Declaração Cafeana

29 Comments




Saiu no Bianda este comentário, entretanto promovido à condição de post próprio, a propósito do violento episódio de ontem ocorrido na cidade da Praia:

"Enquanto se tenta salvar um cinema, uma referência na cultura caboverdeana, não nos apercebemos que estamos a ser actores mal pagos de um filme sem qualificação possível do qual almejamos rasgar a tela que nos separa da realidade a tempo de não sermos a próxima vítima deste tão mal elaborado guião. Estamos sentados impavidos e serenos numa plateia também ela de má qualidade, desorganizada e fedorenta. Os realizadores e ficcionistas sociais que nem sequer por nós foram escolhidos mas que numa salada de paladar duvidoso nos deram a aprovar nas urnas, diariamente nos vende uma imagem tridimensional e irrealista de um país solarengo e de sucesso com vista para o atlântico. Preocupados com sei lá o que, fingem não ver que a sociedade está morribunda e decadente. Será que ninguém tem coragem para dar o grito? CORRRRRTAAAAAAAA!

Marco Além (um ilustre comentador neste blog)"

Por mim tudo bem, o discurso até que é bom e concordo com (quase) tudo. Mas só queria perguntar o que é que o facto de se tentar "salvar um cinema" tem a ver com isso, a não ser para contradizer a ideia central do comentário: que nos estamos todos a cagar em cima da merda que nos rodeia, mas sempre afirmando que a porcaria não é nossa.

Em primeiro lugar, o "cinema" não é só um cinema. É um edifício histórico, é património arquitectónico, foi sala de espectáculos onde muitos dos maiores artistas deste país lá fizeram a sua estreia, foi sala de conferências dos mais ilustres intelectuais de Cabo Verde, para além da enorme importância social e cultural que a possibilidade de se ter um cinema no Mindelo teve durante décadas seguidas.

Depois, quem lutar por um património do seu país, seja ele qual for e em razão directa da sua importância histórica e cultural, não fará parte, certamente, dessa tal plateia fedorenta que assiste impávido e sereno a tudo o que lhe está acontecer. Haja pelo menos alguém - e já são 650 as pessoas que assinaram esta petição - a fazer alguma coisa sobre alguma coisa. De resto, repito, concordo com muito do que ali está escrito, só acho pena que se misturem coisas só porque não se comovem com uma determinada causa.



You may also like

29 comentários:

jose newton disse...

Aqui no Brasil, a esse tipo de resposta chamamos: "dar nos dedos". Bem feito... Também não gosto de certas críticas, principalmente dos que não participam de nada e ficam dando "pitacos" sobre a ação de outros. Para vocês aí do Cabo Verde, uma boa luta - salve o cinema!
duCANA - Brasil/RS/Livramento

Anónimo disse...

qta sensibilidade...andam os nervos à flor da pele...

Anónimo disse...

Uma pergunta, João: a Petição pode (deve) ser assinada por Tugas, ainda que "adoptados"?

a) RB

Carla disse...

João sobre a petiçao:
será que a Assembelia nacional aceita as assinaturas feitas de forma digital? não será preciso documentos que comprovem a identidade e idoneidade daqueles que assinaram?
Fiquei confusa com isso! porque senão é mãos a obra e voltarmos todos a assinar. Agoar com caneta mesmo e de B.I. na mão !
se precisares de ajuda aqui na Praia pra isso, é so dizer.

Lau Baptista disse...

Foi um grande prazer conhecer o seu trabalho e seu Blog.
Estarei sempre presente buscando aprender.
Abraços,
Lau Baptista

Mic Dax disse...

?

Oh nho Jon, bo t'flipa! Qel Marco Além tava brinca, m't'otcha... Am entendêl assim : né mixtid salva cinema, no ta c'tchéu cinema na vida d'tud dia.

Qel "né mixtid salva cinema" é um imagem, um tal litote, m't'otcha q'TUD-GENTE-NESS-MUND crê tra Eden Park d'mon de qêm-bô-sabê, e é justim esse unanimidade q'tcha spaço pa brinca, pa usa ess tema na ote conversa.

Não?
Bom.

