Mas porra, dá-me o número de bô dealer!"

Hiena, em resposta num artigo vigoroso aqui


Comentário: quando passei por este artigo nem liguei muito à coisa. O facto de ser publicado num jornal online da praça que se quer sério e cheio de boas intenções é uma mera coincidência até porque destas últimas está o Inferno cheio, como estamos cansados de saber. Depois ainda considerei o facto de o senhor em delírio ser adepto de um certo clube de Lisboa que ao que parece, dada a sua tendência de crucificar treinadores, resolveu contratar um técnico que já experimentou o amargo sabor, pelo menos do ponto de vista Bíblico, e que esteve os últimos anos na cidade mais religiosa de Portugal (sendo que se estes dois factos estão ligados por alguma ironia do destino, é algo que me escapa). Mas quando li, nos comentários de um e outro artigo, que este senhor é Juiz (!) de uma comarca de S. Nicolau, fiquei mais preocupado. Ou isso é um boato e ainda nos podemos rir de todo este episódio ou então a justiça está tão mal que encontraram na ilha de Chiquinho o profeta que faltava para salvar a pátria do descalabro. Preparem-se, pois, Cabo Verde acaba de encontrar a sua Fátima. 




68,4% dos cabo-verdianos
nunca recorreu à Internet por não saber como


Fonte: aqui





Tendo em conta os horários do futebol, das novelas e os hábitos crioulos mais enraizados, qual a melhor hora para se convocar uma revolução?


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Pergunta cafeana inspirada aqui




Depois de mais um reunião da CE, alguns Ministros resolvem passar pelo Louvre para aliviar o stress e param meditativos perante um excelente quadro de Adão e Eva no Paraíso.

Desabafa Angela Merkel:
- Olhem que perfeição de corpos: ela esbelta e esguia, ele com este corpo atlético, os músculos perfilados ... São necessariamente estereótipos alemães.

Imediatamente Sarkosy reagiu:
- Não acredito. É evidente o erotismo que se depreende de ambas as figuras... ela tão feminina... ele tão masculino... Sabem que em breve chegará a tentação... Só poderiam ser franceses.

Movendo negativamente a cabeça, o Gordon Brown arrisca:
-Of course not! Notem... a serenidade dos seus rostos, a delicadeza da pose, a sobriedade do gesto.... Só podem ser Ingleses.

Depois de alguns segundos mais de contemplação, Sócrates exclama:
-Não concordo. Reparem bem: não têm roupa, não têm sapatos, não têm casa, só têm uma maçã para comer... não protestam e ainda pensam que estão no Paraíso... Não tenham a menor dúvida, são portugueses!


Sugestão Cafeana: o que diria o nosso Primeiro-Ministro, José Maria Neves, para convencer os seus pares de que, pelo menos a costela de Adão, é cabo-verdiana?

Ilustração: pintura "Adão e Eva" de Durer




Os machos crioulos andam a lavar pouco a louça
ou a equidade já chegou aos lares de Cabo Verde?


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Porque calamos tanto?


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Ter um blogue é como abrir as portas e janelas da nossa casa. Todos entram sem pedir licença, e manifestam-se sem qualquer problema, mesmo não concordando com o anfitrião. A grande maioria faz as suas visitas com máscaras escondendo o rosto, mesmo sabendo que ainda estamos longe do Carnaval e que vivemos num país com uma democracia implementada onde, por princípio constitucional, a liberdade de expressão é defendida.

Depois de um ano de experiência com este espaço de portas abertas, continua ser um mistério o facto de termos um sentido de humor tão pouco desenvolvido, para não dizer obtuso, apesar de a comédia ser, de longe, o género teatral e cinematográfico preferido da maioria. Não é de hoje que penso se seria possível um programa como o Contra Informação ou como o dos Gatos Fedorentos no nosso país ou na nossa televisão pública. A resposta é, neste momento, e ainda, um sonoro não. Não estamos preparados, social e culturalmente, para nos rir de nós próprios. O que é estranho tendo em conta que gostamos tanto de rir dos outros, mas quase sempre escondidos, nos corredores, sem dar nas vistas, já que uma vez de volta ao salão principal, lá estamos nós com o nosso ar de gente séria e respeitosa, afinal de contas, com o brio pessoal e profissional do crioulo, não se brinca!

