Declaração Cafeana

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Citação 01: "Humilde, mas determinado na conquista de novas vitórias, que deverá conduzir o MpD ao governo em 2001, Jorge Santos diz que o ano prestes a findar, representa para ele o fim de uma etapa e o início de um outra, pois 2009, advoga, vai encerrar uma série de desafios novos, dentro e fora do partido."

Citação 02: "As muitas inaugurações de escolas, clínicas e estradas, ocorridas por todo o País em 2008, garantem a José Maria Neves o epíteto de Melhor Primeiro Ministro de Cabo Verde. Em verdade, Cabo Verde está melhor, muito melhor do que há um ano atrás."


Lendo estas duas frases ficamos a pensar que estas terão sido retiradas, com toda a certeza, de panfletos partidários ou das páginas oficiais dos dois maiores partidos de Cabo Verde na Internet, em editoriais inflamados, naturais nestas circunstâncias, com o objectivo principal de motivar as respectivas "tropas" para o novo ano.

Mas não. Por incrível que pareça, as duas citações foram retiradas do último número de dois dos três semanários actualmente existentes no país, o que nos faz perguntar: é este jornalismo que queremos? Como se pode acreditar quando em editoriais destes jornais se escreva que a "isenção" é importante e linha de orientação? Para quando um jornalismo realmente isento e desligado dos poderes partidários? Mais uma vez chamo atenção que como consumidor falo. Compro e leio todos os jornais que se publicam e escrevo crónicas num deles. Mas isso não me impede de verificar que estamos muito longe de conseguir um ambiente de verdadeira isenção e qualidade na maioria das páginas dos jornais cabo-verdianos.




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7 comentários:

Anónimo disse...

O problema situa-se, creio, na excessiva partidarização da vida política caboverdeana e na evidente fraqueza da sua "sociedade civil". Ainda por cima num contexto em que os dois partidos dominantes não se encontram ideologicamente estruturados, constituindo cada um deles "frentes" em que de tudo de pode encontrar: desde o mais serôdio reaccionarismo, ao mais redundante liberalismo.

Para quando a tão necessária charneira da esquerda progressista e dos valores?

a)RB, anónimo por obrigação

Arsénio disse...

Não nos devermos nos esquecer que quem fundou esses dois jornais foram os militantes e dirigentes desses partidos e que ao meterem nessa tarefa estavam, simplesmente a arranjar algo para defenderem os seus ideais (isso ainda existe por lá?).
Portanto, não vamos esperar mais desses jornais. Eu leio todos, porque gosto de ler jornais, mas já sabendo que tenho de ter um filtro.
Até dá para adivinhar quem vai fazer as primeiras páginas (quando é notícia pela positiva e pela negativa).
Mas também temos de fazer a seguinte pergunta: o que andam a fazer os nossos poucos jornalistas?
Sim, porque muitos se auto-intitulam de jornalistas, quando na realidade não são.

João Branco disse...

Concordo com o comentário. Venha mais vezes.

João Branco disse...

Arsénio, o problema é os jornais dizerem que são uma coisa quando se vê, a milhas de distância, que são outra. Se querem ser meros ecos partidários, que se assumam. Não me venham depois com o discurso da ética e da isenção, porque está longe de ser o que se vê. Quanto aos jornalistas, nem me meto nisso. Já o fiz uma vez e dei-me mal.

Anónimo disse...

joao concordo contigo, o mais normal é vemos em paises desenvolvidos jornais terem clara tendencia a apoiar certos partidos, e isso viu-se na ultima eleçao americana, em q varios jornais endossaram o seu apoio publico a obama... mas Cv esses jornais dizem q nao apoiam nenhum partido mas depois escrevem o contrario, e comparando ao que escreve o site dos proprios partidos , os jornais ate escrevem muito mais que eles...


www.djadsal.org

João Branco disse...

Se são, que assumam e pronto. Ninguém vai ficar chateado em saber o que toda a gente já sabe. E fica tudo em pratos limpos...

Anónimo disse...

Quem é o autor da ilustração?
Gato Esteves