PS: Boa entrada, nho Jon.

Marco Além disse...

Será que vocês perceberam o desabafo de Marco Além?

JB disse...

Bem, não deixa de ser irónico que eu, que tanto barafustei por certos clientes não alcançarem determinadas ironias, tenha sido eu apanhado nessa teia. É bem feito! hehehe

Cesar Schofield Cardoso disse...

Achei despropositado este teu post. Não achei que o comentário no meu blog tenha diminuído a causa do Eden Park. Ele só pegou a comparação e tratou de um outro tema. Polémica desnecessária, João. Usa as munições onde são necesárias

JB disse...

César, meu amigo,deixa-me discordar contigo. Não estar de acordo com determinada coisa ou assunto (ou forma de o abordar) não quer dizer necessariamente que se esteja a polemizar. A manifestação de divergentes, e a sua assumpção, é não apenas saudável, como absolutamente vital. E digo isto sabendo que eu próprio tenho alguma dificuldade em conviver com opiniões contrárias. Mas estou aprendendo. Todos os dias.

Abraço e lamento a perda do teu amigo.

JB disse...

... a manifestação de divergentes opiniões, era o que queria dizer (faltou a palavra "opiniões" no comentário anterior).

IsaDora disse...

A comparação das prioridades de desenvolvimento do país e a questão do cinema é infeliz sim. Porque estamos as presenciar em CV uma crise de valores e essas atitudes ligadas à preservação do património histórico e cultural são sinais de que o organismo social está reagindo face à crise de valores, apelando à questão da identidade, uma reacção necessária para o resgate a longo prazo da estabilidade social.

Anónimo disse...

Enquanto uns se esforçam para salvaguardar o património (trabalho esforçado, autentico e louvável), outros, os políticos eleitos, esses que deveriam legislar e tomar decisões, como valorizar o património, e promover o bem estar social e cultural, nada fazem e fingem não ver o que se passa. Preferem aparecer nos jornais a publicitar um pais das maravilhas quando na realidade, vemos a nossa juventude a matarem-se uns aos outros sem reacção possível por medo. Há alguém capaz de por ordem neste país?
Seria esta a mensagem?

Anónimo disse...

Acho bem que cada um de nós, compre uma guerra para si, no melhor dos sentidos. Se cada um de nós abraçar uma causa nobre, cada um fizer a sua parte, o conjunto e o resultado só podem ser grandes. O JB tem razão em abraçar as suas, que considera válidas,e os outros que abracem também as suas, pois a unidade fez sempre a força...Não podemos estar sempre de acordo, pois não pensamos com as mesmas cabeças. O que importa reter é o activismo para as causas, sejam elas lá quais forem desde que nobres.Isso sim considero relevante. A divergência de opiniões é salutar e deve existir, mas devemos respeitar as causas de cada um, e defender com unhas e dentes as que achamos que valem a pena, como está a fazer o JB. Mandar bocas, toda a gente sabe, agora levantar o cú do sofá, e passar das palavras aos actos, isto é o que nos diferencia uns dos outros.

Força JB, continua a tua luta, se acreditas nela.

PS:Olha, para que conste, o meu primeiro filme foi o EDEN PARK, " Meu pé de laranja lima", que chorei rios de lágrimas, meória que guardo com muito carinho.

Pimintinha

zito azevedo disse...

Tanto xinfrim por tão pouco...Na qualidade de "Tuga" adaptado, como alguém refere, mas com mais anos de adaptação do que aguns de vós de vida, digo: SALVE-SE O EDEN-PARK de preferencia como espaço de cultura, de prefrencia com cinema, de preferencia com animação, de preferencia com inteligencia, de preferencia a qualquer mausuleo...

Anónimo disse...

Pessoal, dêm uma olhada no bianda uma carta aberta escrita pelo Além, esclarecendo o seu comentario...
Eu tb nao achei que quisesse desvalorizar a acção do JB em relação ao Eden-Park...
A reacção do JB foi como que tentar matar uma pulga com uma bazuka...completamente desnecessária! Mas é como se disse, qdo não es está com ele e nao se concorda com ele, é assim que reage. Não foi a primeira, nem a ultima vez...
JB é uma figurinha complicada que não pode ser posta em causa muito menos sentir a sua áurea de estrelato ser ameaçada...vai logo expondo essa pessoa no seu blog para que ela seja trucidada!!
Francamente

JB disse...

