Declaração Cafeana

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Uma guerra é por natureza, uma situação onde os maiores horrores jamais imaginados pela natureza humana são cometidos. Em nome de uma cor de pele, de uma fronteira, de uma história ou de uma religião. Numa guerra nunca são os exércitos as maiores vítimas. Esses são treinados para matar, mas sobretudo mentalizados para morrer. As maiores vítimas são as pessoas, os chamados civis, e entre esta maioria martirizada estão mulheres, crianças e velhos, porque são os que menos "vão para a guerra".

Nesta guerra está tudo claro. A superioridade absurda e cobarde de Israel. O silêncio cúmplice dos Estados Unidos. A fragilidade verbal da Europa. A chantagem fundamentalista do Hamas. Nenhuma destas entidades está verdadeiramente preocupada com aqueles que realmente sofrem com este conflito. Israel porque mata civis impunemente quando diz procurar atingir alvos militares, o Hamas porque se esconde entre os civis, sabendo que assim a chacina será maior e a condenação dessa tal "comunidade internacional" mais alargada. Israel porque impede, de forma intolerável a entrada de ajuda alimentar, observadores independentes ou de jornalistas na Faxa de Gaza; o Hamas porque torna não só justificável como até motivo de maior desejo e orgulho a transformação de seres humanos normais em homens ou mulheres bombas, capazes de entrar num autocarro civil qualquer e matar dezenas de inocentes, porque toda a sua família foi dizimada pelos tanques e bombas israelitas.



Não creio que os líderes do Hamas se preocupem muito com o seu próprio povo, muito menos penso que os israelistas se preocupem em rever o seu próprio percurso histórico para verificar que a diferença entre Gaza, alguns dos territórios ocupados e os guetos controlados pelos nazis na 2ª Guerra Mundial, não é muita.



Irrita-me solenemente que no meio disto tudo Obama continue calado como se não tivesse nada a ver com o assunto. Acho bem que ele continue preocupado com o bem-estar das suas filhas e da sua prestável e inteligente esposa, mas não foi para isso que meio mundo festejou a sua vitória nas últimas eleições americanas. E quem afirma que ele pouco pode fazer ou é cego ou está a fazer-se.

      Foto 01: criança palestiniana a ser enterrada, ontem;
      Foto 02: família israelita escondida num bunker, ontem;
      Foto 03: família Obama, na manhã de ontem.

Fonte: 20 minutos




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15 comentários:

Arsénio disse...

Estou a ver que o foco anda sempre com o Obama. O homem tem muitas frentes para batalhar (nos EUA e no mundo inteiro) é melhor estar ali em casa a preparar, para só depois começar a buzinar.

Mas quem não anda preocupado com o seu povo e "adora" ataques terroristas é o Hamas que não pára para ver que deveriam estar a governar o seu povo que o elegeu. As crianças, infelizmente são usados como escudos e como propaganda, quando não estão preocupados com elas.
Porque isso é a última coisa que devem estar a fazer por lá.

Os ataques verbais deveriam estar centrados no Hamas e no governo israelita.

Anónimo disse...

A mim parece-me claro que a estratégia de Israel foi eminentemente oportunista, ao aproveitar um aparente vazio de poder nos USA, de um lado, e a sabida indigência diplomática e a falta de liderança internacional da UE, de outro lado.

Mas parece também evidente, em qualquer caso, que Israel não arriscaria a invasão sem o conluio cúmplice de ambos.

Conluio em que, por total omissão, se deve integrar o presidente eleito.

Má sorte para todos aqueles que (como eu) vibraram com a eleição de Obama e nela perspectivaram uma nova esperança de futuro, talvez esquecendo que a vontade de progresso não está nos discursos de campanha nem, muito menos,nas origens ou na cor da pele.

a) RB, anónimo por obrigação

b disse...

Pois, lá está. "Com o mal dos outros, posso eu bem", já dizia alguém. Isto está tudo errado, muito errado. EUA, Europa, Israel, tudo. Quando os pretextos resultam em "morrer" em vez de "crescer", "aprender", "partilhar" ou "amar e respeitar o próximo" (atenção que não sou católica), quer dizer que está tudo muito errado. Tudo não. Nós, as pessoas. A nossa alma e coração. Será que um dia isto muda?

b disse...

E quanto ao Obama...no comments. He's just one more american, after all. Embora que lhe prefira as politicas à dos republicanos. Mas vai ter sempre que defender a economia sustentável (até aqui podia estar tudo bem), nascida de sistemas financeiros paridos por fortunas resultantes do negócio de armas, drogas e dos próprios bancos. No dia em que eles e nós (EUA e Europa), deixássemos de querer andar pendurados nessas muletas, seriamos obrigados a mudar de estilo de vida. E quem é que quer ter só 4 sapatos quando pode ter 10, ou andar de transportes quando o carro é mais confortável, ou não ter casa de férias, ou quartos cheios de brinquedos quando o tempo é passado à frente da televisão, enfim. Um mundo cheio de coisas que antes de se usarem já estão a ser deitadas fora e que fazem muita falta a tanta outra gente. Isto tem tudo a haver com "life style". Bem, já me estendi, peço desculpa. Belo post , boa consciência. b

João Branco disse...

Arsenio, não sejas ingénuo. Se fosse nalgum outro local do mundo onde os interesses - fundamentalmente os interesses económicos - dos Estados Unidos estivessem sendo postos em causa, Obama reagiria de outra forma sim. O silêncio e a omissão perante a barbárie é uma forma lícita de cumplicidade.

