Declaração Cafeana

21 Comments


Nota prévia: esta opinião não está influenciada por nenhuma preferência relativa a clubes de futebol e aplicar-se-ia qualquer que fosse a cor, a pessoa ou o clube de futebol em causa, tendo este mesmo assunto já sido aflorado em alguns blogues e fóruns cabo-verdianos nos últimos dias.

Pretende-se sublinhar aqui o exagero protocolar com que são recebidos no arquipélago cabo-verdiano os dirigentes desportivos portugueses, jogadores e ex-jogadores sem qualquer ligação ao país (a não ser que sejam daqueles que tenham também algumas costelas espalhadas pelas ilhas do arquipélago). Não faz qualquer sentido, e é até desprestigiante para o país e as suas instituições que estas pessoas sejam recebidas com honras de Estado, com audiências privadas com Presidente, Ministros e outras grandes figuras públicas, como se fosse grande a contribuição destas figuras para o bem-estar de Cabo Verde e da sua população.

Isto a propósito dos festejos do chamado Dia da Liberdade e Democracia na capital do país, que foram totalmente dominadas pela iniciativa da Câmara Municipal da Praia em colocar algumas vedetas do futebol português na corrida comemorativa, todas do mesmo clube - provavelmente o clube do Presidente - com direito a outdoors espalhados pela cidade, supõe-se que pagos pelo erário público, tendo um deles merecido nome de rua e tudo. Alguém falou da data, razão de ser do feriado, ou se lembrou disso?

O futebol faz parte do dia-a-dia dos cabo-verdianos, não há qualquer dúvida em relação a isso. Eu próprio não sou imune e vivo o desporto rei luso com entusiasmo. Mas a forma como são recebidas em Cabo Verde certas figuras públicas ligadas ao futebol português é claramente exagerada e roça o provincianismo. O mesmo provincianismo que se viveu por estes dias em Portugal, com a histeria causada com a possibilidade de ter o Maradona a ver um jogo de futebol num dos estádios portugueses. Aleluia!

E pronto, agora falem lá do Guiness e dos 6 milhões...



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21 comentários:

Arsénio disse...

Pena que os nossos atletas, quando chegam a terrinha para defender as cores da selecção nacional, não são recebidos pelo banho da multidão.

Coloca provincianismo nisso.

A cobertura total que os outros recebem na nossa comunicação social, é tanta, que os nossos Dadys, Guys, Gabeys, Litos, etc devem sentir aquele aperto na barriga, só de ver.
Também os nossos do basket, Rodrigo e companhia, já nem reclamam disso, porque o desgosto é tanto.

A nossa selecção de futebol quando joga, a notícia que passa na TCV ou em qualquer outro órgão da comunicação social, é tão escassa, que as vezes nem sabemos qual o clube actual deste ou daquele jogador.
Ainda bem que temos as nossas próprias fontes de informação, para não depender-mos das TCVs e de outros órgãos.

Anónimo disse...

É demais!É de..mais!.. Disseram-me que o Presidente da Assembleia Nacional esteve uma hora na Quinta da Montanha à espera do Eusébio para almoçar!

Não é nenhum consolo para nós mas as coisas são ainda piores em Angola e Moçambique. Em Moçambique cheguei a assistir à euforia causada pelo Benfica..

Tanta alienação!.. Causa engulhos.
O teu comentário veio mesmo a propósito e tem a acuidade de sempre.
Pela minha parte, um grande obrigado e .. Força!

João Branco disse...

Arsénio, lembro-me a propósito disso de um episódio interessante, até do ponto de vista social: houve um ano em que a selecção de Cabo Verde conseguiu vencer a Taça Amilcar Cabral, disputada no arquipélago. Essa vitória foi conseguida no mesmo dia em que o Sporting de Portugal conseguiu confirmar um título de campeão que não conseguia ha´19 anos. Pensas que eu vi algum cabo-verdiano a festejar a vitória da sua selecção? Que nada...