Nem tanto ao mar nem tanto à terra, mas pronto. Já estamos habituados. Quem dá a cara e a opinião, está sujeito a este tipo de coisas. Estamos completamente desabituados ao desafio do contraditório, que vemos logo nisso uma guerra civil. Tenham lá calma. Não sou nada uma figurinha complicada, sou como qualquer outra pessoa. Tranquila, normal, que opina sobre os assuntos que lhe interessam. E se me conhecesses um bocadim que fosse (só mesmo um bocadim) verias logo que o que não me interessa de todo, é o estrelado. Dispenso-o bem. mas pronto, é a tua opinião, e ao contrário do que prometi - que não publicaria comentários anónimos (porque será que quando é para criticar o pessoal NÃO DÁ A CARA?) - publiquei este para não me virem aqui acusar de publicar só comentários favoráveis. E tem mais: seguindo uma sugestão de um cliente por altura do segundo aniversário, vou transforma-lo em forma de post. Quem quiser, que opine. Só tenho pena que se façam julgamentos pessoais e de personalidade sem se conhecer (nem um pouco) quem se está avaliando.

Anónimo disse...

Nao JB...quem dá a cara e opinião está sujeito a receber o contraditorio...e olha, o Além foi muito correcto e explicou inclusivamente os critérios para se categorizar um edificio como património arquitetónico. Está lá. MAs daí fico perguntando: como reagirá o JB e sua "tropa de elite" se não se agendar a discussão da petição? Como reagirá o JB se se vender o Eden-Park como se pretende?
MEu caro, o cinema enquanto estrutura da forma como esta dimensionado o Eden-Park esta cada vez mais em desuso. Hoje em dia usam-se salas menores, para rentabilizar. Se reparares, o Eden-Park é multifuncional e não será o facto de gerações terem passado por lá, musicos terem feito estreia que nao será vendido ou reaproveitado para outra actividade. Quantos lugares no mundo já assaram pela mesma situação? E vc, até agora nao ouvi uma proposta tua de rentabilizaçao do espaço, com actividades concretas e dinamizar toda o espaço circundante, numa perspectiva integradora e nos dois sentidos...
Abrs,

JB disse...

Concordo que ele foi correcto. Não está isso em causa. E a petição não é sobre o cinema em si, mas sobre o valor patrimonial e arquitectónico do edifício, que deveria manter a sua fachada e a sua valência cultural. Já escrevi isso várias vezes em vários lugares. É só estar atento. Portanto, se ainda não ouviste ou leste propostas concretas minhas sobre esse espaço é porque andas desatento. O que é normal hoje em dia, a informação é tanta.

O que é isso de "tropa de elite" já agora? São as pessoas que assinaram a petição? São as pessoas que concordam que este património, como tantos outros, não deve ser pura e simplesmente destruído? São pessoas prontas para a "guerra da cidadania"? Se é nesse sentido, é bem-vindo o termo bélico. Senão, nem faz qualquer sentido.

Como reagirei se o Eden Park for vendido e lá for construido um hotel ou um centro comercial? Ficarei muito triste, claro. Mas não posso fazer mais nada além desta luta que encetei, sem grandes esperanças de resultados práticos, aliás.

Se a AN não se pronunciar, paciência. Cá estaremos para julgar e opinar, sem problemas. Enquanto cidadão no pleno uso das suas faculdades mentais e no uso das possibilidade que a constituição lhe confere, nomeadamente da livre e pública expressão de opiniões.

Abraço

Marco Além disse...

Meus amigos!
Prometo que da próxima farei um desenho. Um desenho minimalista. Com apenas uma cor. Será uma cor simples, não composta para não complicar. Em pastel seco para não ter brilho nem ofuscar se for exposta. Também será num tom frio para não aquecer nem apoquentar algumas mentes. Hoje acordei constipado. Acho que a frescura da ignorância alheia constipou-me.

