Declaração Cafeana

15 Comments



Confesso que fiquei espantado com alguma reacção ao painel que coloquei aqui no dia de ontem. Vozes indignadas se levantaram contra estes "pseudo-intelectuais" que proliferam que nem o mosquito do dengue, outros mandam indirectas aludindo a uma "dominação cultural" e outros ainda comentaram no próprio post contra a "banalização do conceito de herói". Isto tudo com uma violência verbal que, confesso, não consigo entender.

Acho que estes desmandos valem o que valem, mas devo dizer que não estava à espera. Como expliquei, o painel mostra personalidades, a maior parte delas ligadas à cultura, que tem sido referenciados aqui no Café Margoso ao longo deste dois anos e que se tem destacado nalguma área. Juntamente com estes coloquei ainda o próprio Amílcar Cabral, já que a data lhe é dedicada e uma mulher não identificada, que simboliza o conjunto de mulheres que tem lutado neste país em condições muito difíceis, nomeadamente pela educação dos seus filhos e netos.

Não entendo onde é que um painel que tem figuras como Eugénio Tavares, Bana. Cesária Évora, João Vário, Paulino Vieira, Bau, Vasco Martins, Manuel Figueira, Corsino Fortes, Boy Ge Mendes, Vadu, Katxás, Tutuna Évora, Ildo Lobo, Germano Almeida, Mito, José Luiz tavares, Luisa Queirós, Manuel d'Novas, Orlando Pantera, Jorge Martins ou Tito Paris possa ser ofensivo para certos indivíduos. Alguém me pode explicar?




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15 comentários:

Anónimo disse...

O post do Pss diz tudo.

"Será que faz sentido colocar no dia que é assinalado o assassinato de Amílcar Cabral, um Germano, ou um César, ou um Almeida, ou um 180 Graus qualquer e dizer que eles são Heróis Nacionais?"

Haja mais respeito pelos verdadeiros Heróis Nacionais.

Lays disse...

O problema é muito simples... o teu blog já é uma referência, e quando proclamas que alguém é um herói parece que é o próprio Presidente à condecorar toda essa gente.

Pss disse...

Ok vou explicar. Ou melhor não vou explicar nadinha. Vou só dizer: essa de METER tudo no mesmo “saco” não me parece assim tão normal. Pôr um Pantera, o Sr. do 180 Graus, Cesária, Germano, José, Tito, Bana no mesmo saco e por o epíteto Herói Nacional não é tão inocente como parece. Perguntemos Cesária canta porquê? Germano escreve porquê? Que sacrifícios são esses que eles fazem por merecer títulos de heróis ao lado de Amilcar Cabral? Portanto protesto. Protesto mas entendo. Aliás tenho de respeitar porque é exactamente por isso que houve um Amilcar Cabral. Porque caso contrário quem ousaria dizer que Cesária, Pantera, ou Bana, ou Nácia Gomi, ou Juventud em Marcha são heróis de Cabo Verde ?

Mic Dax (francês) disse...

Lays, JB el so podê sabê se el sinti sima Presidente, fora disso é so mandaboca inutil, q'ta tchêré um bocod d'inveja. Gente q'tem problema ma ego d'gente podê log abri blog pa tma conta d'sê ego.

Anónimo disse...

Só se for para ti, Lays..

Anónimo disse...

Ao omitires alguns "certos" nomes neste segundo post acabas por responder à tua própria pergunta.

Anónimo disse...

Como disse o Mrvadaz: "O elitismo não é e nem pode ser confundido com o heroísmo!"

JB disse...

Está bem. Siga a dança...

Pss disse...