Anónimo, pelo menos o Eusébio é moçambicano e o Mantorras é angolano... Se ainda tivessem o Nelson, cabo-verdiano de gema, nascido no Sal...

Anónimo disse...

É pena. Aque o santo de casa não faz melagre. Ele não exeste.
Bodonas são sempre os de fora.
Mestura a maes dá nesso, meu caro.
Deabo!... Ronaldo com vesceras creoulas... E eu? 1Abrç.Kkbb

Anónimo disse...

Pois é,
é a força que o futebol tem, meu caro!

Oscar Gomes disse...

Não vou comentar o post. Disseste tudo... escolheste uma boa fotografia para a capa. :)

Um abraço
OG

P.S. Es ten ki ba kondekora nos Xuxadera tanbe.

Tiago disse...

João, começas por dizer que o teu desabafo nada tem a ver com paixões clubísticas e contudo acabas com a alfinetada dos 6 milhões... De qualquer modo, tens toda a razão naquilo que interessa: é mais do que provincianismo. E, como já discutimos há dias, de Deus nada sei, mas DIOS diz-se por aí que estava ontem na Catedral da Luz e, muito sinceramente, eu estava longe para ter a certeza, deve ser verdade senão basta ver o golo de antologia do Di Maria! Abraço.

João Branco disse...

Kbb, nem mais. Tens que aparecer mais vezes.

Anónimo, pois...

Oscar, thanks

Tiago, acredita que pensei nisso. Que golo, meu Deus. Só mesmo na presença do divino, porque em quase dois anos, nunca fez nada parecido... hehehe

Anónimo disse...

O provincianismo cabo-verdiano é uma cópia do provincianismo portugues... meus caros, vocês nas ilhas têm de aperfeiçoar as cópias que fazem...

Anónimo disse...

Fazendo a vontade: segundo o Guiness somos 6 milhões!

E não seriam recebidos com o mesmo estardalhaço o Becckam, o Rooney, o Messi, etc, etc.?

É um fenómeno global: o futebol move montanhas.

E paixões.

E multidões.

E rios de dinheiro.

Poderia algum político que se preze não (se) aproveitar?

a) RB, anónimo por obrigação

João Branco disse...

Anónimo, em alguns aspectos tens toda a razão. Aliás, as cópias, são feitas a nível de alguma legislação ou reformas que acabam por se mostrar impraticáveis dadas as realidades diversas que comportam.

RB, estás mesmo certo do que estás a dizer? E se o presidente da Câmara fosse de outro clube e trouxesse malta de outras cores, o comentário seria o mesmo? O meu texto seria o mesmo, garanto-te. E quanto a visitas de outras vedetas, enfim, estás a comparar figuras que não são comparáveis, mas um dia destes escrevo um texto sobre isso... Abraço!

Anónimo disse...

João; Quando um colega Brasileiro de Baltazar Lopes afirmou-lhe que os Brasileiros eram o povo mais ingrato do Mundo Baltazar respondeu-lhe assim: Voce diz assim, porque o caro amigo não conheçe os Caboverdianos...

Quem comenta a atitude de Rodrigues Mascarenhas que recusou jogar na seleção de Basket de Portugal e preferiu as cores de Caboverde?... Será que ele é recebido por ministros este grande atleta aqui das ilhas?. NEM PAU!!!
O mal é geral meu caro João: Quantos destes tecnocratas vão ao teatro? a mostras ou concertos dos bons artistas que temos? No parlamento é só papo furado. Os Portugueses como Mário Laginhas e outros grandes portugueses que passam por cá são recebidos pelos politicos? Nem Pau!!!! Aqui gostamos é das carneiradas (PUPU/LARES...
Mas como dizia e bem o meu saudoso Amigo João Varela um dos maiores cranios Verdiano: NÃO SE PODE SER CULTO E MANHENTE AO MESMO TEPO, SALVO O DIABO POR DEFORMAÇÃO PROFISSIONAL.
Aquele abraço. Tchale Figueira

João Branco disse...

