Declaração Cafeana

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Soube com um dia de atraso que ontem, dia 18 de Janeiro, e segundo estudos efectuados por um professor britânico da Universidade de Cardiff que não tinha melhor forma de ocupar o seu tempo, foi o dia mais deprimente do ano. Porquê? Bem, dizem eles, porque o Natal nunca esteve tão longe (para mim, isso é motivo de júbilo, mas tudo bem) e o Inverno tão agreste (aqui tem estado um frio gélido de 20 graus positivos de noite que faz com que ninguém queira sair de casa). Depois será deprimente também porque por esta altura já se deve ter recebido as contas do mês (como se não as houvesse todos os meses), e é neste dia preciso que se percebe que as resoluções do ano novo nunca serão cumpridas e que não se adivinham melhorias (como raio foram eles descortinar isto?).

Na verdade, tenho sido o primeiro a admitir que este início d'ano tem sido particularmente complicado, mas por condicionalismos outros que todos conhecemos. Mas o mais interessante da notícia não é o diagnóstico, é a proposta de cura. Diz o diário inglês Telegraph, que criou um guia prático de como combater este blue monday, que nada é melhor do que começar o dia comendo chocolate ao pequeno almoço. Apoiado! Depois, aconselha um passeio pelo jardim (aqui como ando sempre a pé e o centro do Mindelo é um pequeno-grande jardim, estou dentro do esquema). A seguir, uma exposição de pelo menos 15 minutos ao Sol (é só ir ali à varanda de casa e pronto, assunto resolvido!) e, finalmente, o cancelamento de uma reunião (praticamente um património cultural das ilhas). A conclusão é fácil e imediata: Cabo Verde é o paraíso do anti-stress. Será?

Se lermos os conselhos seguintes, talvez não: forçar um sorriso (há-os cada vez menos); marcar as suas férias (com que dinheiro, se é tudo caro e se ganha pouco?); imaginar o fim (despos de passa sabe, morre ka nada?); comer fruta (lá se vai o orçamento familiar!); e beber chá (só se for Ice Tea, mas não me parece que seja a mesma coisa). "Mude as músicas que ouve no ginásio" (se em vez de ginásio estivesse escrito rádios, estavamos fritos!); "tente exercer uma influência positiva" (com a nossa capacidade de invejar o vizinho, dúvido que o consigamos) e, se nada resultar, dormir uma hora mais cedo também é remédio para a depressão. Aqui, com a quantidade de festa e de paródia permanente, não me parece que seja essa a melhor solução!

Bem, mas se mesmo em Cabo Verde nada disto resultar, não desanimem: o estudo também revela que existe um dia que é "o mais feliz do ano". Acontecerá a 18 de Junho. Porque será? Cá por mim, acho tudo isto um disparate. Os dias mais e menos felizes podem acontecer a qualquer altura do ano e só depende da forma como, hora a hora, gerirmos as nossas emoções, tristezas, alegrias, pequenos prazeres e frustrações. O resto é conversa para boi dormir. E se chegaram ao final deste texto sem adormecer, certamente concordarão comigo.


Fonte: Diário I



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6 comentários:

zito azevedo disse...

O QUÊ ?!

JB disse...

Não ligues. Eu próprio me perguntei isso quando acabei de escrever este texto sem graça...

Joshua disse...

Eu até achei que tinha piada.
Mas pronto, eu estou numa fase em que acho piada a quase tudo. Estou numa espécie de silly season privada.
Agora a sério: gostei. Mais ou menos.
;)

JB disse...

Obrigado!!!!

Mestrando disse...

bem JB ,a unica parte q posso discordar é te lembrar q qd ele fala das contas a chegarem ,ele s está a referir aos exageros q foram feito pela altura do Natal e q são naturalmente mais dolorosas q no resto do mÊs q são só akelas contas burocráticas de sp(para os caboverdianos e brasileiros isso funciona duas vezes por ano pq agora é epoca das dividas de roupa de carnaval)

JB disse...

Ah Mestrando, pode ser que sim, não o entendi assim. Abraço.