Será que os brasileiros tem raiva dos Gatos Fedorentos por causa da brilhante caricatura que o actor Ricardo Araújo Pereira faz de Scolari, ou algum sportinguista se sentirá minimamente ofendido pelo penteado e forma de falar no mesmo actor, ambos ridículos, inspirados no também treinador Paulo Bento? Alguém pensa na possibilidade de ele escolher estas figuras por ser um português frustrado ou um benfiquista com sede de vingança ou pensamos apenas que ele é um excelente actor cómico? Alguém pensa que ele é da oposição quando faz a paródia ao Primeiro-Ministro José Sócrates? Seriam os nossos políticos capazes de aceitar, com desportivismo e um sorriso nos lábios, alguns dos sketches e figuras criadas pelos humoristas lusos, numa versão nacional dos mesmos? O mais provável era acabar tudo em tribunal!

Hoje, no âmbito dos blogues apenas ao Hiena lhe é "permitida" alguma liberdade humorística e para isso foi preciso ele esconder a sua identidade. Alguém duvida que se se soubesse quem é o autor que está por detrás dos excelentes cartoons do Jornal do Hiena, ele hoje já não andaria por aí a rir de nós e de si próprio?

Por vezes, parece que nos levamos demasiado a sério. E isso não tem nenhuma piada.




Relato verídico, na primeira pessoa, mas não vivenciado:

1. Aeroporto: meio mundo chateado, pronto para explodir com a mais pequena faísca por causa de um atraso de mais de 4 horas num voo doméstico.

2. No avião: guerra feia entre... as duas assistentes de bordo. Jogo sujo, bocas foleiras, peixeirada. Tudo na frente de passageiros incrédulos.

3. No taxi: pé no acelerador, buzinadelas, por 3 vezes não batemos por milagre. E se batesse, ai ai, sai tiro, na certa!

4. No autocarro: guerra verbal entre duas senhoras. Má criação. Insultos. "A tua sorte é não sair na mesma paragem, senão..."

- A nossa terra está estranha, João. Perante uma aparente acalmia, a sensação que tenho, na maior parte do tempo, é que estamos andando em cima de um vulcão, que mais dia menos dia, vai entrar em erupção. E depois, como vai ser?


Este país está a precisar de um divã?




Electra, Deusa Grega que simboliza o amor passional pelos pais. Uma espécie de complexo de Édipo, no feminino. Segundo reza a lenda, amargurada e impulsiva, Electra, levada mais pela fúria do que pela maldade, induziu seu irmão Orestes a assassinar sua mãe, vingando a morte de seu pai. No seu tempo, não existia a Playboy.

Electra, Deusa Americana, simboliza o triunfo do silicone e da arte de moldar um corpo de mulher, embora como sabemos, a idade não perdoa, por muito que se tente encontrar o elixir da juventude, como se pode ver pela barriguinha saliente que já não consegue ser disfarçada. Idolatrada principalmente por humanos do sexo masculino, foi uma das mais bem sucedidas colehinhas da Playboy.

Electra, Deusa Cabo-verdiana, simboliza a escuridão e uma das virtudes mais importantes do ser humano: a paciência. Com esta Deusa, amargurada e impulsiva tal como a sua congénere Grega, nunca se sabe o que se pode esperar. Os seus súbitos já programaram a sua morte por diversas vezes, mas ela regressa sempre, mais poderosa e apagada do que nunca. Já recusou vários convites para posar nua na Playboy, porque diz que ninguém a entende nem consegue ver a sua verdadeira essência.