JB disse...

Pronto. Faz isso. Mas cuidado, que a ignorância (há quem lhes chame distrações, mal-entendidos, normais em seres humanos normais, mas certamente raro e estranho para seres iluminados por uma inteligência superior à comum dos mortais), pode um dia, bater-te na tua própria porta. O comentário final ficava perfeitamente bem, e até com uma certa graça sem a frase final. Foi a cereja que estragou o bolo.

Abraço

Marco Além disse...

Por acaso não me referia a si, por quem apesar dos pesares mantenho a minha simpatia e admiração pelos seus empenhos. Quanto à ignorância, não se preocupe que a ignorância é um campo vasto. Há la espaço para todos. Pessoalmente tenho lá um espaço a perder de vista.
Da minha parte fica aqui encerrado este episódio.
Como não sou nem nunca fui iluminado, cá estarei para me resplandescer à sombra alheia.
Bem Haja e sucessos

Anónimo disse...

Oh JB, vc é alguma coisa que vc ainda nao descubriu!
Dvinha, dvinha!
O Exorcista

Anónimo disse...

caro marco. devo dizer-te q achei o teu texto em forma de comentario no bianda fenomenal. há muito que n lia coisa q retratasse tão bem contexto e circunstancias q vivemos hj em cv (em particular). porém, com muita pena minha "borraste a pintura" com esta incursão teorica sobre os criterios de avaliação acerca de patrimonios arquitectonicos de valor patrimonial. m me vou estender mas só sugerir-te que vás um bocado mais ALÉM nesta forma de ver as questões patrimoniais... só uma dica: poe um bocadinho mais de emoção e coração nesse assunto. acredita q estendeste-te por completo.

JB disse...

Oh Marco, mas onde é que vc leu que eu me referia a mim? Olha, vou à Praia este fim de semana e gostaria de o convidar para um café, face to face. Aceita? Manda-me o seu contacto para o mail aqui do Margoso e eu entro em contacto consigo.

Aquele abraço, e no hard fellings.

Anónimo disse...

Marco quem és tu para dizer que somos ingnorantes, Porquê? Porque viveste maior parte da tua juventude em Portugal? Ganhaste uma prepotência típica de alguns emigrantes que ao voltarem à terra natal tentam destacar-se a todo custo,o que não conseguiram além mar. Voltaste à "tua terra", todo fanfarrão com sotaque refinado, mas voltaste só em corpo, porque só alguém que não tem alma de caboverdiano diria que o Edifício do Eden Park não tem valor patrimonial. Não sabes nem dizer o quetu és, quanto mais classificar patrimónios culturais caboverdianos.

Marco Além disse...

Agora temos ataques de Thugs nos blogs? tenha coragem e assuma a sua identidade. Aquele que ataca pessoas por não serem nacionais e por defenderem causas universais, mesmo que fosse meu irmão chamar-lhe-ia ignorante. Folgo em saber que me conheces tão bem e por saberes (melhor do que eu)aquilo que consegui ou não no estrangeiro. Poderás estar enganada.Contudo, fica sabendo que ao contrario de muitos o único refugio que conheço é a ambição. Não ando à procura de luz nem destaque porque tenho brilho próprio ao contrario de muitos. E se um dia tiver destaque, será pela excelência, não pela vaidade nem pela mediocridade.

Ariane Morais-Abreu disse...

Sim, ignorância trona e mata em CV mas ignorante nao é aquele que nao sabe, que nao aprendeu, é aquele que pretende saber sem nunca ter aprendido. Amilcar Cabral ja o dizia! Sendo expatriada desde dos meus 5 anos, vejo bem o que esta no meio do ultimo post do anonimo que nao toma fé da sua grande auto-xenofobia: " Ganhaste uma prepotência típica de alguns emigrantes que ao voltarem à terra natal tentam destacar-se a todo custo,o que não conseguiram além mar." Sera talvez um dos motivos inavoués que incentivou o cobardo assassinado de Dudu Teixeira?! Nao acham!!... Marco, apreciei a tua "plume" e audacia.

Anónimo disse...

Epah, estou a gostar deste Marco Além...
O Exorcista!