O Mascarenhas? O Mário Laginha? Isso não dá votos. Ao Mário, nem o facto de ter no nome de uma das mais famosas praias de Cabo Verde o safa. Será que ele também tem uma costela por aqui? hehehe Abraço!

Lily disse...

Isto é vira o disco e toca o mesmo... igual em todos os sítios...El Pibe esteve em Itália envolto também em recepções calorosas...
Mas há coisas que não fazem sentido de todo...Festejos do Dia da Liberdade e Democracia, fazem uma corrida comemorativa e chamam de fora jogadores de futebol ? Então que chamassem atletas de atletismo (passo a redundâcia) e com verdadeira costela cabo-verdiana...assim de repente o Nélson Évora (que, dizem as más línguas, é filho da Cesária Évora e do Nélson Mandela...eheheh)
Ele há coisas...

Anónimo disse...

O meu comentário seria também exactamente o mesmo. Até porque, segundo o Reporter da RTP África, o Presidente da Câmara da Praia é de outro clube.

Não é vermelho, digo eu...hehehe!

E não foi esse emblema que patrocinou (ou seja, pagou ou ajudou a pagar)a corrida comemorativa?

Lily: o Nelson Évora só se fosse para dar um salto até a Assomada. Ademais já tem um cartaz enorme à saída do Metro de Odivelas.

a)RB, anónimo por obrigação

Lily disse...

E muito bem RB, pena que seja só em Odivelas e que os portugueses, desta vez, não tenham posto as bandeiras à janela. Finalmente o motivo, poderia justificar o gesto.
João, errei na sugestão... o Nelson Évora também é atleta vermelho... ;) eheheh

Cumprimentos a todos,
Lily.

José Eduardo Fonseca Soares disse...

MENOS! é o que me apetece dizer a isto. Menos em relação aos contra, e menos em relação aos que produziram... Isto apesar de estar de acordo com muitos dos comentários... Mas é facil dizer:'se fosse outra cor, faria o mesmo comentário'... sugerir à toa: 'se calhar é tb a cor do presidente' quando na realidade nem é... Cito RB: 'E não seriam recebidos com o mesmo estardalhaço o Becckam, o Rooney, o Messi, etc, etc.?' É claro que a coisa seria outra! Não esquecer que nós os ilheus cabo-verdianos sempre estivemos virados para fora - e não é por acaso, nem por sermos 'parvos' - por necessidade! E, é claro, têm sempre mais visibilidade as 'estrelas'... Por outro lado, essa caravana justificava-se muito mais... se bem enquadrada
Tchá

embrulha disse...

Sou obrigado a voltar... pois é, o Benfica é grande! Eu sei que doí a muita gente, quanto a Cabo Verde, acho que é lógico sentirem orgulho em receber pessoas como Eusébio. Um dos melhores jogadores do mundo de todos os tempos, tal como eu senti orgulho em ter no meu estádio o grande , o fenomenal Armando Diego Maradona, O MELHOR JOGADOR DE SEMPRE!
Para terminar, falam do nosso provincianismo? Tal como disse um anónimo, e é bem verdade, vocês copiam-nos em tudo (ou quase tudo), vocês nas ilhas têm de aperfeiçoar as cópias que fazem...

João Branco disse...

Embrulha, leva a taça...

Tchá, foi tudo mal enquadrado e um pouco... enfim. Cala-te boca, que já disse o que tinha a dizer sobre isto!

Lily e RB, o Nelson Évora tem uma ligação um pouco mais forte, medida em várias costelas...

Ariane Morais-Abreu disse...

Indigência rima quase sempre com superficialidade e ociosidade... e nos tempos de crise faminta volta sim histeria colectiva!! No entanto levanta-se no lado oposto do campo verde algo radicalmente frondoso e fresco que reavive o essencial e as esperanças. Dum mal pa um bem... acredita-se nas humanidades adormecidas.

João Branco disse...

Belo parágrafo...