Um texto divertido que me chegou por mail, a que se seguirá uma correspodência para Cabo Verde. É um café delicioso. Disfrutem:

«Li uma vez que a Argentina não é nem melhor, nem pior que a Espanha, só que mais jovem. Gostei dessa teoria e aí inventei um truque para descobrir a idade dos países baseando-me no sistema cão.

Desde meninos nos explicam que para saber se um cão é jovem ou velho, deveríamos multiplicar a sua idade biológica por 7. No caso de países temos que dividir a sua idade histórica por 14 para conhecer a sua correspondência humana.

Confuso? Neste artigo exponho alguns exemplares reveladores.

A Argentina nasceu em 1816, assim sendo, já tem 190 anos. Se dividimos estes anos por 14, a Argentina tem 'humanamente' cerca de 13 anos e meio, ou seja, está na pré-adolescência. É rebelde, masturba-se, não tem memória, responde sem pensar e está cheia de acne.

Quase todos os países da América Latina têm a mesma idade, e como acontece nesses casos, eles formam gangs. Os gangs do Mercosul são formados por quatro adolescentes que tem um conjunto de rock. Ensaiam numa garagem, fazem muito barulho e nunca gravaram um CD.

A Venezuela, que já tem peitinhos, deseja unir-se a eles para fazer coro. Na realidade, como a maioria das meninas da sua idade, quer é sexo, neste caso com o Brasil que tem 14 anos e um membro grande.

O México também é adolescente, mas com ascendente indígena. Por isso, ri pouco e não fuma nem um inofensivo charro, como o resto dos seus amiguinhos. Mastiga coca, e junta-se com os Estados Unidos, um retardado mental de 17 anos, que dedica-se a atacar os meninos famintos de 6 anos noutros continentes.

No outro extremo, está a China milenária. Se dividirmos os seus 1.200 anos por 14 obtemos uma senhora de 85, conservadora, com cheiro a xixi de gato, que passa o dia a comer arroz porque não tem - ainda - dinheiro para comprar uma dentadura postiça.

A China tem um neto de 8 anos, Taiwan, que lhe faz a vida impossível. Está divorciada há algum tempo do Japão, um velho chato, que se juntou às Filipinas, uma jovem louca, que sempre está disposta a qualquer aberração em troca de dinheiro.

Depois, estão os países que são maiores de idade e saem com o BMW do pai. Por exemplo, Austrália e Canadá. Típicos países que cresceram no amparo do pai Inglaterra e da mãe França, tiveram uma educação restrita e antiquada e agora se fingem de loucos. A Austrália é uma palerma de pouco mais de 18 anos, que faz topless e sexo com a África do Sul. O Canadá é um menino gay emancipado, que a qualquer momento pode adoptar o bebé Groenlândia para formar uma dessas famílias alternativas que estão de moda.

A França é uma separada de 36 anos, mais puta que uma galinha, mas muito respeitada no âmbito profissional. Tem um filho de apenas 6 anos: Mónaco, que vai acabar acabar puto ou bailarino... ou ambas coisas. É a amante esporádica da Alemanha, um camionista rico que está casado com Áustria, que sabe que é chifruda, mas que não se importa com isso.

A Itália é viúva há muito tempo. Vive a tomar conta de São Marino e do Vaticano, dois filhos católicos gêmeos idênticos. Esteve casada em segundas núpcias com Alemanha (por pouco tempo e tiveram a Suíça), mas agora não quer saber mais de homens. A Itália gostaria de ser uma mulher como a Bélgica: advogada, executiva independente, que usa calças e fala de política de igual para igual com os homens (A Bélgica também fantasia de vez em quando que sabe preparar esparguete).