Eu não pretendo em momento nenhum desvalorizar quem quer que seja que está naquele painel. Quem sou eu para fazer isso ? Aliás estão neste painel gente respeitável no que fazem. Só acho que colocar um Xpto qualquer e um Amilcar Cabral e dizer esses são os Heróis Nacionais não fica bem. É que não fica pela própria palavra que se usa "Nacional". Sem Amilcar, Xpto nunca poderia ser o que é. Pois sem Cabral quanto muito tinhamos como heróis: Camões, Diogo Afonso, Kaúlza de Arriga, Adriano Moreira, e quem Cavaco Silva quissese. Hoje quem quiser pode ter um Kaúlza de Arriga como herói. Continuará a ver actos de bravura num Diogo Afonso e tem como marco cultural incontornável um Camões. Mas tem o pleno Direito de reconhecer heroismo num Pantera, num Paulino Vieira, num Nancia Gomi. Temos até a liberdade de ver 180 Graus e achar que aquilo é um acto de heroismo. Algo que sem Cabral era impossível. Por isso vamos lá colocar os heróis no seu devido lugar.

Anónimo disse...

Por favor...estou espantada com o exagero dos comentários. João queres uma dica...cola o teu BI, na rua de Lisboa, ou seja lá que documento tiveres a provar que tens liberdade de fazer o que fazes, porque és cabo-verdiano ( e mesmo que não fosses) para mostrares a estes invejosos, que tens exactamente conhecimento de causa (da cultura cabo-verdiana e por arrasto, da sociedade cabo-verdiana). Cabo-verdiano é tud uns complexod..

Lily disse...

Enfim... há coisas que não se explicam...
Só não entende quem não quer...

Redy Wilson Lima disse...

Oh joão estou pouco me lixando com o teu painel sobre os heróis nacionais porque acho que cada um deve ser livre de escolher quem quiser para atribuir o título que quiser. Se falas do meu post intitulado "dominação cultural" quando dizes mandar indirectas, tu mais de que ninguém deverias saber que ao contrário de muitos por aqui, se tenho algo a dizer digo doa a quem doer e mostro a cara... o que me intriga é o porquê que sempre que escrevo algo sobre a cultura ou seus agentes, alguém da cultura acho que falo dela... está-se a tornar um hábito.

Anónimo disse...

Num país a sério serias processado!.
É por estas e outras que o nosso CV está a transformar-se "nisto". Já não há respeito por nada nem ninguém... Nem pelos nossos heróis nacionais, aqueles que sacrificaram a sua juventude e a própria vida para que hj fossemos livres e pudesses escrever barbaridades à vontade.

Anónimo disse...

Essa coisa de héroi é tão pessoal...e é muito importante na nossa infância.
A tua definição/escolhas é tão "subjectiva" João...

Amilcar Cabral foi o que foi e somos "Caboverdeanos" por ele ter passado por aqui. Bem ou mal depende do "business" de cada um agora...

Para mim ele fez História e o resto que corra para alcançar os seus calcanhares.

Bsote fcá cool

moreia

Sarabudja disse...

Atenção, seguem-se linhas escritas por alguém que pensa pela própria cabeça.

João, quando vi o mural, achei piada. Principalmente quando identifiquei duas meninas, que rapidamente pensei serem as suas duas filhas. E não errei. (isto de ser mulher...)
Depois fiquei curiosa porque não conheço todas as caras e até me surgiu a ideia de lhe pedir que fizesse uma legenda, para entender melhor.
Por fim, lamentei que o João não conhecesse a minha Dona Carlota. Uma Senhora espantosa, que nasceu na Praia (teve uma companhia de teatro), mora em Assomada, e é uma de uma riqueza humana e cultural. De certo teria lugar neste painel se a conhecesse.
(Amilcar Cabral teve uma paixoneta por ela)
Amilcar Cabral é, sem dúvida, um heroi de Cabo Verde e do mundo. Um exemplo. Mas Cabo Verde seguiu depois da sua morte, e cada ser é único, e o país faz-se desses herois desse painel e de outros paineis. Cada um à sua maneira contribui para que o país seja melhor.
Os tempos são outros, as causas a defender são outras.
Que não se esqueça Cabral, mas que não se censurem outros herois só porque acordámos mal dispostos.
E tenho dito!
Adoro essa transparência humana que encontro nas escolhas e tão falheira nos nossos tempos.