RB, concordo com o comentário.

b, justamente. As pessoas esquecem-se que as bombas, tanques e armamento que anda a matar em Gaza foram brinquedos oferecidos pelos americanos aos seus amigos israelitas.

Tiago Leão disse...

Chateia-me profundamente não ter de arrepiar caminho por há uns dias atrás não ter festejado a vitória de Obama. De tanto o ouvir, fartei-me daquele, pelos vistos falso e hipócrita, We Can! Sempre me pareceu que se estava a celebrar a raça, conceito aliás inconcebível aos olhos da ciência pós-moderna. Esqueceram-se infelizmente que não seria nunca a cor de Obama a governar os EUA e, por arrastão, o mundo. Claro que há razões para ficar contente, uma só: a saída de Bush e, João, a notícia que passas sobre o terceiro membro do clã, é simplesmente aterradora. Agora não peçam o impossível a Obama, ele não é só preto, é presidente dos EUA! Chateia-me também que se misture e confunda constantemente o povo israelita com o governo assassino daquele mesmo país. Os israelitas são um povo fascinante, não fossem eles um povo do mundo, um povo de todas as línguas e culturas. Abraço e parabéns pelo blog.

João Branco disse...

Tiago, certamente que é importante não confundir os governantes e chefes militares de Israel com o seu povo assim como não se pode confundir o Hamas e os fundamentalistas, com os palestinianos, que aliás, no meio deste drama, são de longe quem mais sofre com esta guerra absurda.

Anónimo disse...

Voces meus caros cairam na historia de Obama ser (de cor). É tudo uma questão de poder meus amigos. OS POLITICOS E OS MILITARES ABUSAM TANTO QUANTO PODEM DA INCAPACIDADE EM QUE OS POVOS SE DEBATEM. Não existem criminosos de guerra, a guerra é criminosa sem razão de ser. Judeu, Palestino, Crioulo que merda é esta? Já viram a caca de mosca que flutua no cosmos e é a nossa casa? QUE INSIGNIFICANCIA NO UNIVERSO... Somos aquilo que somos e a prova é a nossa evolução em milhões de anos. Paradoxal: Hitler matou milhões de Judeus, judeus matam Palestinos, nimguem apendeu a lição?... É TRISTE A MISERIA HUMANA MAS TODAVIA PINTO QUADROS E TU JOÃO FAZES TEATRO,,,QUE MAIS DIZER?...... TCHALE FIGUEIRA

João Branco disse...

Como li hoje em alguns blogues: a Palestina está muito longe...

Salim disse...

"Muito menos penso que os israelitas se preocupem em rever o seu próprio percurso histórico para verificar que a diferença entre Gaza, alguns dos territórios ocupados e os guetos controlados pelos nazis na 2ª Guerra Mundial, não é muita".

Nem mais! "Não é muita", é a mesmíssima coisa! E é isso que não se consegue entender e nem perdoar!

Quanto ao Obama, estão a confirmar-se, infelizmente, as previsões mais pessimistas: estava apenas a ser um bom político com os seus grandiosos discursos de mudança.

A única mudança efectiva que trouxe até agora foi ter nomeado um Nobel da Física para Secretário de Energia dos EUA.

Issó sim foi "change we can believe in". Agora, é esperar para ver até onde vai levar a sua Nobel intenção e o que vai mudar de facto.

Quanto ao resto, se repararmos bem, está a preparar-se para fazer o mesmo que Bush, só que por outros caminhos e com gente diferente: endividamento geral para salvar os poderosos (de resto, tal como faz hoje o resto do mundo).

E, no que diz respeito a Israel, está a ser um grande covarde, porque no fundo deve ser contra o que está a acontecer (mas não pode irritar os judeus).

Enfim, por enquanto, está a revelar-se um mero político como todos os outros. Quem sabe vai fazer uma viragem 180º logo após assumir o poder.

A real esperança é que não seja um Bush preto. Isso, sim, seria devastador...

1 love

João Branco disse...

Se é 180º que bo kre, tchama Abraão e el ta tratá d'asunto...

Anónimo disse...

pensavam que por ser preto o Obama seria diferente dos outros? Até parece que os governantes dos países africanos são gente honesta....

João Branco disse...

Anónimo, o Obama entusiasmou todo o mundo, não foi porque era preto, amarelo ou cor de rosa, mas principalmente pela mensagem e carisma que tem. Aliás, os EUA tem apenas 18% de afro-americanos e ficou claro que a questão racial, tendo tido importância histórica como exemplo, não foi, nem de perto nem de longe, o mais importante na sua eleição.

Anónimo disse...

deve-se mesmo matar todos terroristas...os escudos humanos que eles fazem com os civis....
esses palestinos terroristas devem ser eliminados da face da terra.....
amo israel...e tudo que ele venha a fazer....uma grande nação....
ao menos nao temos homens bombas explodindo escolas, temos um exercito em ação...
cobardes sao aqueles que acham israel cobardes.......
encare de frente...e veja o que este hamas faz e destroe...
viva israel for ever...
bom dia

João Branco disse...

Está bem. O Hamas é preto e Israel é branco. É este tipo de visão que provoca a maior parte de desgraças que acontecem a nível global. Mas cada um é como cada um.