A Espanha é a mulher mais linda de Europa (possivelmente a França se iguale a ela, mas perde espontaneidade por usar tanto perfume). É muito tetuda e quase sempre está bêbada. Geralmente deixa-se foder pela Inglaterra e depois a denuncia. A Espanha tem filhos por todas as partes (quase todos de 13 anos), que moram longe. Gosta muito deles, mas a perturbam quando têm fome, passam uma temporada na sua casa e assaltam o seu frigorífico.

Outro que tem filhos espalhados no mundo é a Inglaterra. Sai de barco de noite, transa com alguns palermas e nove meses depois, aparece uma nova ilha em alguma parte do mundo. Mas não fica de mal com ela. Em geral, as ilhas vivem com a mãe, mas é a Inglaterra que as alimenta. A Escócia e a Irlanda, os irmãos de Inglaterra que moram no andar de cima, passam a vida inteira bêbados e nem sequer sabem jogar futebol. São a vergonha da família.

A Suécia e a Noruega são duas lésbicas de quase 40 anos, que estão bem de corpo, apesar da idade, mas não ligam para ninguém. Transam e trabalham, pois são formadas em alguma coisa. Às vezes, fazem trio com a Holanda (quando necessitam marijuana); outras vezes brincam com a Finlândia, que é meio andrógino, de 30 anos, vive só num apartamento sem mobília e passa o tempo a falar ao telemóvel com a Coreia.

A Coreia (a do Sul) vive de olho na sua irmã esquisita. São gémeas, mas a do Norte tomou líquido amniótico quando saiu do útero e ficou estúpida. Passou a infância usando pistolas e agora, que vive só, é capaz de qualquer coisa. Os Estados Unidos, o retardado de 17 anos, vigia-a muito, não por medo, mas porque quer pegar as suas pistolas.

Israel é um intelectual de 62 anos que teve uma vida de merda. Faz alguns anos, Alemanha, o camionista, não a viu e atropelou-a. Desde esse dia, Israel ficou que nem louco. Agora, em vez de ler livros, passa o dia na varanda à pedrada à Palestina, que é uma menina que está a lavar a roupa na casa do lado.

Irão e Iraque eram dois primos de 16 anos que roubavam motos e vendiam as peças, até que um dia roubaram uma peça da moto dos Estados Unidos e acabou o negócio para eles. Agora estão comendo lixo.

O mundo estava bem assim até que, um dia, a Rússia se juntou (sem casar) com a Perestroika e tiveram uma dúzia e meia de filhos. Todos esquisitos, alguns mongolóides, outros esquizofrénicos.

Faz uma semana, e por causa de um conflito com tiros e mortos, os habitantes sérios do mundo, descobriram que existe um país que se chama Kabardino-Balkaria. É um país com bandeira, presidente, hino, flora, fauna... e até gente! Eu fico com medo quando aparecem países de pouca idade, assim de repente. Que saibamos deles por ter ouvido falar e ainda temos que fingir que sabíamos, para não passar por ignorantes.

Mas aí, eu pergunto: por que continuam nascendo países, se os que já existem ainda não funcionam?

Hernán Casciari - escritor e jornalista argentino



Comentário Cafeano: e Cabo Verde? Pelas contas, tem 2 anos e poucos meses, e é filho da mãe Portugal e de pai incógnito, um Reino centenário da costa oeste africana. Só aprendeu andar sem ajudas há pouco tempo. Como todas as crianças desta idade ainda é muito dependente, e precisa de ajuda para sobreviver. Não pára quieto. Esta é uma fase na qual carrega objectos sem perder o equilíbrio e já corre muito bem. Consegue manter a atenção durante mais tempo, ao ouvir uma história, pintar ou ver desenhos animados e o seu personagem preferido é o Super FMI. Ele está a aprender a conviver mas ainda manifesta sentimentos de rivalidade e egoísmo, principalmente com outros países da mesma idade. Com esta idade, fala já pelos cotovelos, começando a ter um domínio da língua, mas ainda está longe de saber escrever.

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