Ficção Cafeana

8 Comments


Foram descobertas em local identificado perto da aldeia de Salamansa, na ilha de S. Vicente, umas escavações com ossadas, cuja origem e data não se sabia ao certo. Esse conjunto de ossadas tinha uma característica espantosa e que nenhum dos maiores especialistas mundiais da área que visitaram o local em romaria, conseguiu explicar: era apenas constituído por costelas.

Foram enviadas amostras para vários dos maiores laboratórios do planeta e os resultados vieram confirmar a importância deste local, denominado pelo National Geographic, não sem uma ponta de inveja, como "o umbigo do Mundo". Dessas análises ao DNA, estudos de Carbono 14 e outros similares, com a ajuda de programas de computador altamente sofisticados, ficou-se a saber que estas costelas pertenciam a algumas das mais importantes figuras da história da Humanidade: uma costela do tetravô de Barack Obama; uma costela de Napoleão; uma costela de Mozart; uma costela de Gandhi; uma costela de Fernando Pessoa e, a maior descoberta de todas, uma costela de Jesus Himself.

Por isso, a notícia de que o melhor jogador do mundo terá deixado uma costela sua plantada, numa das passagens que fez pelas ilhas de Cabo Verde, não espantou ninguém. O próprio Pelé comentaria para os jornalistas: "é uma terra maravilhosa, ideal para as costelas de qualquer mortal. E quanto mais famoso for o dono da costela, melhor." Sabe-se que ele e o Maradona, inimigos de vida, já consultaram os respectivos advogados no sentido de conseguir que pelo menos uma costela de cada um seja plantada em solo cabo-verdiano.

As costelas de Cabo Verde passaram a ser, juntamente com as perfeitas bundas crioulas, os principais argumentos utilizados pelas agências de viagens internacional, para transformar as ilhas num destino turístico ainda mais desejado. "Venha e plante a sua costela" é um dos lemas da última campanha governamental.


P.S. Qualquer semelhança com a realidade, não passa de pura coincidência. Naturalmente.



You may also like

8 comentários:

Catarina disse...

lollllllllll
lolllllllll
lollllllll

Arsénio disse...

Eu, no alto do meu orgulho de ser cabo-verdiano, já tenho essa costela.
Portanto, menos uma preocupação para mim.

Que venham CR e mais gente a procura das suas costelas.

Eileen disse...

Delicioso!! A tua veia jornalística de ficção devia ser bem mais explorada...

Anónimo disse...

AH, AH, AH, AH!! (gargalhada franca).

Parabéns, caro João: absolutamente hilariante.

Fico agora à espera que descubram rapidamente a localização exacta da costela da Angelina Jolie!

Pois, como disse Jorge de Sena:

O que de nós mais dura: só esqueleto
que nos fez ósseos mais do que moluscos.
O resto acaba tudo: quanto foi sentidos,
vontade, amor, inteligência, carne,
e sobretudo sexo, o sexo acaba
e se desfaz na mesma pasta informe
e fim de tudo que não é só ossos,
apenas os detritos da armação mecânica
de que se pendurou por algum tempo,
em sangue e carne, o porque somos vida.
E aquilo com que a vida se gozou
ou por acaso vidas foram feitas,
acaba como o mais – e os ossos ficam,
dos deuses esburgados. Porque os deuses temem
que sobreviva o sexo em de que morrem
na liberdade de existir-se nele.

(p.s.) Para os maldizentes que aí virão esclareço que, embora mandrongo, a minha costela já aí está plantada diazá.

a) RB, anónimo por obrigação

João Branco disse...

Catarina, ouviu-se daqui... hehehe

Arsénio, tu tens as costelas todas, não é só uma!

Eileen, é preciso inspiração. E essa de descobrirem costelas crioulas ao CR foi uma valente inspiração!

RB, excelente gosto para costelas. Bem que podia ser. Quanto ao poema, vai merecer um post próprio. Profundo!

Lily disse...

Maravilhoso!!! AHAHA...
Bom, pelo sim pelo não, vou fazer como o Pelé e o Maradona... não vá o diabo tecê-las!!!
Estou a ver que andava desactualizada das campanhas publicitárias!!! Valha-nos o Café Margoso, para nos pôr a par destas últimas tendências!
Cumprimentos,
Lily.

Anónimo disse...

Bá gozá má bo PAI!!!

João Branco disse...

lily, vê la´se não deixas ficar a costela de Adão...

Anónimo, môs, oh ke falta de humor.